3 ZEN definition categories
3.3 Power / Load
O perfil profissional é a descrição de competências e capacidades requeridas para o desempenho de uma ocupação ou profissão e permite ao profissional atuar em determinado posto de trabalho.
Para a elaboração do perfil desejado, as IES podem considerar as seguintes nor- mativas: CBO - Classificação Brasileira de Ocupações, diretrizes curriculares do MEC, lei de regulamentação da profissão e código de ética. Além dos conhecimentos técnicos, recomenda- se considerar o contexto regional e profissional, a necessidade profissional regional e a em- pregabilidade.
O traçado do perfil do egresso de qualquer curso superior é de fundamental impor- tância para a compreensão daquilo que é esperado do estudante ao longo de sua tra- jetória pela IES. Assim, no Projeto Político Pedagógico dos cursos deve ser estabe-
lecido o perfil do profissional que se deseja formar a partir do potencial dos ingres- santes, do desenvolvimento das habilidades acadêmicas, buscando alcançar as com- petências profissionais necessárias para o exercício da profissão. Esse delineamento é de extrema importância, pois é a partir do perfil do profissional que se deseja for- mar que se estabelecem as competências profissionais de uma área e esse perfil ideal deve estar claramente descrito no projeto pedagógico do curso. (BRITO, 2008. P 844).
É a partir da caracterização do perfil do formando/egresso desejado, que são defi- nidas as competências e habilidades que a IES precisará desenvolver no processo de forma- ção, bem como, os conteúdos teórico-práticos e atividades complementares.
Dos seis projetos político-pedagógico (PPP) analisados, apenas um não contém o item perfil dos formandos/egressos. Verifica-se que as IES apresentam no PPP o perfil de formando/egresso com características gerais da profissão, a partir do que foi normatizado nas diretrizes curriculares (MEC e ABEPSS), mas não acrescentam características específicas para as necessidades regionais, como propõe a flexibilidade das diretrizes. Na tabela 12, foi destacado o conteúdo do perfil dos formandos/egressos, que é igual ou muito próximo das diretrizes curriculares da ABEPSS de 1996.
Profissional que atua nas expressões da questão social, formulando e implementando propostas para seu enfrentamento, por meio de políticas sociais públicas, empresari- ais, de organizações da sociedade civil e movimentos sociais.
Profissional dotado de formação intelectual e cultural generalista crítica, competente em sua área de desempenho, com capacidade de inserção criativa e propositiva, no conjunto das relações sociais e no mercado de trabalho.
Profissional comprometido com os valores e princípios norteadores do Código de Ética do Assistente Social.
Lembrando que o projeto político-pedagógico da UFF, que foi analisado, é o de 1999. A IES fez recentemente a revisão do PPP, mas no momento do contato com a institui- ção, o projeto ainda não havia sido aprovado para ser implantando. O PPP da UFSC também é de 1999, com adaptações em 2008. Uma das entrevistadas da IES afirmou: ―na proposta de diretrizes curriculares da ABESS em 1996 a UFSC tinha uma participação ativa, o que se re- fletiu no projeto político-pedagógico‖.
Tabela 12 Perfil do Formando/egresso no Projeto Político Pedagógico das IES pesquisadas IES Perfil dos formandos/egressos
Universidade Estadual de Londrina – UEL
Profissional que atua na malha dos serviços sociais, formulando e implementando pro- postas para sua expansão e desenvolvimento, por meio de políticas sociais públicas, empresariais, de organizações da sociedade civil e movimentos sociais.
Profissional dotado de formação intelectual e cultural generalista crítica, competente em sua área de desempenho, com capacidade de inserção criativa e propositiva, no conjunto das relações sociais e no mercado de trabalho.
IES Perfil dos formandos/egressos do Assistente Social.
Profissional capacitado para ser gestor, de forma, a saber, planejar, gerir e administrar serviços sociais.
Profissional habilitado para intervir através do uso adequado de estratégias, instrumen- tos e técnicas na relação direta com a população usuária de serviços sociais.
Universidade de Cruz Alta – UNICRUZ
O perfil profissional desejado supõe um profissional que atua nas expressões da questão social, formulando e implementando propostas de intervenção para seu enfrentamento. Profissional dotado de formação generalista com capacidade de promover o exercício pleno da cidadania e a inserção criativa e propositiva dos usuários do Serviço Social no conjunto das relações sociais e no mercado de trabalho. Profissional comprometido com os valores e princípios norteadores do Código de Ética do Assistente Social.
Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC
Pretende formar profissionais que atuem crítica e competentemente nas expressões da questão social especialmente no âmbito das políticas, nos processos sócio-assistenciais, político-organizativos, planejamento e gestão, formulando e implementando propostas de intervenção para seu enfrentamento, com capacidade de contribuir para o exercício pleno da cidadania, viabilizando a inserção criativa e propositiva dos usuários do Servi- ço Social, no conjunto das relações sociais e no mercado de trabalho.
