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5. Water Injection

5.3 Non-cemented liner

No estudo “Os Supermercados e seus impactos no sistema agroalimentar do Brasil” Farina e Nunes calculam as relações da variação do IPCA e a variação percentual da concentração do varejo em 5 regiões do país entre 1994 e 2000, segundo ALMEIDA (2003). Neste estudo é rejeitada a hipótese de que o grau de concentração do varejo de alimentos esteja correlacionado com o aumento de preços dos alimentos ao consumidor.

Os dados levantados para realizar este estudo para o varejo de linha branca são suficientes para o levantamento de dois anos (2003 e 2004), ou seja, uma série muito mais reduzida daquela apresentada por ALMEIDA (2003). De qualquer forma, o estudo foi realizado, mesmo com uma base de dados pequena, e as conclusões a que se podem chegar são as mesmas apresentadas para o varejo de alimentos.

Gráfico 7.3 – Variação do IPCA da Linha Branca e da Concentração do Mercado de Linha Branca em (%)

2003/2002 - Variação na Concentração vs. Variação no IPCA

12,5% 15,0% 17,5% 20,0% 22,5% -45,0% -25,0% -5,0% 15,0% 35,0% 55,0% Variação na Concentração V ar iaç ão n o I P C A BELÉM POA CURITIBA RECIFE BH SALVADOR RJ FORTALEZ A SP GO

Utilizada a mesma metodologia apresentada por ALMEIDA (2003):

VIPCAj,t = (IPCAj,t / IPCAj, t-1) / (IPCABrasil,t / IPCABrasil,t-1)

VCONCj,t = (Concentraçãoj,t / Concentraçãoj,t-1) / (ConcentraçãoBrasil,t / Concentração Brasil,t-1)

2003/2002 BH SP CUR FOR POA REC BEL GO SAL RJ

VCONC 0,82 1,11 0,75 1,04 0,74 0,78 0,43 1,20 0,88 1,01 VIPCA 1,00 0,99 0,99 1,02 1,03 1,02 1,05 1,01 1,05 1,02

Não há, no entanto, dados suficientes para que a tabela seja conclusiva, como no trabalho apresentado por ALMEIDA (2003). Todavia, há fortes indícios de que a concentração do varejo não causou aumento dos preços dos eletrodomésticos para o consumidor.

Os gráficos 7.4-A e 7.4-B abaixo corroboram fortemente com este indício. Eles contêm os preços reais de alguns eletrodomésticos selecionados por relevância em cada uma das três principais categorias, além da média do IPCA de eletrodomésticos da linha branca, deflacionados pelo IGP-M e o IPCA respectivamente.

Gráfico 7.4(A) - Preços de Eletrodomésticos e IPCAlinha branca Deflacionado pelo IGP- M

Gráfico 7.4(B) - Preços de Eletrodomésticos e IPCAlinha branca Deflacionado pelo IPCA

Fonte: IBGE (IPCA, IPCAlinha branca) / FVG (IGP-M) / ShoppingBrasil (Preços nominal a vista dos

eletrodomésticos)

Preços Reais a vista - deflacionados pelo IPCA

- 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 8,00 9,00 10,00 jan/ 99

abr/99 jul/99out/99jan/ 00

abr/00 jul/ 00

out/00jan/ 01

abr/01 jul/01out/01jan/ 02 abr/02 jul/0 2 out/0 2 jan/ 03 abr/03 jul/0 3 out/03jan/ 04 abr/0 4

jul/04out/04jan/ 05 abr/05 Índi c e de pre ç o a v is ta

Lavadora Semi-Automática Lavadora Automática Fogão 4 Bocas Refrigeradore 1 porta Linha Branca (IPCA REAL)

Preços Reais a vista - deflacionados pelo IGP-M

- 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 8,00 jan/ 99

abr/99 jul/99out/99jan/ 00 abr/00 jul/ 00 out/00jan/ 01 abr/0 1 jul/0 1 out/01jan/ 02 abr/0 2 jul/02out/02jan/ 03 abr/03 jul/0 3 out/03jan/ 04 abr/04 jul/04out/04jan/ 05 abr/05 Índi c e de pre ç o a v is ta

O que se nota é uma estabilidade do preço real dos eletrodomésticos da linha branca, quando deflacionado pelo IGP-M, talvez o melhor índice para os eletrodomésticos, pois capta melhor o aumento ou redução no preço dos insumos da indústria. Praticamente, os preços reais de eletrodomésticos estão em abril de 2005 nos mesmos níveis de janeiro de 1999, quando deflacionados pelo IGP-M.

Já no gráfico 7.4-B, onde os índices são deflacionados pelo IPCA, percebe-se uma estabilidade do índice agregado, IPCAlinha branca. Contudo, a partir de janeiro de 2004 dois produtos (lavadoras automática e o refrigerador de uma porta) apresentam um aumento real de preços, em relação à média desde 1999. A explicação deste movimento se deve mais à crise eleitoral de 2003, que impulsionou o preço das comodites para cima, em virtude de uma moeda local desvalorizada, do que com outros fatores, como a concentração do varejo. Sendo assim pode-se concluir que para estes produtos, o aumento real de preços em relação ao IPCA significou uma mudança no preço relativo em relação a outros bens da cesta de consumo. Isso, entretanto, é um dado isolado para alguns produtos, tendo em vista que o índice agregado permaneceu estável. Sempre relembrando que, para estes dois produtos, na análise do gráfico 7.4-A, o preço real permaneceu estável.

IPCAlinha branca Real (IGP-M) ⇒ 3,31 ± 0,47 (a 95% de confiança) IPCAlinha branca Real (IPCA) ⇒ 2,85 ± 0,40 (a 95% de confiança)

Os índices de preço real da linha branca, tanto deflacionados pelo IPCA geral, quanto pelo IGP-M apresentam estabilidade e têm uma variação no intervalo de confiança de 95% de aproximadamente 14% do valor médio. Isso mostra a estabilidade das séries, e que não há pressão por aumento real de preços.

Desta forma, pode-se concluir que não há indícios de que o aumento da concentração do varejo pressiona os preços ao consumidor para cima em termos reais. Além disso, os eletrodomésticos da linha branca têm o seu nível real de preço (do ponto de vista agregado) relativamente estável desde janeiro de 1999 até abril de 2005, qualquer que seja o índice de inflação empregado para deflacionar. Os aumentos pontuais apresentados por alguns produtos, quando deflacionados pelo IPCA representam nada mais que um repasse do aumento do custo do produto, em virtude da elevação do preço das comodites.

7.10 Conclusão

Pode-se concluir que as hipóteses tomadas sobre o varejo, no capítulo 4, estão coerentes, uma vez que o varejo não é concentrado principalmente quando analisado do ponto de vista dos mercados relevantes. Sua competitividade se dá pela credibilidade dos varejistas, do tipo de equipamento utilizado, e os serviços que eles oferecem como serviço pós-venda, facilidade de crédito e atendimento. A competição em Bertrand também é verificada, pois não há indícios de monopólio nem que o varejo consiga controlar os preços ao consumidor.

Abaixo seguem os principais pontos verificados neste capítulo:

(1) No Brasil, o varejo da linha branca e eletroeletrônicos caminha, tem se concentrado ano a ano, contudo ainda pode ser considerado desconcentrado (HH<1000) no âmbito Brasil

(2) Considerando as grandes regiões, pode-se dizer que o varejo é ou desconcentrado, (HH<1000) ou moderadamente concentrado (HH<1800). Nenhuma região apresentou HH>1800, caracterizando alta concentração (3) Não há evidências de que a concentração do varejo tenha alterado os preços

reais ao consumidor (tanto para cima quanto para baixo)

(4) Há uma estabilidade de preços reais ao consumidor para os eletrodomésticos da linha branca

(5) Se comparado com outros países do mundo o varejo da linha branca ainda tem um baixo nível de concentração

(6) As Casas Bahia, maior varejista da linha branca, não se utilizam seu maior poder de mercado para reduzir e/ou aumentar preços, pois não têm poder de monopólio, e do ponto de vista de competição, atuam em mercados pouco concentrados ou moderadamente concentrados, nos quais ela não pode não tem poder de fixar preços (para baixo ou para cima) ou mesmo controlar volumes.

(7) Os equipamentos varejistas do setor de linha branca foram claramente definidos.