4. INFORMANTENES FORTELLINGER OM JAZZ OG KJØNN
4.8 Hvordan ekspliseres kjønn i informantenes fortellinger?
4.2.1 Distribuição geográfica, aspectos botânicos e farmacoquímicos
A Pombalia calceolaria (Figura 2) caracteriza-se como uma erva rasteira, cuja raiz apresenta-se enrugada e tortuosa com casca espessa e pálida (LORENZI; MATOS, 2002), onde, no Brasil, é predominante nas regiões costeiras e arenosas do Nordeste brasileiro, sendo nativas do Maranhão até São Paulo. É uma herbácea perene, pouco ramificada, inteiramente pubescente, de 10 a 30 cm de altura (LORENZI; MATOS, 2008). Caracteriza-se pela presença de folhas elípticas, alternadas, pecioladas, de margens denteadas, 2-4 cm de comprimento; flor branca com uma única pétala grande que se dilata em forma de bandeirola, revirando-se para fora; os frutos são cápsulas oblongas e deiscentes contendo muitas sementes escuras, conforme mostrado na Figura 3 (LORENZI; MATOS, 2002; MATOS, 2007).
Em estudo realizado por Seo; Sanso; Xifreda (2011), os autores, através de fotomicrografia, registraram as características micromorfológicas das folhas de Pombalia calceolaria, através de microscopia de varredura eletrônica, onde constatou-se a presença de densa pelagem em ambas as faces e de margem denteada com presença de glândulas globosas ou ovóides, características estas importantes para distinguir essa espécie de outras espécies do gênero Pombalia.
Embora seja uma das plantas de uso muito antigo na medicina popular nordestina, ainda não foi submetida a estudos de validação suficientes. Na literatura, dados a respeito de seus constituintes químicos ou de suas propriedades farmacológicas são quase inexistentes. Beauvisage (1889) indicou a presença de inulina nas raízes de P. calceolaria, Leal et al. (2000) demonstraram a presença de cumarina em seu extrato e leve atividade broncodilatadora, provavelmente compatível com seu uso popular, e Pinto (2013) isolou ciclotídeos a partir dos extratos etanólicos das folhas, caules e sementes de P. calceolaria. Neste último estudo as sementes da referida espécie destacaram-se pela maior diversidade
peptídica, de onde foi possível isolar e elucidar a estrutura de um ciclotídeo denominado Hyco A (Figura 4).
Fonte: Autoria própria Figura 2 - Pombalia calceolaria em seu habitat natural.
Fonte: Autoria própria
Figura 3 - Pombalia calceolaria - A: Flor; B: Folha; C: Fruto; D: Sementes.
Fonte: PINTO, 2013
Figura 4 - Hyco A, evidenciando os loops e a estrutura tridimensional. Em destaque amarelo, as pontes dissulfeto.
4.2.2 Aspectos etnofarmacológicos
Em estudo realizado no Ceará, ficou demonstrada a alta frequência do uso dessa planta em fitoterapia, incluindo a utilização pelos índios Tapebas (MORAIS et al., 2005). É rara a mãe cearense que não tenha mantido na água de beber das crianças um pedaço dessa raiz, como prática de medicina caseira para tratamento preventivo ou curativo de bronquite, tosse rouca, “gripe velha”, diarreia e dos “males da dentição” (MATOS, 2007). Melhor explicando esta última indicação, em um glossário de termos usados na medicina popular do Ceará, a raiz de P. calceolaria encontra-se registrada como “remédio para nascer dente em criança”, ou seja, ao chá da raiz é atribuída, popularmente, influência benéfica sobre a odontogênese, evitando suas complicações (MATOS, 2002).
Segundo Matos (2007), as raízes de P. calceolaria são coletadas, em quantidades relativamente grandes, na vegetação de dunas e preparadas para o mercado de ervas em forma de pequenos feixes, sendo motivo de amplo comércio, vendidas em bancas de raizeiros como raiz de pepaconha. Não é incomum a população indicar como remédio caseiro para expectorar o cozimento das raízes de P. calceolaria preparado em mistura com folhas de malvarisco (Plectanthus amboinicus), courama-branca ou courama comum (Kalanchoe crenata) e cebola-branca (Allium ascalonicum).
