4 Objectives and policy instruments in respect of national minorities going forward31
4.5 Good coordination of policy in respect of national minorities
Considerem-se as seguintes designações: Design e Animação Multi- média, Design de Comunicação, Design e Comunicação Multimé- dia, Design de Comunicação e Produção Audiovisual, Design Gráfico, Design Gráfico e Multimédia, Design de Jogos Digitais, Design Mul- timédia, Design e Multimédia, Design e Produção Gráfica, Design e Tecnologia das Artes Gráficas. Estas constituem a oferta for- mativa em Portugal onde a disciplina de design de comunicação desempenha um papel estruturante. Só em Lisboa, um aluno que pretenda obter formação em design encontra dezasseis instituições: duas universidades públicas, dois institutos politécnicos públicos, quatro universidades privadas, cinco politécnicos privados e cinco escolas que não atribuem grau académico. Se considerarmos uma média de treze alunos por instituição, ao longo de três anos (igno- remos o segundo ciclo) só em Lisboa haverá, no mínimo, quinhentos alunos que precisam de conhecer a história do design. A título de curiosidade (infeliz), se um destes quiser comprar a história do design gráfico do Meggs numa livraria de Lisboa (incluindo as especiali- zadas), não irá encontrar (tentativa realizada em Janeiro de 2015). Esta constatação permite conjecturar o desinteresse pela teoria e pela história e, assim sendo, as livrarias não querem ter estes livros por os considerar invendáveis. Mesmo admitindo que muitos alunos compram livros online, causa perplexidade que não haja mercado para a história do design gráfico que é mais vendida no mundo, nem nas livrarias mais próximas das escolas de design. No entanto, é habitual existir a secção de design gráfico, preenchida com cookbooks, obras temáticas e monografias. É praticamente im- possível encontrar uma história do design de comunicação à venda numa livraria em Lisboa, num país que tem 47 instituições que lec- cionam design de comunicação a mais de 2000 alunos (um cálcu-
lo aproximado de 15 alunos por ano em 142 cursos): bastaria 10% dos alunos quererem comprar uma história do design para justifi- car vendas de 200 livros, fazendo-os aparecer nas prateleiras das livrarias mais visitadas.
Poderíamos ainda supor o contrário, i.e. que todos os alunos têm avidez pela História e que, por isso, encomendam regularmente
online os seus livros. Porém, a experiência numa das universida-
des públicas (Fa/ULisboa), num politécnico (eSaRt) e numa escola privada (ar.co.) permite afirmar o contrário: o actual estudante de design não procura livros, preferindo um consumo casuístico de imagens na internet; é, em muitos casos, viciado na procura de so- luções gráficas e de truques técnicos. Frequentemente dependentes de imagens, vêem no consumo referenciado por amigos e colegas nas redes sociais – em particular no Facebook e no Pinterest – a so- lução para a sua procura de criatividade (em muitos casos também, impulsionados pelos professores que instituíram o moodboard 84
como ferramenta de pesquisa para o projecto).
Poder-se-ia ainda conjecturar que as quatro histórias do design que elegemos por serem as mais vendidas em todo o mundo dizem pouco ao aluno sobre aquilo que ele supõe necessitar: de algu- ma maneira o estudante sente que tem uma abordagem enviesada, centrada em poucos países, em poucos autores; o aluno actual, mais desperto e com maior capacidade de recolha de informação, prefere outras fontes. Mas, mais uma vez, a experiência do investigador não confirma esta suposição.
Todas as áreas do saber precisam de referências. Referências são nomes, textos, trabalhos, materiais que ajudam a definir um território de actuação partilhado pelos profissionais que se mo- vimentam no campo disciplinar e, simultaneamente, reconhe- cidos como socialmente relevantes. As referências são funda- mentais para se situar e contextualizar conhecimento novo, para se saber criticar as imagens e agir em conformidade. A actividade em design de comunicação tem uma natureza pre- dominantemente visual, mas o estabelecimento de uma relação de comunicação não se limita ao visual: tem aspectos tácteis, so- noros e sensoriais de vária ordem. Como aprendemos com os Gregos, comunicar e persuadir com eficácia pressupõe estra- tégia e planeamento de acções para fazer passar os conteúdos. A História desempenha um papel fundamental nos processos de comunicação:
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O moodboard é um álbum de imagens recolhidas que servem de ‘inspiração’. Não é obrigatoriamente uma ferramenta de trabalho pre- guiçosa, mas um moodboard interessante e produtivo exige um acompanhamento e um grande envolvimento do aluno e acompanhamento do profes- sor. É normalmente usado na sua versão negligente: o aluno procura imagens que gosta e que se relacionam com o projecto (em alguns casos a partir de palavras-chave com os valores de projecto) e usa-as para se inspirar/refe- renciar/remisturar.
