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4.2 Kvalitative intervju

4.2.2 Intervjuguide

O conceito de Logística Integrada está inserido no contexto do gerenciamento integrado das atividades logísticas, o qual é enfatizado por BOWERSOX & CLOSS (2001). Tal gerenciamento visa combinar ou coordenar o transporte, o estoque, a armazenagem, o manuseio de materiais, a embalagem e as informações com o objetivo de obter resultados otimizados para toda a função logística. Tal gestão integrada não deve abranger somente o âmbito interno da empresa como também o externo, com fornecedores e clientes da cadeia de suprimentos. Desse modo, a Logística Integrada volta-se a uma movimentação coordenada de materiais/componentes, de produtos semi-acabados e de produtos acabados entre as instalações, internas e externas à organização, para atender os clientes de forma eficiente e eficaz. FLEURY et al. (2000) complementam que o conceito de Logística Integrada objetiva atingir o nível de serviço desejado ao menor custo total possível, por meio do balanceamento entre essas duas variáveis.

Para a realização desse conceito, a integração deve ocorrer tanto na esfera interna como na externa da organização. A integração interna depende da coordenação dos fluxos físicos e de informação existentes entre as três grandes áreas internas (suprimento, apoio à produção e distribuição física), ao passo que a integração externa baseia-se na coordenação das operações logísticas com fornecedores e clientes ao longo da cadeia de suprimentos.

Ressalta-se, portanto, que BOWERSOX & CLOSS (2001) dividiram a função logística entre as áreas operacionais de suprimento, de apoio à produção e de distribuição física com o intuito de possibilitar a realização de uma análise detalhada além da integrada dessas áreas:

‰ Suprimento: envolve as operações de entrada ou obtenção de matérias-primas,

produtos semi-acabados ou acabados provenientes de fornecedores, incluindo atividades como planejamento de recursos, seleção de fontes de suprimento, realização de pedidos, transporte de saída, recebimento e inspeção, armazenamento e garantia da qualidade;

‰ Apoio à produção: relaciona-se ao gerenciamento de estoque em processo, tendo as funções de participação na elaboração do programa-mestre de produção, através da identificação do que, quando e onde os produtos são fabricados (não interessando a forma como eles são fabricados) e da realização das atividades de armazenamento, de manuseio, de transporte e de seqüenciamento dos componentes e produtos semi- acabados;

‰ Distribuição física: realiza o fornecimento de serviço ao cliente e abrange operações de saída de produtos acabados para o atendimento de clientes, o que evidencia uma estreita ligação entre esta área e o marketing. As atividades potenciais dessa área são o recebimento e processamento de pedidos, o posicionamento de estoques, o armazenamento, o manuseio e o transporte de produtos acabados.

Além do fluxo de produtos, que visa a movimentação e a armazenagem de matérias-primas, produtos semi-acabados e produtos acabados ao longo das três grandes áreas da função logística, o conceito de Logística Integrada enfatiza o fluxo de informações associado ao primeiro. Tal fluxo é classificado em dois níveis, a saber: fluxo de Planejamento e de Coordenação e fluxo de Operações. O primeiro visa o fornecimento de informações relativas ao planejamento buscando coordenação entre as atividades da organização. Esse fluxo envolve o compartilhamento e a coordenação de diferentes tipos de informação: objetivos estratégicos, restrições de capacidade, previsões, necessidades logísticas (utilização de mão-de-obra, equipamentos e instalações necessários à distribuição dos produtos), necessidades de fabricação e de suprimento e posicionamento de estoque (composição e localização dos estoques e forma de gestão em uma esfera operacional, o que evidencia o fato de que o estoque se enquadra tanto no nível de planejamento e coordenação como no operacional). Já o segundo nível do fluxo de informações logísticas, o de operações, almeja o fornecimento de dados minuciosos e precisos para as três grandes áreas operacionais da logística. Este fluxo engloba informações sobre o gerenciamento de pedidos (recebimento e qualificação de pedidos dos clientes), o processamento de pedidos (é relativo à vinculação de estoque e à determinação de responsabilidades), as operações de distribuição, o gerenciamento de estoque, o transporte, dentre outras.

