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Power relationship between higher-ranking and lower-ranking people’s congresses: supervision and guidance?

4.3 Political context for local people’s congresses

4.3.3 Power relationship between higher-ranking and lower-ranking people’s congresses: supervision and guidance?

Sendo já Portugal membro da NATO e da ONU e começando a ser pressionado pela comunidade internacional no que se refere à questão colonial, Salazar vê-se no dilema de “autorizar” esta viagem, já que a decisão do Partido União Nacional não propôr a recandidatura de Craveiro Lopes às eleições presidenciais no ano seguinte, já estaria tomada. O Presidente do Conselho sabia que o Chefe de Estado iria voltar a ter popularidade com esta viagem, o que não seria aconselhável, mas o isolamento agravava-se e era necessário “recolher simpatia” nos países que maior ligação tinham com Portugal. As relações entre Portugal e Brasil mantiveram-se de modo geral estáveis e abertas. Ao longo de todo o século XX muitos Tratados, Acordos e Actos Internacionais, foram celebrados entre os dois Países, de entre os quais o “Tratado de Comércio de 1933” e o “Tratado de Amizade e Consulta de 1953”, este com um âmbito bastante alargado, com acordos sobre uma grande variedade de vertentes que vão do comércio à cultura passando pela emigração, cooperação ao nível da justiça, etc.

O Tratado de Amizade e Consulta veio dar forma jurídica e conteúdo político- diplomático, isto é, deu um alicerce jurídico e diplomático às “relações especiais” que à muito se mantinham entre os dois países. Com o Tratado de 1953, Portugal passou a ocupar, de facto e de direito, um lugar de realce na política externa do Brasil.258 No âmbito deste Tratado, novos acordos são assinados entre os dois Presidentes, dando origem, entre outros aspectos, ao nascimento da “Comunidade Luso-Brasileira”.

Craveiro Lopes havia sido convidado a visitar o Brasil pelo Presidente Kubitsheck de Oliveira, aquando da sua visita a Portugal e assim em 5 de Junho de 1957 o Presidente de Portugal viaja para o Brasil para aceder ao convite do Presidente.

257 AHDMNE, 2P, A59, M320, Visita do Presidente eleito dos Estados Unidos do Brasil, Juscelino

Kubitschek de Oliveira a Portugal, Boletim Semanal do Secretariado Nacional de Informação, Noticias de Portugal, Ano IX, Nº 456, pág. 20, Lisboa, 28 de Janeiro de 1956.

258 MENEZES Pedro Ribeiro de, As relações entre Portugal e o Brasil – uma perspectiva pessoal,

89 A 17 de Março, o Ministro dos Negócios Estrangeiros comunica à Imprensa que o Sr. Presidente da Republica, General Craveiro Lopes deverá realizar uma visita oficial ao Brasil, durante o mês de Junho desse ano259.

Os meios oficiais recordam as visitas que fizeram a Portugal, o Presidente dos Estados Unidos do Brasil, Sr. Café Filho e o então, Presidente eleito, Juscelino Kubitschek de Oliveira, bem como o acolhimento entusiástico que os dois presidentes do Brasil receberam do povo português e do seu Governo, tendo estas duas visitas contribuído da maneira mais feliz para o fortalecimento dos laços de amizade que ligam as duas nações irmãs que constituem a comunidade luso-brasileira.

Esta viagem, para que fora Craveiro Lopes pessoalmente convidado pelo Presidente brasileiro aquando da sua visita a Lisboa e mais tarde renovado pelo Embaixador do Brasil em Portugal, Álvaro Lins, “…enquadrar-se-ia na tradicional

política de fraterna amizade entre as duas nações e dela deveriam esperar-se os mais benéficos resultados para as duas Pátrias unidas pelo sangue, pela língua e pela história.” 260

A 2 de Maio de 1957, o Embaixador de Portugal no Brasil desloca-se à cidade de Salvador, na Baía, para receber, na Faculdade de Ciências da Universidade local o grau e as insígnias de Professor “honoris causa”. Nessa cidade apercebe-se do entusiasmo entre as autoridades e o povo, sobre a visita do Chefe de Estado português e aumentado pelo facto de que o avião em que o Presidente Craveiro Lopes aterrar em Salvador. Escreve um jornal local, o “Diário de Noticias”, que “…ao desembarcar na

Bahia, estará, (o Presidente português) desembarcando numa província portuguesa, estará desembarcando em Portugal.”261

No dia 4 de Junho à noite, Portugal despede-se do Presidente que embarca no aeroporto da Portela com rumo ao Brasil. O destino do avião, onde também segue a sua comitiva,262 é a cidade de Salvador, o que não é de admirar já que é onde reside a maior comunidade portuguesa no Brasil.

A comitiva presidencial era constituída pelo Professor Doutor Paulo Cunha, Ministro dos Negócios Estrangeiros e mulher; Professor Doutor Caeiro da Matta;

259 AHDMNE, 2P, A57, M27, Visita do Presidente Craveiro Lopes ao Brasil em Junho de 1957, MNE,

Serviços de imprensa, recorte do Jornal “A Voz”, 17 de Março de 1957.

260 AHDMNE, 2P, A57, M27, Visita do Presidente Craveiro Lopes ao Brasil em Junho de 1957, MNE,

Serviços de imprensa, recorte do Jornal “A Voz”, 17 de Março de 1957.

261 AHDMNE, 2P, A57, M27, Visita do Presidente Craveiro Lopes ao Brasil em Junho de 1957, ofício nº

21307 de 16 de Maio de 1957 do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

262 AHDMNE, 2P, A57, M27, Visita do Presidente Craveiro Lopes ao Brasil em Junho de 1957, Comitiva

90 Ministro Henrique Bacelar Caldeira Queirós, Director Geral dos Negócios Políticos e da Administração Interna do Ministério dos Negócios Estrangeiros; General Carlos Mário Sanches de Castro da Costa Macedo, Chefe do Estado-maior da Força Aérea; Comodoro Fernando Quintanilha e Mendonça Dias, Adjunto do Estado-maior da Armada e comandante da Flotilha que se desloca ao Brasil; Coronel Bento da França Pinto de Oliveira, Chefe da Casa Militar do Presidente; Coronel Mário Rafael da Cunha, Comandante Geral da Policia de Segurança Pública; Dr. Luís Maria José d’Orey Pereira Coutinho, Secretário da Presidência da Republica; Dr. Rui Eduardo Moura Braz Mimoso, Chefe do Gabinete do Ministro dos Negócios Estrangeiros; Capitão João Carlos Craveiro Lopes e Capitão Octávio Hugo de Almeida e Vasconcelos Pimentel, Ajudantes de Campo do Presidente; 1º Tenente Manuel da Rocha Santos Prado, Oficial às ordens; e Dr. Ricardo Horta, Medico do Presidente.