2.7 Comparisons
3.2.2 Previous work
iniciatiVa diVulGa a disciPlina e identifica joVens estudantes talentosos em todo o Brasil
ntre as ações destinadas à divulgação da ciência, encontram-se, como formas tradicionais, a criação de museus de ciência e tec- nologia, a redação de colunas em jornais e revistas, a realização de programas de rádio e televisão e de cursos de difusão cultural e a publicação de livros de divulgação.
As olimpíadas científicas aparecem como forma alternativa entre essas ações e, no caso da física, têm sido adotadas em vários países não só como instrumento de divulgação, mas também como forma de identificar jovens talentosos e de estimulá-los a seguir carreiras científicas e tecnológicas.
Além disso, as olimpíadas de física têm permitido fazer diagnós- ticos sobre o ensino-aprendizagem da área, assim como investigar e obter informações sobre os limites e as possibilidades dos estudan- tes em relação ao conhecimento, considerando, por exemplo, faixas etárias e níveis de escolaridade.
Atenta a esses aspectos das olimpíadas científicas, a Sociedade Brasileira de Física (SBF) criou, em 1998, a Olimpíada Brasileira de Física (OBF) e, em 2010, a Olimpíada Brasileira de Física das Escolas Públicas (OBFEP).
As competições acadêmicas mais antigas conhecidas são as olimpía- das de matemática, iniciadas em 1894 na Hungria. Dado o seu gran- de sucesso, em 1959 – quando aconteciam apenas em nível regional e/ou nacional –, foi criada a Olimpíada Internacional de Matemática (IMO, na sigla em inglês), que hoje está em sua 57ª edição.
Quanto à física, não há registro de quando e onde ocorreram as primeiras competições do tipo; provavelmente, aconteceram na Eu- ropa. Sabe-se que, na década de 1960, três professores de física do Leste Europeu – o polonês Czeslaw Scislowski, o então tcheco Rostis- lav Kostial e o húngaro Rudolf Kunfalvi – organizaram um concurso
de física para os melhores alunos de seus países. Esse evento teve se- quência e encontra-se, hoje, na 47ª edição: é a chamada Olimpíada In- ternacional de Física (IPhO, na sigla em inglês). As edições dos últimos anos da IPhO têm contado com a presença de mais de 80 países e cerca de 300 estudantes.
Por iniciativa de alguns países da América Latina e de Portugal e Espanha, ocorreu em 1991, na Co- lômbia, a primeira edição de uma nova competição: a Olimpíada Ibe- ro-americana de Física (OIbF). O evento ficou interrompido, por fal- ta de recursos, até 1997, quando foi promovida a segunda edição no México. Desde então, vem aconte- cendo todo ano. A última OlbF (sua vigésima edição) foi realizada em setembro de 2015, na Bolívia. O Brasil foi sede da competição em 2004 – o evento ocorreu em Salva- dor (BA), no Instituto de Física da Universidade Federal da Bahia.
No Brasil, as primeiras olimpía- das de física aconteceram em São Paulo, entre 1985 e 1987, organi- zadas pelo pesquisador Shigueo Watanabe, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e então diretor-executivo da Acade- mia de Ciências do Estado de São Paulo. Também no mesmo período, no Paraná, foram organizadas olim- píadas estaduais pelo pesquisador Vicente Dunke, da Universidade Fe- deral do Paraná.
As competições ficaram inter- rompidas, por falta de apoio insti- tucional, até 1995, quando o Centro de Divulgação Científica e Cultural do Instituto de Física de São Carlos da USP (CDCC-SP), sob a direção do pesquisador Dietrich Schiel, reto- mou a realização das mesmas. Em 1998, Bahia, Goiás, Pará, Pernam-
buco e Rio de Janeiro participaram de maneira ex- perimental da olimpíada organizada pelo CDCC-SP. De forma independente, Ceará e Paraíba, desde 1993, vinham realizando olimpíadas de física res- tritas às cidades de Fortaleza e Campina Grande, respectivamente, com o apoio das universidades federais desses estados.
Iniciativa similar foi apoiada em 1995 pela Uni- versidade Federal de Juiz de Fora (MG). Em 1998, a Sociedade Brasileira de Física (SBF) resolveu organizar a Olimpíada Brasileira de Física (OBF) como um programa permanente, anual, de caráter nacional, com sua primeira edição em 1999. A OBF tem ocorrido em todos os estados e conta com a inscrição, a cada ano, para a primeira fase, de cerca de 400 mil estudantes.
