CONSIDERACIONS PRELIMINARS
1.2. PRESENTACIÓ DE LA TESI DOCTORAL 1. Les qüestions d’estil
As sondagens encontram-se, estritamente, ligadas ao regime político e à liber- dade de expressão e opinião, pelo que, naturalmente, o regime democrático é o berço desta técnica. É neste sentido que Harold Gosnell, cientista político da Universidade de Chicago, escreve, em 1940, acerca das sondagens como um mecanismo fundamental da democracia (Gosnell, 1940). É deste modo também que Cayrol afirma que “a sondagem é o produto da sociedade de- mocrática; foi sempre interdita nos regimes totalitários. Nem a URSS, a de Estaline ou aquela que se lhe seguiu, nem o Chile de Pinochet, nem a Argen- tina de Videla, nem a China, a da grande revolução cultural ou aquela que se lhe seguiu, nem o Vietname nem Cuba, nem nenhum dos regimes despóticos do Terceiro Mundo ou do Leste Europeu, nem Franco nem Salazar toleraram jamais as sondagens de opinião” (Cayrol 2000:11). A corroborar esta rela- ção estreita entre sondagens e regime democrático, em Espírito Santo (2008) encontramos o reforço da importância do entendimento dos laços fortes entre ciência, técnica e regime político e da necessidade da contextualização da téc- nica das sondagens como condição sine qua non de análise do espaço e relevo político, social e instrumental das sondagens.
As sondagens de opinião modernas surgiram nos Estados Unidos, pas- sando a ser utilizadas em moldes tecnicamente válidos e reconhecidos cien- tificamente, a partir, sobretudo, da eleição presidencial americana de 1936. No entanto é de relevar que, pelo menos, desde o século XIX os EUA conhe- cem a aplicação das sondagens, como o comprova a sua utilização pelo jornal Harrisburg Pennsylvanian, o qual já em 1824 procurava prever o candidato vencedor nas eleições presidenciais desse ano naquilo que se designaria mais tarde como straw poll (sondagem palha ou ad-hoc). Para além dos EUA tam-
bém a França (1848), a Alemanha (1848) e a Bélgica (1868-69) procuravam prever o comportamento eleitoral já no século XIX (Noelle, 1963: 22). A utilização de sondagens até meados do século XX nos EUA era um recurso comum por parte dos jornais, com o intuito directo da captação da atenção dos leitores e da consequente melhoria das vendas (Espírito Santo, 2008).
Para além da imprensa outro dos fortes impulsos dados às sondagens foi conseguido pelos institutos de sondagens, os quais fizeram história nos EUA, tendo começado a produzir estudos, de modo organizado e sistemático, a partir de 1935. Foi a revista Fortune que, neste ano, publicaria o primeiro baróme- tro trimestral, sobre temas da actualidade. Seria também em 1935, algumas semanas depois, que George Gallup fundava o American Institute of Public Opinion, em Princeton. São conhecidos e notórios os pioneiros da realização de sondagens, e respectivos institutos: Elmo Roper e Paul Cherington (da For- tune Surveys), George G. Gallup (do American Institute of Public Opinion) e Archibald Crossley (da Crossley Poll). Todas estas empresas tiveram êxito na predição dos vencedores das eleições de 1936 (Espírito Santo, 2006: 169). Seria Gallup e a sua empresa que viriam a prever a vitória de Roosevelt sobre Landon, nas eleições de 1936, com base numa recolha de dados, conduzida de duas em duas semanas, com amostras de cerca de 2000 indivíduos. Já a Literary Digestpreveria a vitória de Landon sobre Roosevelt, com base numa amostra de 2,3 milhões de indivíduos, recolhidos a partir dos contactos tele- fónicos dos seus assinantes. Roosevelt ganhou com 62,5% dos votos, o qual ficou 20% além das previsões desta revista e abriria falência um ano depois (Espírito Santo, 2006: 170).
