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Politisk realisme

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2 TEORETISKE PERSPEKTIVER

2.2 Internasjonale relasjonsteorier

2.2.1 Politisk realisme

Como vimos no capitulo anterio r, o volume de pesquisas das últimas décadas reuniu elementos suficientes para se poder afirmar que o usuário seja ativo e não consuma ou selecione passivamente as mensagens. O avanço dos estudos teóricos nos permite também afirmar que o efeito das mensage ns jornalísticas sejam dependentes de uma vasta classe de influências originadas do emissor, do meio, do receptor e do contexto em que se produzem.

Em um contexto histórico caracterizado por grandes debates em torno do papel da informação como instrumento de dominação de países ricos, surge na América Latina a reflexão teórica de Paulo Freire, que propõe comunicação como diálogo e a prática como afloramento da consciência e a conscientização. Há uma crítica profunda nos anos 1960 e 1970 aos modelos lineare s de transmissão de informação, que privilegiavam as funções da

mídia, o conteúdo dos meios e a intenção do emissor. “Descobre -se” que o receptor interpreta,

dialoga com o texto, e o conjunto de leitores produz sentido não linearmente. E que o receptor não apenas interpreta mas ultrapassa o que diz o autor em seu texto. No entanto, em geral, o leitor somente tem acesso ao texto final de uma reportagem e desconhece fatores que intervêm na apuração e no discurso jornalístico: (a) o modus operandi da atividade, (b) critérios de seleção e hierarquização dos elementos que compõem o texto, (c) opinião prévia do repórter sobre o tema, (d) interesses empresariais e políticos mais obscuros, (e) informações descartadas que, muitas vezes, foram decisivas para o desenla ce do acontecimento e para a estratégia narrativa.

Segundo Marteleto (1987, p.171), o receptor sempre dialoga com a informação: rejeitando-a, acrescentando-a a seu acervo, preenchendo lacuna e sua estrutura cognitiva ou alterando sua compreensão. Vários ou tros estudos comprovam tal afirmação mas o desafio que se coloca para o campo da recepção é tentar responder porque, como e que informações são descartadas nas fases da percepção e atenção à mensagem e nas etapas posteriores (leitura; decodificação e inte rpretação; representação na memória episódica; formação, uso e atualização da superestrutura e usos e mudanças do conhecimento social geral e das crenças). Ou ainda: quais são as características das informações contidas nas mensagens jornalísticas que passam pelos filtros da atenção e da cognição , tornando-se registros na memória?

Araújo (2001) considera que a prática de recepção se d ê em dois momentos: como acesso à informação (consumo), quantificado, mas sem revelar uso e utilidade das informações e o momento da seleção de informação, quando se analisam os critérios de seleção. A partir de tais práticas, se observam variáveis como necessidade e uso de informação. A quantificação do consumo é o instrumento mais disseminado para os proprietários de jornais assim como para outras empresas “ouvirem” seus consumidores. Como instrumento de marketing e apelo junto ao mercado de anunciantes, as grandes corporações midiáticas tornam disponíveis seus índices de audiência, quantificando os extratos sociodemográficos. Ao mesmo tempo, embora mais raras, contratam levantamentos para uso interno que apontam, entre outras questões, quais seriam os critérios de seleção dos usuários para seus produtos , se concordaram com o enfoque de determinadas reportagens, se a capa foi atrativa, etc. Esses dados são compilados e enviados para o diretor de Redação a fim de subsidiar o planejamento da edição seguinte. Tais resultados e análises geralmente permanecem reservados para uso interno, pois a estratégia limita -se a interesses mercadológicos imediatos, fixando -se a atenção na ampliação do público alvo a partir de alterações no meio, no produto.

A complexidade da pesquisa de comportamento informacional, d evido à quantidade de variáveis e ao próprio processo comunicacional, desafia a academia para análises mais profundas e teóricas sobre comportamentos de leitura e do uso des sas mídias. No campo da Ciência da Informação, Gonzáles de Gómez (1990, p. 121) acentua que nenhum mecanismo

de recuperação de informação “pode alterar a estrutura do horizonte político e interpretativo

que estipula que informação possui valor, para quem, de quem, como, ou simplesmente:

‘quando é o caso em que a informação é o caso”. Ao estudar a relação entre a demanda dos

receptores e a produção dos telejornais, M artín-Barbero (1987, p. 49) afirma ser a recepção um processo permeado por mediações dentro de um universo cultural , do qual fazem parte também os meios que dev am atender legítimas “demandas que v êm dos grupos receptores, que por sua vez não pode m legitimar tais demandas sem resignific á-las ‘em função’ do

discurso social hegemônico”. Orlandi conclui que não se pode afirmar a existência de um sujeito “absolutamente dono de si nem um sujeito totalmente determinado pelo que lhe vem

de fora. O espaço da subjetividade na linguagem é tenso” (1996, p. 189).

