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5. FINDINGS AND DISCUSSION

5.2. Preferred model

Como elemento embasador para esse conhecimento e análise, os docentes entrevistados responderam ao seguinte questionamento: Você foi comunicado (a) antecipadamente que havia na sala de aula estudantes (s) com deficiência? Caso não tenha sido comunicado, como e quando você verificou essa situação?

Por meio das falas, tomamos conhecimento que os cinco entrevistados não tiveram nenhuma comunicação oficial por parte da instituição em estudo. No entanto, dentre as falas expressas, Lumadoc relatou que sabia, em parte, por intermédio de outros docentes e

estudantes que teriam passado pela experiência de tê los em sala de aula.

Não, comunicada por nenhuma instância da universidade, não. A gente sabia por contato que a gente tem com estudantes, com outros professores que ficaram com esses estudantes antes da minha disciplina, mas não comunicada oficialmente por departamento, nem por centro, não (Lumadoc , informação verbal concedida à entrevistadora).

Diante disso, enfatizamos que a instituição escolar deve levar em conta a necessidade de receber o estudante e acompanhá lo em sua trajetória escolar, visando assegurar ao docente o suporte necessário à ação de conviver com a diversidade em sala de aula. Educação inclusiva, portanto, não deve significar simplesmente matricular estudantes em um de seus cursos.

Trata se de uma questão pontuada pelo desafio da efetiva incorporação dos direitos dos cidadãos historicamente excluídos, o que impõe ao professor uma formação “[...] que o habilite para o desempenho responsável e satisfatório de seu papel de agente educativo” (MIRANDA, 2009, p. 113). No caso de não existir uma formação prévia, que ela se dê em processo, de forma a sanar dúvidas, derrubar barreiras atitudinais e pedagógicas porventuras existentes.

Os demais docentes também não foram informados oficialmente e nos sinalizaram a forma como tomaram conhecimento desse alunado em sala de aula. De acordo com suas falas:

Não, não fui comunicado. No caso de [...], logo que eu entrei em sala de aula era perceptivo porque ele tava na cadeira de rodas. No caso de [...] também. Geralmente quando termina a aula, logo nos primeiros dias, eu invado geralmente o horário do intervalo conversando com os alunos e aí os alunos ficam sentados, você fica ali trocando idéias e, aí, em um determinado momento ela disse que ia beber água e uma colega se adiantou e a pegou pelo braço e nesse momento foi que eu tomei conhecimento. Como ela tava sentada, até então eu não tinha consciência (Pedrodoc, informação verbal concedida à entrevistadora).

Não. A gente já sabia do processo de inclusão e que a universidade estava recebendo jovens com diferentes tipos de deficiência [...]. Agora, que na minha sala de aula, naquele semestre, eu teria um aluno com deficiência, assim, mais diretamente, não. Não percebi, inicialmente, que o meu primeiro aluno era portador de deficiência visual, assim como também não percebi que a aluna que está agora comigo, na turma da tarde, tinha a mesma deficiência. Foram eles que se apresentaram a mim e falaram de seus problemas (Veradoc, informação verbal concedida à entrevistadora).

Eu não fui comunicada e, portanto, eu só fiquei sabendo recentemente (Isisdoc, informação verbal concedida à entrevistadora).

Não. Não houve nenhum tipo de comunicação. Por sinal, o rapaz, durante a aula que eu ministrei eu havia notado que ele tem nistagmo2, então eu já suspeitava que ele tivesse uma baixa visão, ele usava o óculos com grau elevado, mas assim, o comportamento dele em sala não denunciava que ele tinha tanta perda assim e quando eu comecei a falar sobre a questão da visão e aí perguntei a ele. A menina com deficiência física, do PROBÁSICA, era visível, ela usava duas muletas. E a senhora com surdez, eu só vim saber que ela tinha surdez já com um bom tempo porque as colegas dela é que diziam que ela não escutava bem (Maradoc , informação verbal concedida à entrevistadora).

Conforme os relatos, constatamos que dois docentes entrevistados perceberam e dois não perceberam a presença desses estudantes em sala de aula. Os que perceberam (Pedrodoc e

Maradoc) alegaram que foi perceptivo ou no primeiro momento de aula ou durante o intervalo,

com exceção da estudante com deficiência auditiva, que Maradocalegou ter identificado com a

ajuda da colega. Dos que não perceberam, a situação foi verificada por Veradoc quando os

estudantes com deficiência se apresentaram a ela, e, para a docente Isisdoc a situação não foi

verificada, pois ela alegou não ter percebido a existência do estudante com deficiência em sala de aula durante o semestre letivo em que lecionou para ele.

Nesse momento, que trata do contato inicial entre docentes e estudantes com deficiência, merece destacar esta última situação em que a entrevistada Isisdoc informou que

somente tomou conhecimento da situação de deficiência do estudante em ocasião desta pesquisa. Essa informação evidencia que ainda acontece muito, nos dias atuais, uma educação escolar homogeneizadora37, sob a justificativa de otimização de aprendizagem, diante de uma sociedade tão diversa na qual estamos inseridos.

Muito mais proveniente da exigência social, a prática educacional de tornar a diversidade de estudantes num mesmo ritmo e modalidade de aprendizagem, também está na realidade do ensino universitário e no acolhimento de estudantes com deficiência, dificultando muito mais o processo escolar inclusivo. E como bem afirma Mantoan (1997):

A inclusão é um motivo para que a escola se modernize e os professores aperfeiçoem suas práticas e, assim sendo, a inclusão escolar de pessoas deficientes torna se uma conseqüência natural de todo um esforço de atualização e de reestruturação das condições atuais do ensino básico (MANTOAN, 1997, p. 120).