A grande procura pela espécie das farmacopeias, Psychotria ipecacuanha, denominada popularmente de ipeca, ipecacuanha, fez com que também fossem comercializadas as falsas ipecas, que possuem propriedades semelhantes à P. ipecacuanha, e que, segundo Gomes (2007), tais propriedades se devem à presença de emetina, porém com o teor bem menor que na ipeca verdadeira. As principais espécies apontadas são: Richardia brasiliensis Gomes (poaia-branca) e Richardia rosea St. Hil (poaia do campo ou rosa), da família Rubiaceae; Pombalia calceolaria L., da família Violaceae; e Polygala angulata DC, da família Polygalaceae.
Importante ressaltar que enquanto Gomes (2007) relata a presença de emetina em baixo teor em P. calceolaria, como citado anteriormente, Matos (2007) relata que embora se desconheça a presença de emetina, esta espécie de ipecacuanha tem sido indicada, em medicina popular, também para o tratamento da amebíase, provavelmente por ser confundida com a Psychotria ipecacuanha.
Em estudo realizado por Chaves (2008), na Paraíba, intitulado “Lambedor: um conhecimento popular em abordagem científica”, a raiz de P. calceolaria apresentou uma frequência de 18 citações frente a 22 raizeiros entrevistados. A planta é empregada na medicina popular por grande número de pessoas, distribuído em várias classes sociais.
Pesquisas etnofarmacológicas procedidas nos estados nordestinos pelos autores Agra et al. (2007), Albuquerque et al. (2007) e Cartaxo et al. (2010), principalmente no Ceará, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, em coleta de dados quanto ao uso popular de plantas medicinais, registraram em todas elas a presença do uso popular de P. calceolaria. O objeto de pesquisa dos respectivos estudos era estabelecer “qual o conhecimento popular a respeito das plantas medicinais, quais as plantas mais usadas na comunidade e como se dava seu uso”. É válido salientar que de todas as espécies citadas nos três estudos, a Pombalia calceolaria foi sempre mencionada, porém sua importância relativa (IR) era baixa.
Esse parâmetro de avaliação (IR) trata-se de um método quantitativo que demonstra a importância de uma espécie baseada em sua versatilidade, ou seja, a espécie é analisada baseada no número de propriedades medicinais dadas pelos informantes. O valor máximo do RI é 2. Esta técnica presume que uma espécie é mais importante, ao apresentar um grande número de propriedades, independente do número de pessoas que citam sua utilização (CARTAXO et al., 2010) . Portanto, em ambos os estudos, o IR foi abaixo de 1, significando que esta espécie apresenta pequena diversidade de propriedades medicinais atribuídas a ela, mesmo que tenha havido altos índices de citações.
4.2.3 Toxicidade
Embora pesquisas envolvendo a espécie P. calceolaria sejam praticamente escassas na literatura e em fontes primárias, como artigos científicos, em estudo recente, publicado em revista científica, constatou-se que a presente espécie vegetal apresenta potencial tóxico.
Carvalho et al. (2014) verificaram em estudo realizado em dois municípios dos estados de Piauí e Pernambuco, no Nordeste brasileiro, que P. calceolaria em seu período de frutificação, apresentou elevado grau de toxicidade, levando os animais que ingeriram suas partes aéreas a um severo quadro neurológico reversível que poderia levar ao óbito, dependendo da quantidade e frequência da ingestão. Nesta pesquisa, o quadro clínico da neuropatia foi observado espontaneamente em relatos de muitos fazendeiros e, experimentalmente, através da administração da planta fresca com frutos, em duas doses diárias de 40 g/kg/peso corporal. Evidenciou-se assim, que a toxicidade está associada exclusivamente à ingestão dos frutos, uma vez que a ingestão das folhas sem os frutos não havia a ocorrência de nenhum quadro clínico com os animais.
Embora a parte da planta usada popularmente seja a raiz, e esta, por sua vez, ao longo dos anos de seu uso tradicional não apresentou relatos de toxicidade, e que a pesquisa
científica está direcionada para identificar suas propriedades farmacológicas, é importante essa informação do elevado grau de toxicidade de seus frutos, para contribuir com o uso medicinal racional dessa espécie.