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O cluster de rochas ornamentais também apresenta uma separação muito clara entre os extratores de mármore da região de Ourolândia e Jacobina e os beneficiadores e comercializadores, localizados na Região Metropolitana de Salvador, vale ressaltar que neste APL também cabe uma discussão para redefinir se os agentes estudados formam realmente um cluster, ou poderão ser na realidade dois clusters diferentes. Esse fato possui tanto impacto no processo de planejamento estratégico, que foi decidido, pelos planejadores, construir dois planos estratégicos separados, um para a região dos extratores de mármore, no interior da Bahia, e outro para os beneficiadores da Região Metropolitana de Salvador.

A análise histórica realizada para este cluster ficou muito focada em descrever os acontecimentos ao longo dos anos. Os fatos sugerem que o surgimento deste arranjo

produtivo se deu a partir da ação de um empreendedor, que passou a explorar comercialmente as rochas extraídas na região de Ourolândia, as quais tiveram grande aceitação no mercado nacional e despertaram o interesse de novos empreendedores, que foram se aglomerando na região.

Com relação à governança do APL, aparece novamente a distinção entre os dois polos: no interior, a governança é realizada pela associação dos produtores, Assobege, e na região metropolitana, a governança é conduzida pelo complexo de marmorarias.

Etapa 2 – Análise estratégica do cluster

Os grupos estratégicos do polo de extração do interior do estado existentes no cluster de rochas ornamentais foram identificados pelo cruzamento das informações de tamanho das empresas, com o nível de integração entre elas. A partir daí, foi possível identificar que a maior parte das empresas do APL possui tamanho médio e não realiza nenhuma ação para integração com as outras empresas do arranjo.

Para o polo de beneficiamento, a análise foi feita por meio das informações de nível de gestão empregado e nível de associativismo das empresas. A partir dessa análise, foi possível identificar uma grande tendência de associativismo entre as empresas, fator que contribui para desenvolvimento do cluster e geração de conhecimento e inovação.

As empresas do APL possuem uma oportunidade clara de mercado, caso consigam fazer melhor aproveitamento dos rejeitos graúdos e finos da extração das rochas; caso consigam se organizar, as empresas poderão utilizar esses rejeitos para fabricação de artesanato.

Os principais desafios que atrapalham o desenvolvimento do cluster são resistência ao associativismo por parte das empresas do polo extrativista, mão de obra desqualificada e defasagem tecnológica das empresas do arranjo produtivo.

Etapa 3 – Definição das Estratégias de Negócio

Os principais fatores críticos de sucesso identificados para o cluster de rochas ornamentais são alta qualidade dos produtos, disponibilidade de entrega, produtos ambientalmente corretos e garantia de procedência.

A definição das declarações de visão para este APL teve de considerar as diferenças existentes entre os polos de extração e beneficiamento, por isso o consultor responsável pela elaboração do plano estratégico definiu duas declarações de visão.

“Reconhecimento do Polo de Mármore Bege Bahia como um cluster de empresas que promove a extração, o desdobramento e o beneficiamento do mármore Bege Bahia num modelo de produção mais limpa, ou seja, atua de forma mais responsável e menos agressiva ao meio ambiente, gerando externalidades positivas para toda a rede envolvida nos três pilares da sustentabilidade: econômica, social e ambiental. Tal visão está fundamentada na exploração mineral planejada, cuja análise prévia da área explorada e da produção permitirá reduzir a quantidade de resíduos lançados diretamente no ecossistema e reutilizar os estoques remanescentes gerados ao longo do processo produtivo, não comprometendo, assim, a potencialidade produtiva do solo e da saúde da comunidade de Ourolândia e Jacobina.”

Para o polo de beneficiamento da Região Metropolitana de Salvador, a declaração de visão de futuro determinada foi a seguinte:

“Reconhecimento do polo de beneficiamento como um cluster de empresas altamente competitivas, detentoras de melhor conteúdo tecnológico, contando com estruturas gerenciais e operacionais profissionalizadas e, portanto, capazes de atender a projetos que demandam produtos diferenciados. O enfoque das empresas do polo é calcado na diferenciação do produto, por meio da oferta de serviços aos clientes, e o estreitamento de relações com fornecedores e com cadeias produtivas relacionadas, assegurando cada vez mais matéria- prima de qualidade garantida e produtos diversificados ao consumidor final.”

