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Price elasticity of Supply and Demand

Chapter 4 – Theoretical Analysis

4.2 Price elasticity of Supply and Demand

A aprendizagem tem uma natureza cognitiva-representacional. Este estudo não deseja ir contra a esta forma de aprendizagem, de conhecimento, pois, caso o quisesse, estaria indo contra a um fato instituído, assumindo-se desmedido risco acadêmico. Não, em absoluto. Deseja-se ir além e mostrar, como já dito, que as aprendizagens cognitivas-representacionais não garantem a humanização do homem.

Conforme Pozo (2005), não só as pessoas, mas os animais, sistemas orgânicos e inorgânicos, como computadores, são capazes de manipular representações e “aprender”. Assim, se caso fosse assumida a ousadia de afirmar que as “aprendizagens” e as “representações” garantiriam a humanização, também se assumiria o risco de afirmar que animais e máquinas seriam capazes de “humanizarem-se”. É preciso ir além!

38 Segundo Imbert (2002, p. 15), “em Aristóteles, o éthos é, em suma, uma ciência do caráter, a criação de

Retomando o já afirmado, Pozo (2002, 2005) salienta que há dois tipos de aprendizagens: a associativa, a qual o cômputo estatístico possibilita determinado sucesso, garantido não só ao homem, mas também a animais e sistemas não-vivos, como computadores, “aprender”; e a construtiva, de natureza exclusivamente humana, em grande parte consciente, que se baseia na interação, na interpretação e na elaboração de conceitos. Pozo afirma (2005, p.20)

[...] a aprendizagem associativa, na velha tradição empirista, tenderia a refletir a estrutura do mundo, extraindo ou otimizando as regularidades que existem nele, e por isso, se fosse adquirido assim, o conhecimento seria um reflexo mais ou menos preciso do mundo. A aprendizagem construtiva, em contrapartida, geraria novos mundos, novas formas de conhecer, que não se limitam a captar a ordem externa, mas gerariam novas formas de organização cognitiva, novos significados. Segundo esta concepção, o mundo seria, portanto, um reflexo do conhecimento construído e não ao contrário.

O autor sustenta que a proposta construtivista nega estes dois princípios, pois, segundo ela, toda aprendizagem se baseia em conhecimentos prévios do sujeito, conhecimentos específicos e próprios de cada um, não podendo, assim, ser considerada um “reflexo” do meio. Para esclarecer esse impasse, Pozo (2005) sugere que o construtivismo seja ponderado sob dois olhares: o construtivismo estático e o construtivismo dinâmico. A construção do conhecimento considerada estática é aquela em que ocorre restrição de representações ou conhecimentos ativos em que específico momento, referindo-se à história de vida e à bagagem individual de cada sujeito. Mas, o autor salienta que “poderíamos dizer que a própria idéia de aprendizagem careceria de sentido se a experiência presente não estivesse, de alguma forma, condicionada ou restringida pela experiência passada” (2005, p.23-24). Já a construção dinâmica de conhecimento é aquela que o sujeito tem intencionalidade no processo de construir suas “novas” representações. As formas de aprendizagens implícitas estão, segundo o autor, fortemente vinculadas as tradicionais formas associativas. As aprendizagens implícitas são mecanismos de aprendizagem básicos, do ponto de vista evolutivo da filogenética39 e da ontogenética40, e têm por característica a não necessidade de consciência. Pensada sob este prisma, a aprendizagem é considerada como

39 Cf. Vygotsky (1984, 1993/1998) filogênese se refere ao desenvolvimento da história de uma determinada

espécie animal, o que define suas possibilidades e limitações. No caso da espécie humana, na filogênese encontram-se as características que poderão ser desenvolvidas, dando origem às funções psicológicas superiores. É de natureza biológica.

40 Cf. Vygotsky (1984, 1993/1998) a ontogênese está ligada a história do indivíduo de uma dada espécie, ou seja,

[...] uma função biológica desenvolvida nos seres vivos de certa complexidade, que implica produzir mudanças no organismo para responder às mudanças ambientais relevantes, conservando essas mudanças internas para futuras interações com o ambiente, o que exige dispor também de diferentes sistemas de memória ou representação de complexidade crescente.

Mas, em que consistem essas mudanças? O que muda com a aprendizagem?

As aprendizagens garantem a sobrevivência dos homens e os diferenciam dos outros animais e sistemas de inteligência artificial, pois são elas que vinculam o homem num convívio em sociedade. Pozo (2005) lembra que pesquisas41 atuais comentam que o aumento do lóbulo frontal, característico da espécie humana, está correlacionado com o aumento dos grupos sociais. Essa relação não apenas está vinculada ao grupo de humanos, mas também a organizações e estruturas que exigem dos grupos de indivíduos a cooperação para sobrevivência, como a relação estabelecida entre grupos de primatas e morcegos. O que distanciaria o homem dos outros animais? O que faria do homem humano?

Esses estudos consideram que o homem seria o único desses seres que teria a capacidade de manipular mentalmente as representações desses comportamentos sociais, pois segundo Pozo (2005, p.109),

[...] isso tornou possível uma teoria da mente que constitui um verdadeiro conhecimento, que por sua vez, deu lugar a um olhar interior, a um olhar mental, sem o qual não seríamos o que somos, porque não poderíamos reconhecer nossas próprias representações.

Portanto, o homem é capaz de antever o comportamento de outro, pois é capaz de perceber e simular seu próprio estado mental nos outros, antecipando suas próprias condutas e comportamentos. O autor nomeia essas representações de “representações encarnadas”, que seriam os fundamentos das emoções e dos sentimentos do homem.

