• No results found

3.2 Ledelse

3.2.2 Lederskap og atferd

(EM 1995)

Secretário de Energia AG63

41 anos. Formação Acadêmica: Engenheiro e mestre em Engenharia Mecânica e Industrial - PUC/RIO (segunda metade dos anos 1970); doutor em Economia da Energia - Institut Economique e Juridique de Energie, de Grenoble, França (1987). Experiência Profissional: professor do Departamento de Engenharia Mecânica da UNICAMP; professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP; coordenador do Programa Interunidades de Pós-Graduação em Energia da USP; assessor e consultor da CAPES, CNPq e FAPESP; membro do Conselho Diretor da Comissão de Energia do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP e da Comissão de Energia Latino Americana; Secretario de Energia do Estado de São Paulo.

Secretário Adjunto

AG64

39 anos. Formação Acadêmica: Economista – USP (1980); Pós-Graduação em Teoria do Desenvolvimento Econômico - PUC/SP (1984) e em Economia do Setor Energético pelo IEE/USP (1991)102. Experiência Profissional: Coordenador de Previsões de Mercado e de Estudos Regionais de uma empresa do SEP (de 1981); Gerente da Divisão de Tarifas da mesma empresa; Gerente de Informações e Prospecção de Mercado da Agência para Aplicação de Energia (até 1993); Secretário Executivo da Comissão Permanente de Tarifas da Secretaria de Energia do Estado de São Paulo; professor de economia brasileira em faculdades de economia privadas; secretário adjunto de energia do Estado de São Paulo, dede junho de 1994.

Presidente da EC

AG01

53 anos. Formação Acadêmica: Engenheiro elétrico – Universidade Mackenzie (anos 1960). Experiência Profissional: desde os anos 1970 exerceu pelo menos 4 cargos de alto escalão na EC; exerceu pelo menos 4 cargos de confiança e de primeiro escalão em assessorias, secretarias e empresas municipais.

Diretor Econômico-

financeiro AG61

54 anos. Formação Acadêmica: Economista – USP (anos 1960); Mestre em economia – USP (anos 1960); Doutor em Administração Contábil e Financeira – FGV (fim dos anos 1970). Experiência Profissional: foi assessor econômico, chefe de assessoria política e econômica, Secretário Adjunto e Secretário de diferentes Secretarias do Governo do Estado de São Paulo; foi gerente de mercado de capitais e diretor geral de duas empresas federais; foi Secretário Geral Adjunto do Ministério da Fazenda; foi assessor da vice-presidência de um banco do Estado de São Paulo; foi coordenador de programa de investimentos, membro de conselho fiscal e do conselho de 2 empresas estaduais e uma federal; foi membro do conselho de administração de 2 empresas federais.

Diretor de Operação AG60

42 anos. Formação Acadêmica: Engenheiro elétrico – UNICAMP (anos 1970); Mestrando em Educação – PUC; Experiência Profissional: em diversas empresas privadas atuou como engenheiro de projetos, coordenador de projetos,engenheiro elétrico sênior, coordenador e diretor de engenharia elétrica; professor e chefe do departamento de engenharia elétrica de uma universidade privada.

Diretor de Distribuição

AG59

45 anos. Formação Acadêmica: Engenheiro elétrico – Universidade Mackenzie (anos 1970); pós-graduado pela Escola Politécnica. Experiência Profissional: técnico e depois engenheiro na Light; desde o início dos anos 1970 trabalhou na diretoria de engenharia de uma das empresas do SEP (engenheiro, gerente de divisão e gerente de departamento), e neste ínterim teve algumas passagens por empresas do setor privado (engenheiro, gerente, coordenador e consultor).

Diretor Administrativo

AG62

Formação Acadêmica: Dentista – PUC (fim dos anos 1960), Bacharel em direito – faculdade privada. Experiência Profissional: nos anos 1970 foi vereador e presidente de câmara municipal pelo menos 2 vezes e foi diretor administrativo de uma rádio e televisão regional; professor de odontologia, diretor de faculdade de odontologia; foi membro do conselho de administração de pelo menos 4 empresas estatais paulista, carioca, baiana e federal; foi assessor técnico administrativo e procurador da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.

Fonte: Elaboração própria a partir de dados da CVM e do JO.

Devemos controlar o fato de que não temos dados que nos esclareçam como os agentes que estamos analisando constituíram a magnitude de capital político que têm.

102

Consideramos a referência “pós-graduação” como algum curso que não de mestrado ou doutorado. Isso porque os outros agentes quando são mestres ou doutores explicitam o título e porque procuramos nos certificar se o agente em questão tinha dissertação ou tese defendida, o que não se confirmou via pesquisa na biblioteca da universidade em questão.

Entretanto, tomamos como um dado que a nomeação para os cargos em que estavam revelam por si só que, em alguma medida, eles tinham capital político em maior magnitude que outros agentes. Seguem algumas descrições básicas.