Car, à la différence d’autres types de culture, elle a toujours beaucoup attendu de sa mémoire. Tout l’y portait: l’héritage chrétien comme l’héritage antique. Les Grecs et les Latins, nos premiers maîtres, étaient des peuples historiographes. Le christianisme est une religion d’historiens. D’autres systèmes religieux ont pu fonder leurs croyances et leurs rites sur une mythologie à peu près extérieure au temps humain. Pour Livres Sacrés, les chrétiens ont des livres d’histoire. 85(Bloch, 1952, p. x)
Segundo Erik Erikson (apud Mattoso, 1988), para identificar qualquer
objecto é necessário: 1) distingui-lo de outro; 2) atribuir-lhe um significado; 3) conferir-lhe um valor. Ao usar este tríptico para definir a identidade nacional, Mattoso afirma ainda que
A aplicação das operações enunciadas terá, porém, de ter em conta que a identidade nacional resulta antes de mais da percepção que os próprios cidadãos têm de formarem uma colectividade humana. Ora, dado que essa colectividade tem uma existência histórica, será necessário desde o início de qualquer reflexão, não esquecer que a identidade nacional foi revestindo formas sucessivamente diferentes ao longo dos tempos. A identidade nacional, tal como hoje existe, resulta de um processo histórico que passou por diversas fases até atingir a expressão que hoje conhecemos. (Mattoso, 1988, p.5)
Aqui percebemos claramente que a identidade é a história e que a história da formação da identidade é a identidade. As histórias do design procuram distinguir os objectos que nos pertencem — i.e. ao design gráfico, design de produto, design de moda — dos que não o fazem, atribuir significado a esta pertença e dar-lhes um valor. Por a nossa área estar ainda em processo de institucionalização (em Portugal, a formação superior em Design tem pouco mais de 40 anos e no mundo pouco mais de 100), não são muitos os livros de História do Design Gráfico, mas percebemos que a construção de modos de referenciação sólidos é fundamental para uma criação mais produtiva e para a constituição de uma cultura visual que permita manipular os elementos gráficos, apropriadamente.
A Amazon permite um método de procura de livros por best selling (mais vendidos); aplicando este critério de procura, encontramos em primeiro lugar a nova edição do livro do Meggs (que ficou em 79º lugar em 100 nos livros mais vendidos da secção Art & Huma-
nities em 2014; note-se que os rankings da Amazon são decres-
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tradução livre: Porque, ao contrário de outras cul- turas, ela sempre cuidou da sua memória. Tudo contri- buiu: a herança cristã como a herança antiga. Os gregos e latinos, os nossos primeiros professores, eram povos his- toriógrafos. O cristianismo é uma religião de historiadores. Outros sistemas religiosos assentam as suas crenças e ritos numa mitologia exterior ao tempo humano. Os cristãos tiveram por Livros Sagrados, os livros de história.
centes, o que quer dizer que o livro que ficou em primeiro lugar é o que mais vendeu. Em segundo lugar, como livro mais vendi- do se procurarmos pelas palavras-chave history+graphic+design, encontramos também o Megg’s History mas na edição de 2005. Em terceiro aparece o Graphic Design: A New History (segunda edição, de 2012) de Eskilson e em quarto o Graphic Design History (também a segunda edição de 2012); em quinto reaparece o Meggs com a edição de 1998; de seguida o Graphic Design, Referenced:
A Visual Guide to the Language, Applications, and History of Graphic Design, que não foi considerado para este estudo por ser
um livro com uma magérrima componente teórica; A History of
Graphic Design for Rainy Days que não foi igualmente conside-
rado, apesar de ser uma ideia interessante: uma história do design gráfico para crianças, totalmente ilustrada, um livro que diríamos ideal para avós designers (alias a história é essa mesmo: a de um neto que fica fechado num dia de chuva no atelier do avô, que inicia com ele uma viagem no tempo. E, finalmente, o Graphic Design:
A Concise History, também na edição revista de 2013 de Richard
Hollis. Sendo a Amazon uma das grandes referências na ven- da de livros a escolha de obras para análise permite fornecer uma imagem representativa das referências mais consumidas Fig38.
