11. Financial Account
11.2 Portfolio investment
Na avaliação do estresse do RNPT verificou-se predomínio de ausência de estresse em ambos os grupos, não ocorrendo resultados estatisticamente significativos. (Tabela 7).
Tabela 7 – Número e percentual de estresse, antes, durante e após o AM para GCP e GSD
Variável* Categoria COPO
Observações SONDA-DEDO Observações p§ Período do AM Estresse n (%) n (%) Antes do AM Presente 7 (8,8) 6 (10,5) 0,727 Ausente 73 (91,2) 51 (89,5) Durante o AM Presente 21 (26,2) 14 (24,6) 0,823 Ausente 59 (73,8) 43 (75,4) Após o AM Presente 11 (13,8) 8 (14,0) 0,962 Ausente 69 (86,2) 49 (86,0) Total 80* (100,0) 57* (100,0)
*número de observações; §teste do qui-quadrado, AM-Aleitamento Materno
Contudo, na avaliação específica de cada grupo, verificou-se que a alteração estatisticamente significativa no estado de estresse no GCP. Das sete observações antes do AM sem a presença de estresse, 42,8% apresentaram sinais de estresse durante a mamada (p=0,004). (Tabela 8)
Introdução 54
Tabela 8 – Número absoluto de AM, segundo a presença de estresse no GCP e GSD
ESTRESSE DURANTE DEPOIS
COPO Presente Ausente Presente Ausente
ANTES Presente 3 4 2 5 Ausente 18 55 9 64 p§ 0,004* 0,424 DURANTE Presente 3 18 Ausente 8 51 p§ 0,076 DURANTE DEPOIS ESTRESSE SONDA-
DEDO Presente Ausente Presente Ausente
ANTES Presente 1 5 0 6 Ausente 13 38 8 43 p§ 0,096 0,791 DURANTE Presente 3 11 Ausente 5 38 p§ 0,210 §Teste de McNemar. *p<0,05 DISCUSSÃO
Em ambos os grupos observou-se, a partir da interação com os familiares, a dificuldade em conciliar visitas aos bebês na UTIN com a rotina profissional e doméstica. Em outros casos, as mães relataram dificuldades para realizar visitas diárias, especialmente por não terem com quem deixar os outros filhos em casa ou devido a dificuldades financeiras para a locomoção.
Contudo, se verificou que as mães do GCP visitaram mais vezes os bebês, em relação ao GSD. Provavelmente, isso se deve ao fato dos RNPT do primeiro grupo terem permanecido internados por mais tempo. Nessa direção, estudos apontam que o uso do copo como forma de alimentação, pode levar ao aumento do período de internação (AQUINO, OSÓRIO, 2008; SILVA et al, 2009).
Porém, observou-se que as mães do GSD amamentaram seus bebês com maior frequência, principalmente, no período vespertino, no qual se verificou resultados estatisticamente significantes.
Introdução 55
É valido lembrar que todas as mães receberam as mesmas orientações quanto ao incentivo ao AM e importância das visitas aos bebês na UTIN. Assim, questiona-se se a técnica da sonda-dedo pode estar associada a esse fato; já que favorece a sucção e, desta forma, pode beneficiar funcional e psiquicamente o AM do ponto de vista do bebê; além de gerar maior motivação materna para realizá-lo.
Explicitando: na sucção do seio materno, os receptores táteis dos lábios do RN detectam o bico e levam os músculos labiais a se contraírem firmemente em torno do mamilo, caracterizando um selamento hermético (DOUGLAS, 1998). Por sua vez, na prática clínica, observa-se que o bebê realiza as mesmas contrações musculares labiais e da língua (canolamento) durante a sucção do dedo mínimo enluvado, na oferta da dieta pela técnica sonda-dedo. Nessa perspectiva, é possível supor a associação funcional o seio materno e o dedo do terapeuta, em benefício do AM.
