2.5 Kontekstuell og komparativ analyse
2.5.1 Portrett av Lilly Gude (1876) og Et farvel (1876)
Os dados relativos ao século XVI demonstram que a maior parte dos indivíduos residia em Lisboa, num total de 39 artífices, sendo 35 deles, sapateiros. Este número elevado de sapateiros a residir na capital foi condicionado pela escolha dos processos, como referido na introdução do nosso trabalho. Note-se ainda, que não encontrámos nenhum elemento a residir fora da metrópole portuguesa. Para a centúria seguinte, a realidade altera-se, havendo uma maior concentração de artífices na Guarda, todos eles curtidores, perfazendo a totalidade de 14 elementos. Depois temos ainda 10 sapateiros a residir em Lisboa. Destacamos ainda o Fundão e Castelo Branco, com cinco artífices cada. Na primeira localidade prevalecem os curtidores e na segunda, os sapateiros. Fora do mapa da metrópole, contamos com um curtidor que residia em Tetuão e dois sapateiros que apresentaram como morada Mazagão e Rio de Janeiro, respetivamente. No século XVIII, temos 16 artífices a residir em Lisboa, sendo 14 deles sapateiros. Seguidamente, obtivemos a informação de três artífices a habitar o Fundão e outros três em Monsanto. Para a primeira localidade são dois sapateiros e um odreiro e para a segunda três curtidores. Saliente-se a perca de peso da Guarda a nível de artífices
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residentes do século XVII para o XVIII, em que se passa de 14 artífices para apenas um. Refira-se também sete residentes no Brasil, sendo a maioria, três deles, curtidores.
O quadro seguinte demonstra a distribuição das residências dos artífices por comarcas:
Quadro 11: Distribuição das residências dos artífices do couro por comarcas
Séculos Entre Douro e Minho
Trás-os-
Montes Beira Estremadura
Entre Tejo e Guadiana Algarve Total XVI 1 X 1 40 2 X 44 XVII 4 7 28 20 4 X 63 XVIII X X 12 21 1 X 34 Total 5 7 41 81 7 0 141
Através do quadro anterior é possível verificar que no século XVI, a Estremadura era a comarca com mais artífices do couro a residir, passando depois já no século XVII a ser a Beira, para no século subsequente voltar a ser a Estremadura. O Algarve não conta com nenhum indivíduo a residir na altura da detenção pelo Santo Ofício.
Durante o estudo dos elementos pertencentes ao grupo dos trabalhadores do couro, fomo-nos deparando com a existência de processados que alegaram viver em localidades diferentes daquelas de onde nasceram. Outros havia, que permaneceram nos seus locais de naturalidade. No seguinte quadro estão dispostos o número de processados para os quais temos informação sobre a naturalidade/residência, deixando de fora os que não obtivemos informação para um dos dois itens que nos permitem efectuar a verificação.
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Quadro 12: Artífices do couro que se deslocaram da sua terra-natal
Ofícios XVI XVII XVIII Totais
Sapateiros 27 28 26 81 Migrantes 25 15 21 61 Correeiros X 1 X 1 Migrantes X X X 0 Seleiros X 1 2 3 Migrantes X 1 X 1 Surradores X 1 X 1 Migrantes X X X 0 Albardeiros 1 X 1 2 Migrantes 1 X X 0 Odreiros X X 1 1 Migrantes X X X 0 Curtidores 8 31 11 50 Migrantes 3 6 9 18 Luveiros 1 X 1 2 Migrantes X X 1 1 Guadamecileiros X 1 X 1 Migrantes X 1 X 1 Total artífices 37 63 42 142 Total migrantes 29 23 31 83
No total de casos dos indivíduos que a quando da sua prisão, residiam em localidades diferentes dos seus locais de nascimento e que tinham os seus ofícios ligados ao couro, podemos constatar que no século XVI, migraram 78,3% dos indivíduos, no século XVII, 36,5% e por fim, na centúria de XVIII, 73,8%. Os sapateiros contabilizados para esta análise, compõem a maior parte dos trabalhadores do couro, num total de 81 indivíduos. Deste número, 61 estavam deslocados das suas terras-natais (75,3%) quando das detenções pelo Santo Ofício. É durante o século XVI, que verificamos uma maior aproximação entre os sapateiros que migraram e o número total de casos analisados, havendo 92,6% de indivíduos que se deslocaram. Seguidamente, temos o século XVIII com 80,6% e, no século XVII, declararam viver fora dos locais de nascimento, 53,6% dos processados. Apesar das discrepâncias percentuais entre as centúrias, todas demonstram o mesmo paradigma da existência de mais de metade dos obreiros a saírem dos locais de naturalidade. No caso dos curtidores, que se apresentam com o segundo maior número de obreiros presentes, num total de 50, a percentagem dos que se deslocaram é de 36%. Ao analisarmos mais
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aprofundadamente, percebemos que a tendência de migração por século demonstra que na centúria de XVIII existem 81,8% de deslocados, logo a seguir, temos o século XVI com 37,5% e o XVII com 19,4%. Os restantes ofícios têm uma expressão bastante reduzida para se poder fazer uma avaliação individualizada. As migrações representadas pelos dados expostos no anterior quadro, não foram apenas dentro da metrópole. No século XVII, temos um indivíduo que rumou ao Brasil e na centúria seguinte, três. De fora do quadro anterior ficaram nove sapateiros, dois curtidores e um albardeiro, por falta de informações que nos permitissem perceber se estavam deslocados a quando das detenções.
O quadro seguinte ilustra as localidades onde viviam os estrangeiros com ofícios ligados ao couro:
Como é verificável, Lisboa foi a cidade que atraiu a maioria dos estrangeiros estudados. Não é de estranhar, por ser a capital do país e possuir um grande fluxo comercial. No quadro aparece-nos ainda Sendim, Alcochete e Tetuão, situada em Marrocos. Este último caso trata-se de um indivíduo que foi cativo dos muçulmanos e que acabou por ser resgatado pelos religiosos Trinitários.
Quadro 13: Moradas declaradas pelos estrangeiros que trabalhavam o couro
Morada Séc. XVI Séc. XVII Séc. XVIII Total
Lisboa 3 3 4 10
Sendim X 1 X 1
Alcochete X X 1 1
Tetuão X 1 X 1
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4.2.2.2 – Artífices da Madeira
No que respeita aos artífices da madeira, a disposição dos locais de residência era a seguinte: