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Potential prey resource abundance

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4. PRESENT KNOWLEDGE

4.3. Potential prey resource abundance

Quadro 3 – TEMA III – Percepções sobre o contexto institucional de implantação da clínica de saúde bucal

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1. Contexto de reforma sanitária, de luta da sociedade em busca de direitos para todos com igualdade e justiça. No Brasil havia o processo de constituinte, várias ideias para a sociedade estavam em disputa, saindo vitoriosa a ideia da igualdade de direitos para todos. 2. O contexto de implantação da clínica foi propício para o trabalho em comunidade, vivia- se a Reforma Sanitária e havia uma tendência no país para que as ações de saúde alcançassem a população, os trabalhos realizados pela UFC por meio do curso de odontologia havia trazidos muitos resultados positivos para o aprendizado dos alunos. Nesse sentido propusemos um projeto para que o estágio extra- mural acontecesse por meio do equipamento Cedefam, já instalado pela pró-reitoria de extensão, que teve que pensar como materializar tal projeto a partir da implantação de uma clínica odontológica.

1.Eu cheguei aqui seis anos

depois, mas sei que o contexto era propício para instalação da clínica porque estavam falando muito em

direitos universais, que

abrangeriam toda a sociedade. O clima era de expansão dos direitos e isso foi se concretizando ao longo do tempo.

2.Não sei informar, cheguei

muito depois e na verdade nunca pensei sobre isso.

3.Quando vim pra cá nem se

falava mais nisso, aliás nunca falaram pra mim sobre o contexto de implantação, também eu nunca perguntei.

4.Num sei nada sobre isso. 5.Nunca vi nada escrito aqui

sobre esse assunto, mas também não me interessei em procurar. Agora como fiquei curiosa vou procurar saber, acho importante

1. Eu sei que estavam fazendo muitas coisas pó essa população aqui, cursos de costura, creche e saúde de todo o tipo.

2. Tudo tava vindo pra cá, tinha creche, davam cesta básica para as crianças.

3. A UFC chegou para trabalhar aqui e trouxe muitas coisas boas. 4. O contexto era de as lideranças

comunitárias estavam

conseguindo várias coisas pra comunidade, cursos, aula para as crianças, banheiros e na “creche” tava tendo tudo de saúde.

5. Não sei como foi.

6. Meu pai sabe de tudo porque ele vivia lá no Cedefam, eu num sei.

7. Não sei informar. 8. Não sei informar.

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3. Em 1987, quando a clínica foi instalada havia no Brasil, no contexto político envolvia o movimento de reforma sanitária, onde as ideias de universalização e integralidade da saúde estavam disputando com ideias opostas vinculadas às ideias neoliberais. Dentro desse contexto, em nível local, a pró-reitoria de extensão viabiliza propostas de professores do curso de odontologia, para

instalação de uma clínica

odontológica no Cedefam, com o objetivo de ser um espaço onde os estudantes utilizassem para realizar

a extensão. Estava-se se

desenvolvendo na UFC o trabalho com comunidade, que os Cursos de Enfermagem e Psicologia já realizavam no Cedefam, e foi quando observamos esse trabalho e passamos a incorporá-lo nas ações da clínica de saúde bucal.

saber com essa clínica foi criada, porque para quê eu já sei, para atender a população do Pici que precisa muito dessa clínica.

6. Uma vez vi o professor

comentar algo com os alunos, mas não sentei pra prestar atenção, tava esterilizando o material odontológico.

7. Difícil eu saber, tenho menos

de um ano trabalhando aqui.

9. Tenho só 4 anos que moro aqui, moro com uma amiga. 10. Vixe, só me lembro que eram muito bom, tinha um trabalho da igreja lá, tinha leite, faz tempo

isso. Agora lá só tem

atendimento de saúde.

11. Desde criança sou atendido lá e o que vi foi aquilo crescer e atender todos nós aqui do papoco. Tenho 35 anos aqui dentro e sempre fui atendido pelo Cedefam.

12. Foi na época da Constituição, num lembro se foi antes ou depois, mas sei que o pessoal ficou muito feliz em atender a gente e foi chegando cada dia mais atendimento, tinha exame para saber se a gente era tuberculosa, davam os remédios, era muito bom. Deveria voltar tudo aquilo.

13. Não sei nada, nada.

14. Minha vó sabe de tudo, ela sempre conta essa história e diz que o banheiro daqui de casa foi feito pela UFC, logo quando começou.

15. Não tenho como lembrar, tenho apenas 18 anos

16. Não sei o que é isso

17. Posso perguntar pro meu vizinho da esquina porque ele conhece a história daqui desde quando a UFC nem era aqui. 18. Eu não participei desse momento.

19. Lembro não. 20. Num sei.

21. Eu e minhas irmãs estivemos no Cedefam desde o Projeto Uruguaiana, fizemos parte do começo, fizemos curso de costura, até hoje sou costureira e ganhei muito dinheiro porque aprendi essa profissão lá, meus filhos estudaram na creche de lá. Tudo na minha vida de bom foi de lá. Lá tinha tantas coisas boas,

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não que agora não tenha, mas que na época distribuíam leite, sexta básica, pagava até a gente pra costurar pra eles, Era bom demais.

22. Fiz parte do Cedefam, ele surgiu na época das políticas boas, todos nós passamos a ser atendidos pelos médicos, mesmo nós que não tinham carteira assinada. Foi maravilhosa, aquela época, todo dia chegavam uma coisa nova pra atender a gente. A gente era chamada pra fazer reunião lá. A gente passava maior parte do tempo lá. Tempo bom que não volta mais.

