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Durante as discussões nas ofi cinas de trabalho e nos comentários dos respondentes das consultas estruturadas, havia uma percepção, não quantifi cada, de que muitos físicos são contratados como técnicos pelo fato da profi ssão ainda não ser regulamentada. Assim, esta seção analisa o emprego se- gundo a Classifi cação Brasileira de Ocupações. Neste recorte físico é defi nido como aquele que possui mestrado ou doutorado em Física.

Os dados da Tabela  mostram que há um número pelo menos duas vezes maior de pessoas clas- sifi cadas como físicos pelos departamentos de recursos humanos das empresas. Recomenda-se que futuros estudos avaliem as implicações das classifi cações utilizadas tanto para o mapeamento dos físi- cos quanto para o exercício das atividades profi ssionais e sua remuneração. Observa-se, na Tabela , que há um número reduzido de geofísicos, especialmente ao se levar em conta a importância da área de petróleo e gás no país.

Há uma nuance a ser considerada. Nesta tabela, encontram-se aqueles que se titularam (mestres e doutores) em Física, mas que exercem a função de geofísico. Uma breve investigação na mesma base de dados usando os mesmos critérios aqui descritos apontou cerca de  geofísicos (mestres e doutores) exercendo funções de geofísico nas empresas. Entretanto, uma apresentação da Petrobras na II Semana Acadêmica de Geofísica (II SeGeof) da Universidade Federal Fluminense, realizada em

, sugere que há cerca de  geofísicos no país. Recomenda-se que estudos futuros procurem

A Física e o desenvolvimento nacional

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Tabela 13 – Ocupação dos mestres e doutores titulados no Brasil em Física entre 1996 a 2009 empregados

em 31/12/2009 segundo a Classificação Brasileira de Ocupações, excluídos aqueles associados às atividades de educação e mantendo apenas aqueles relacionados a PD&I.

Ocupação dos físicos nas empresas e entidades sem fins lucrativos nas áreas de PD&I

Ocupação Mestres Doutores Total

Total de Físicos 159 110 269

Analista (Desenvolvimento de Sistemas; Redes e Comunicação de dados; Suporte Operacional);Programador (de Sistemas de Informação).;Administrador (de Banco de Dados, de Redes, de Sistemas Operacionais).

42 20 62

Físico (Geral, Materiais, Medicina, Ótica). 29 31 60

Pesquisador (de Engenharia e Tecnologia; de Engenharia Elétrica; de Engenharia Eletrônica; Mecânica e Química; em Biologia e microorganismos e parasitas; em Biologia vegetal; em Física; em Metrologia; em Química).

17 30 47

Técnico (de apoio em Pesquisa e Desenvolvimento; de Comunicação de dados; de Laboratório Industrial; de Manutenção eletrônica de planejamento e programação da manutenção;, Eletrônico; de Operação de equipamentos de exibição de Televisão; em Ótica e Optometria; em Ortopedia; Florestal; Químico de Petróleo).

20 4 24

Geofísico 11 11 22

Engenheiro (Aeronáutico; Agrônomo; Civil; de Aplicativos em Computação; de Produção; de Segurança do Trabalho; de Telecomunicações; Eletricista; Eletricista de Projetos; Eletrônico; Eletrônico de Projetos; Mecânico; Mecânico Industrial; Químico; Químico de Petróleo e Borracha).

16 5 21

Gerente (de P&D; de Produção e Operações; de Projetos e Serviços de Manutenção; de Riscos; de suporte técnico de Tecnologia da Informação).

4 4 8

Operador (em exploração de petróleo) 8 0 8

Estatístico 3 3 6

Astrônomo 3 1 4

Agente Fiscal Metrológico 1 0 1

Arquiteto de edifi cações 1 0 1

Matemático 0 1 1

Especialista em Pesquisa Operacional 1 0 1

Inspetor de Aviação Civil 1 0 1

Instalador de linhas elétricas de alta e baixa tensão 1 0 1

Supervisor de montagem e instalação eletroeletrônica 1 0 1

Fonte: Coleta Capes (Capes, MEC) e RAIS 2009 (MTE). Elaboração Núcleo de RHCTI (CGEE), Brasil, 2012.

