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6 Utredning av aktuelle kontraktsformer

6.6 Presentasjon av regneeksempler

A atuação de Saviani como sócio fundador do Centro de Estudos da Cultura Contemporânea (CEDEC), da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), da Associação Nacional de Educação (ANDE) e do Centro de Estudos Educação e Sociedade (CEDES), demonstra o quanto este intelectual colocou o seu saber a serviço do engajamento e em favor do desenvolvimento da educação no Brasil em fins da década de 1970. Este traço vem se mantendo presente ao longo da trajetória de Saviani, que participou ativamente de outros momentos importantes da História da Educação recente de nosso país, tanto através da sua obra, quanto por sua atuação em cargos administrativos e, sobretudo, na condição primária que o define, qual seja, a de professor: “Toda a minha trajetória decorreu, simplesmente, de eu ter assumido em plenitude, radicalmente e com extremo senso de responsabilidade minha condição de professor” (SAVIANI, 15 de maio de 2009 – entrevista a Diana Gonçalves Vidal, In: VIDAL, 2011, p.46). Em suma: um professor engajado. Mas, o que caracteriza o engajamento? É preciso conceituar tal termo e, para isso, recorremos a Denis Benoît (2002):

Engajar, no sentido amplo e literal, significa colocar ou dar em penhor, engajar-se é portanto dar a sua pessoa ou a sua palavra em penhor, servir de caução e, por conseguinte, ligar-se por uma promessa ou juramento constrangedor. [...] No sentido estrito, [...] engajado é aquele que assumiu, explicitamente, uma série de compromissos com relação à coletividade, que ligou-se de alguma forma a ela por uma promessa e que joga nessa partida a sua credibilidade e a sua reputação. [...] no sentido próprio, engajar-se significa tomar uma direção. Há assim no engajamento a ideia central de uma escolha que é preciso fazer. No sentido figurado, engajar-se é desde então tomar uma certa direção, fazer a escolha de se integrar numa empreitada, de se colocar numa situação determinada, e de aceitar os constrangimentos e as responsabilidades contidas nesta escolha. Por conseguinte, e sempre de modo figurado, engajar-se consiste em praticar uma ação, voluntária e

efetiva, que manifesta e materializa a escolha efetuada conscientemente [...].

Colocar em penhor, fazer uma escolha, estabelecer uma ação; eis os três componentes semânticos essenciais que determinam o sentido do engajamento (p.31,32)64.

Consideramos esta definição de engajamento quer em seu sentido amplo e literal, quer em seu sentido estrito e em seu sentido figurado, define em muito a atuação de Saviani que colocou sua pessoa e seu nome como caução de movimentos e instituições, assumindo explicitamente uma série de compromissos em relação à coletividade, tomando uma direção, fazendo escolhas que, por certo demandaram responsabilidades e constrangimentos. É nessa perspectiva que consideramos a atuação de Saviani como sócio fundador de várias instituições que, em fins da década de 1970 tiveram um papel importantíssimo na organização do campo de pesquisas educacionais e na divulgação das mesmas em nosso país. É importante compreender a fundação de tais instituições na perspectiva da historicidade e da totalidade, em síntese, considerando o caráter transitório dos fenômenos sociais com suas respectivas limitações históricas e partindo do princípio de que a realidade social é um todo orgânico onde os variados aspectos devem ser compreendidos em uma relação de conjunto (LOWY, 1995).

Comecemos pelo Centro de Estudos da Cultura Contemporânea (CEDEC), cuja fundação data de 1976 com sede em São Paulo.

O CEDEC nasceu em maio de 1976, de uma cooperação com diversos intelectuais, alguns externos à academia, mas a maioria vinda de uma atuação profissional de docência e pesquisa nas universidades públicas paulistas. Isso, numa época em que o ambiente ideológico dessas universidades não era muito propício para o tipo de inquietação que esses docentes viviam (CHAUÍ; NOGUEIRA, 2007, p. 173). Dermeval Saviani era um destes intelectuais, cuja experiência de docência vinha da Educação Básica e do Ensino Superior, em nível de graduação e pós-graduação, pois, desde 1972, já atuava neste segmento na Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP) e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e, desde 1975, trabalhava na implantação do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Ao se referir ao momento específico de meados da década de 1970, Marilena Chauí e Marco Aurélio Nogueira (2007), afirmam que esse já era um momento crítico do regime ditator6ial no Brasil – a crise estava instalada, o que no âmbito externo foi potencializado pela Crise do Petróleo de 1973, quando a Organização dos Países Exportadores