A principal unidade de análise da Logística Integrada, que se constitui como base de implementação, é o ciclo de atividades da logística, que estrutura a lógica

de execução das atividades da logística e evidencia a combinação de nós (instalações, nas quais se realizam, predominantemente, as atividades logísticas de movimentação e de armazenagem), vínculos (relações relativas aos fluxos físico e de informação entre os nós), níveis (ciclos de suprimento, apoio à produção e distribuição física) e atividades existentes ao longo das áreas operacionais da logística de uma determinada empresa ou cadeia de suprimentos. Assim, os ciclos de atividades permitem uma análise integrada da logística através da exposição da sua dinâmica, das interfaces existentes entre instalações e/ou empresas e das decisões inter-relacionadas. Salienta-se que a gestão dos ciclos de atividades volta-se à diminuição da incerteza e da variância operacional e, assim, ao alcance de alta consistência na execução das atividades (sem atrasos ou antecipações). A partir disso potencializa-se a redução da duração do próprio ciclo.

O ciclo total de atividades é composto pela seguinte tipologia: ciclo de suprimento, ciclo de apoio à produção e ciclo de distribuição física. O ciclo de distribuição física tem como objetivo disponibilizar, eficiente e eficazmente, os produtos demandados pelos clientes através das seguintes atividades básicas: transmissão, processamento e separação de pedidos, transporte de produtos e entrega ao cliente. O ciclo de apoio à produção está localizado entre os outros dois tipos de ciclos e representa as atividades de movimentação e de armazenagem internas que buscam um fluxo econômico e ordenado de materiais e de produtos em processamento para dar suporte às necessidades da produção. E o ciclo de suprimento executa atividades de movimentação e de armazenagem de materiais, componentes e produtos acabados que serão usados em empresas de fabricação ou de distribuição. Uma abordagem semelhante da de BOWERSOX & CLOSS (2001) é a de CHRISTOPHER (1997), que usa o termo “prazo logístico” ou “prazo estratégico” para discriminar o tempo necessário para completar o processo, desde a entrada de materiais até a entrega do produto ao cliente, isto é, desde o suprimento, a fabricação, a montagem até a entrega do pedido ao cliente e não somente o período do recebimento do pedido até o seu atendimento.

Outra abordagem para a avaliação do tempo despendido nas atividades logísticas é dada por BALLOU (2001) através do conceito de Tempo de Ciclo do Pedido (ou do Serviço). Este conceito refere-se ao tempo decorrido desde a colocação do pedido de cliente, de suprimento ou de requisição de serviço até seu atendimento através da entrega do produto ou da realização do serviço. Tal tempo pode envolver o

tempo de transmissão do pedido, tempo de processamento e de montagem do pedido, tempo de aquisição de estoque adicional (se existir a necessidade de fabricação dos produtos demandados ou de acesso a outro armazém) e tempo de entrega.

Nota-se que o conceito de ciclo de pedido de BALLOU (2001) possui semelhanças com o de ciclo de atividades da logística de BOWERSOX & CLOSS (2001) e com o prazo logístico de CHRISTOPHER (1997), mas apresenta um escopo mais limitado na medida em que o primeiro conceito pode abranger, para o atendimento do pedido do cliente ou do pedido de suprimento, somente os ciclos de distribuição física e de apoio à produção ou os ciclos de suprimento e de apoio à produção respectivamente.

Salienta-se que CHRISTOPHER (1997) expôs que, para a redução dos níveis de estoques, torna-se necessário diminuir a lacuna existente entre o prazo logístico e o tempo do ciclo do pedido. Para tanto, há duas alternativas: reduzir o prazo logístico por meio de melhorias na eficiência de suas atividades e/ou, de certo modo, aumentar o ciclo do pedido do cliente por meio do deslocamento do ponto de penetração do pedido para o mais próximo possível do início do fluxo logístico (assim, haveria a expansão da extensão do fluxo que é caracterizada como “puxada” pela demanda real, incidindo, dessa forma, o conceito de postergação).