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Poststrukturalistisk diskursteori

2. TEORETISKE RAMMER

2.2 Poststrukturalistisk diskursteori

No início dos anos 80, milhares de pessoas iniciaram a procura por um tratamento que as fizesse parar de usar cocaína. Muitos especialistas que haviam passado parte de sua vida tratando o vício desencadeado pelo uso da heroína e álcool ficaram espantados com a idéia destas pessoas necessitarem de tratamento para pararem de usar esta substância. Para eles isto era uma novidade. Perguntas como: “Por que você precisa de tratamento? e Por que você simplesmente não para de usar?”, eram freqüentemente feitas por estes profissionais. Atualmente, muito já foi descoberto sobre a adição por cocaína e outros estimulantes e também em relação ao tratamento para este problema, mas muito ainda precisa ser elucidado, pois se trata de uma árdua tarefa para os pesquisadores e clínicos fazer com que os droga aditos parem de usar a droga e explicar porque eles necessitam de tratamento.

A epidemia da cocaína iniciou no começo dos anos 70, teve seu pico nos anos 80 e declinou na metade dos anos 90 (GOLUB & JOHNSON, 1997). O padrão era similar à primeira epidemia ocorrida quando o cloridrato foi isolado das folhas de coca em 1885. Durante a primeira epidemia os médicos usaram de forma errada as propriedades estimulantes da cocaína para a cura da depressão, vício pela morfina, tuberculose crônica e várias outras desordens. Os médicos e curandeiros prescreviam a droga para muitas doenças e a cocaína logo se tornou o principal ingrediente ativo de muitos medicamentos populares, tônicos e elixires.

Quando os efeitos adversos do uso freqüente e de altas doses foram descobertos começaram a vir as respostas legislativas. Desta forma em 1906 foi criado o Ato da droga e comida pura (Pure Food and Drug Act), em seguida o ato narcótico de Harrison em 1914, este segundo eliminando o uso de medicamentos à base de cocaína, proibindo sua fabricação e venda. Mesmo com estes atos a cocaína não foi banida da sociedade e nos anos 70 circunstâncias sociais e econômicas complexas conspiraram para seu retorno.

A epidemia da cocaína nos anos 80 e 90 afetou um ampla camada da sociedade americana, ocorrendo também o advento do crack e da metanfetamina (MA) sendo esta última mais restrita a algumas localidades. Ao final do século 20 a cocaína e MA e outros derivados destas drogas acompanhavam os opiáceos e álcool como alvos primários dos esforços no combate ao abuso e dependência.

Atualmente nos deparamos com o aumento de casos de emergência envolvendo a cocaína. Este aumento é decorrente principalmente das impurezas existentes nas drogas de rua, que fazem com que os usuários aumentem a dose da droga para melhorar o efeito, ou estes próprios contaminantes podem potencializar os efeitos tóxicos da droga. Um dos principais sintomas responsáveis por estas visitas às emergências são as convulsões.

As convulsões induzidas por cocaína ocorrem tanto na overdose como no uso de doses mais baixas durante um certo período de tempo (kindling), ou até mesmo após uma única dose (KRAMER et al., 1990; DHUNA et al., 1991), e são de difícil controle, pois levam o indivíduo a uma situação de estado de mal epiléptico, que pode levar a lesões neuronais, até mesmo à morte se não houver uma manobra rápida, visando o controle desta convulsão. Cerca de 12 % dos pacientes admitidos em emergências hospitalares com intoxicação por cocaína requer terapia anticonvulsivante (DERLET & ALBERTSON, 1989; DHUNA et al., 1991). As convulsões podem ser resistentes aos anticonvulsivantes disponíveis, como benzodiazepínicos e barbitúricos, e são consideradas o principal determinante da morte relacionada ao uso da droga (DHUNA et al., 1991; BENOWITZ, 1993).

Como ponto positivo para esta epidemia de estimulantes e tratamento dos distúrbios que as acompanham temos o aumento incrível da pesquisa científica e clínica

envolvendo este assunto. Os resultados destas pesquisas ajudaram no conhecimento sobre o cérebro humano e das desordens produzidas pelas substâncias de abuso, mas muito ainda falta ser desvendado.

Com relação às convulsões induzidas por cocaína temos uma importante literatura, embora o mecanismo das convulsões não esteja completamente elucidado. Como se trata de uma droga que age em muitos sistemas, o estudo mais aprofundado de cada sistema neurotransmissor que possa estar envolvido com a mediação destas convulsões é de grande valia e pode ser usado posteriormente para o estudo de novas drogas para o tratamento dos efeitos colaterais que envolvem as drogas de abuso, bem como para o tratamento da overdose.

Neste estudo além dos receptores e neurotransmissores envolvidos na convulsão procurou-se também estudar uma possível dissociação entre as convulsões e morte induzidas por cocaína, visto que alguns trabalhos sugerem uma distinção entre estas duas condições, pois as drogas que inibem as convulsões não são as mesmas capazes de inibir a letalidade induzida por cocaína (RITZ & GEORGE, 1997b), portanto existem evidências de mecanismos neuronais distintos envolvendo estas duas entidades.

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OBJETIVOS

Os objetivos deste trabalho de tese são determinar quais as alterações neuroquímicas desencadeadas por duas situações conseqüentes à convulsão induzida por cocaína: estado de mal epiléptico e morte em duas áreas cerebrais importantes na ação da droga, corpo estriado e córtex pré-frontal. Para facilitar a leitura e compreensão do estudo este trabalho foi dividido nos capítulos listados a seguir:

Capítulo 1:

- Determinação da dose convulsivante e letal de cocaína em camundongos e estudo da ação de manipulações farmacológicas de diversos sistemas neurotransmissores nas convulsões induzidas por overdose de cocaína em camundongos.

Capítulo 2:

- Determinação dos níveis de monoaminas e seus metabólitos após as convulsões e morte induzidas por overdose de cocaína em corpo estriado e córtex pré-frontal de camundongos

Capítulo 3:

- Determinação da densidade de receptores dopaminérgicos (D1 e D2-símile), serotonérgico

(5HT2), muscarínico M1-símile e atividade da acetilcolinesterase após as convulsões e morte

induzidas por overdose de cocaína em corpo estriado e córtex pré-frontal de camundongos.

- Determinação da densidade de receptores GABAérgicos, glutamatérgicos e níveis de

nitrito/nitrato após as convulsões e morte induzidas por overdose de cocaína em corpo estriado e córtex pré-frontal de camundongos.

Capítulo 5:

- Estudo da participação do estresse oxidativo nas convulsões e morte induzidas por overdose

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1 MATERIAL UTILIZADO NOS EXPERIMENTOS