de Petróleo (OPEP), elevou o preço do barril, o que atingiu diretamente as economias ocidentais dependentes do capital externo – caso do Brasil. Neste contexto, com os índices econômicos em decadência, o poder político dos ditadores era cada vez mais posto em cheque. A crise do regime, no âmbito interno, pode ser evidenciada entre outros fatores pelo desgaste político, pelo fortalecimento dos movimentos sociais e, pela derrota da Aliança Renovadora Nacional (ARENA – partido da situação) para o Movimento Democrático Brasileiro (MDB – partido da oposição), nas eleições parlamentares de 1974 e também pela morte do jornalista Wladimir Herzog em 1975, que teria se suicidado nas dependências do Departamento de Operações de Informações-Centro de Operações de Defesa Interna (DOI- CODI) – fato hoje reconhecido como assassinato pelas investigações da Comissão Nacional da Verdade, cujos trabalhos foram encerrados no final do ano de 2014.

No contexto do fim da destaca de 1970, enquanto a direita se articulava como podia para manter o regime ou pelo menos para conduzir o país a um processo de abertura que lhe garantisse a perpetuação no poder – em uma expressão, esse processo deveria ocorrer de forma “lenta, gradual e segura”65 – os opositores do regime ditatorial, em sua maioria, alinhados aos ideais de esquerda, já tinham, se dado conta de que o poder não seria tomado de assalto – as guerrilhas estavam sufocadas, os movimentos populares não tinham armas nas mãos para tirar os ditadores do poder exatamente em um momento em que pareciam mais fragilizados, porém, ainda dispostos a agir com crueldade. Segundo Chauí e Nogueira (2007), era um momento de “intervalo histórico” e nessa brecha se colocaram os intelectuais, cujo pensamento desassossegado e com a ação comprometida com a redemocratização do país, os fariam assumir um papel importante na história do Brasil, sobretudo em fins da década de 1970 e na década de 1980.

Enfim, entre o que poderia acontecer e o que estava acontecendo havia uma brecha, um intervalo a ser ocupado pelo pensamento, com suas ansiedades, angústias e esperanças. Evidentemente, esse intervalo sempre vai existir em todos nós, mas aquele era um intervalo especial, principalmente para aqueles que se colocavam contra a ditadura. Porque aqueles que viviam em conforto com a ditadura, beneficiando-se da sua repressão e da sua violência, tinham já um preço a pagar: o pensamento amortecido; enquanto os que viviam sob o tacão da ditadura, sofrendo sua truculência, pelo menos tinham esse recurso, para não dizer esse último recurso: a força do pensamento. Enquanto a ditadura fazia o seu trabalho com barulho, e, muitas vezes, o fazia com enorme brutalidade, o pensamento também fazia o seu, quase silencioso, quase invisível, mas sutil (CHAUÍ; NOGUEIRA, 2007, p. 175- 176).

65 Expressão que se identifica com o governo do General Ernesto Geisel, que tomou posse como presidente da

Foi nessa brecha, que intelectuais engajados se articularam para fundar o Centro de Estudos da Cultura Contemporânea (CEDEC), entre os quais destacamos: Dermeval Saviani, José Álvaro Moisés, José Augusto Guilhon Albuquerque, Marilena Chauí e Luiz Eduardo Wanderley que, foi o responsável por articular a primeira sede do CEDEC, que funcionou em uma casinha em frente à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), à Rua Monte Alegre. Quanto aos temas mais discutidos no CEDEC, no contexto de sua fundação se destacam: a crise de legitimidade da ditadura (ou, como se dizia, do “sistema”), o autoritarismo na América Latina, a relação entre democracia e socialismo, a crítica da ideologia. Quanto ao uso do termo “cultura”, na sigla CEDEC, se deve ao objetivo dos articuladores da instituição de ampliar o número de pessoas que pudessem contribuir com o grupo, pois, remetia ao meio acadêmico, político e histórico (CHAUÍ; NOGUEIRA, 2007).