Nesse sentido, Fausto Neto evoca a questão do contrato de leitura estabelecido entre o

usuário e os campos sociais com seu “conjunto de regras e de instruções construídas pelo

campo da emissão para serem seguidas pelo campo da recepção” e que pressupõem a existência de dispositivos técnico -simbólicos de cujas leis próprias resultam as modalidades

dos contratos de leitura” (2002, p.199). O leitor regular de um jornal sabe qu e tipos de notícia

e texto encontrará, a abordagem, sendo reticente a grandes surpresas. Ele não espera, por exemplo, ver detalhamento de assuntos pouco freqüentes naquele jornal ou narrativas cultas em seu jornal popular. Além disso, tais demandas/respostas dos usuários podem ser extremamente díspares e volúveis por dois motivos: o lugar histórico sociocultural de quem recebe a notícia e seus inconscientes mecanismos cognitivos durante a leitura. Es se é exatamente um dos principais desafios para o campo das ciências sociais, e em particular dos estudos da recepção. Assim em nosso experimento não utilizamos as variáveis renda familiar, gênero ou presença de equipamentos domésticos , mas como o usuário se vê e interage com o mundo.

Dervin & Huesca (2003) discutem a prática do Jornalismo como com unicação e

alegam que, ao se focar o objeto de estudo exclusivamente em “quem” ou em “o quê”, a teoria

da comunicação deixa de considerar as “diferenças em diálogo”. Ao analisar o “como” na prática jornalística, os autores a redefinem como uma “subset” par a todas as possibilidades

estratégicas de observar a realidade (2003, p. 316). Os autores sustentam que a “maioria das

Biblioteconomia)” vêem as diferenças como um probl ema e apontam três abordagens para

observar as diferenças, sublinhando teses a respeito da natureza da realidade e do ser humano , mas reforçando que nenhuma delas prop onha efetivamente o diálogo como contraponto ao autoritarismo do Jornalismo ancorado nos princípios da objetividade ou desatento à problemática da comunicação (DERVIN; HUESCA, 2003, p. 311 -316):

a) colocar a diferença distinguindo os indivíduos por serem mal educados, preguiçosos, recalcitrantes que se recusam a entender de maneira correta a realidade e daí o discurso sobre a necessidade de reduzir a complexidade das formulações jornalísticas a fim de que os leitores possam entender a mensagem. b) a diferença ainda é um problema mas é aceitável política e economicamente como um obstáculo para a prática.

c) a diferença permanece como problema para a condução de práticas formais mas o conhecimento existe de acordo com a experiência pessoal originada de diferentes lugares e tal abordagem é geralmente classificada como “alternativa”.

Para os autores, ao focar no “quem”, sugere -se que bastaria incorporar diferenças

externamente observáveis como idade, origem étnica, etc. Ao propor a “communication theory of communication” (“teoria comunicativa da comunicação), presumem que o “quem”

não observa diferentemente porque esteja em diferentes lugares mas fundamentalmente porque tanto a observação quanto a realidade são incompletas ao longo do tempo e do espaço. A premissa inicial dessa teoria é que “o que pode ser classificado a respeito de processamento de informações do ser humano não são as observações mas os caminhos através dos quais o ser humano preenche as lacunas” (2003, p.318).

A observação humana é limitada pelo mundo interior, e sempre entendida através de uma estrutura de diálogo que leva em co nta as observações pessoais e as formas pelas quais a história e a cultura, em conjunto, limitando e facilitando o diálogo. A prática do Jornalismo não deve atentar apenas para pessoas de vários mundos mas para os indivíduos do mesmo mundo mas que têm visõ es diferentes desse mundo (DERVIN; HUESCA, 2003, p. 312).

O leitor, o usuário, é trazido para o centro do debate. A ênfase agora é na idéia da comunicação como um intercâmbio de experiências e alguns estudos sobre produção e compreensão de notícia passam a privilegiar tal enfoque: “o significado de um artigo jornalístico não se encontra no texto, mas na reconstrução efetuada pelo leitor, que será feita explicitamente em termos de processos da memória e representações” (VAN DIJK, 1990, p.144).

Em uma revisão sobre os estudos Sense-Making, Dervin & Huesca (2003) defendem que se deve objetivar a situação real, vivida pelo usuário, quase sempre focando -se na

interseção entre o sistema de informação e as conseqüências. Os autores discutem a natureza da prática e da produção de sentido por intermédio da compreensão de fatos jornalísticos e afirmam que para produzir sentido de fatos o usuário precisa ancorá-los em um entendimento do passado, presente, futuro e em compreender os motivos e condições históricas e situacionais daqueles que produziram os fatos (DERVIN;HUESCA2003, p.318).

Nesses termos, os autores se debruçaram sobre processos de leitura de jornais , tendo Van Dijk privilegiado os aspectos da compreensão e da evocação de notícia, enquanto Dervin introduziu algumas variáveis como estado de envolvimento (vitimização social) para avaliar decodificação crítica e a produção de sentido. No próximo capítulo discutiremos alguns desses experimentos, os quais serviram de referencial metodológico para atender aos objetivos de nosso estudo.

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