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4.2 Views on Politics and Democracy in Ghana

4.2.1 Interest in Politics

Vejamos abaixo um caso oposto ao que descrevemos anteriormente. Da mesma forma, primeiro apresentaremos os desenhos das alunas RAI e GIO para posteriormente refletirmos sobre o trecho de entrevista com a professora F:

Aluna RAI

FIGURA 6 – Desenho 2 da RAI: A aluna apontou o dedo no desenho do lápis e disse: “ESTA É A AULA DE LER E DIGITAR NO COMPUTADOR”; depois apontou para o desenho do bonequinho e disse: “ESTA É A AULA NO SITE DO PAPAI NOEL”

Aluna GIO

FIGURA 7 – Desenho da GIO:37 A aluna nos disse o seguinte sobre seu

desenho: “ESTA É A TELA DO COMPUTADOR COM TODAS AS COISAS QUE APRENDI DENTRO DELA: LÁPIS, CADERNO, LIVRO, DESENHO”

37

Essas foram alunas que, ao longo de 2009, apresentaram um processo de ensino-aprendizagem mais lento que os outros alunos da turma; elas não tinham acesso ao computador em casa e não eram acompanhadas pelos pais em suas atividades escolares.

Contudo, com toda a dificuldade, percebemos que os desenhos da aluna RAI revelam uma evolução da mesma ao longo desse ano. Observemos que no desenho 1 a aluna RAI não consegue sequer representar o computador (no dia que demos essa atividade, ficou extremamente perdida, sem saber o que fazer; foi a última a entregar a tarefa); ela pensou na escola, mas não no computador.

Por outro lado, após um ano fazendo atividades no laboratório de informática, ao pedir que fizesse novamente um desenho sobre o computador, ela consegue desenhar a tela do computador cheia de elementos que expressam sua vivência com essa máquina: ela lembrou a última aula da visita ao site do Papai Noel, lembrou também, através da figura do lápis e do caderno, o tanto que teve oportunidade de ler e escrever na tela do computador. É realmente bastante significativa essa evolução.

Para completar o desenvolvimento da aluna RAI, após o término da última tarefa do ano envolvendo o computador, a turma teve aula com a professora A,38 que propôs aos alunos fazerem uma atividade relacionada ao projeto sobre o Rio São Francisco. Essa professora pediu que os alunos colorissem uma mandala e em volta dela estava escrita uma frase curta sobre a importância da água; estávamos perto da aluna RAI guardando o material da pesquisa, quando a mesma começou a ler sozinha a frase da mandala. Ela leu e comentou conosco: “A água é importante mesmo, né?” Ou seja, a aluna RAI não só leu (decodificou) como colocou sentindo na leitura. Para nós, professora F e pesquisadora, isso foi uma expressão que demonstra grande desenvolvimento na escrita e na leitura. A aluna RAI finalmente conquistava certo amadurecimento para ler e escrever.

Da mesma forma que a aluna RAI, a aluna GIO desenha uma tela de computador cheia de elementos que nos fazem pensar que, para ela, o computador é suporte de escrita, de leitura, de desenho, de jogos; elementos esses que foram experimentados através das atividades que, para a mesma, foram muito desafiadoras ao longo do ano de 2009. Ela ainda não tinha conseguido alcançar uma maturidade na escrita como a aluna RAI, pois ainda não lia e permaneceu com

dificuldade com o manuseio do mouse (menos do que no início do ano), em entender o uso do e-mail e em visitar sites.

Trecho de entrevista com a professora F comentando sobre as alunas GIO e RAI; essa entrevista se deu após a realização das atividades 1, 2 e 3 em que os alunos tiveram de usar o programa Kolorpaint para desenhar e digitar o próprio nome:

Professora F: Hoje eu acho que a aluna G [GIO] não ficou em pânico. Na aula anterior ela não deu conta de trabalhar no computador; hoje ela não deu conta ainda de fazer o que pedimos, mas não estava em pânico. Ela tentou mexer com o mouse. Isso para aluna GIO fez uma diferença imensa. [...] A questão da aluna RAI é que ela tem resistência a fazer o que se manda. Na sala de aula, a aluna RAI consegue fazer o que ela quer, mas no computador, como ela ainda não sabe nada, fica parada [...].

Em outro trecho de entrevista a professora F comenta sobre o desenvolvimento dos alunos na 7ª atividade sobre o livrinho da nuvenzinha Flofi:

Professora F: A aluna GIO é sem autonomia nenhuma; se você pede para ela fazer, morre de medo e não dá conta de fazer.

Pesquisadora: Mas ela também abre mil janelas de uma só vez [...].

Professora F: Hoje ela me chamou três vezes e percebi que estava tentando fazer a atividade de copiar o trecho da história da Flofi, só que não tinha competência para copiar o trecho e acabou não dando conta de terminar a atividade. [...] A aluna RAI também é um caso curioso; se falo com ela VE-LA, ela consegue escrever VELA, mas se dou um papel em branco e peço para escrever, ela não consegue.

Pesquisadora: É isso que acontece no computador, ela fica paralisada diante da página lá na tela e deixa a aluna S fazer tudo.

Professora F: Ela só não sabe por onde começar; com essa atividade no laboratório pude perceber como que cada uma está se relacionando com a escrita.

Pesquisadora: Vocês estão gostando de trabalhar juntas no laboratório de informática?

Aluna RAI: Eu gosto. Aluna GIO: Eu também.

Pesquisadora: Uma ajuda a outra? [Risada]

Aluna RAI: Eu estou brincando com ela no recreio. [...]

A partir dos dados contidos nesse trecho de entrevista, refletimos que o uso do laboratório de informática para fazer atividades de leitura e de escrita relacionadas ao que os alunos estudavam na sala de aula tornou esse espaço mais um local onde a professora F pôde observar os mesmos em relação ao desenvolvimento e dificuldades na escrita e onde os próprios alunos puderam pensar mais sobre a escrita deles através de um novo suporte de texto.

Nesse sentido, Smolka (1993, p. 68) observa:

Para que a atividade de linguagem escrita se aprimore e o escrever tenha um impacto significativo sobre o desenvolvimento do sujeito, faz-se necessário que as práticas educativas incentivem a enunciação do pensamento dentro de diferentes tipos de texto [...].

Acrescentaria, de acordo com o contexto atual, práticas envolvendo não só diferentes tipos de textos, mas em suportes textuais diversos, abrangendo também o suporte virtual.

Para os alunos desta pesquisa, esse foi um espaço importante também para descobrir seus pares. Após a primeira série de atividades do ano usando o Kolorpaint, entendemos que seria melhor tanto para a aluna RAI como para a aluna GIO ficarem juntas, pois com seus pares anteriores elas ficavam paralisadas nas atividades, não participando e não dando conta de falar sobre as tarefas no laboratório de informática nas entrevistas.

Colocamos as duas juntas porque entendemos que o conhecimento sobre o computador e sobre a escrita alfabética dos outros pares que estavam com elas inibia essas alunas a tentarem fazer, a ousarem, a buscarem solução para suas dificuldades.

Juntas elas desenvolveram mais e inclusive passaram a ter o que dizer nas entrevistas. Juntas enfrentaram o desafio de escrever e ler usando o computador. Algumas vezes não deram conta, mas foram até o fim sem traumas ou receios. Em outras vezes conseguiram terminar a tarefa com sucesso; nesses casos, contamos mais com a competência da aluna RAI do que da aluna GIO.