3. IKFFs organisasjon, aktører og nettverk
3.2 De sentrale aktørene i IKFFs flyktninghjelp: en biografisk tilnærming
3.2.1 Presentasjon av sentrale aktører i IKFFs flyktninghjelp
As cidades, a toda sorte de análise, devem ser entendidas como locais de relações conflitantes, de desejo e de necessidades, de satisfação e de insatisfações, enfim, como conceito sempre em formação. Inicialmente, eram menores porque as distâncias a serem percorridas eram realizadas pelo transporte não motorizado - a pé ou em veículos de tração animal. Todavia, resta claro que o desenvolvimento das cidades está intrinsecamente ligado às disponibilidades de transporte.
Nessa linha de raciocínio, tem-se que: “Já é conhecido o papel fundamental exercido pelos transportes modernos tanto na modificação do espaço como no desenvolvimento econômico das regiões.” (SANTOS, 1982, p. 98).
Para Fair e Williams (1959):
A importância relativa das cidades pode mudar também com o desenvolvimento de novas modalidades de transporte. Isto é, o padrão e o tamanho de uma cidade são largamente moldados pela natureza das disponibilidades de transporte. Assim aconteceu, por exemplo, com Atlanta, nos Estados Unidos, que se transformou no maior centro comercial dos Estados do Atlântico Sul, como resultado de ter sido privilegiada pelo eficiente sistema ferroviário. (Fair e Williams, 1959, apud Caixeta- Filho e Martins, 2001, p. 19).
O Ministério das Cidades, em parceria com o Instituto Brasileiro de Administração Municipal, ao tratar sobre mobilidade e política urbana, estabelece que:
Observa-se ainda que, paradoxalmente, à medida que aumenta o número de veículos particulares circulantes, acontece uma redução geral da mobilidade devido aos congestionamentos. Mesmo quando são realizados representativos investimentos em infraestrutura, como a construção de viadutos para melhorar o fluxo de veículos, os benefícios rapidamente desaparecem em decorrência da ampliação do espaço viário tornar-se um estímulo a maior utilização do transporte individual. (BRASIL, 2005, p. 10).
Portanto, é nesse ambiente de intensos congestionamentos, aliados ao crescimento desordenado das cidades, que se compromete a mobilidade das pessoas no espaço urbano, gerando um ciclo vicioso (Figura 23), onde se depende mais, a cada dia, dos veículos motorizados de uso individual.
FIGURA 23 Ciclo Vicioso da Mobilidade Urbana.
Fonte: Instituto Brasileiro de Administração Municipal - IBAM. Disponível em: <http://www.ibam.org.br/media/arquivos/estudos/mobilidade.pdf>.
É diante desse complexo quadro apresentado, concomitantemente ao grande avanço econômico do País, estabelecido de maneira sólida a partir de 1994 com o Plano Real, aliado à política local de incentivo à produção da motocicleta, que surge o serviço de mototáxi (Figura 24), como alternativa de transporte, alicerçado principalmente pelo inconsistente serviço público de transporte, assim como devido a tarifas baixas e à facilidade de locomoção.
FIGURA 24 Mototaxista
Por óbvio, era de se (LORENZETTI, 2003, p. 3) panorama traçado se en desacompanhados de um sociedade, resultando em um segregação espacial, como a
Fonte: VIEIR <https://www.
ista transportando usuário em zona urbana centr 2008.
Fonte: ALMEIDA, Emerson Gervásio de. (Julho, 2008
se esperar que referido serviço, “classificado c . 3), se espalhasse com velocidade nas cidades b
encontrava intensificado diante de proces m planejamento integrador, com a margina um quadro de exclusão, de agravamento das d o a problemática proximidade de mundos tão di
FIGURA 25 Conflitos urbanos.
IRA, Tuca. Folha Imagem. 1 fotografia, color. Disponív w.google.com.br/search?q=folha+imagem+tuca+vieira..
ntral. Ituiutaba (MG). 08).
o como serviço público” s brasileiras, nas quais o cessos de urbanização inalização de parte da s desigualdades sociais e diferentes (Figura 25). nível em: ...=677>.
Almeida (2010) traz que,
Neste contexto, surge o serviço de mototáxi como meio de transporte que, nos últimos anos, vem ganhando significativo espaço em diversas cidades do País. O sucesso deste serviço está relacionado, principalmente, à rápida mobilidade oferecida pelo segmento, associada a tarifas atrativas, o que garante um deslocamento a baixo custo [...] (ALMEIDA, 2010, p. 215-16).
Nessa mesma linha de raciocínio, Fonseca (2005, p. 57):
Independentemente do tamanho das cidades, o mototáxi surge como alternativa informal, clandestina, a um transporte coletivo precário ou mesmo inexistente. Apresentando vantagens como rapidez e preços reduzidos, ele atende sobretudo às demandas das classes de renda mais baixa, ao aliviar o peso do “transporte” em seu orçamento doméstico e ao garantir acesso a lugares não atendidos por ônibus, seja pela falta de pavimentação ou violência desses lugares, seja pela baixa lucratividade que oferece às empresas formais.
Além de preços mais reduzidos, o serviço de mototáxi apresenta uma vantagem em comparação a outros serviços de transporte alternativo, como o de vans e kombis: a exclusividade do atendimento. Diferentemente destas modalidades de transporte, que têm percursos e horários determinados e operam com “lotada”, o mototáxi se estrutura como um serviço personalizado, variando seus itinerários, preços e até formas de pagamento de acordo com o cliente.
Surgindo no cenário urbano como um tipo de transporte clandestino e, portanto, passível de repressão, o mototáxi se consolida à medida que se expande, fazendo com que, a partir de um certo ponto, o caminho da regularização passe a ser uma das saídas possíveis. (FONSECA, 2005, p. 57).
Salienta-se, ainda, que, sob o olhar de classificação dos modos de transporte, o mototáxi se enquadra como transporte híbrido, mistura de público e privado, pois embora sujeito a controle governamental, possui características do privado, diante do fato de os usuários viajarem sozinhos. Quanto ao uso direto, não resta dúvida tratar-se de transporte individual. O próprio táxi, inclusive, também o é. Vasconcellos (2013c, p. 1), em recente artigo sobre a matéria, nos ensina: “O táxi é um serviço regulamentado pelo poder público, mas não é “coletivo”, pois é de uso exclusivo de quem o contrata, mostrando sua natureza de transporte individual.”
No Brasil, portanto, o transporte público individual por motocicleta se torna um fenômeno na área de transportes, entendendo-se fenômeno, como algo extraordinário, fato
novo gerado pelas mencionadas circunstâncias locais oportunas. Entende-se, inclusive, que se mantém como tal, pois, apesar de, nos dias atuais, estar presente na maioria das cidades, não perdeu seu caráter de surpreendente, diante da (r)evolução espacial ocasionada na mobilidade urbana sobre duas rodas.
Nessa perspectiva, julga-se importante apresentar como referido serviço se consolida no País, suas origens pelo mundo, a influência do consumo na expansão dessa forma de transporte e a descoberta da moto como ferramenta de trabalho, objetivos perseguidos no próximo capítulo.