Lawton et al. (1989) propuseram um modelo explicativo dos fatores de risco associados ao papel de cuidador baseado em dois fatores, com cargas diametralmente opostas: a sobrecarga e a satisfação (Martins, Pais-Ribeiro & Garrett, 2003). Estes definiram a satisfação do cuidador como sendo a perceção subjetiva dos ganhos desejáveis e aspetos positivos associados ao próprio processo de cuidado informal. A sobrecarga é definida como sendo a perceção de distress psicológico, ansiedade, depressão, desmoralização e a generalizada perda de liberdade pessoal ao executar a tarefa de cuidar (Martins, Pais-Ribeiro & Garrett, 2003).
Numa situação de doença de um familiar próximo, geralmente ocorre ameaça ao equilíbrio do normal funcionamento pessoal, familiar e social dos intervenientes, o que pode gerar uma situação de crise causadora de stress no cuidador. Perante uma situação deste tipo e havendo falta de estratégias de resolução de problemas mais imediatas, o cuidador informal fica sujeito a um estado de desorganização psicossocial, que poderá implicar sentimentos negativos para os mesmos e, inclusivamente, em relação ao sujeito com deficiência, tais como, medo, culpa e ansiedade (Goodhead & McDonald, 2007).
Em 1980, Zarit et al. caracterizaram a função de cuidador como sendo fonte de sobrecarga e tensão, estando também associados elevados níveis de sintomatologia depressiva, acumulados com sentimentos como tensão, constrangimento, fadiga, stress,
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frustração, isolamento social, depressão, alteração de autoestima. Os investigadores assinalam a função de cuidador informal como tendo consequências para a saúde do indivíduo, nomeadamente distúrbios de sono, hipertensão arterial, alterações no sistema endócrino, baixa eficácia das vacinas e baixa adesão terapêutica (Cannuscio, Jones, Kawachi, Colditz, Berkman & Rimm, 2002). Ao serem comparados com pessoas da mesma faixa etária, que não tenham um papel de cuidador, verifica-se que os primeiros apresentam uma saúde física mais empobrecida e, consequentemente, um maior consumo de medicamentos (Goodhead & McDonald, 2007).
Estudos realizados sobre os fatores de risco associados ao papel de cuidador referem um maior risco de mortalidade, para quem execute a função de cuidador, o que afeta, em grande medida, o bem-estar dos cuidadores (Cannuscio, Jones, Kawachi, Colditz, Berkman & Rimm, 2002, Martins, Pais-Ribeiro & Garrett, 2003, Amendola, Oliveira & Alvarenga, 2008), principalmente aqueles que o fazem por longos períodos de tempo (Figueiredo, Lima & Sousa, 2009).
Os cuidados informais implicam, também, grande impacto no orçamento familiar, ou seja, dependendo do tipo de limitações que a pessoa a cuidado tenha, os seus cuidadores têm consequências financeiras relativamente aos cuidados prestados. Existem muitas despesas, relativamente a esta tarefa, por exemplo, custos médicos, custos de transporte e modificações na própria casa (Goodhead & McDonald, 2007). Ainda existem poucos estudos que avaliem o impacto da pobreza no papel de cuidador, no entanto, sugere-se que a pobreza reduz a capacidade dos cuidadores lidarem com as suas tarefas. Tendo rendimentos mais elevados, os cuidadores têm uma maior margem de escolha para a execução da sua função (Goodhead & McDonald, 2007). É comum observar-se um afastamento social dos cuidadores informais, o que é preocupante uma vez que o suporte social constitui um fator protetor para a função de cuidador (Goodhead & McDonald, 2007).
Dentro das dificuldades reportadas na revisão da literatura, incluem-se também, os aspetos mais técnicos, nomeadamente, a relação com os serviços formais e o tipo de apoios a que os cuidadores têm acesso. As principais dificuldades apontadas são: a falta de conhecimento acerca de serviços do apoio disponíveis, a falta de informação acerca do diagnóstico feito á pessoa a seu cuidado, a desvalorização do seu papel por parte dos profissionais de saúde e a dificuldade na acessibilidade dos serviços de saúde (Goodhead & McDonald, 2007). Estas também incluem, as dificuldades sociais que os cuidadores percecionam, ao nível da discriminação feita aos seus entes dependentes de cuidados (Goodhead & McDonald, 2007).
A nível familiar salienta-se, essencialmente, a falta de apoio da sua família e dos serviços formais. Quando é analisada a relação de cuidadores informais e os prestadores de cuidados formais, verifica-se que os primeiros muitas vezes se sentem desvalorizados em
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relação aos serviços formais. Inclusivamente, muitos cuidadores afirmam que encontram nesses serviços algumas barreiras, precisamente porque não se sentem ouvidos nem valorizados pelos profissionais de prestação de cuidados. Os cuidadores informais de pessoas com deficiência mental são particularmente sensíveis ao modo como são recebidos pelos serviços formais, assinalando a importância de uma boa coordenação para melhor delinear os cuidados (Goodhead & McDonald, 2007).
Seltzer e Krauss (2001) assinalam quatro fatores de risco para as famílias de pessoas com deficiência mental e para o seu desempenho na tarefa de cuidar: as fracas capacidades funcionais e cognitivas da pessoa portadora da deficiência, a presença de problemas comportamentais, a lacuna na participação em programas de desenvolvimento e bem-estar, e por último, o desconhecimento social das necessidades destes sujeitos. O autor Bigby (2002) considera que as principais dificuldades desta população na tarefa de cuidar derivam, principalmente, das fracas capacidades funcionais e cognitivas da população portadora de deficiência mental e dos seus problemas comportamentais.
Apesar da sua função, enquanto cuidador implicar responsabilidades pelo bem-estar e prestação de cuidados a outra pessoa dependente e isso acarretar dificuldades para a vida do cuidador, também envolve ganhos, por prestar esses serviços ao seu familiar ou amigo (Martins, Pais-Ribeiro & Garrett, 2003). No geral, os cuidadores consideram que executam o seu papel de cuidador de modo gratificante sentindo-se, inclusivamente, muito satisfeitos com a função de cuidar. No entanto quanto maior é a sobrecarga sentida pelo cuidador, pior é a sua perspetiva relativamente à execução da sua tarefa (Goodhead & McDonald, 2007). Os cuidadores de pessoas com algum tipo de dependência física, tendem a ser mais positivos relativamente à sua função, do que dos que cuidam de pessoas com algum tipo de disfunção cognitiva (Goodhead & McDonald, 2007).
Alguns autores identificam vantagens na função de cuidar para o bem-estar dos cuidadores, tais como os sentimentos de solidariedade, de proximidade e de intimidade com a pessoa de quem cuidam (Martins, Pais-Ribeiro & Garrett, 2003).