A estrutura física da sala de distribuição a doentes em regime de internamento corresponde a um espaço amplo, com portas de tamanho adequado para passagem dos carros de dose unitária e de distribuição tradicional, tem boa ventilação e iluminação, sendo a temperatura e humidade controladas. Existem três áreas de preparação de dose unitária e uma de preparação de distribuição tradicional pelos TDT. Existe também uma área separada para
A dispensa de medicamentos na FH só pode ser efetuada perante prescrição médica, onde constem elementos como: identificação do doente, data de prescrição, designação do medicamento por DCI e indicação da dose, forma farmacêutica e via de administração e, evidentemente, identificação do médico prescritor (1).
i. Sistema de distribuição individual diária em dose unitária
O sistema de distribuição individual diária em dose unitária permite: aumentar a segurança no circuito do medicamento, monitorizar o perfil farmacoterapêutico dos doentes, diminuir os riscos de interações, racionalizar a terapêutica reduzindo os desperdícios e permitir aos enfermeiros dedicar mais tempo aos cuidados dos doentes e menos nos aspetos de gestão relacionados com os medicamentos (1).
Na FH do Hospital Sousa Martins é efetuada uma distribuição diária de medicamentos, em dose individual unitária, para um período de 24h para os seguintes serviços: medicina A, medicina B, AVC, cirurgia homens, cirurgia mulheres, ortopedia homens, ortopedia mulheres, urgência e cuidados intensivos pediátricos, pneumologia, cardiologia e psiquiatria. À 6ªfeira, no entanto, são efetuadas distribuições de medicamentos para 72h.
Diariamente, durante a manhã, a prescrição médica, em suporte de papel (ticket de serviços) é levada à FH, onde é interpretada, transcrita e validada pelo farmacêutico hospitalar responsável pelo serviço. Dá-se especial atenção a parâmetros como dose, frequência, via de administração, interações, medicação desnecessária, duração da terapêutica e adequação do tratamento ao doente. Gera-se depois o perfil farmacoterapêutico dos doentes pelo sistema Alert®. Está prevista a implementação da prescrição eletrónica o que, futuramente, irá facilitar a validação da prescrição e evitar erros de transcrição, tanto ao nível da FH como ao nível das enfermarias.
Após a validação da prescrição, o TDT responsável pelo serviço clínico em questão procede à preparação dos medicamentos a distribuir para um período de 24h, em dose individual diária, em dose unitária, de modo totalmente manual, a partir do perfil farmacoterapêutico dos doentes. É também o TDT que deve dar saída informática desses medicamentos por serviço. De modo a reduzir os erros e o tempo destinado a este processo, assim como melhorar a qualidade do trabalho executado e racionalizar os diversos stocks nas unidades de distribuição, poder-se-iam utilizar equipamentos semi-automáticos como o Kardex. Existem também equipamentos de reembalagem tipo ATC/FDS que podem apoiar o processo de reembalagem de medicamentos para distribuição (1).
As cassetes de dose unitária são formadas por diferentes compartimentos individualizados, cada um dos quais destinados a um número de cama e doente específico. Por sua vez, cada um destes compartimentos pode ter várias divisórias correspondendo, cada uma, a um momento de administração específico, como por exemplo pequeno-almoço, almoço, jantar e ceia. Após o preenchimento das cassetes de dose unitária baseado nos perfis
farmacoterapêuticos, estas são objeto de dupla verificação pelo farmacêutico hospitalar e pelo TDT responsáveis pelo serviço, antes de serem enviadas para os respetivos serviços. É importante referir que o acondicionamento de cada medicamento em distribuição de unidose deve seguir determinados critérios como a apresentação do nome genérico, lote de fabrico, dosagem e prazo de validade, permanecendo identificáveis até ao momento da sua administração.
A avaliação do doente deve ser feita por uma equipa multidisciplinar, constituída pelos farmacêuticos hospitalares, médicos e enfermeiros, isto porque desta forma é possível, por exemplo, evitar interações farmacológicas, controlar a utilização dos antibióticos e evitar erros de dosagens, posologias e de vias de administração. No Hospital Sousa Martins, os farmacêuticos hospitalares responsáveis por cada serviço, vão às respetivas enfermarias, diariamente, confirmar altas e prescrições, por exemplo em termos de datas de término de antibióticos e datas de término de inibidores da bomba de protões injetáveis, para posterior validação. Por vezes, os farmacêuticos hospitalares efetuam alterações de medicação, com o consentimento dos médicos, quando se verificam interações fármaco-fármaco ou fármaco- patologia, ou quando o medicamento prescrito não existe na FH.
