3.4 Målrettet kompetanse
3.4.5 PP-tjenesten
As memórias e biografias, embora centrando os acontecimentos, no perigo dos complexos de superioridade, tão comuns entre nós. podem dar preciosos flagrantes, através das grandes figuras e mesmo das me- díocres .
Apenas para citar alguns exemplos.
Através de três trabalhos modernos pode-se acompanhar a educação. em Minas Gerais. São eles as memórias do proveto e saudoso Prof. José Rangel, "Como o tempo passa", em que se segue a carreira de um menino pobre, contada com encantadora singeleza, da antiga Pintagui
até o alto posto de Diretor da Escola Normal do Rio, e onde se assiste ao desenvolvimento cultural de Juiz de Fora, Ouro Preto e Belo Ho- rizonte.
Outro, o livro de Aurélio Pires, "Homens e fatos do meu tempo" e principalmente o volume organizado pela piedade exemplar da familia Francisco Sá. sôbre o seu eminente chefe, em edição íntima, fora de co- mércio. Neste se conhece, por exemplo, a história da Escola de Minas de Ouro Preto, não apenas na sua vida oficial e exterior, mas através de depoimentos diretos colhidos do próprio estadista da República. Haverá ai messe farta e riquíssima a colher.
A LEGISLAÇÃO DO E N S I N O
Em massa, em quantidade, a documentação mais volumosa é de certo a legislação, não apenas as leis, mas os regulamentos, os avisos, as portarias, os relatórios, isto é, essa imensa mole de atos e interpretações que tanta vez deforma, na realidade executiva, a maravilhosa estru-
tura do papel impresso.
Felizmente que, no domínio federal, quer no periodo imperial quer no republicano, a paciência, o escrúpulo e a probidade exemplares de Primitivo Moacir fizeram o trabalho penoso de colheita e resumo, nos seis volumes sôbre o Império e nos sete sôbre a República, estes edi- tados pelo Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos.
Falta a investigação pelos Estados, que deveria ser cometida ao mesmo eminente educador e historiador, que pôde fazer apenas a parte de São Paulo, já publicada, c a de Minas Gerais, inédita.
Sobretudo, é preciso fazer o levantamento enquanto a massa, grande que seja, não é ainda esmagadora.
Livros de sociologia, especialidade recente, já apresentam algum material direta ou indiretamente interessante á educação. Os de Delgado de Carvalho, principalmente a "Sociologia educacional" e "A Escola — como ajustamento social"; a ''Sociologia educacional'' de Fernando de Azevedo, embora sejam de ordem geral, contém observações, informações c dados exemplificativos sôbre o Brasil. Mas onde a documentação é realmente rica é nos livros de Gilberto Freire. Em "Casa grande e Sen- zala" e "Sobrados e Mucambos", onde um dos magistrais capítulos, "Pai e Filho", é luminoso e colorido painel de formação educacional das gerações brasileiras do Império.
Os relatórios ou roteiros de viagens de estrangeiros que vão hoje sendo postos ao alcance de todos dão igualmente uma soma variada e ex- pressiva dos inúmeros aspectos da educação, em cada época. Muitas destas impressões já de longe são conhecidas, como as de Martius e Saint'Hilaire. Agora mesmo, os magníficos albuns de Debret, de Ru-
crendas, e os livros de Kidder e Fletcher, em edições acessíveis, com tantos outros ainda em língua estrangeira, são preciosos depoimentos, não Sò-
mente das escolas e instituições educacionais, mas também, muitas vêzes, das linhas íntimas de nossa formação.
OBRAS DE HISTÓRIA
A começar pelos magistrais "Capítulos de História Colonial", do imortal Capistrano de Abreu, onde, a cada passo, surgem, naquele estilo enxuto, de contornos exatos, sem enfeites nem recheios, telas de vários aspectos da educação. Aqui, uma impressão de viajante; alí, uma refe- rência às profissões; mais adiante, a cultura das elites dirigentes ou da massa popular. Haveria que examinar os grandes tratados, como os de Southey ou Varnhagem, os compêndios, como os de Jônatas Serrano, em que o assunto foi abordado diretamente ou o de João Ribeiro, apenas de raspão. E ainda a massa imensa da documentação especial, desde as Cartas dos Jesuítas, que a dedicação à nossa cultura de Afrânio Peixoto pôs em nossas mãos, aos documentos bandeirantes que a vocação histórica de Afonso Taunay reuniu e de que o saudoso Alcântara Machado nos deu um saboroso transunto no capítulo da "Educação e Cultura", em "Vida e morte dos Bandeirantes"; a célebre carta de Vilhena tão citada, talvez mais do que lida, relatando a situação da Bahia em 1787; os 173 volumes da Revista do Instituto Histórico e Geográfico Nacional, com as publi- cações dos Arquivos; enfim, sôbre essa opulenta massa daquilo que se pode apelidar de minérios da História do Brasil, da qual a investigação de cada domínio dará os metais úteis ou preciosos, de que se faz a História.
ANÁLISE E SÍNTESE
Há quase meio século, José Veríssimo, com aquele ar sizudo de quem repreende, escreveu que "quase começamos o nosso trabalho histó- rico pela síntese, antes de qualquer trabalho crítico de textos e documen-
Neste largo panorama, aqui esquematizado, há campo para longos anos de análise de que sairá a hora de síntese, que Fustel de Coulange impunha, com sabedoria;
Quando tiverem sido feitas, uma e outra, deixaremos de ter, como sentenciava Euclides da Cunha, "anais, como os chineses", porque então não faltará à nossa História "a pintura sugestiva dos homens e das coisas- ou os travamentos das relações e costumes que são a imprimidura indis- pensável ao desenrolar dos acontecimentos", conforme êle mesmo dese- java e tantas vêzes fêz com o vigor de seu pensamento, incomparável, pelo fundo e peia forma.
E em tanta coisa, ver-se-á que a História da Educação se confun- dirá com a nossa própria História.