3. Resultatpresentasjon
3.1. Presentasjon av de inkluderte publikasjonene
O estudo científico da pessoa do líder e do fenômeno da liderança teve início apenas na década de 1930 (HOUSE; ADITYA, 1997; STOGDILL, 1974). A partir de então, uma sucessão de estudos pretende explicar o processo de liderança, quem é o líder, o liderado, e a forma pela qual se estabelece essa relação (NORTHOUSE, 2004; SETERS; FIELD, 1990; YUKL, 2008).
Embora o líder e a liderança sejam objeto de estudo científico há mais de 80 anos, poucos são os consensos obtidos nessa área. Na década de 1970, Stogdill (1974) revisou mais de 3 mil estudos, concluindo que quatro décadas de pesquisas produziram um enorme número de conclusões que não permitiram alcançar um entendimento integrado sobre a definição de líder e de liderança. Passados outros 40 anos dessa publicação, o trabalho de Dinh et al. (2014) conclui que esse pouco consenso ainda persiste.
Nesse sentido, definir o líder e também a liderança não é uma tarefa fácil, isso porque cada abordagem da liderança acaba por conferir um significado próprio e muitas vezes distinto para ambos os constructos. Nesta seção e na seção 3.1.2, buscar-se-á definir o líder e a liderança em seus termos mais genéricos, para então apresentar, na seção 3.1.3, as principais abordagens da liderança.
Atribui-se as origens do termo líder a laed, expressão originada na antiga língua anglo-saxônica, que significa rota, curso de um barco no mar, trajeto (ADAIR, 2006). Com base nessas origens, o uso do termo líder (lead) na língua inglesa data do séc. XIV, enquanto que liderança (leadership) surge apenas na primeira metade do século XIX, em escritos sobre influência política e controle sobre o parlamento britânico (STOGDILL, 1974; ROST, 1993).
Em função de sua origem etimológica, o líder é comumente associado metaforicamente ao timoneiro ou piloto, que guia e orienta o barco e toda a sua tripulação no curso de uma determinada rota (GANGA; NAVARRETE, 2013). A partir dessa metáfora, percebe-se que o líder é uma pessoa que exerce um determinado tipo de poder sobre as pessoas que com ele estão, os liderados, na busca de um determinado objetivo.
Burns (2010), nesse sentido, destaca que os líderes são um tipo particular de detentores de poder. Para o autor, o líder é o indivíduo que detém o poder de influência, para conduzir outros indivíduos (os liderados) ao alcance de objetivos comuns. O líder exerce seu poder de influência no sentido: do estabelecimento da relação líder-liderado; na avaliação dos motivos e aspirações do liderado; na manutenção da relação com os liderados; e, finalmente, na condução ao atingimento dos objetivos comuns (BURNS, 2010).
Percebe-se, assim, que o líder, visto de maneia mais simplificada possível, é uma pessoa diferenciada das demais, especialmente por ser dotada de um poder de influência, ou autoridade, para mobilizar outras pessoas ao atingimento de objetivos comuns. A origem do poder do líder, ou ainda, dessa sua diferenciação em relação às demais pessoas, acaba recebendo diferentes explicações nas diversas abordagens de estudo do fenômeno da liderança.
Visto que o líder é uma pessoa com capacidade de influenciar outras pessoas, no intuito de melhor compreender o tipo de influência exercida por ele, é importante abordar os estudos sobre a capacidade de influência, que serão apresentados a seguir.
3.1.1.1 Os tipos de influência do líder
Diversos estudos buscam definir a capacidade de influência do líder, destacando-se a classificação proposta por French Junior e Raven (1959), que compreendia cinco espécies de poder:
a) o poder de remuneração, baseado na percepção de que, ao se atuar em favor do líder, obter-se-á uma recompensa, seja ela financeira, seja psicológica;
b) o poder de coerção, que parte da percepção de que o descumprimento da ordem do líder ensejará em algum tipo de punição;
c) o poder legitimado, que parte da percepção de que o comando parte de uma autoridade legítima, que é efetivamente detentora desse poder;
d) o poder de referência, que é fruto da identificação do liderado com o modo do líder ser e agir;
e) e, ainda, o poder do expert, que parte da percepção, do liderado, de que o líder é detentor de algum tipo de conhecimento especial.