Propõe a formação de um profissional com um perfil científico/investigativo capaz de inserir-se crítica e propositivamente em processos coletivos de trabalho, particularmente nas políticas públicas; com competência para atuar no âmbito dos processos político- organizativos, de planejamento e gestão e sócio-assistenciais, conforme as competências e atribuições da profissão.
Universidade Vale do Rio Doce - UNIVA- LE
O Assistente Social formado na UNIVALE será capaz de pensar proposições capazes de ir além das demandas postas pelas classes dominantes e, atuando de forma criativa e construtiva, poderá contribuir para efetivar mudanças à dinâmica societária atual. Sua prática deve se orientar para a desmistificação das condições e relações de trabalho que circunscrevem sua ação profissional, rompendo as formas alienadas de ser e de viver que se manifestam cotidianamente nas relações da prática Serviço Social e demais fato- res profissionais, entre o Estado e as classes sociais.
Poderá atuar com a população ou junto a organizações populares, sindicais e comunitá- rias, promovendo e participando de movimentos sociais; assessorando e supervisionan- do entidades sociais, indivíduos, grupos e organizações sociais; prestando consultoria social; emitindo pareceres, realizando diagnóstico social e perícia. O campo de trabalho abrange empresas públicas ou privadas, previdência social, educação, desenvolvimento de recursos humanos, saúde e segurança pública.
Pontifícia Uni- versidade Cató- lica de São Pau- lo – PUCSP
Os princípios norteadores do processo formativo são direcionados à formação de um profissional dotado de competência teórico-crítica, com uma sólida aproximação às vertentes do pensamento social contemporâneo e suas expressões teórico-práticas no Serviço Social.
Reafirmam o perfil proposto ABEPSS/MEC 1999.
Profissional que atua nas expressões da questão social, formulando e implementando propostas para seu enfrentamento, por meio de políticas sociais públicas, empresariais, de organizações da sociedade civil e movimentos sociais.
Profissional dotado de formação intelectual e cultural generalista crítica, competente em sua área de desempenho, com capacidade de inserção criativa e propositiva, no conjunto das relações sociais e no mercado de trabalho.
Profissional comprometido com os valores e princípios norteadores do Código de Ética do Assistente Social.
Universidade Federal Flumi- nense – UFF
Não consta.
5.2 AS COMPETÊNCIAS E HABILIDADES GERAIS E ESPECÍFICAS A SEREM DE- SENVOLVIDAS NO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO
No primeiro capítulo desta tese, explicitou-se que existem várias concepções de competência e que no ensino superior há uma preocupação no desenvolvimento das compe- tências gerais ou transversais, que são aquelas compartilhadas por várias profissionais e o desenvolvimento de competências específicas de uma determinada profissão. No Serviço So- cial, as competências específicas estão normatizadas na Lei de regulamentação da profissão - Lei n. 8.6662, de 7 de junho de 1993, nas diretrizes curriculares elaboradas pela ABEPPS e nas diretrizes curriculares para os cursos de Serviço Social – Resolução n. 15, de 13 de março de 2002.
Dos seis PPPs analisados, nem um deles define o que se entende por competência e/ou habilidade. Cinco PPPs apresentam um item com o título ―Competências e Habilidades‖, e se utilizam do marco legal para construí-lo. Verifica-se que quatro PPPs citam a Lei de Re- gulamentação da Profissão (foi sublinhado na tabela13, apêndice 3 CD).
Todos os PPPs manifestam intenção de formar profissional competente, crítico e propositivo, entretanto, não explicitam o que é um profissional competente.
O propósito é formar bacharéis em Serviço Social, dotados de competência em sua área de atuação, generalistas em sua formação intelectual e cultural, munidos de am- plo acervo de informações necessárias em tempos de globalização, capazes de for- mular propostas de trabalho criativas e inovadoras. (PPP – UFF).
A apreensão da sociedade brasileira é tida como base para a definição das diretrizes fundamentais da formação que se explicitam na direção social do curso. Direção so- cial que se define a partir das demandas postas pelo movimento da sociedade, visan- do a articulação efetiva de um projeto social das classes subalternas em suas relações com as forças dominantes, o que implica na consolidação de uma legitimidade da profissão junto aquelas classes e no compromisso real e efetivo com os interesses coletivos e históricos da classe trabalhadora, na construção de uma hegemonia na re- lação entre classes sociais. [...] A condução da prática nesta direção pressupõe ne- cessariamente outras dimensões, traços e competências que constituem o perfil do profissional que se pretende formar, ou seja, uma competência teórica, técnica ope- rativa e ético-política. (PPP – PUC SP).
Nem um dos seis PPPs analisados deixa clara a concepção de competências e ha- bilidades na proposta curricular e como serão desenvolvidas no decorrer do curso, em que momento, disciplina ou atividade as competências citadas serão contempladas.