Assim se define o Centro de Estudos da Cultura Contemporânea (CEDEC): O CEDEC é uma instituição civil, sem fins lucrativos, fundada em 1976, e cujo objetivo principal consiste na consolidação de um espaço para a realização de pesquisas e debates sobre aspectos sociais, políticos, econômicos e culturais da realidade brasileira, com ênfase especial na problemática das classes populares. É assim que o perfil do CEDEC se define. Nesse sentido, dirige as suas atividades para as seguintes áreas: movimento operário e sindical, trabalhadores rurais, movimentos sociais urbanos, cultura popular, violência e marginalidade, igreja e suas relações com os movimentos populares e o Estado, ideologia e partidos políticos (PRIMEIRO BOLETIM DO CEDEC, apud CHAUÍ; NOGUEIRA, 2007, p. 189). Assim, o Centro de Estudos da Cultura Contemporânea (CEDEC), se propunha a fazer não apenas estudos dos temas acima elencados, mas, também montar um acervo baseado em fontes primárias (documentos de associações populares e sindicatos) e fontes secundárias, que consistia na análise da grande imprensa. Em suma, o CEDEC propunha “[...] uma mudança de foco da análise sobre o Brasil. Ou seja, o social entra em cena novamente” (CHAUÍ; NOGUEIRA, 2007, p. 195).

O Centro de Estudos da Cultura Contemporânea (CEDEC) se mantém ativo e com sua sede em São Paulo, dedicando-se ao estudo dos problemas da realidade brasileira continuando a ser um espaço importante de debates entre intelectuais. Vale destacar que o CEDEC possui uma linha de publicações em que se destaca a revista Lua Nova e que realiza parcerias com fundações culturais, órgãos públicos, centros de pesquisa e universidades para a realização de eventos, tendo com a Universidade de São Paulo (USP), um convênio de cooperação. O CEDEC foi uma das instituições que colaborou na organização da I Conferência Brasileira de Educação (I CBE), que ocorreu em 1980.

Quanto à criação da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), segundo Saviani (2000a) esta foi uma das estratégias da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) para consolidar a pós-graduação no Brasil, e como o próprio nome diz, tal associação “[...] mantém vínculos com dois campos de interesse bem distintos, embora estreitamente relacionados entre si: a pós-graduação em educação e a produção e disseminação do conhecimento nessa mesma área” (FERRARO, 2005, p.47). A ANPEd constitui-se como sociedade civil e independente e sem fins lucrativos. Segundo informações veiculadas pela plataforma digital oficial da ANPEd, atualmente essa associação tem sua diretoria constituída por um presidente, por cinco vice-presidentes (um de cada região geográfica do país), primeiro e segundo secretários e um diretor financeiro. A ANPEd, admite tanto sócios individuais (professores e estudantes vinculados aos programas de pós-graduação stricto sensu em educação e demais pesquisadores da área) como sócios institucionais, ou seja, programas de pós-graduação stricto sensu. Ainda quanto à estrutura atual da ANPEd, é importante destacar:

 O Fórum de Coordenadores de Programas de Pós-Graduação em Educação (FORPRED) – trata-se de uma instância permanente cujo objetivo é a organização dos sócios institucionais, visando: a) articular debates sobre as diretrizes para o desenvolvimento dos programas de pós-graduação stricto sensu; b) analisar os procedimentos de avaliação e política na área de atuação da ANPEd. Atualmente existem 124 programas de pós-graduação em educação vinculados ao FORPRED em todo o país66.

 Os Grupos de Trabalho (GTs) – responsáveis por reunir e socializar o conhecimento produzido na área de educação, além de aprofundar o debate sobre interfaces da Educação e definir atividades acadêmicas das Reuniões Científicas Nacionais da ANPEd. Atualmente a ANPEd conta com 23 GTs temáticos67.

 O Conselho Fiscal: cuja função é a fiscalização contábil e financeira da ANPEd, sendo constituído por três membros efetivos e três suplentes, eleitos entre os associados individuais.

 O Comitê Científico: tem como função julgar o mérito acadêmico dos trabalhos inscritos para a apresentação nas reuniões nacionais promovidas pela ANPEd, sendo constituído por pesquisadores renomados na área pertencentes aos diferentes eleitos no âmbito dos GTs que compõem a ANPEd.

66http://www.anped.org.br/anped/sobre-a-anped/estrutura - acesso em 01/03/2015. 67http://www.anped.org.br/anped/sobre-a-anped/estrutura - acesso em 01/03/2015.

 O Fórum de Editores de Periódicos da Área de Educação (FEPAE): o objetivo deste fórum é a melhoria e qualificação permanente da produção intelectual na área de educação e a promoção do intercâmbio entre editores de periódicos de educação.