Considerando seu sucesso, demonstrado pelo interesse dos estudantes e pela melhoria do desem- penho dos alunos em física, em 2009, atendendo convite do então ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e com o apoio desse ministério, a SBF elaborou um projeto semelhante à OBF, mas voltado para a rede pública de ensino. Assim nas- ceu, em 2010, a Olimpíada Brasileira de Física das Escolas Públicas (OBFEP), como projeto-piloto, aplicado na Bahia, em Goiás, São Paulo e no Piauí.
Ainda como piloto, o programa aconteceu, em 2011, além de nesses quatro estados citados, no Maranhão e em Mato Grosso. A partir de 2012, a OBFEP, com o apoio financeiro do MCTI, passou a ser um programa permanente da SBF aplicado em todo o Brasil e destinado ao ensino médio e ao úl- timo ano do ensino fundamental.
Em sua primeira edição nacional, a OBFEP teve a inscrição de mais de 1,2 milhão de estudantes.
A OBF e a OBFEP são organizadas por duas co- missões nacionais com sede na SBF, em São Paulo (SP). Seus trabalhos são promovidos em cada es- tado por uma coordenação estadual, cuja sede se encontra, em geral, em uma instituição de ensino superior federal ou estadual. A OBF compreende três etapas e a OBFEP, duas: cada fase inclui provas de conteúdo, conhecimento e interpretação de fe-
interação direta com colegas e professores; iv) o crescimento da autoconfiança e autoestima do aluno, uma vez que desenvol- ve sua capacidade de entender a natureza e resolver problemas propostos; v) a aproximação en- tre pesquisadores universitários e professores e estudantes do ensino médio e fundamental; vi) o aprimoramento do espírito de análise e crítica dos estudantes, já que essas são características da ciência; vii) a melhoria da qualidade do ensino em ciências na educação básica; viii) a pro- moção de maior inclusão social por meio da difusão da ciência; ix) maior integração entre escola e comunidade.
nômenos físicos destinadas a alunos regularmente matriculados nos dois últimos anos do ensino fun- damental e nas primeira, segunda, terceira e quar- ta (onde houver) séries do ensino médio.
As duas primeiras fases da OBF e a primei- ra da OBFEP são classificatórias – os estudantes mais bem classificados são inscritos para a etapa seguinte. A última fase contém uma parte teórica e uma prática, e os alunos podem conquistar me- dalhas de ouro, prata e bronze e ser convidados a participar do processo de preparação para formar as equipes olímpicas brasileiras da IPhO e da OIbF. O Brasil vem participando dessas duas olimpíadas internacionais desde 2000 com equipes formadas por até cinco alunos (caso da IPhO) e quatro alu- nos (caso da OIbF). Tanto na IPhO quanto na OIbF, as equipes brasileiras têm se destacado, conquis- tando medalhas e menções honrosas: na IPhO, duas medalhas de ouro, quatro de prata, 33 de bronze e 12 menções; na OIbF, 25 de ouro, 15 de prata, 17 de bronze e cinco menções. Esses resul- tados colocam o Brasil, na IPhO, entre países como França, Suíça e Alemanha e, na OIbF, como um dos primeiros colocados.
A aceitação da OBF e da OBFEP pela comuni- dade universitária, pelas escolas de ensino médio e fundamental, por estudantes e professores tem sido grande: as competições têm sido reconheci- das como importante fonte de informação e apren- dizado de física no país, colaborando para a divul- gação da área nas escolas e na comunidade, bem como de outros projetos em desenvolvimento em instituições de ensino superior.
O sucesso das olimpíadas, entretanto, depen- derá do apoio financeiro que se possa obter dos órgãos governamentais de financiamento ao ensi- no e à pesquisa.
Com a manutenção desses apoios, certamente serão alcançadas metas como: i) o desenvolvimen- to do pensamento científico na formação do aluno e do cidadão, o que contribuirá para um bom de- sempenho escolar e participação ativa na socieda- de; ii) a obtenção de informações sobre os limites e possibilidades dos estudantes em relação ao co- nhecimento científico nas respectivas faixas etá- rias e níveis de escolaridade; iii) a criação de novos vínculos entre os alunos e a escola, propiciando mudanças de atitude com relação às ciências e
Para
saBer mais do
ProGrama
>> Consulte um dos membros da Comissão da Olim- píada Brasileira de Física (COBF) ou da Comissão da Olimpíada Brasileira de Física das Escolas Públicas (COBFEP) ci- tados nos portais www.obf.org.br e www.obfep.org.br .
Outras informações também podem ser obtidas no portal da Socieda -
de Brasileira de Física www. sbfisica.org.br .