O posicionamento estratégico estabelecido para o cluster aponta que há possibilidade de trabalhar liderança em custo, diferenciação e enfoque em diferenciação. Para isso seriam necessários investimentos na capacitação da mão de obra, definição do programa de relacionamento com fornecedores visando à aproximação e à obtenção de melhores condições de compra e desenvolvimento da marca dos produtos e da região.

As estratégias de crescimento possíveis para o cluster são penetração de mercado, desenvolvimento de mercado e desenvolvimento de produtos.

Com essas análises e definições, é possível perceber que esta etapa do método não conseguiu direcionar muito as ações do cluster de rochas ornamentais, já que o leque de opções para definição das estratégias foi muito amplo.

Etapa 4 – Estabelecimento dos Objetivos Estratégicos do Plano de Melhoria de Competividade

Como foi dito anteriormente, o arranjo produtivo de rochas ornamentais foi dividido em dois polos; para cada um deles foram propostos objetivos estratégicos distintos.

Para o polo de extração, foram definidos 12 objetivos estratégicos, sendo nove de curto prazo, ou seja, para execução dentro dos próximos três anos, e três de longo prazo, para serem concretizados em até oito anos. Dentre estes 12 objetivos propostos para o cluster, a criação de um centro de aproveitamento dos rejeitos grossos, considerado o mais importante, foi priorizado e posteriormente transformado em projeto estruturante.

Figura 23: Objetivos Estratégicos para o Cluster de Rochas Ornamentais – Polo Extração

FONTE: Markestrat (2009f).

Para o polo de beneficiamento, outros 13 objetivos estratégicos foram definidos, sendo a criação do centro de promoção da rocha ornamental o principal e escolhido para ser transformado em projeto estruturante.

Dimensão Infra - Estrutura Dimensão Organização Programa para Fortalecimento do Associativismo

Plano de Melhoria da Competitividade do

APL de Rochas Ornamentais – Pólo de Mármore Bege Bahia

Centro de aproveitamento dos rejeitos grossos 8 anos 3 anos Dimensão Desenvolvimento de Mercado Dimensão Processos / Tecnologia Pesquisas para o Bege Bahia Programa de capacitação empresarial e operacional Adequação ambiental Sistema único de classificação comercial Resina especifica para o Bege Bahia

Programa de Promoção do Bege Bahia Mecanização das lavras manuais Centro de aproveitamento dos rejeitos finos Programa de compra conjunta Consórcio para exportação

Figura 24: Objetivos Estratégicos para o Cluster de Rochas Ornamentais – Polo Beneficiamento

FONTE: Markestrat (2009f).

Etapa 5 – Proposição do projeto estruturante

Esta etapa do método apresentou as ações estratégicas necessárias para concretização dos objetivos estratégicos tanto para o polo de extração quanto para o de beneficiamento. Ao todo foram estabelecidas 11 ações, sendo sete para o polo de extração e quatro para o de beneficiamento. As ações do polo de extração visam à construção do centro de aproveitamento de resíduos grossos; no polo de beneficiamento, as ações pretendem garantir a criação, estruturação e gestão do centro de promoção da rocha ornamental, conforme pode ser observado nas figuras 25 e 26, a seguir.

Dimensão Infra - estrutura Dimensão Processos / Tecnologia Dimensão Organização Programa para Fortalecimento do Associativismo

Plano de Melhoria da Competitividade do

APL de Rochas Ornamentais – Pólo de Beneficiamento

Programa de qualificação gerencial e operacional 8 anos 3 anos Dimensão Desenvolvimento de Mercado Marmoraria-Escola Sistema de Informação de Marketing Programa de parceria com instituições de ensino Programa para certificação da qualidade Consórcio de exportação e importação Centro de promoção da rocha ornamental Informatização (Software de Gestão)

Parceria com cadeias relacionadas Programa de relacionamento junto ao especificador Participação em feiras e eventos Ambientação de Loja

Figura 25: Projeto Estruturante para o Cluster de Rochas Ornamentais Polo Extração

FONTE: Markestrat (2009f).

Figura 26: Projeto Estruturante para o Cluster de Rochas Ornamentais – Polo Beneficiamento

FONTE: Markestrat (2009f).

6.7 Análise do estudo de caso do cluster de Sisal