Os dois membros da SEESP são os agentes com maior magnitude de capital político, devido ao fato de estarem em tais cargos naquele momento, e também ao fato, pelo menos, de um deles ter ocupado postos homólogos em agências, comissões e secretarias estaduais e, especialmente, de ambos serem egressos do IEE/USP, onde tinham relações (e publicações) com José Goldemberg103, um de seus honoráveis membros, que, dentre outros cargos da esfera estadual e federal, foi presidente das empresas de energia do Estado de São Paulo (1983-1996).

O diretor econômico-financeiro da empresa tem uma magnitude de capital político semelhante aos dois anteriores. Ele já tinha sido diretor em empresas estatais federais e secretário de Estado de diversas secretarias do Estado de São Paulo. O diretor administrativo da empresa tem uma magnitude de capital político, em alguma medida, semelhante porque possuía uma carreira política e tinha ocupado cargo no conselho de administração de empresas da esfera estadual e federal.

O presidente da empresa estava em um cargo que denota posse de capital político e tinha passado por cargos na esfera pública que também a denotam. No entanto, esses cargos eram da esfera pública municipal, ou seja, eles não tinham passado por cargos de secretaria de Estado e de diretoria de empresas estaduais e federais, e outros órgãos estaduais. Dessa forma, seu capital político, em alguma medida, era de uma magnitude menor que a dos citados no parágrafo anterior.

103

No período de 1983 a 1986, dirigiu as empresas de energia do Estado de São Paulo e de 1986 a 1990 foi Reitor da Universidade de São Paulos. De 1990 até 1992, ocupou vários cargos no Governo Federal; Secretário de Ciência e Tecnologia da Presidência da República, Secretário Interino de Meio Ambiente, Ministro da Educação, etc.

Dois diretores da empresa, o de distribuição e o de operação, estavam em cargos que denotavam que tinham capital político, mas não tinham nenhuma outra passagem anterior que denotasse o mesmo. Desta forma, pode-se considerar que eles possuíam uma magnitude de capital político relativamente menor que os supracitados.

Um segundo princípio de disposição dos agentes no espaço é o capital escolar. O secretário estadual de energia e o diretor econômico-financeiro têm maior magnitude de capital escolar, pois, além da graduação, fizeram o mestrado e o doutorado. Deve-se observar que a espécie de capital escolar que possuem em maior relevância é a mesma; são formados em economia ou fizeram mestrado e doutorado na área de economia, em universidades de prestígio, nacionais ou internacionais. Ou seja, os agentes da modernização com a maior magnitude de capital político e escolar são da área de economia.

O secretário adjunto de energia e o diretor de distribuição possuem curso de especialização104 — o primeiro em economia e o segundo em engenharia — e, desta forma, pode-se dizer que possuem uma magnitude menor de capital escolar que os citados no parágrafo anterior. Novamente tem-se que dentre os agentes com magnitude equivalente de capital escolar o que possui a espécie em economia tem maior capital político.

E, por fim, com uma magnitude de capital escolar em alguma medida menor que a dos supracitados estão o presidente, o diretor administrativo e o diretor de operação da empresa. Eles têm formação escolar unicamente na graduação.

Um terceiro princípio de disposição dos agentes no espaço é o capital organizacional. O presidente da empresa e o diretor de distribuição têm a maior magnitude desse capital. O primeiro porque atua há cerca de 35 anos na EC, fez uma carreira de engenheiro a presidente, ainda que tenha atuado em empresas, assessorias e autarquias

104

Não está claro se os cursos de pós-graduação declarados por esses agentes são do nível de mestrado ou doutorado. Na nossa principal fonte desses dados, a Comissão de Valores Mobiliários, a descrição do perfil deles não explicita isso, ao passo que a dos anteriores o faz. Além disso, procuramos na biblioteca das faculdades onde fizeram a declarada pós-graduação e não encontramos alguma tese ou dissertação defendida por eles. Assim, estamos considerando que fizeram algo como especialização e não mestrado e menos ainda doutorado.

públicas neste ínterim. E o segundo porque atuou cerca de 23 anos em uma empresa do SEP, onde fez carreira de engenheiro a gerente de departamento, ainda que tenha atuado em empresas privadas neste ínterim.

O secretário adjunto de energia atuou cerca de 12 anos em uma empresa do SEP. Desta forma, tinha uma magnitude de capital organizacional menor que a dos acima referidos, mas maior que o secretário estadual de energia, o diretor administrativo, o diretor econômico- financeiro e o diretor de operação da empresa, que nunca tinham trabalhado em uma empresa do SEP, isto é, não possuíam capital organizacional.

Da forma mínima como pudemos apresentar o que seria uma disposição dos agentes no espaço dos agentes da direção da empresa, algumas considerações podem ser feitas. Nota- se que os agentes economistas ou reconvertidos à economia nos estudos de pós-graduação (o secretário de energia e o diretor econômico-financeiro) têm maior magnitude de capital político, maior magnitude de capital escolar e têm atuações em organizações não restritas ao setor elétrico — no nível nacional. O secretário adjunto, também economista, estaria mais próximo desses.

E nota-se que os agentes engenheiros (o presidente da empresa e o diretor de distribuição) têm menor magnitude de capital escolar, menor magnitude de capital político em relação aos economistas, mas porém maior magnitude de capital organizacional. Eles têm forte atuação no setor elétrico ou em organizações de nível mais local — municipal. O outro agente engenheiro — diretor de operação — estaria mais próximo desses.