A propósito, estudo constata que a sonda-dedo demonstra ser técnica efetiva de alimentação para os RNPT com incoordenação S/D/R, devendo o copo ser evitado nestes casos (EVANGELISTA E OLIVEIRA, 2009).
Mas, a associação em termos psíquicos também pode ser apontada, a saber: segundo Freud (ed V, 1972), a repetição rítmica da sucção do seio materno, vai além da função de nutrir, na medida em que promove excitação prazerosa de lábios e língua caracterizando a fase oral; etapa decisiva para a estruturação psíquica do bebê.
Em relação aos sinais fisiológicos avaliados nos três momentos: antes, durante e após o AM, verificou-se que em ambos os grupos não ocorreu diferença estatisticamente significativa. Não foram encontrados na literatura estudos anteriores sobre os sinais vitais dos RNPT, comparativamente, relacionados às técnicas do copo e sonda-dedo.
Quanto à interação mãe-bebê durante o AM, verificou-se que os comportamentos maternos (segurar, olhar, tocar) foram similares nos dois grupos.
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Em relação a forma de segurar o bebê no colo, pesquisa aponta que mães de RNPT internados em UTIN tendem a gerar dificuldades no manuseio do bebê, associadas a sentimento de insegurança/incapacidade de cuidar do bebê(KARST, 2004). No presente estudo, tal situação também foi observada, corroborando o estudo de DELGADO e ZORZET (2002), que mencionam que 40% das mães entrevistadas na pesquisa não tocavam seus bebês, mesmo no colo.
Também em ambos os grupos analisados, as mães apresentaram insegurança em tocar o bebê nos primeiros dias; apesar do incentivo da equipe de profissionais, baseados no princípio de que o toque físico ajuda a aliviar a dor, a depressão, a ansiedade, acelera o crescimento do bebê e diminui o tempo de permanência na UTIN (COSTA, 2006, FIELD, TIFFANY, 2001).
Inicialmente, a troca de olhares entre a díade era ausente, tendo sido bastante estimulada. Nas anotações diárias, verificou-se que durante o AM, as mães evitavam o contato visual com o bebê, mas trocavam olhares com a fonoaudióloga/pesquisadora, demostrando insegurança com a aparência frágil do RN e buscando orientação/aprovação.
Mas, gradativamente, passaram a dirigir o olhar ao bebê, o que está de acordo com Klaus e Kennel (1993), que observaram que mães que tinham contato prolongado com seus prematuros e apresentavam um olhar mais insistente enquanto amamentavam os filhos
Em síntese, constatou-se que os tais comportamentos maternos evoluíram positivamente ao longo do período de internação dos bebês, sendo possível associar tal evolução às sistemáticas orientações sobre a importância da interação/comunicação entre mãe-bebê. Contudo, é importante salientar que tais orientações, embora necessárias, não são suficientes para dar conta da vasta gama de fatores psicológicos, afetivos e comportamentais envolvidos nesse processo (MACEDO, 2012).
Verificou-se sinal de estresse durante o AM somente no GCP. Entre os estressores incluem-se estímulos dolorosos, perturbações do sono, excesso de
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níveis de ruído e luz, manipulação constante associada a procedimentos e separação materna (MONTIROSSO et al., 2012). É oportuno destacar, que na UTIN onde foi realizado o presente estudo, a equipe de profissionais é regularmente treinada nos cuidados adequados ao prematuro, de maneira a minimizar/evitar tais estressores.
Segundo a percepção da pesquisadora, destaca-se que os bebês do GCP aparentavam sinais de estresse (irritabilidade e choro) durante o AM, quando realizavam maior atividade de sucção no seio materno, uma vez que, em comparação ao copo não era necessário tanto esforço para sugar.
Discutidos os resultados estatísticos, os quais apontam similaridade entre os dois grupos comparados em relação ás variáveis analisadas; é necessário sublinhar também aqueles obtidos por meio das anotações da pesquisadora durante todo o processo de coleta de dados. E abordá-los qualitativamente.
