2. Literature review
2.3 Pricing Airbnb
Coordenação: Margareth da Silva Oliveira, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande
do Sul.
Estudos têm demonstrado que a inflexibilidade psicológica está associada ao desenvolvimento e manutenção do ciclo de comportamentos alimentares perturbados, o que tem contribuído para o crescente interesse de clínicos e investigadores neste assunto. Assim, este simpósio tem como principal objectivo aprofundar as discussões acerca destas temáticas e incluirá cinco comunicações: a primeira apresentará os resultados das investigações atuais que exploraram a relação entre inflexibilidade psicológica e comportamento alimentar problemático; a segunda apresentará o processo de tradução e adaptação transcultural para o Brasil de instrumentos que avaliam inflexibilidade psicológica em relação ao peso, imagem corporal e craving por comida; a terceira apresentará os resultados preliminares de um estudo comparativo Brasil-Portugal, que verificou se a inflexibilidade psicológica geral ou especificamente relacionada ao peso emergia como mediadora na relação entre a insatisfação corporal e o afeto negativo (depressão, ansiedade, stress e vergonha externa) na predição do desejo de perder peso em mulheres da população geral; a quarta apresentará os resultados de estudo, realizado em amostra de estudantes portuguesas, que explorou o papel da fusão cognitiva em relação à imagem corporal na explicação dos sintomas de psicopatologia alimentar; e, finalmente, a quinta apresentará os resultados de investigação que explorou o efeito moderador da supressão do pensamento na relação entre a comparação social através da aparência física e a insatisfação com a imagem corporal na severidade do comportamento alimentar perturbado, em amostra de estudantes portuguesas.
Palavras chave-Adultos, comunidade, psicologia e saúde mental, avaliação psicológica. Av. Ipiranga 6681, prédio 11, sala 927. CEP: 90619-900. Porto Alegre/RS. Brasil.
Contacto: (005551) 33203500 – ramal 7749 [email protected]
INFLEXIBILIDADE PSICOLÓGICA E SUA RELAÇÃO COM O
COMPORTAMENTO ALIMENTAR PERTURBADO: PESQUISAS RECENTES Paola Lucena-Santos 1, José Pinto-Gouveia 1, & Margareth Oliveira 2
1Universidade de Coimbra; 2Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
O comportamento alimentar perturbado tem recebido crescente interesse por parte de clínicos, investigadores e da sociedade em geral, tendo em consideração que a natureza dos hábitos e padrões alimentares exerce um papel crucial para o estabelecimento e manutenção da obesidade, excesso de peso e perturbações alimentares. As dificuldades na regulação emocional têm sido frequentemente identificadas em pessoas com excesso de peso e/ ou com pertubações alimentares. As investigações têm sugerido que a inflexibilidade psicológica está associada ao desenvolvimento e manutenção de comportamentos alimentares inadequados. Os comportamentos de ingestão compulsiva, por exemplo, podem ser considerados como um modo de evitar as experiências internas negativas e, como tal, pode ser conceptualizado como uma forma de evitamento experiencial. A título de exemplo, um estudo realizado com individuos com pertubações alimentares demonstrou que os doentes tentavam suprimir ou evitar o afecto negativo através de comportamentos como a restrição alimentar, exercício físíco em excesso e vómito auto-induzido. Outra Investigação revelou que mesmo uma intervenção breve (um dia de workshop) de Terapia de Aceitação e Compromisso, cujo foco é aumentar a flexibilidade psicológica, foi possível reduzir de modo significativo a ingestão alimentar compulsiva. Para além disso, o estudo revelou ainda que as mudanças no comportamento de ingestão alimentar compulsiva foram mediadas por mudanças no evitamento experiencial.
Efectivamente diversas investigações têm corroborado estas evidências. Assim, o objectivo desta comunicação será apresentar os resultados das investigações atuais que investigaram a relação entre inflexibilidade psicológica e comportamento alimentar perturbado.
