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Questionnaire “local catering supply”: caterers

99. Who own the premises and the equipment?

Conforme a teoria de Beck e Emery “ansiedade é definida como um estado emocional tenso e marcado por sintomas físicos como tensão, tremor, transpiração e palpitação.”107 A palavra vem do latim e é definida como “condição de agitação e

estresse”. A raiz da palavra, vem de outra palavra latina, “angere”, que significa estrangular, o que descreve a sensação experimentada pelo indivíduo ansioso.108 A ansiedade passa a ser de certa forma um processo emocional que é caracterizada por sentimentos subjetivos não prazerosos, e geralmente desencadeados quando o medo é estimulado.

Para Sullivan a ansiedade é uma função biológica comum à existência humana, e de demasiada influência emocional em uma pessoa. Sullivan entende que as assimilações das tensões de ansiedade resultam de modelos de interação interpessoal. Estes modelos, em sua maioria, são inapropriados e causados pela

106 Ronaldo SATHLER-ROSA, Pastoral de Aconselhamento e Interpersonalismo: Um Estudo

Exploratório do Pensamento de Harry Stack Sullivan , p. 3.

107 Aaron T.BECK, Garry EMERY, Ruth L. GREENBERG, Anxiety disorders and phobias: a cognitive

perspective. p. 8, 9.

108

Editores UNIVERSAL. Priberam dicionário. http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx. Acesso em: 10 nov 2007.

influência inadequada que pessoas exercem na formação do indivíduo em questão.109

Partindo dessa concepção já se identifica o diálogo de Erickson com Sullivan sobre a importância do primeiro relacionamento da criança e sua influência em futuros relacionamentos. Suas necessidades, à medida que não são supridas, geram desconfiança, até certo ponto necessária, porém causadora de uma medida de ansiedade, sentimento que, se exacerbado, provocará no indivíduo futuros problemas em seus relacionamentos, aumentando as dificuldades nas suas relações interpessoais.

A mente ansiosa tem uma relação com a infância, especialmente na formação e relacionamento da criança com sua mãe. Sullivan defendia a idéia de que “as experiências atuais podem ser explicadas pela relação anterior com a boa mãe ou a má genitora”.110 Esse padrão adicionado às pressões da sociedade descrita no capítulo anterior, desencadeia um estado de ansiedade constante.

Uma resultante comum de ansiedade dos dias modernos é o que tem sido chamado de síndrome do pânico, uma sensação que acontece no começo da vida adulta, e aparece em ocasiões de estresse, como pressões no trabalho, no casamento ou na família, em que a pessoa se sente desamparada. O transtorno é de duas a quatro vezes mais freqüente nas mulheres, mas também pode ocorrer com sinais semelhantes nos homens. Um único episódio de crise de ansiedade não caracteriza a síndrome do pânico, mas crises repetidas levam ao desenvolvimento do transtorno.111

109 Harry S. SULLIVAN, The interpersonal theory of psychiatry, p. 42.

110 Harry S. SULLIVAN, The Fusion of Psychiatry and social science, p. 248.

111 Kevin Carden/Shutterstock, O que é síndrome do pânico? As crises, que envolvem taquicardia e a

sensação de morte iminente, são conseqüências da ansiedade patológica. Revista, América científica, secção Brasil, a ciência como você nunca viu!. Disponível em:

<http://www.2.uol.com.br/sciam/noticias/o_que_e_sindrome_do_panico_html> . Acesso em: 26 nov 2007.

Este tipo de problema fica caracterizado quando a ansiedade começa a causar demasiado sofrimento em meio aos relacionamentos de uma pessoa. A preocupação culmina nas crises, e a pessoa fica ainda mais ansiosa porque perde o controle de quando esta crise irá acontecer novamente. Desta forma, também fica claro a relação da ansiedade com a falta de segurança direcional que uma pessoa possa ter, ou seja, a ausência de controle sobre aquilo que passou a ser objeto da ansiedade.

A atitude pode ser uma ação reprodutora ou não reprodutora de tensão e esta reprodução está diretamente ligada à integração interpessoal destes dois núcleos em questão. A ansiedade, neste caso, é fator de influência na geração ou não de conflitos na dinâmica relacional, levando uma relação ao alívio por sua inexistência conflitual ou à intensa tensão, por sua presença acentuada.