Cabe também perguntar o que fazem os outros físicos que não realizam atividades de PD&I nas empresas. A Tabela  ilustra as ocupações que aparecem com mais frequência e que exigem maior qualifi cação, porém não necessariamente relacionadas ao ensino ou à PD&I. Talvez a motivação para assumir tais funções venha pelo interesse em receber melhores remunerações oferecidas pelo setor público. Tradicionalmente, os físicos atuam no setor público como dirigentes de instituições estadu- ais e federais e contribuem também com o estímulo a CT&I no Brasil. A pergunta a se fazer é se estes que buscam o setor público procurariam as empresas se houvesse salários mais elevados.

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Físicos (mestres e doutores) nas empresas

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Tabela 14 – Ocupação dos mestres e doutores titulados no Brasil em Física entre 1996 a 2009 empregados em

31/12/2009 que exigem maior qualificação, excluídos aqueles envolvidos com ensino e PD&I.

Distribuição dos físicos nas empresas e entidades sem fins lucrativos excluídos aqueles envolvidos com ensino e PD&I

Ocupação Mestres Doutores Total

Total 69 63 132

Servidor público estadual e distrital (dirigente) 17 25 42

Servidor público federal (dirigente) 8 16 24

Polícia (Perito criminal, papiloscopista policial, investigador de polícia, policial rodoviário federal, agente da Polícia Federal, agente ambiental)

21 7 28

Finanças (Analista de negócios, de pesquisa de mercado, de produtos bancários, de sinistros, fi nanceiro, economista, corretor de valores, gerente de crédito e cobrança, gerente fi nanceiro, gerente de riscos e operador de negócios)

13 8 21

Auditoria e Fiscalização (auditor, auditor fi scal da Receita Federal e do trabalho, contador, técnico da Receita Federal, fi scal de tributos estadual e municipal)

10 7 17

Fonte: Coleta Capes (Capes, MEC) e RAIS 2009 (MTE). Elaboração Núcleo de RHCTI (CGEE), Brasil, 2012.

A Tabela  mostra as ocupações que exigem menos qualifi cações. Observa-se que há um número razoavelmente grande de mestres e doutores nessas áreas, quando comparados aos  físicos pre- sentes nas áreas de PD&I nas empresas. Há um número expressivo de físicos com mestrado e dou- torado atuando como assistentes administrativos, comparável ao número de físicos e pesquisadores nas empresas atuando em PD&I, como mostra a Tabela . Recomenda-se que estudos futuros in- vestiguem o porquê dessa evasão e se exite a necessidade de criar mecanismos que estimulem esses profi ssionais tão capacitados a ingressarem nas áreas de PD&I das empresas.

Como foi mostrado anteriormente, o número de físicos nas empresas brasileiras ainda é pequeno. Há vários fatores que afetam o potencial de empregabilidade dos físicos, ente eles, o número reduzido de empresas que dependem necessariamente dos conhecimentos da Física, a falta de divulgação das qualifi cações dos físicos e o desconhecimento das áreas nas quais os físicos possam atuar. Em países com um número de físicos maior nas empresas, estes exercem atividades mais variadas.

Por exemplo, os dados de  e  nos Estados Unidos indicam que cerca de  dos físicos, ao

terminar o bacharelado, encontram o seu primeiro emprego nas empresas. Recomenda-se que no

Brasil se faça este estudo com bacharéis em Física e outras profi ssões, pois pode haver um número maior de físicos nas empresas do que contabilizado neste estudo.

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Tabela 15 – Ocupação dos mestres e doutores titulados no Brasil em Física entre 1996 a 2009 empregados em

31/12/2009 que exigem menor qualificação, excluídos aqueles envolvidos com ensino e PD&I.