Pode-se considerar que na estruturação do espaço político onde se deu o embate pela definição e redefinição da empresa, em alguma medida, os agentes que tendiam a ser dominantes eram os economistas, e os agentes que tendiam a ser dominados eram engenheiros. Pode-se considerar que, em alguma medida, no impulso de transformar a empresa e as instituições do SEP, esses agentes dominantes, por conta da posição objetiva e

das disposições que possuem, tinham reações práticas para esse espaço produzidas por habitus diferentes vis-à-vis aos engenheiros. Dessa forma, uma representação da empresa mais típica da área de economia, ou uma forma específica de perceber e atuar sobre as empresas e a economia de modo geral, tinha mais empuxo para se impor na luta política pela redefinição da empresa. Quer dizer, os agentes economistas tinham maior autoridade, não somente estatutária, mas simbólica para “impor o conhecimento legítimo do sentido do mundo social,

de sua significação atual e na direção na qual ele vai e deve ir” (Bourdieu, 2001: 226). Na

perspectiva bourdieusiana, o poder dos agentes para transformar a representação do mundo social depende do capital simbólico que têm acumulado, quer dizer, da posição deles neste espaço, condição essencial para o exercício da violência simbólica, que é o poder de impor princípios de visão e divisão do mundo, de mudar a representação do mundo.

“[sobre a modernização] É simples. Veja, nós sabíamos duas coisas. Quando nós começamos a estudar, começamos ver que a questão era o consumidor, era comercial. A regulação mostrava que você ia ter preços que você ia formar que não era preços dados pela ANEEL […]. Então, nós sabíamos que ia ter que ter uma área de comercialização e de produto novos. Então, tanto é que nós tínhamos uma consultoria e nós propusemos um estrutura parecida com a que está aí. Você tinha diretor de engenharia e você tinha diretor comercial. E acabou aquele negócio … porque a estrutura no meu tempo de estatal era distribuição e engenharia. Acabou esse negócio de diretoria de destruição. Você tem o diretor de engenharia, você tem o cara comercial, agora, hoje Nós sabíamos que a empresa tinha que mudar, que os processos tinham que mudar. Para eles enxugarem, eles iam ter que ter processos integrados. Nós tentamos nos antecipar, como nós tínhamos uma consultoria, nós começamos a criar. Nós tínhamos um andar lá que era tudo novo. Era como se empresa já tivesse mudado […]. Nós tínhamos a visão de que realmente nós iríamos ser privatizados […]. E nós tínhamos na realidade cabeças muito boas. Então, nós tínhamos gente que começou a estudar […]. Então, nós tínhamos, vamos dizer, um pessoal interno. Nós tínhamos claro a vontade política porque o secretário estimulava a gente, a gente fazia o que queria e nós tínhamos gente sobrando para estudar tudo que pudesse imaginar; desde formação de preço até edital que nós tínhamos esse pessoal todo trabalhando” (Engenheiro, ex-funcionário do alto escalão105 — alto clero).

Desta forma, se os agentes da direção da empresa eram alinhados em relação às previsões, aos projetos e ao futuro que deveria ter a EC, basicamente à privatização precedida por uma reengenharia organizacional (cap. 4), deve-se considerar que nesse alinhamento o

105

modo de enquadramento cognitivo da empresa clássico dos engenheiros — um todo inclusivo organizado funcionalmente onde prevalece uma concepção de controle da produção, uma estrutura organizacional funcional unitária e critérios tangíveis de avaliação da performance — estava sendo subordinado a um modo de enquadramento mais típico dos economistas — um conjunto de unidades independentes relacionando-se com uma holding, sob critérios financeiros/comerciais de avaliação de desempenho onde prevalece a concepção financeira de controle organizacional.

b-) As propriedades pertinentes dos agentes do alto escalão. Nesta seção, vamos

tratar dos agentes do alto clero, inclusive seus principais cardeais, que eram do alto escalão da empresa, mas não eram seus diretores. Faremos algumas considerações considerando-os em conjunto, mas, quando for pertinente, faremos considerações considerando as diferenças entre o alto clero e os principais do alto clero.

De início, é importante esclarecer como conseguimos os dados sobre a posição dos agentes da modernização em cargos e funções na EC ao longo de suas carreiras, desde o início. Eles foram coletados no JO, nas entrevistas, nas fontes documentais e nos questionários. Os dados sobre a diretoria ou departamento de origem dos agentes e sobre sua formação acadêmica são precisos. Os dados sobre suas posições em cargos e funções denotam as que, de fato, eles ocuparam. Entretanto, pode ser que tenham ocupado posições superiores e nossa pesquisa não tenha registrado isso, ou seja, não temos a negativa de que isso não ocorreu. Mas, de qualquer modo, isso não compromete a análise porque o sentido dela é revelar o conjunto das suas propriedades pertinentes a partir de dados da trajetória profissional, ainda que ela o tenha feito nivelando por baixo.

QUADRO 09