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A figura 7.5 mostra os maiores varejistas da linha branca no Brasil e a localização geográfica de sua sede. Pode-se ver uma clara concentração de grandes varejistas na região sudeste, onde está o maior mercado consumidor do país.

Figura 7.5 – Localização da Sede dos Principais Varejistas de Linha Branca

Linha Branca – Localização Geográfica das Sedes Maiores Varejistas

Lojas Colombo Manzoli Quero-Quero Nordeste Sudeste Centro Oeste Houston do Nordeste Casas Bahia

Pernambucanas (Arthur L.S/A) Lojas Cem

Magazine Luiza Fast Shop CBD – Pão de Açúcar Carrefour Wal Mart / Bompreço Sonae Makro Gazin Dismar Romera Grupo City Grupo Bemol TV Import Lar Insinuante Provedora Ponto Frio – Globex Tele Rio Ambient Air Casa e Video Celdom Americanas.com DGM Sul Lojas Maia

Eletroshoping Casa Amarela Y. Yamada Ponte Irmão Leolar Ricardo Eletro MIG Eletrozema Rabelo Camelo Novo Mundo Ponto Certo Angeloni Salfer Berlanda Koerich Casas D’agua Benoit Norte

Tabela 7.4 – 50 maiores varejistas brasileiros de linha branca (2003)

Ranking (2004)

Varejista Estado da Sede Tipo de Varejo

1 Casas Bahia SP Magazine

2 Ponto Frio (Globex) RJ Magazine

3 Carrefour SP Hipermercado

4 Lojas Pernambucanas SP Magazine

5 Lojas Colombo RS Magazine

6 CBD (Pão de Açúcar) SP Hipermercado

7 Lojas Insinuante BA Magazine

8 Magazine Luiza SP Magazine

9 Gazin PR Magazine

10 Lojas Cem SP Magazine

11 Ricardo Eletro MG Magazine 12 Eletro do Nordeste PI Magazine

13 FastShop SP Especializado

14 Bompreço PE Hipermercado

15 Sonae RS Hipermercado

16 Novo Mundo GO Magazine

17 Bemol – Benchimol AM Magazine

18 Carlos Saraiva MG Magazine

19 Yamada PA Magazine

20 Comercial Superaudio SP Magazine

21 Rede Eletrosom MG Magazine

22 Eletrozema MG Magazine

23 Loja Dujuca ES Magazine 24 Eletro-Shopping Casa Amarela PE Magazine 25 Lojas Arno Palavro RS Magazine

26 Makro SP Clube

Atacadista

27 Salfer SC Magazine

28 Dismar PR Magazine

29 Telerio RJ Magazine

30 Grupo Dismobrás MT Magazine

31 Drebes e Cia - Lebes RS Magazine

32 FS Vasconcelos Magazine

33 Benoit Eletrodomésticos RS Magazine

34 E. Koerich SC Magazine

35 Wal Mart SP Hipermercado

36 Ponto Certo MS Magazine

37 Americanas.com RJ ponto com

38 J Mahfuz SP Magazine

39 Cybelar SP Magazine

40 Vesle – Impelco MT Magazine 41 Rabelo Som e Imagem CE Magazine

42 Eletrodoméstivos Pedro Obino SC Magazine 43 Import TV Lar AM Magazine

44 Manzoli RS Magazine

45 Organização Estrela GO Magazine

46 Base Lar SC Magazine

47 Franco e Almeida GO Magazine

49 Móveis Romera PR Magazine

50 G. Barbosa AL Hipermercado

Fonte: Indústria de Linha Branca / Varejistas

É interessante notar que os equipamentos varejistas de auto-serviço são dominados por empresas multinacionais:

- Wal Mart - Carrefour - Cassino - Tesco - Sonae - Disco - Ahold

Estas empresas estão buscando a consolidação no âmbito global, comprando varejistas locais ou globais de menor porte.