Não é incomum dizer que pessoas obsessivas, que trabalham e se preocupam muito, são notadas com ansiedade, as mesmas são também raramente livres deste sentimento de tensão. As sensações de mau humor, raiva e irritação que as pessoas sentem no dia a dia não advêm de perigos reais, mas de ameaças ao prestígio, a convicção de que elas devem ser dignas e respeitadas.

O simples fato de uma pessoa não dar ao outro a atenção esperada, já pode produzir uma tensão inicial, a qual pode vir a se tornar em raiva quando se tenta justificar a ansiedade inicial. Somente quando uma pessoa reconhece que a causa da sua ansiedade é relacionada à suas próprias expectativas e necessidades, é que ele inicia o processo de mudança relacional benéfica.112

Quando consideramos os pré-supostos de Sullivan, estamos entendendo que a ansiedade exerce demasiada influência emocional em uma pessoa, pois produz uma tensão de efeito interpessoal, sendo influenciada e influenciadora nos

112

relacionamentos do seu cotidiano e no surgimento dos conflitos. Ao produzir conflitos, ela leva consigo um risco imenso às pessoas e à sociedade em geral. Entender a ansiedade e controlá-la, passa a ser algo imprescindível, sob pena do aumento de crises e sofrimentos em um relacionamento interpessoal.

Em sua visão comportamental Sullivan argumenta que a conduta do outro, acompanhada de uma ação terna, não influenciada pela tensão da ansiedade, pode abrandar tensões e aliviar conflitos, levando ao relaxamento da mesma, trazendo alívio e produzindo liberdade no relacionamento.113 Esta avaliação de Sullivan passa a ser muito significativa no estudo deste tema, pois a mesma, expressa de uma forma objetiva, possibilidades reais e práticas para o alívio de conflitos e superações de crises relacionais.

A ação, no entendimento de Sullivan é a canalizadora ou não da tensão. Desta forma se pergunta à ação, se ela leva ou não, consigo, a tensão. A tensão, por sua vez, é um produto de uma ação anterior, desta forma, se pergunta à ação se ela foi influenciada ou não pela tensão. Assim, ação e tensão atuam como inter- relacionados, influenciadores e influenciados em uma dinâmica interpessoal.

Observa-se então que, a ansiedade não é somente o sujeito da ação, produtora dos conflitos, como também ela atua como objeto desta mesma ação. Ao se dirigir ao filho de forma ansiosa, expressando agressividade em sua ação, uma mãe reflete a ansiedade influenciadora de sua ação, como também, transmite esta mesma ansiedade à futura ação de seu filho em relação a uma outra pessoa.

Ao desenvolver maior compreensão da relação íntima que existe entre uma pessoa socialmente produtiva e uma, emocionalmente perturbada e menos produtiva, Sullivan veio a considerar a ansiedade como uma constante destrutiva na vida humana. Como um gerador de muita tensão de grupo, e como uma força de tal

significado em seus efeitos, que deveria ser tratada com medidas de grupo e de saúde pública.

A relação pessoa-sociedade desde seu início ou formação, passa a ser por assim dizer, prioritária no desencadeamento ou não de distúrbios emocionais. Para Sullivan é impossível tratar seres sociais, agentes de cidadania ou atuantes em prol do grupo, sem considerar seus relacionamentos primários e a repercussão dos mesmos, no contexto onde a pessoa esteve e se encontra.

Para ele, é através da educação que ocorre um claro índice de combinação, de previsão e ambição cega, da parte dos pais. Neste sentido, as relações de formação educacional são agentes inerentes de traumas, aspirações e vontades. E estes aspectos podem ser previstos como conseqüência natural de assimilações dentro do processo educacional.114

Sullivan afirma também que a história ocupacional, os grandes fatores da situação econômica em geral e as oportunidades geográficas particulares, são reveladores quanto à habilidade da pessoa de se relacionar com o outro ou chegar a alguma situação na vida.115 Neste sentido comenta que pode ser chamado de

sistema do ego, a parte da personalidade que é gerada inteiramente a partir das influências de pessoas significativas ao sentimento de alguém, e isto, tem relação direta com a educação e seu vasto sistema de operações, precauções e alertas.

