4 Objectives and policy instruments in respect of national minorities going forward31
4.3 National minorities receive fair and equivalent services
4.3.1 Preschool, primary and lower secondary education and higher education48
As perguntas do inquérito tratam os temas deste capítulo que se re- sumem em três temas: a relação entre o designer e o cliente, a im- portância do cliente na obra final e a importância da encomenda nos projectos de comunicação.
Importante é ressalvar que este método assente nas atitudes dos designers inquiridos enferma de limitações de entre as quais se des- taca o facto de se recolherem informações dadas pelos sujeitos sobre o modo como eles percepcionam/avaliam o seu comportamento, não havendo lugar a uma aferição do comportamento propriamente dito; As perguntas 4, 5, 6, 14, 20 e 21 construíam o corpo central deste inquérito e visavam perceber se há ou não um reconhecimento do papel estruturante dos clientes na construção das soluções de co- municação. Através das três primeiras perguntas é possível fazer um retrato sobre a percepção dos designers sobre o papel do cliente na obra final, confirmando ou desmentindo a ideia de uma relação de trabalho dinâmica, participada e construída por ambos. A maior parte dos inquiridos considera que a presença das ideias e vontade do cliente (ou de diferentes parceiros) no corpo do trabalho produzido é elevada, fruto de um diálogo e encarando o pedido como um pro- blema de comunicação, que é aberto pelo diálogo desde o primeiro momento num espírito de diagnóstico e de construção de soluções. Os designers trabalham fundamentalmente com clientes (públicos e privados) e são eles a sua fonte de rendimentos principal, com- plementada por vezes com outras actividades (lectiva por exemplo). Confrontando os resultados obtidos no início do inquérito com si- tuações em que o trabalho é proposto e não pedido, os designers reconhecem que a participação do cliente na autoria da obra é im- portante. O peso das respostas não permite argumentar claramente a favor do reconhecimento da co-autoria do cliente nos trabalhos que ele não começou por pedir, havendo uma distribuição relativa- mente homogénea das respostas pela gradação da escala proposta (entre irrelevante e determinante).
As perguntas 7, 8, 9 e 10 têm como objectivo averiguar o posicio- namento ético dos designers dado que, na ausência de um instru- mento regulador, o designer poderia perfeitamente actuar visando exclusivamente os seus interesses. Mas, de facto, percebemos que mesmo sem essa tutela há uma consciência de missão e valores e o foco principal é a assumção das preocupações do cliente. As altera-
ções económicas recentes não alteraram esta postura, mantendo-se a preocupação na resposta ao problema de comunicação do cliente. As alterações que responderam às mudanças sociais foram no sen- tido de fazer um esforço para uma maior rentabilização do desem- penho profissional, sacrificando a inovação.
As questões 11, 12 e 13 avaliam a criação de um retrato social do encomendador e, de certo modo, aferiam a sua importância. São perguntas que visam a criação de uma imagem sobre a relação que se estabelece entre as duas partes, dado que para a criação de um trabalho participado e feito em equipa é necessário criar pontes de diálogo, entendimento e empatia. Conclui-se que para um diagnós- tico produtivo que venha a gerar soluções positivas para o cliente, a relação entre ambos é fundamental. Para isso muito contribui o es- tabelecimento de laços que passam para além do vínculo contratual. Os designers tendem a ter uma enorme abertura na avaliação social e psicológica dos clientes. Os clientes são muito mais do que parcelas contabilísticas e tendem a ter uma representação pessoal e/ou física e/ou psicológica nas empresas fruto do envolvimento que com eles é criado.
Conhecendo o actual contexto de trabalho, em que o designer deixou de poder ter um papel passivo e expectante para assumir papel activo na angarição de trabalhos e na montagem de propostas e projectos para clientes, as perguntas 15 a 19 têm como objectivo enquadrar essa realidade no processo da encomenda e clarificar o que é uma encomenda (quando não há um encomendador). Confirma-se que o paradigma mudou e que grande parte do tra- balho feito profissionalmente é auto-proposto, ou seja, parte da identificação por parte do designer de uma oportunidade/ problema. O peso percentual do trabalho pro-activo, situa-se na ordem dos 30%. Esta pro-actividade está relacionada com a ideia de diagnóstico, ou seja, preparação do projecto. Sabemos todos que, em todas as profissões, o valor da execução/ resolução é menor do que o do diagnóstico. Quando temos um pro- blema de saúde, aquilo que valorizamos é a capacidade de um pro- fissional ser certeiro no diagnóstico e na profilaxia. O melhor trata- mento é uma consequência natural – quase técnica – do diagnóstico. O inquérito revelou a importância deste processo também no design, pois a identificação de uma oportunidade tem um peso estrutural no trabalho do designer, sendo que hoje em dia este processo já não é desenvolvido apenas a pedido. Neste sentido, é curioso verificar que os concursos representam uma percentagem muito baixa do trabalho
dos designers. Sendo uma prática corrente nas grandes empresas (quando estão em jogo valores elevados) revelam-se pouco produ- tivos a uma escala média e pequena. Pode-se admitir com facilidade que o distanciamento que os concursos impõem entre o encomen- dador e o trabalho e a impossibilidade de construir soluções con- juntas (somados à pouca confiança e magros retornos) afastam as empresas de design e os designers individuais destes contextos que têm, genericamente, um peso baixo na facturação das empresas.
SUMÁRIO
Este capítulo procurou rever as relações entre designers e enco- mendadores, unidos pela encomenda, a partir da prática profis- sional recente.
Recorreu-se primeiramente a um estudo sobre a identidade profis- sional dos designers de forma a construir um quadro de referências sobre este grupo sócio-profissional, sem regulação por uma orga- nização que estabeleça o âmbito da actividade, código deontológico, legislação aplicável ao enquadramento da actividade, tabela de cálculo de honorários, responsabilidade civil, direitos de autor, etc. Reflectiu-se sobre o conhecimento em design, criticando a percepção (dominante) de que a profissão nasce da separação entre quem projecta e de quem executa.
Analisam-se as referências que levaram à escolha dos métodos mais apropriados para a recolha de informação. Realizaram-se duas en- trevistas não estruturadas a dois encomendadores, um de uma en- tidade pública e outro de uma empresa privada, com vista a poder perceber a visão destes dois profissionais sobre a relação que foram tendo com os designers, ajudaram a esclarecer um olhar de fora para dentro e foi possível concluir sobre a noção de projecto participado dos dois entrevistados.
Elaborou-se um questionário para fazer recolher informação sobre a profissão, de dentro para fora, para caracterizar olhares que são convergentes sobre a encomenda e a relação entre encomendador e designer. A opção metodológica recaiu sobre um formato de amos- tragem não probabilística, intencional, por julgamento. Os resultados que se apresentaram são esclarecedores, permitindo concluir o seguinte: 1. A maior parte dos inquiridos considera que a presença das ideias e vontade do cliente (ou de diferentes parceiros) no corpo do trabalho produzido é elevada;
2. Os designers trabalham fundamentalmente com clientes (públicos e privados) e são eles a sua fonte de rendimentos principal.
3. Os designers têm forte consciência social e sentido de missão. O seu foco principal é integrar as preocupações dos clientes e cumprir os seus objectivos.
4. Os laços de partilha de informação e envolvimento entre designers e clientes ultrapassam a vinculação contratual.
5. parte do trabalho feito profissionalmente é propositiva: parte da identificação por parte do designer de uma oportunidade/problema entre designers e clientes ultrapassam a vinculação contratual.
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