Palavras chave-Adultos, comunidade, psicologia e saúde mental, avaliação psicológica. Paola Lucena-Santos
Universidade de Coimbra
Rua do Colégio Novo, Apartado 6153. Código postal: 3001-802. Coimbra. 910391274
TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO TRANSCULTURAL DE INTRUMENTOS DE INFLEXIBILIDADE PSICOLÓGICA ESPECÍFICOS PARA AS DIFICULDADES
COM O COMPORTAMENTO ALIMENTAR
Paola Lucena-Santos1, Letícia Ribeiro2, José Pinto-Gouveia1, & Margareth Oliveira2 1Universidade de Coimbra; 2Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Apesar do relevante papel da inflexibilidade psicológica nas dificuldades relacionadas ao comportamento alimentar, instrumentos que avaliam inflexibilidade psicológica em relação ao peso, imagem corporal e craving por comida, ainda não se encontram traduzidos e culturalmente adaptados para uso no Brasil. Assim, este trabalho teve como principal objectivo a tradução e adaptação dos seguintes instrumentos: Body Image Acceptance and Action Questionnaire, Acceptance and Action Questionnaire for Weight-Related Difficulties e do Food Craving Acceptance and Action Questionnaire. Após autorização formal dos autores, foram executados os seguintes passos: (1) Realização de duas traduções para o português e retroversões para o inglês (tradutores independentes); (2) Análise de três juízes sobre qual das duas versões traduzidas julgavam ser mais compreensível e que preservava o sentido do item original; (3) Revisão conjunta do título, enunciado e opções de resposta. Os três avaliadores descreveram e justificaram as suas escolhas para os demais. Houve consenso sobre o formato preliminar dos instrumentos; (4) Análise dos juízes sobre a clareza, pertinência prática e relevância teórica dos itens; (5) Cálculo do Coeficiente de Validade de Conteúdo (CVC) sendo que os itens que compuseram a versão final dos instrumentos apresentaram CVC 0,8; (6) Aplicação das versões finais em 20 adultos de modo a verificar a compreensibilidade das medidas, o que foi confirmado. Neste sentido, foi considerado que os instrumentos estão adequadamente traduzidos e adaptados para a realidade brasileira com boa equivalência semântica, idiomática e cultural. Mediante os resultados terá início a recolha de dados para validação psicométrica dos referidos intrumentos.
Palavras chave-Adultos- comunidade, psicologia e saúde mental, avaliação psicológica. Margareth da Silva Oliveira
Av. Ipiranga 6681, prédio 11, sala 927. CEP: 90619-900. Porto Alegre/RS. Brasil. Contacto: (005551) 33203500 – ramal 7749
INFLEXIBILIDADE PSICOLÓGICA COMO MEDIADORA NA RELAÇÃO ENTRE INSATISFAÇÃO CORPORAL E AFETO NEGATIVO NA PREDIÇÃO DO DESEJO
DE PERDER PESO: ESTUDO COMPARATIVO ENTRE BRASILEIROS E PORTUGUESES
Paola Lucena-Santos 1, Lara Palmeira 1, José Pinto-Gouveia 1, & Margareth Oliveira 2 1Universidade de Coimbra; 2Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
Investigações recentes revelam a importância da inflexibilidade psicológica nas dificuldades relacionadas com a insatisfação corporal e desejo de perder peso, os quais têm sido apontadas como importantes preditores de psicopatologia alimentar, juntamente com o afeto negativo.
Apesar disso, a natureza complexa das pertubações alimentares e sua relação com a inflexibilidade psicológica continua a merecer interesse da comunicade científica. Neste sentido, o objetivo do presente estudo foi verificar se a inflexibilidade psicológica geral ou especificamente relacionada ao peso emerge como mediadora na relação entre a insatisfação corporal e o afeto negativo (depressão, ansiedade, stress e vergonha externa) na predição do desejo de perder peso. Pretendeu-se ainda analisar se a inflexibilidade psicológica funciona como mediador tanto no Brasil como em Portugal apesar da amplitude de diferenças sócio- culturais existentes. Esta investigação foi conduzida em mulheres da população geral portuguesa e brasileira que responderam a um mesmo conjunto de medidas de auto-relato disponibilizadas online (Limesurvey). Primeiramente foram exploradas as relações entre a inflexibilidade psicológica geral e relacionada ao peso, mindfulness, afeto negativo, vergonha externa, insatisfação corporal e desejo de perder peso. Seguidamente, foi examinado se a inflexibilidade psicológica funciona como mediador nestas associações. Finalmente, os achados obtidos nas amostras brasileira e portuguesa foram comparados. Os resultados serão apresentados e discussões teóricas e culturais serão realizadas durante a apresentação.