Desta forma o conhecimento a respeito de si próprio e do outro pode proporcionar um maior alivio de tensão, ser fator influenciador na redução dos conflitos e possibilitar estabilidade nas dinâmicas interpessoais. Considerando como evidente também que na visão dos autores estudados e na justificativa de Sullivan, todos consideram conflitos relacionais como conseqüência de relacionamentos

114 Harry S. SULLIVAN, The Psychiatric Interview, p.172. 115 Ibid., p.172, 173.

inapropriados. Sullivan mesmo cita como “fatores provocativos de tensões de ansiedade, resultados de modelos de interação interpessoal inapropriados.”116

Nesta ótica, Sullivan defende que para eliminar a ansiedade, que também é resultado da ação, uma pessoa deve quebrar o ciclo criado nesta dinâmica relacional por meio de uma conduta diferenciada, que em sua opinião vem a abrandar a ansiedade e produzir harmonia entre as partes. “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.”117 Segundo Mattheus Henry, as palavras duras e agressivas a que se refere este texto não só suscitam a ira do ouvinte, como aumentam a ira de quem as pronuncia.118

Assim o conhecimento da dinâmica interpessoal, seus fatores relacionais vigentes, suas vantagens e desvantagens deveriam ser conhecidas, reconhecidas e se necessário mudadas. Esta dinâmica que no entendimento de Sullivan é a responsável por conflitos em relacionamentos, leva seu interlocutor a uma pergunta simples, porém que pode ser complexa em sua resposta: como quebrar este ciclo tenso em um relacionamento por meio de uma conduta branda, se a ansiedade é a predominante reprodutora das ações presentes na maioria dos conflitos?

Este questionamento passa a ser a chave de um estudo compreensivo da ação humana nos relacionamentos interpessoais. Nele, podem se encontrar respostas que a própria pastoral em sua visão de “bem-aventurança” relacional, já contemplava em seus ensinos. Onde se salienta o ato de dar e amar ao próximo, como mais significativo à felicidade, que o ato de receber algo deste mesmo

116

Harry S. SULLIVAN, The Psychiatric Interview, p. 40.

117 Bíblia SAGRADA, versão revista e atualizada no Brasil, São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil,

Velho Testamento, Provérbios 15: 1. p. 578.

118

Mattheus HENRY, Commentary on the whole Bible, v.3. http://www.ccel.org/ccel/henry/mhc3.xx.xvi. html. Acesso em 30 jan 2008.

próximo.119 Segundo Chaplin, “ a generosidade consiste no amor em ação, e o

amor é a comprovação mesma da espiritualidade”.120

Considerando a visão de interpessoalidade de Sullivan onde a integração ou não integração relacional é produto da ação resultante da ansiedade em relacionamentos. A forma mais lógica de entender o meio de quebra deste ciclo passa pelo entendimento da ótica de como eliminar a ansiedade, pois neste contexto ela atua como vilã e se torna em essência a principal influenciadora da ação e de seus resultados.

Desta forma, se deve considerar algumas reflexões acerca da compreensão e superação destes conflitos. Desenvolver uma visão pastoral do tema entendendo que relacionamentos é um assunto de interesse predominante das religiões, das famílias e da sociedade em geral. E fazer uma assimilação adequada que contempla, não só a esperança de relacionamentos melhores, como também uma sociedade mais compreensiva, menos ansiosa e menos conflituosa.

Estes fatores nos remetem a proposta de uma práxis pastoral onde se entenda o conflito, sua origem e sua neutralização, objetivando mudanças relacionais que exaltem a harmonia e o entendimento mútuo, como um valor espiritual.

Entende-se então a necessidade de se estruturar um diálogo entre as diferentes hipóteses quanto ao papel da ansiedade nos conflitos, e a formação das relações sociais expostas pelos referenciais teóricos aqui trabalhados. Somente fazendo esta reflexão é que se pode construir uma prática pastoral que vislumbre esperança no entendimento interpessoal e a superação de conflitos produzidos pela ansiedade.

119 Bíblia SAGRADA, versão revista e atualizada no Brasil, São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil,

Novo Testamento, Atos 20: 35. p. 151.