Considerando o exposto, nas “representações encarnadas”, não teria o homem uma tendência à não-transcendência, à permanecer o Mesmo, gozando no mundo egoisticamente? Ou, será que há alternativa? É possível aprender sem representar?

41 Pozo (2005) cita pesquisas de DUNBAR, R. Co-evolution of neocortical size, group size and language in

humans. Behavioral and Brain Sciences, 1993, p.681-735; GEARY, D.; HUFFMAN, K. J. Brain and cognitive evolution: forms of modularity and functions of mind. Psychological Bulletin 2002, p.667-698 e GOLDBERG, E. The executive brain. Oxford: Oxford Univ. Press , 2001.

A alternativa, em Levinas (1961), está na subjetividade, porque nada se relaciona com a essência, pois a significação da subjetividade se dá na transcendência da Bondade. Para o autor, a bondade é anterior e íntima ao homem e à ética.

Segundo Freire (2002, p.53),

[...] a subjetividade se coloca, então, como se acusativo, que faz com que o mim (moi) se perca para se reencontrar como si (soi). O outro se acerca de mim e cerca minha intimidade, contra a minha vontade. Rompe-se com a essência e com a identidade, na transformação do ser pela substituição.

O pensamento da maioria da tradição filosófica ocidental, como já muito referido, é capaz de conceber apenas uma subjetividade que intelige, representa, objetiva com o sentido e o significado fortemente constituído na totalidade simbólica do mundo, constituída e constituinte da linguagem, que também é pensada sob esse prisma. Neste pensar a subjetividade é consciência, consciente de sua intencionalidade. Mas, o sujeito tem o tamanho exato do que aí está exposto como subjetividade? Não extravasaria, o sujeito, a essa subjetividade-objetivadora que o concebe em representação?

Levinas (1974, p.117) constrói sua alternativa deslocando o olhar lançado à subjetividade, que antes estava sustentado no saber (na razão), para a intuição sensível, “sensibilidade convertendo-se em idéia”. O autor argumenta:

[...] o saber é indireto e tortuoso. Produz-se a partir da intuição sensível, que já é orientação do sensível para aquilo que no seio da imagem se anuncia para além dela, isto enquanto isto ou enquanto aquilo; um isto que se despoja do limbo da sensibilidade no qual, não obstante, se mantém refletido; a intuição já é a sensibilidade convertendo- se em idéia de outro isto enquanto tal, aurora de outra idéia, abertura dentro da abertura.

Assim, a subjetividade, antes de ser função, é a própria sensibilidade sensível do sensível. A sensibilidade é vulnerabilidade pré-original que possibilita o sujeito-em- originalidade intuir sensivelmente. A sensibilidade, neste pensar, não é consciência, nem intencionalidade, é subjetividade que sente, como corpo maternal, que sente antes de se dar conta (de inteligir) e representar. Levinas (1974, p.124,136) afirma que

Pelo fato da subjetividade ser sensibilidade – exposição aos outros, vulnerabilidade e responsabilidade na proximidade dos outros, um-para-o-outro, isto é, significação – a matéria ser o lugar próprio do para-o-outro, o modo como a significação significa antes de mostrar-se como Dito dentro do sistema do sincronismo, dentro do sistema lingüístico [...].

Percebe-se que o significado é sempre significado conforme apreendido e representado no mundo no horizonte da totalidade. Não há significação fora do mundo e o próprio conhecimento é partição. Mas, Levinas (1961) é incisivo em sustentar que a significação não está no mundo, mas é anterior a ele, é pré-originária. A sensibilidade é exposição e vulnerabilidade ao outro. O homem-sensível recebe sensivelmente o outro numa absoluta alteridade. Assim, a proximidade não é uma relação pensada, calculada, medida, mediada; ela é pura passividade. Levinas (1974, p.142-143) diz que

[...] a proximidade é o sujeito que se aproxima e que, por conseguinte, constitui uma relação na qual eu participo como termo, mas na qual sou mais ou menos que um termo. Este excesso ou esse defeito me lança para fora da objetividade da relação. [...] A subjetividade do sujeito que se aproxima é, portanto, preliminar, a-nárquica, anterior à consciência, uma implicação, uma aceitação na fraternidade.

Referindo-se à filosofia tradicional, não é possível conhecer sem representar. Para o sujeito que conhece – ele é sujeito porque conhece e é subjetividade porque é sujeito – o significado é sempre significado do apreendido, do representado, do objetivo, do que é exposto no mundo no horizonte da totalidade. Mas, referindo-se ao pensamento levinasiano, a posibilidade de conhecer sem representar se estabelece porque a significação é anterior e pré- originária, pois não está centrada nem na razão, nem na linguagem, conforme compreendida pela tradição, e sim na sensibilidade. Numa sensibilidade que é exposição ao outro, vulnerabilidade ancestral ao atendimento ao chamado do Rosto, num eis-me-aqui.

Percebe-se que a subjetividade compreendida a partir da ética da alteridade permite uma relação um-para-o-outro que não prevê reciprocidade. É relação des-inter-essada, um ser-para-o-outro, um eis-me-aqui incapaz de refutar o apelo do Rosto, “conhecendo” ao Outro em acolhida, em plena alteridade, antes mesmo do Outro se apresentar como ente, sujeito- linguagem, imagem, representação, idéia. Subjetividade que não se deixe nem armazenar, nem domesticar, nem se constituir por um tema já pré-determinado e que induza ao homem conteúdos, valores, morais, “ensinamentos-de-verdades” pré-estabelecidas que remete à educação pela doutrinação.