Em França, as duas grandes referências pioneiras seriam Jean Stoetzel e Alfred Max, os quais, a partir de 1938 dariam início às primeiras sonda- gens de opinião em França, através do Institut Français d’ Opinion Publique (IFOP), sendo o grande expoente neste país até 1963 (Espírito Santo, 2006: 171). Este instituto e os seus investigadores foram, fortemente, influenciados pelos procedimentos aplicados nos EUA, em termos de amostragem e constru- ção de perguntas nos questionários. No plano dos procedimentos empregues seria também nos EUA que se daria uso recorrente, a partir dos meados dos anos 70 do século XX, às sondagens telefónicas, pela via dos procedimentos de construção da amostra e consequente recolha de dados de tipo aleatório. Neste plano pontificaram as empresas de comunicação social CBS News e o New York Times, as quais lançar-se-iam, de modo pioneiro, neste projecto em
1976, sendo logo seguidas por diversas outras. Já em 1990 dar-se-ia a junção da maioria das cadeias noticiosas dos EUA, em iniciativa da CNN e da As- sociated Press, para formar o consórcio Voter News Service (VNS) (Espírito Santo, 2006: 173-174). Genericamente pode afirmar-se que a influência dos EUA no desenvolvimento das sondagens foi forte, no sentido de influenciar os procedimentos empregues, nos mais diversos contextos das democracias oci- dentais. No plano dos procedimentos, o desenho das amostras, o emprego de procedimentos probabilísticos bem como o melhoramento da construção de perguntas nos questionários, em moldes que configurem uma validade técnica e uma fidelidade de resultados, cada vez mais consistentes, afiguram-se entre os principais problemas metodológicos que se colocam aos investigadores e que despoletam maior realce em termos de discussão científica (Gilbert, 2001; Berger, 2000; Fowler Jr., 1995; Gomez, 1995; Oñate, 1999).
Em Portugal, à semelhança de Espanha, o desenvolvimento das sonda- gens foi tardio em comparação com as demais democracias ocidentais. A base deste atraso teve motivos de ordem estruturante, de natureza política, os quais radicaram numa posição de Estado pouco favorável à utilização das son- dagens, pelo menos até ao tempo pré-revolução de 1974. No caso espanhol podemos encontrar, igualmente, motivos estruturantes de natureza política, com base no regime na origem desse atraso (Wert, 2003). Para Portugal, a confirmá-lo está o número de empresas constituídas até àquela data, com o propósito da realização de sondagens, como pode observar-se na tabela 1. Destas destaque-se o IPOPE, o qual foi responsável pela realização de alguns estudos de natureza socio-política, de âmbito nacional, com recurso à técnica da sondagem, dos quais destacamos dois bastante relevantes, sobretudo pelo ano em que foram produzidos, 1973: Estudos sobre Liberdade e Religião em Portugale ainda o estudo intitulado Os Portugueses e a Política.
É de relevar ainda que a primeira sondagem publicada na imprensa portu- guesa data de 6 de Janeiro de 1973 e teve como suporte o jornal Expresso, na sua primeira edição, a qual apresentava em manchete do seu caderno princi- pal a notícia com o título “63 por cento dos portugueses nunca votaram”, da responsabilidade da empresa SERTE. A televisão seguir-se-ia à imprensa em 1979 com a apresentação de projecções eleitorais para as eleições intercalares de 2 de Dezembro de 1979 (Espírito Santo, 2008: 158).
As regras estritas previstas, legalmente, para a credenciação das entida- des que, em Portugal, procurem realizar e publicar sondagens enquadram um
conjunto de procedimentos que é regulado pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), através do normativo de base em vigor (Lei 10/2000, de 21 de Junho). Esta Lei, vulgo designada como Lei das Sonda- gens, contempla um conjunto de princípios fundamentais como sejam o do tempo de proibição de publicação de resultados de sondagens em período de eleições que, de acordo com a Lei, é de dois dias antes do acto de sufrágio.
Tabela 1 – Empresas portuguesas pioneiras de sondagens políticas (até 1975)
Nome da Data de Data do empresa constituição termo/falência
1. Norma 1963 1998 2. IPOPE 1967 1985 3. Teor 1970 1995 4. SERTE 1971 * 5. Contagem 1972 * 6. Antropos 1975 Em actividade
FONTE: Paula do Espírito Santo (2008), “Surgimento e condicionantes das sondagens em Portugal”, Revista Observatório (Obs.1) VOL. 2, No4, Obercom, p.
156.
1. SOCIEDADE DE ESTUDOS PARA O DESENVOLVIMENTO DE EMPRESAS –,