Mais adiante, Raven (1993) agrega à classificação o poder informacional, ou poder de persuasão, e também o poder de invocar a autoridade de terceiros. Do mesmo modo, Yukl (2008) acrescenta as formas de poder do controle sobre a informação, em que o líder, pela sua prerrogativa hierárquica, tem a capacidade de limitar as ações de seu liderado mediante o filtro de informações que são repassadas ou não a este último, assim como o poder de carisma, considerado como diferente do poder de referência.
Yukl e Falbe (1991) acrescentam ainda uma classificação prévia aos tipos de poder apresentados anteriormente, considerando que, em essência, são dois os tipos de poder do líder: o poder da posição (position power), decorrente de uma legitimação institucional para o uso do poder, como é o caso das formas de poder de remuneração, coerção, legitimado e de controle sobre a informação; o poder da pessoa (personal power), que é decorrente da própria pessoa do líder, como é o caso do poder de referência, do expert, de persuasão e também do carisma (YUKL; FALBE, 1991).
Outro aspecto importante a considerar, ao se buscar definir quem é o líder, é a diferença entre líder e gestor, que será melhor descrita a seguir.
3.1.1.2 Distinção entre líder e gestor
Como destaca Northouse (2004), tanto a liderança quanto a gestão têm por características um processo de influência que envolve um
grupo de pessoas, na busca por objetivos definidos, motivo pelo qual a relação entre ambos os construtos é bastante discutida na literatura.
Para Yukl (1989), não há dúvidas quanto à possibilidade de alguém ser líder sem ser gestor, assim como também é possível que alguém seja um gestor, sem ser líder. Segundo o autor, a controvérsia reside sobre os graus de diferença entre ambas as áreas: para alguns autores, a liderança é um conceito mais abrangente que o conceito de gestão; enquanto que para outros, a gestão é um conceito mais amplo do que o da liderança.
Aqueles que consideram que líder é um conceito mais amplo do que o de gestor, partem da noção de que o líder, seja ele dotado de uma autoridade formal ou informal, influencia pessoas ao atingimento de resultados de proveito comum, enquanto que a gestão é eminentemente formal, decorre da estrutura organizacional, e é voltada ao atingimento dos resultados organizacionais (BENNIS; NANUS, 1988; DAY, 2000; NORTHOUSE, 2004; ZALEZNIK; KETS DE VRIES, 1981). Apesar de serem construtos muito próximos, a liderança pode decorrer ou não da estrutura organizacional, enquanto a gestão decorre exclusivamente das estruturas formais da organização (SARSUR, 2010).
Por sua vez, para Mintzberg (2010), diferenciar líderes e gestores é um exercício muito mais conceitual do que prático. O autor enfoca na definição do gestor, considerando que a gestão não é nem uma ciência, nem uma profissão, mas uma prática aprendida principalmente com a experiência e baseada no contexto. A atuação do gestor ocorre em três planos: no plano das informações, das pessoas e da ação. A liderança encontra-se vinculada ao plano das pessoas da atividade do gestor, mais especificamente com as relações internas da organização (MINTZBERG, 1973, 2010).
Especificamente para os fins deste trabalho considera-se que o conceito de líder é diverso e mais abrangente que o de gestor. O líder, portanto, exerce sua capacidade de influência sobre pessoas, no intuito de conduzi-las ao atingimento de resultados de proveito comum. Um gestor pode ser um líder, se a sua atuação transcender ao vínculo formal de trabalho, mas, por outro lado, é possível que existam outros líderes na organização, que não estejam atrelados à estrutura de sua gestão.