Se hoje a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd) é um “[...] órgão reconhecido no país e no exterior, destacando-se por ser um importante fórum de debates das questões políticas e científicas da área” (NEUENFELDT; ISAIA, 2008, p.92), isso é resultado da iniciativa de algumas poucas entidades educacionais que, no contexto do Plano Nacional de Pós-Graduação em Educação (PNPG/EDU)68, desenvolvido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) entre 1976-1977, se mobilizaram, enfrentando, segundo José Carmelo Braz Carvalho (2001), o dilema entre constituir um associação de pesquisa vinculada aos ditames do Estado centralizador, via CAPES e constituir uma associação autônoma de pesquisa.

As origens da ANPEd remontam a uma proposta de institucionalização de um sistema auto regulador na política de pós-graduação em Educação, formulada pela CAPES em 1976. A partir dessa proposta da CAPES, foram realizadas reuniões de coordenadores dos Programas de PG-EDU e elaborados subsídios de estatuto por um grupo de trabalho do Grande Rio. No entanto, a proposta hiberna até 1978, quando o processo de institucionalização da ANPEd é retomado e passa a ser criticado por uma corrente instituinte, questionadora dos vínculos de uma associação nacional dos cursos de pós-graduação em Educação com a política oficial de pós- graduação (CARVALHO, 2001, p. 134).

Neste contexto, o diretor da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), era Darcy Closs e o setor de educação era chefiado por Marilú Fontoura Medeiros (LINHARES, 1986).

Vale apontar que um grupo de educadores e pesquisadores já se movimentava no sentido de constituir uma associação de pesquisa em educação, antes mesmo da publicação do I Plano Nacional de Pós-Graduação (I PNPG), que data de 1975. Dermeval Saviani participava deste grupo, conforme afirma Marilú Fontoura Medeiros em depoimento publicado no Boletim da ANPEd (MEDEIROS, 1986). É interessante conhecer os outros nomes apontados por Medeiros (1986), tendo em vista compreender a rede de sociabilidade que se constituía em torno da criação de uma associação destinada à pesquisa em educação – a autora adverte acerca da possibilidade de algum nome não ter sido por ela relembrado:

68 O PNPG/EDU estava inserido dentro do II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND), “através do Plano

Setorial de Educação e Cultura (PSEC) e do Plano Básico de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (PBDCT)” (HENRIQUES, Vera Maria Pereira de Miranda. A ANPEd e a preocupação com a autonomia: em busca de reconhecimento e consagração. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 1998, p.45).

Durante os anos de 1974 (final) até julho de 1976 trabalhamos na CAPES, coordenando a área de Educação, com a assessoria de diversos professores do IES brasileiras para constituir o Plano Nacional (Operacional) de Pós-Graduação em Educação. Gostaria de destacar as figuras dos professores que nos auxiliaram nesta tarefa: Vera Candau (PUC/RJ), Luzia Garcia de Mello (UFRGS), Flávia Maria Sant’Anna (UFRGS), Julieta Calazans (FGV/IESAE), Celia Lucia Castro (FGV/IESAE), Dermeval Saviani (PUC/SP), Joel Martins (PUC-SP), Magda Beeter Soares (UFMG/MG), Graciema Pacheco (UFRGS), Juracy C. Marques (UFRGS), Hermengarda Lüdke (PUC/RJ), Glaura Miranda (UFMG), Celia F. S. Linhares (na época coordenadora do mestrado da UFF), Tarcísio Della Senta (CAPES [...], M. Marcos Maciel Formiga (CAPES [...], Gilberto Medeiros (CAPES [...], Antonio Miranda (bibliotecário) (MEDEIROS, 1986, p. 11-12).

Diante da movimentação destes professores e pesquisadores, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), decide convocar uma reunião para tratar da possibilidade da criação de uma associação nacional de pesquisa em educação, que, deveria seguir os moldes da Associação Nacional de Centros de Pós-Graduação em Economia (ANPEC). Tal reunião, segundo Carvalho (2001), ocorreu entre os dias 19 e 20 de agosto de 1976, nas dependências da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).

Dizia o ofício da convocação da CAPES: “procurando consolidar a área de Educação no contexto geral das demais ciências, adotou-se, entre outras medidas que estão sendo executadas no PNPG/EDU, a alternativa proposta para a criação de uma Associação Nacional de Cursos de Pós-Graduação da Área de Educação”. Prossegue ainda o ofício: “prevê-se, nesta reunião, estabelecer as finalidades, regulamentos ou normas da referida associação, além de definir, se possível, esquemas comuns para o processo de seleção de alunos”. A essa reunião compareceram coordenadores do mestrado da UFC, UFPE, UFRJ, UFMG, UFF, UFSCar, UFBA, UnB, UFRS, PUC/SP, PUC-Rio e FGV/IESAE. Participaram também o então diretor da CAPES, professor Darcy Closs, a assessora da CAPES e coordenadora do PPG/EDU, Marilú F. Medeiros, o assessor da CAPES, Edward Kapinus e alguns professores convidados (CARVALHO, 2001, p. 135).