Nalguns serviços existe visita clínica semanal que permite esta avaliação multidisciplinar. Cada médico do serviço descreve os doentes que está a tratar em termos de patologias e medicações prescritas e o farmacêutico hospitalar responsável pelo serviço em questão, tem um papel ativo na medicação a prescrever. Foi-me possível estar presente nas visitas clínicas, onde verifiquei que a maior intervenção farmacêutica é ao nível do controlo do tempo de antibioterapia nos doentes. Os serviços com visita clínica são: pneumologia, medicina A e B e ortopedia.
Durante o meu estágio no Hospital Sousa Martins tive oportunidade de realizar os perfis farmacoterapêuticos para todos os serviços e foi-me também possível fazer parte da visita clínica dos serviços que a apresentavam. Neste processo tomei consciência da complexidade e da exigência de cooperação entre os diferentes profissionais de saúde numa equipa multidisciplinar, que é imprescindível para a correta formulação da dose unitária.
ii. Sistema de distribuição por reposição de stocks nivelados
Nalguns serviços do Hospital Sousa Martins existe reposição de stocks nivelados, sendo este um sistema de distribuição mais avançado que a distribuição tradicional. Os níveis de stocks a ficar em cada serviço são definidos pelos farmacêuticos, enfermeiros e médicos dos respetivos serviços. A reposição de stocks nivelados realiza-se semanalmente, nos seguintes serviços: urgência e cuidados intensivos centralizados, otorrino, oftalmologia, obstetrícia, ginecologia e pediatria.
Com este sistema de distribuição cada enfermaria dispõe de um stock de medicamentos, fixo e controlado, adaptado às necessidades de cada serviço.
O pedido dos medicamentos para reposição dos stocks nivelados é efetuado pelo enfermeiro chefe do respetivo serviço. Posteriormente o pedido é validado pelo farmacêutico hospitalar responsável pelo mesmo serviço e depois dispensado pelo TDT destacado para tal serviço. Na FH do Hospital Sousa Martins antes da medicação ser enviada para o serviço, esta volta a ser conferida por dupla verificação pelo farmacêutico hospitalar e TDT.
iii. Sistema de distribuição tradicional
Alguns serviços do Hospital Sousa Martins apresentam stocks de retaguarda com sistema de distribuição tradicional tais como medicina A, medicina B, AVC, cirurgia homens, cirurgia mulheres, ortopedia homens, ortopedia mulheres, urgência e cuidados intensivos pediátricos, pneumologia, cardiologia, psiquiatria, bloco central, bloco obstetrícia, consultas externas, urgência pediátrica, quimioterapia (citotóxicos) e cirurgia de ambulatório. Para os setores como este sistema de distribuição são enviados maioritariamente antisséticos, desinfetantes, soros, injetáveis de grandes volumes e citotóxicos. Após a organização dos medicamentos para distribuição, pelos TDT, é efetuada uma dupla verificação pelo farmacêutico hospitalar e TDT responsáveis pelo processo. Os citotóxicos são dispensados ao serviço correspondente, de acordo com as necessidades deste, para serem reconstituídos pelo pessoal de enfermagem. Neste sistema de distribuição não há níveis pré-estabelecidos para stocks de medicamentos, sendo efetuada a dispensa de medicamentos aos serviços, num período de tempo previamente acordado entre o enfermeiro chefe e o farmacêutico responsável pelo serviço, que, no caso do Hospital Sousa Martins, ocorre semanalmente. Deste modo, cada enfermaria dispõe de um
stock de medicamentos e outros produtos farmacêuticos, que é controlado pelo pessoal de
enfermagem. Este sistema de distribuição gera inconvenientes, associados à acumulação desnecessária de determinados produtos em stock, com o consequente desperdício e falta de intervenção do farmacêutico no perfil farmacoterapêutico do doente.