Distribuição dos físicos nas empresas e entidades sem fins lucrativos excluídos aqueles envolvidos com ensino e PD&I

Ocupação Mestres Doutores Total

Total de físicos 85 85 170

Assistente administrativo 35 72 107

Auxiliar de escritório, em geral 22 3 25

Escrituário de banco 10 4 14

Supervisor administrativo 5 2 7

Auxiliar de serviços jurídicos 5 1 6

Dirigente de serviço público municipal 4 0 4

Gerente administrativo 2 2 4

Auxiliar técnico em laboratóro de farmácia e patologia clínica 2 1 3

Fonte: Coleta Capes (Capes, MEC) e RAIS 2009 (MTE). Elaboração Núcleo de RHCTI (CGEE), Brasil, 2012.

Dados de  e  sobre mestres em Física no setor privado dos Estados Unidos indicam que cerca de  destes trabalham em empresas de engenharia e  em empresas de ciências da com-

putação ou tecnologia da informação. Na maioria das vezes, as atividades são realizadas em equi-

pes, visando à solução de problemas técnicos e utilizando conhecimento específi co da área ou de Matemática avançada e operando equipamento especializado. Além disso, os físicos nas empresas estadunidenses atuam em gestão de projetos, de orçamento e de pessoas e são capazes de traba- lhar diretamente com clientes. Têm habilidades em programação, administração de computadores, desenho e desenvolvimento de produtos e até redação técnica. Desde , a American Physical So- ciety, American Institute of Physics e a General Motors premiam os físicos cujas contribuições levem

ao desenvolvimento de produtos ou de pesquisas com potencial para gerar aplicações industriais.

As premiações dos últimos  anos envolveram pesquisas relacionadas com as áreas de ciências de materiais, saúde, circuitos integrados, aplicações magnéticas, relógios de precisão, sistemas inerciais de navegação, aplicações óticas e xerografi a, entre outras.

Neste estudo, percebe-se que, apesar de receptivos à ideia de contratar físicos, os empresários bra- sileiros ainda não exploram todo o potencial desta comunidade. Os que têm experiência com os físicos admitem que eles demonstram iniciativa, são curiosos e reforçam o espírito de investigação; são inquietos e estimulam a solução de problemas complexos, utilizando seus conhecimentos cien- tífi cos, específi cos ou abrangentes, para contribuir com os trabalhos em equipe.

No exterior, os projetos científi cos internacionais de grande porte criam oportunidades adicionais para treinar os físicos. São atividades que não somente dependem das qualifi cações técnicas habitu- ais, mas também envolvem outras relacionadas com as áreas de gestão, controle de qualidade, admi- nistração de computadores e elaboração de documentos técnicos. Além da atuação nas empresas, as qualifi cações dos físicos podem ser de grande valia para resolver problemas em áreas consideradas 15 AIP Statistical Research Center, Focus on Physics and Astronomy Master's Initial Employment– Web site da American

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Físicos (mestres e doutores) nas empresas

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estratégicas para o Brasil. Percebe-se isso pelo número de físicos trabalhando em projetos de defesa, por exemplo, como será apresentado na Tabela .

Para promover a inserção dos físicos nas empresas, é necessário que as comunidades da Física bra- sileira articulem suas qualifi cações perante o setor empresarial para que juntos possam identifi car aquelas que devem ser fomentadas, visando ao desenvolvimento nacional. Recomenda-se que as comissões de área da Física façam um estudo para subsidiar um planejamento de longo prazo usan- do a tabela da seção . como ponto de partida. Este mapeamento das competências da Física e dos setores do Plano Brasil Maior pode representar um instrumento poderoso de articulação com o governo e com o setor empresarial para a indução de setores com maior probabilidade de inovar devido aos conhecimentos da Física.

4.2. Distribuição por natureza jurídica do empregador