Ainda de referir que começou já a ser publicada a World History Of
Design de Victor Margolin. Os dois primeiros volumes já estão dispo-
níveis, faltando ainda sair o terceiro, do pós-guerra até à actualidade. Por ser uma obra ainda incompleta e por ter um preço que a afastará da maior parte das bolsas dos alunos e professores (os dois primeiros volumes custam 695 dolares), também não foi considerada apesar da grande importância que o nome do autor faz antecipar. As quatro referências mais usadas para estruturar o discurso da história do design gráfico são, assim, o Meggs' History of Graphic
FIG 38
CAPAS DAS QUATRO HISTÓRIAS DO DESIGN GRÁFICO MAIS VENDIDAS PELA AMAZON
Design (publicado pela primeira vez em 1983, é o mais antigo, e
vai hoje na sua quinta edição). As revisões feitas ao texto ori- ginal desde a morte de Meggs em 2002 têm sido da responsa- bilidade de Alston Purvis. A Concise History de Richard Hollis foi publicada pela primeira vez em 1994 e revista em 2001; o Graphic Design: A New History, de Stephen Eskilson foi lançado em 2007 e posteriormente revisto para uma segunda edição; e, por fim, o Graphic Design History, A Critical Guide, da dupla Drucker/McVarish’s foi publicado em 2009 e revisto em 2012. Como é fácil constatar, a historiografia do design gráfico é reduzi- da e ainda mais escassa quando nos restringimos à historiografia escrita em Portugal. De entre todos os livros consultados, a his- tória do design gráfico feito no Brasil (Homem de Melo & Ramos, 2011),
muito visual e completa, assente sobre a ideia da linha de tempo apareceu como um óptimo exemplo de uma obra vestibular; con- seguimos encontrar também uma história francesa (The story of
graphic design in France) que foi editada quase simultaneamente
nos Estados Unidos tendo sido consultada a versão americana por ser mais acessível que a original (Wlassikoff, 2005); uma espanhola
de 2007 que também foi publicada em ingles (Pioneers of spanish
graphic design), sendo mais fácil de obter nessa versão (indispo-
nível na FNAC espanhola está à venda na Casadellibro, a segunda maior loja online espanhola a 45 euros; a versão inglesa chegou- -me a casa por 16€) (E. Gil, 2009); uma russa (Russian Graphic De-
sign 1880-1917) tendo sido preferida a versão inglesa por permitir
o acesso ao texto das autoras) (Anikst & Chernevich, 1990). Ankist tem
ainda um outro livre inteiramente dedicado aos anos 20, muito in- teressante. O facto da teoria russa publicada em língua inglesa não avançar para além deste período pode justificar o facto das histó- rias do design só incluírem material deste período. Não é possível deixar de referir ainda o Red star over russia (King, 2009) que, não
pretendendo ser um livro de design mas sim de uma coleccionador e ensaísta, oferece uma história visual de 1917 até à morte de Stalin em 1953, vagamente baseada no modelo do cinema-verité, que aos olhos do autor é muito mais profunda e útil para a compreensão da comunicação visual que os livros de história do design. Foram ainda consultadas outros exemplos de livros de história do design de comunicação temáticos ou monográficos.
Em Portugal temos uma primeira tentativa de recolha e salvaguarda comentada feita pela colecção D, coordenada por Jorge Silva e editada pela Imprensa Nacional Casa da Moeda, os livros Design
Público (coordenados por José Bártolo, 2015) que pretendiam compilar
alguns ensaios históricos dispersos e uma adaptação para publicação da tese de doutoramento de Margarida Fragoso Design Gráfico
em Portugal. Por conseguinte, o pouco que há tem uma impor-
tância ainda maior, pois acaba por ser recebido como referencial. Cabe analisar os quatro exemplos que elegemos para identificar as ferramentas interpretativas mais adequadas, com vista a uma interpretação que se pretende crítica (i.e. desmistificadora). Num primeiro momento, escolheu-se a análise quantitativa para rever as quatro Histórias do Design Gráfico. Num segundo momento, re- corremos à análise qualitativa.