Já o equipamento varejista dos Magazines, seja qual for sua natureza, tem caráter familiar e de forte presença de capital local e não está presente na bolsa de valores: - Casas Bahia / Colombo / Pernambucanas / Magazine Luiza / Novo Mundo / Insinuante / Ricardo Eletro / Benchimol / Yamada / Grupo Claudino

- Ponto Frio / Lojas Americanas (Americanas.com) – capital aberto em bolsa

Isso mostra que o varejo de auto-serviço tende a se consolidar de forma mais rápida e internacional que o varejo de magazines. Isso porque o setor de bens-de- consumo não duráveis é muito mais representativo e global que o varejo de eletroeletrônicos. O primeiro, foco do auto-serviço. Já o segundo, foco dos magazines.

A concentração de um maior número de varejistas na região sudeste deve-se ao fato de que o potencial de consumo é significativamente maior, fazendo com que estas regiões sejam mais atrativas para o varejo, por conta do mercado consumidor. Somente o estado de São Paulo é responsável por 31,8% do PIB nacional, sendo a região sudeste, 55,2% do PIB. Já a região Sul 18,6%, Nordeste 13,8%, Centro Oeste 7,5% e Norte com 5% de participação no PIB (IBGE 2003 – Anexo III). As

grandes cadeias de varejo independentemente do equipamento que utilizam têm obrigatoriamente que estar presentes na região sudeste, para ter representatividade nacional.

Histórico:

O Varejo brasileiro de linha branca (e eletroeletrônico) entrou na era do Plano Real bastante desconcentrado no âmbito agregado. Três grandes dividiam a liderança do setor: Arapuã, Casas Bahia e Ponto Frio-Globex, cada um destes com por volta de 9% a 10% de participação no mercado. Em seguida vinham nomes como Brasimac, G. Aronson, Mappin, Casas do Radio, Kit Eletro e Disapel, que tinham em torno de 2% a 3% de participação no mercado, cada um.

A Arapuã poderia ser considerada o único varejista com presença nacional, com lojas do sul ao nordeste do país, exceto na região norte. Os varejistas independentes chegavam a somar perto de 25% do total do varejo de eletroeletrônicos.

Com presença local marcante, havia o Magazine Luiza, de Franca, SP, Lojas CEM, de Salto, SP, Insinuante, BA, Colombo, RS, Novo Mundo, GO e Ricardo Eletro, então em Divinópolis, MG. Apesar de sua importância local tinham sua atuação bastante restrita.

Já o canal de hipermercados representava, somados, não mais do que 6% do total de vendas de eletrodomésticos e era representado, basicamente, pelo Carrefour e pela Companhia Brasileira de Distribuição – CBD Pão de Açúcar.

O crescimento vertiginoso do mercado, como mostrado no capítulo 3, fez com que muitos dos varejistas tentassem atender a demanda sem se preocupar com o crédito. A inabilidade de calcular o risco de crédito dos consumidores num ambiente sem inflação fez com que grandes cadeias sucumbissem diante da crescente inadimplência, por falta de capital de giro e fluxo de caixa. A onda de “quebras” iniciou-se em 1998 e finalizou por volta do ano 2001 com a extinção de nomes ícones do mercado varejista como Arapuã, Brasimac, G. Aronson, Kit Eletro, Casas do Rádio, Mappin, e Disapel.

Este cenário pós 1998 era o ideal para uma consolidação do setor. O canal hipermercados ganhou participação logo em seguida, passando a representar em 2001 aproximadamente 15% das vendas da linha branca. Casas Bahia, por meio de crescimento orgânico e aquisições, passou a disputar a liderança com o Ponto Frio e estes se tornaram os dois “grandes” do setor. Os magazines que antes eram locais viram a necessidade e a oportunidade de expandir para novos mercados: foi o que aconteceu com o Magazine Luiza, as Lojas CEM, as Lojas Colombo, o Ricardo Eletro e, em menor escala, Lojas Insinuante e Novo Mundo. O varejista Casas Pernambucanas foi um dos que aproveitaram a sua boa penetração no Brasil com suas lojas voltadas para a linha de cama, mesa, banho e vestuário e passou a investir também na linha branca (e eletrodomésticos em geral) com grande sucesso, tornando-se um dos maiores do setor.

Após 2001 o setor passou por uma consolidação e as políticas de distribuição de crédito ao consumidor foram modificadas, a fim de retirar parte do risco do setor e se adequar ao novo ambiente de economia estabilizada e altas taxas de juros.