Nesta primeira reunião tendo em vista a constituição de uma associação nacional de pesquisa em educação, ocorrida em 1976, formou-se um grupo de trabalho com o objetivo de elaborar uma minuta para os estatutos de tal associação. Os membros deste grupo, segundo Carvalho (2001) “[...] eram os coordenadores da PG/EDU do Grande Rio: Lyra Paixão (UFRJ), Célia Frazão Soares Linhares (UFF), Sérgio Fernandes (FGV/IESAE) e José Carmelo Carvalho (PUC-Rio) [...]. Esse grupo contou ainda com a colaboração de Vera Candau, que havia feito as análises iniciais do estatuto da ANPEC” (p. 136).

A predominância do grupo de professores e pesquisadores ligados às universidades do Rio de Janeiro não se fazia sem resistência, conforme afirma Osmar Fávero em entrevista a Vera Maria Pereira de Miranda Henriques (1998):

Existiam dois grupos. Um formado por IESAE, PUC-Rio e UFRJ. Grupo mais conservador que, naturalmente, assumia a ideia da CAPES. Era o chamado grupo do

Rio [...]. O outro grupo era formado basicamente por PUC-SP e UFMG (FÁVERO, In: entrevista a HENRIQUES, 1998, p. 53).

De todo modo, foi o grupo do Rio que elaborou o esboço do estatuto da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd). Tal esboço foi enviado à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), no primeiro trimestre de 1977, com a mediação de Edward Kapinus. Porém, a CAPES não tomou qualquer providência, para a criação da ANPEd. Neste contexto, ocorre um processo de esfriamento, nas palavras de Carvalho (2001), tinha início um “[...] período de hibernização ou de germinação na proposta da ANPEd [...]”(p. 137).

Esse período de hibernização ou de germinação, só chegou ao fim, quando, em março de 1978, em consequência de um convênio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e a Fundação Getúlio Vargas/ Instituto de Estudos Avançados em Educação (FGV/IESAE), foi realizada uma reunião entre os dias 14 e 16 de março, novamente no Rio de Janeiro. Desta reunião participaram 34 representantes de diversos programas de pós-graduação em educação, sendo: dois representantes da UnB, UNICAMP, PUC/SP, UFSM, UFRS, UFPB, UFMG; um representante da UFC, UFPE, UFSC, UFPR, UFBA, PUC/RS; da área do Rio de Janeiro dois representantes da UFF, três da UFRJ e da PUC-Rio, mais 6 representantes do FGV/IESAE (CARVALHO, 2001). Saviani era um dos representantes da PUC-SP.

Novamente se evidenciava o jogo de forças que havia na constituição da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd). Tal jogo de forças, que se fazia presente na reunião de março de 1978, tendo em vista a aprovação do estatuto da ANPEd, é explicitado por José Carmelo Braz de Carvalho em entrevista a Henriques (1998):

Existia um jogo de poder, representado por uma correlação de forças em um campo formado por três núcleos de pessoas. O primeiro grupo, com uma visão marxista- gramsciana; dentro ele, os reprodutivista e o grupo da PUC-SP... O outro núcleo possuía uma visão de eficiência da pós-graduação através da definição das prioridades da CAPES: era o grupo ligado ao Darcy Closs. O terceiro núcleo era de pessoas ligadas à pesquisa: um núcleo mais técnico... Venceu o primeiro núcleo, com a proposta de que a área de educação através da ANDEd, deveria instituir-se autonomamente como representante da sociedade civil (p. 53).

Evidentemente que Dermeval Saviani pertencia ao primeiro grupo apresentado por José Carmelo Braz de Carvalho – o grupo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) de vertente marxista-gramsciana, que neste contexto do final da década de 1970 se mobilizava em várias frentes tendo em vista a organização do meio acadêmico e

pautado nos ideias de autonomia da pesquisa em educação e, neste momento, de resistência aos ditames do Estado que iniciava seu processo de abertura “lenta, gradual e segura”.

Segundo Carvalho (2001), o grupo de sócios-fundadores da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), reuniu-se novamente na cidade de Curitiba em maio de 1978, tendo em vista a aprovação da ata de constituição da