É relevante ressaltar que, no contexto de entrada dos estudantes na UFRN, também indagamos para os docentes entrevistados se foi, para eles, a primeira experiência com estudantes que apresentam deficiência. Se a resposta fosse negativa então, comentassem a(s) experiência (s) anterior (es).

Apenas dois responderam, de forma objetiva, que foi a primeira experiência, portanto relataram:

37

Homogeneizar os estudantes, de acordo com as suas capacidades é uma prática da escola tradicional e assa análise encontra se assinalada em Ainscow (1997), Bueno (1995), Crochíc (1995), entre outros autores.

Foi (Lumadoc, informação verbal concedida à entrevistadora).

Sim, essa foi a primeira experiência (Isisdoc, informação verbal concedida à entrevistadora).

Retomando o relato anterior de Isisdoc, sobre a verificação de ter estudante com

deficiência em sala de aula, fica claro que a ausência da vivência com esse alunado refletiu se no seu relato.

Em parte, explicamos porque o fato de não ter sido comunicado antes, oficialmente, não implicaria efetivamente que, durante sua permanência em sala de aula, ou em outro momento no espaço acadêmico, identificasse o estudante, como aconteceu com os demais profissionais. Cabe também ressaltar que o processo de inclusão envolve a reestruturação da prática docente na instituição, que é predominantemente alheia ao novo e ao diferente diante da questão da diversidade no espaço acadêmico.

Ressaltamos que, na dinâmica docente/estudante com deficiência na universidade, se pode lançar um olhar crítico frente à contradição entre a existência desse alunado em sala de aula e o compromisso de inclusão pela via de um processo de escolarização para todos.

Tecer este comentário é considerar que “[...] o conceito de inclusão escolar, ao ser analisado criticamente mostra a sua fragilidade” (BUENO, 2008, p. 49). Entretanto, lançar este olhar no estar em sala de aula docentes e estudantes pode constituir se numa valiosa oportunidade para se repensar a prática docente.

Essa clareza da atuação docente como necessária a todos, coincide com uma perspectiva inclusiva, que traz em sua filosofia uma educação eficaz a fim de satisfazer as necessidades de todos, sejam quais forem “[...] as suas características pessoais, psicológicas ou sociais, independente de ter deficiência” (SÁNCHEZ, 2005, p.11).

Diante da insegurança do docente, não podemos dizer que, ao se deparar com estudantes com alguma deficiência, em sala de aula, estaria preparado para enfrentar a situação, de modo que poderiam oportunizar aos estudantes formas alternativas, meios e recursos disponíveis que pudessem contribuir para a mediação pedagógica.

Ora, sabemos que, sozinhos, os docentes não constroem a educação, objetivo de toda a universidade. Neste sentido, é preciso o compromisso da instituição em receber os estudantes com deficiência, pois a presença deles está sendo frequente nos bancos escolares no Ensino Superior.

Os outros depoimentos a seguir ilustram esta realidade da presença de estudantes com deficiência no Ensino Superior e em outro nível de ensino, visto que um dos docentes entrevistados aponta uma experiência efetivada com esse alunado no Ensino Fundamental:

Não, eu já trabalhei em outra universidade, na [...] e lá também trabalhei com alunos que tinham deficiência, especialmente física. E a [...] tinha um trabalho voltado para esses alunos, logo que eu comecei, no final dos anos 80, então havia muitas dificuldades [...] teve problemas de relacionamento com os alunos, de não aceitação dos outros alunos e aí teve que fazer um trabalho com eles (Pedrodoc, informação verbal concedida à entrevistadora).

A minha primeira experiência foi em 2007 e a segunda, em 2008, com o mesmo tipo de deficiência (Veradoc, informação verbal concedida à entrevistadora).

Não. Quando eu ensinava o Ensino Fundamental eu tive a oportunidade de trabalhar com aluno com deficiência mental e também com um cego (Maradoc, informação verbal concedida à entrevistadora).

Vê se, portanto, que estes docentes passaram por experiências anteriores. Cabe, então, ressaltar que, de certa forma, os desafios enfrentados serviram como alicerces para a profissionalização destes docentes quando, na profissão, a implementação de ações preestabelecidas, para a atuação em sala de aula, cede lugar a estratégias orientadas por objetivos que levam em conta o trabalho pedagógico com a diversidade. Os profissionais confrontados que, previamente, passaram por outras situações, estavam, sobretudo, conscientes que os estudantes com deficiência faziam parte do grupo dos que tinham e continuam tendo direito ao acesso à educação.

A partir deste entendimento é preciso pensar que a permanência desse alunado na instituição ainda depende do grau de conscientização dos gestores e de todas as pessoas que fazem a comunidade universitária “frente ao significado dos obstáculos e das atitudes decorrentes, para sua superação” (CARVALHO, 2003, p. 62).

Seguindo este raciocínio é de fundamental importância ressaltar que a sociedade compreenda que os estudantes com deficiência no Ensino Superior vivenciam, na maioria das vezes, os mesmos problemas enfrentados por estudantes com deficiência em outros níveis de ensino, como o despreparo para lidar com eles e a indiferença por parte da comunidade, além de discriminação, dentre outros problemas na vida acadêmica.