Palavras chave-Adultos, comunidade, psicologia e saúde mental, avaliação psicológica. Lara Palmeira
Universidade de Coimbra
Rua do Colégio Novo, Apartado 6153. Código postal: 3001-802. Coimbra. 919461537
OEFEITOMEDIADORDAFUSÃOCOGNITIVANARELAÇÃOENTREOS
PRINCIPAISFATORESDERISCOEOCOMPORTAMENTOALIMENTAR
PERTURBADO
Lara Palmeira, Claudia Ferreira & Inês Trindade
Universidade de Coimbra.
O modelo da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) conceptualiza a psicopatologia alimentar como um problema de inflexibilidade psicológica. Intrinsecamente ligada à inflexibilidade psicológica, a fusão cognitiva pode ser definida como a tendência do individuo para ficar enredado nas suas experiências internas (e.g., pensamentos, emoções), vendo-as como factos reais ou como a verdade. Este processo está frequentemente associado ao endosso em estratégias de evitamento experiencial, as quais aumentam o impacto das experiências internas, tornando-as ainda mais dolorosas. Embora teoricamente bem suportada a relação entre fusão cognitiva e psicopatologia, o estudo deste processo no comportamento alimentar perturbado permanece escasso. Este estudo pretende explorar o papel da fusão cognitiva em relação à imagem corporal (CFQ_BI) na explicação dos sintomas de psicopatologia alimentar (EDE-Q) numa amostra de 345 estudantes do sexo feminino. O modelo teórico, testado através de uma path analysis, testa o efeito mediador do CFQ_BI na relação entre os principais fatores de risco (IMC, insatisfação corporal e comparações sociais desfavoráveis) e a EDE-Q. Este modelo mostrou explicar 66% da variância da EDE-Q, confirmando-se o efeito mediador da fusão cognitiva relativa à imagem corporal na relação entre os fatores de risco em estudo e a psicopatologia alimentar. Estes resultados sugerem que o impacto dos fatores de risco no desenvolvimento e manutenção de dificuldades alimentares depende da tendência para ficar enredado no conteúdo das experiências internas relativas à imagem corporal, salientando a importância de usar técnicas de desfusão cognitiva como um componente fundamental no tratamento de perturbações alimentares.
Palavras chave-Adultos, comunidade, psicologia e saúde mental, avaliação psicológica. Lara Palmeira
Universidade de Coimbra.
919461537
O EFEITO PARADOXAL DA SUPRESSÃO DO PENSAMENTO: ESTUDO DO SEU PAPEL MODERADOR NA EXPLICAÇÃO DA PSICOPATOLOGIA ALIMENTAR
Claudia Ferreira, Lara Palmeira & Inês Trindade
Universidade de Coimbra.
A supressão do pensamento pode ser conceptualizada como a tentativa de diminuir ou eliminar pensamentos indesejados, o que paradoxalmente tende a aumentar a frequência e intensidade dos mesmos, tornando-a mais difícil e dolorosa. Recentemente, diversos estudos têm salientado a importância da supressão do pensamento como uma forma de evitamento experiencial em diferentes perturbações psicológicas. No entanto o papel da supressão do pensamento no endosso em comportamentos alimentares perturbados permanece pouco claro. Neste sentido, a presente investigação explora o efeito moderador da supressão do pensamento na relação entre a comparação social através da aparência física e a insatisfação com a imagem corporal na severidade do comportamento alimentar perturbado, numa amostra de 255 estudantes do sexo feminino. Os resultados das análises de correlação revelaram que a supressão do pensamento se associa a maior inflexibilidade psicológica, bem como aos principais fatores de risco e aos sintomas de comportamento alimentar perturbado. As análises de moderação realizadas evidenciaram, ainda, que a supressão do pensamento detém um papel moderador ao amplificar o impacto das comparações sociais pela aparência física e da insatisfação corporal no comportamento alimentar perturbado. Estes resultados demonstraram que para o mesmo nível destas experiências internas relacionadas com a imagem corporal (i.e., comparações sociais desfavoráveis e insatisfação corporal), as mulheres que revelam maior tendência para suprimir pensamentos apresentam níveis mais elevados de comportamento alimentar perturbado. Em conclusão, estes resultados salientam o papel crucial da supressão do pensamento na psicopatologia alimentar, apresentando importantes implicações clínicas.
Palavras chave-Adultos, comunidade, psicologia e saúde mental, avaliação psicológica. Cláudia Ferreira
Universidade de Coimbra.
Rua do Colégio Novo, Apartado 6153. Código postal: 3001-802. Coimbra. 919461537
claudiaferreira@fpce.uc.pt