Fonte: elaborado pela autora.

Nas percepções contidas sobre o contexto institucional de implantação da clínica de saúde bucal do Cedefam temos a seguir, os relatos:

Eu sei que estavam fazendo muitas coisas por nós aqui, cursos de costura, creche e saúde de todo o tipo. (U 1)

O contexto era que as lideranças comunitárias estavam conseguindo várias coisas pra comunidade, cursos, aula para as crianças, banheiros e na “creche” tava tendo tudo de saúde. (U 4)

Vixe, só me lembro que eram muito bom, tinha um trabalho da igreja lá, tinha leite, isso faz tempo isso. Agora lá só tem atendimento de saúde.

Foi na época da Constituição, num lembro se foi antes ou depois, mas sei que o pessoal ficou muito feliz em atender a gente e foi chegando cada dia mais atendimento, tinha exame para saber se a gente era tuberculosa, davam os remédios, era muito bom. Deveria voltar tudo aquilo. (U 12)

Minha vó sabe de tudo, ela sempre conta essa história e diz que o banheiro daqui de casa foi feito pela UFC, logo quando começou a invasão. (U 14)

Eu e minhas irmãs estivemos no Cedefam desde o Projeto Uruguaiana, fizemos parte do começo, fizemos curso de costura, até hoje sou costureira e ganhei muito dinheiro porque aprendi essa profissão lá, meus filhos estudaram na creche de lá. Tudo na minha vida de bom foi de lá. Lá tinha tantas coisas boas, não que agora não tenha, mas que na época distribuíam leite, sexta básica, pagava até a gente pra costurar pra eles. Era bom demais. (U21)

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Fiz parte do Cedefam, ele surgiu na época das políticas boas, todos nós passamos a ser atendidos pelos médicos, mesmo nós que não tinham carteira assinada. Foi maravilhosa, aquela época, todo dia chegava uma coisa nova pra atender a gente. A gente era chamada pra fazer reunião lá. A gente passava maior parte do tempo lá. Tempo bom que não volta mais. (U22)

Registra-se que as entrevistas 1, 2 e 3 dos gestores têm consonância entre si. Elas trazem em comum o relato contexto de Reforma Sanitária, como um ponto de inflexão para a política de saúde, expresso pelas ideias universalistas e integralistas que fundamentavam as propostas das ações no âmbito nacional. Para o nível local, as entrevistas revelaram ser um momento propício para materializar projetos dos professores do Curso de Odontologia, no sentido de implantar uma clínica de saúde bucal no Cedefam, onde seriam desenvolvidas atividades de Extensão Universitária com ações voltadas para a comunidade do Pici.

Verificou-se que das 7 (sete) servidoras, revelada apenas na entrevista 1, uma conhecia o contexto institucional de inserção da clínica de saúde bucal, todavia, a sua inserção na mesma se deu uma década após sua implantação.

A partir das concepções sobre o contexto institucional de implantação da clínica de saúde bucal do Cedefam, os significados atribuídos pelos usuários convergiram em 47% das entrevistas, 14% ao relatar informações sobre o contexto e a sua vivência, no que diz respeito a implantação da clínica, ouviram apenas falar sobre esse contexto e 39% não sabiam informar, dentre estes, 4 % se referiram como moradores recentes daquela comunidade.

Os significados atribuídos pelos usuários sobre a implantação da clínica convergem quando trazem em seus relatos os cursos de corte e costura; a instalação de uma creche que veio atender as necessidades das mães que estavam se inserindo no mercado de trabalho e não tinham com quem deixar seus filhos; os ambulatórios atendiam as crianças da creche, bem como os adultos realizavam exames para identificar doenças infectocontagiosas, como a Tuberculose, citada nas falas e a instalação de aparelhos sanitários, representados por eles por uma concepção de banheiros.

Essas falas demonstradas nas entrevistas 4, 12, 14, 21 e 22 entram em concordância com o relato da professora Sulamita Vieira, praticamente o único documento histórico do Projeto Uruguaiana que foi por ela manuscrito no ano de 1985, ao apontar que a construção dos primeiros sanitários na comunidade do Papoco, esteve sob a responsabilidade e execução do Projeto Uruguaiana, considerado embrião do Projeto Cedefam.

Destaca-se entre as falas dos usuários reveladas nas entrevistas 12, 21 e 22, em certa medida, a nostalgia, que tem por significado, a saudade de alguma coisa, de uma circunstância já passada ou de uma condição que (uma pessoa) deixou de possuir.

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Acredita-se numa saudade referente à proteção social, experimentadas por várias ações anteriores, que contribuíam para o seu desenvolvimento comunitário e social. As frases que enfatizaram estes significados estão consecutivamente colocadas pelo número que o usuário ocupa nas entrevistas: “... tempo bom que não volta mais”.

Outros fragmentos de um relato na entrevista 22: “(...) ele surgiu na época das políticas boas”, impõe-se a reflexão acerca dessa frase, no sentido de desvelar quais os seus significados foi perguntado ao usuário, que respondeu que eram “políticas sem corrupção, sem lava jato”.

À luz dos estudos de Carvalho (2016) pode-se encontrar uma possível explicação para essa representação da política, a partir do papel que a grande mídia tem, ao desenvolver o que a autora afirma, usando brilhantemente a frase de Paulani (2012), “um terrorismo midiático”, com a sociedade ao espetacularizar determinados fatos e notícias, despertando as suas emoções com informações falsas, produzindo representações ilusórias da realidade, ou uma falsa consciência (CARVALHO, 2016).

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