De maneira geral, as mães tenderam a manifestar sentimentos positivos quando observavam seu bebê sugando, com força, o dedo enluvado, relatando a satisfação em ouvir o ruído da sucção e sentir o bebê calmo e tranquilo após a dieta. Ficou evidente, nesses relatos maternos, a avaliação mais favorável à utilização da sonda-dedo em relação ao copo.
Nessa direção, observou-se que as mães do GCP demonstraram sinais de fragilidade e angústia ao constatar a lentidão do processo de oferta da dieta, o desperdício do leite, a irritabilidade do bebê, além do temor de que ocorressem engasgos e possível sufocamento. Nesse grupo, os relatos evidenciaram de maneira expressiva o desagrado/ desconforto diante dessa técnica.
Salienta-se que, especificamente, o desperdício do leite também foi observado em pesquisas sobre a utilização do copo em relatos maternos sobre RN internados em na UTIN (PACHECO et al., 2014). Pesquisas demonstram que durante a oferta da dieta no copo, 57,5% dos RNPT apresentam derramamento de leite, com uma média de desperdício de 12% (BÜLHER, LIMONGI, 2004), e outro estudo indicou desperdício de 60% da dieta (SILVIA et al., 2009).
Introdução 58
Em nosso ver, a preocupação das mães com o risco do bebê engasgar deve ser considerada, pois se o cuidador “despejar” o leite diretamente na boca do bebê, haverá risco de engasgos e aspirações (LIMA, MELO, 2008).
A propósito, Burgemeister e Sebastião (2013) Identificaram-se que profissionais de UTIN, quando questionados sobre a posição adequada do copo no momento da oferta, mencionaram a conduta de abaixar a língua do bebê com o copo e “jogar” o leite na boca do bebê.
Na prática clínica se observa, com indesejável frequência, que técnicos de enfermagem de UTIN - considerados tecnicamente aptos para oferecerem a dieta ao RNPT- pela dificuldade em conciliar o tempo disponível com o grande número de bebês internados, tendem a “derramar” o leite ao invés de aguardar o tempo necessário para que a dieta seja sorvida do copo.
CONCLUSÃO
Não houve alterações nos sinais vitais e dos comportamentos interativos entre mãe-bebê, comparativamente, entre ambos os grupos. Verificou-se sinais de estresse durante o AM somente no GCP.
Diante desses resultados, uma questão se coloca: será que a alta mais precoce (ganho de peso mais rápido) dos RNPT do GSD, pode ser associada ao fato da técnica sonda-dedo promover maior facilidade - do ponto de vista funcional da sucção dos RNPT- e sentimentos maternos mais positivos, favorecendo a efetividade do AM? Buscar respostas para essa inquietação sugere a relevância de estudos sobre o tema; numa abordagem biopsíquica.
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Introdução 66
ANEXO I
Introdução 67
ANEXO II
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Caro(a) Senhor(a)
Eu, Janaína de Alencar Nunes, fonoaudióloga, portador(a) do CPF 055.471.917-79, RG 1.626.810, estabelecido(a) na Rua Alaor Queiroz de Araújo, nº85. CEP: 29055-010 Praia de Santa Helena, Vitória-ES, cujo telefone de contato é (27) 3345 0740, vou desenvolver uma pesquisa cujo título é “ESTUDO COMPARATIVO DE TÉCNICAS DE ALIMENTAÇÃO EM PREMATUROS: PARÂMETROS FISIOLÓGICOS E INTERAÇÃO MÃE E BEBÊ”.
Este estudo tem como objetivo avaliar as técnicas de alimentação: copo e sonda dedo, nos recém-nascidos pré-termo em relação aos parâmetros fisiológicos como saturação e frequencia cardíaca e aspectos interacionais mãe e bebê.
A sua participação nesta pesquisa é voluntária. Além disso, sua participação é importante para verificar qual a melhor forma de oferecer a dieta para o recém-nascido pré- termo, podendo beneficiar as práticas clínicas na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal.