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Political advertising and receptive rhetorical citizenship

Part I: Theory and method

2.2 Political advertising and receptive rhetorical citizenship

jovem, onde esta voltou a referir que se sente mais à vontade com as pessoas, fez novos amigos e até já vai ao café à noite com uma amiga e a sua mãe. Além disso, trouxe o trabalho de casa que lhe foi pedido na última sessão e realizou um pequeno texto: “Querida agenda,

agora que andei a falar com uma pessoa que me ajudou a perceber várias coisas, aprendi que nós temos de ser nós próprios, porque quem gostar de mim tem de gostar pelo que eu sou. Eu tinha muitos complexos, não fazia a minha vida, ou quase nada, com medo de que as outras pessoas não gostassem de mim ou gozassem. Não era muito sociável, achava que todos eram sempre melhores que eu, mas agora como já tenho ou estou, aos poucos, a ganhar mais confiança fui-me apercebendo que nem toda a gente consegue fazer as coisas do mesmo jeito, umas fazem melhor e outras fazem pior.De uma coisa eu agora sei, nunca se pode dizer “n o consigo”, antes de tentar. Nunca podemos desistir dos nossos sonhos e nunca, mas nunca deixar de acreditar em nós, porque se não formos nós, quem acreditará? Ninguém nasce perfeito, nem agrada a toda a gente. Eu agora sinto-me melhor e já tenho

mais vontade de viver, sorrir e sei quem sou, porque o que importa é que nos sintamos bem no nosso corpo e com o que somos. Já consigo levar as bocas de uma maneira diferente, tipo brincadeira que entra a 100 e sai a 1000, mas continuo a ser muito desconfiada. Já consigo vestir coisas que gosto sem estar com problemas se outras pessoas vão gozar ou não e penso que se me sinto bem porquê não levar? Ando mais descontraida na rua, sem estar sempre a dizer ou perguntar coisas. Agora no final de Agosto comecei a sair à noite com a Mariana e a Joana, que são bem fixes. Costumamos dar voltas à cidade, mas é claro que nós tinhamos sempre cuidado e uma hora marcada para ir ter com a mãe da Mariana. Nunca tinha andado na rua à noite sozinha, às vezes é perigoso, porque metem-se muito conosco, etc., e eu não estou muito habituada”. Este texto expressa, de modo claro as mudanças da jovem e o modo

como ela as vê.

Após a leitura e análise do texto que a jovem escreveu realizámos uma atividade de

Brainstorming e aplicação do Modelo de Resolução Criativa de Problemas (Isaksen &

Treffinger, 2004). Delinear um medo, que ainda permaneça e esteja relacionado com a escola:

Terapeuta: Consegues dizer-me os medos que ainda tens em relação ao regresso à escola? Paciente: Sim, tenho medo de voltar a ter vergonha e a isolar-me dos rapazes outra vez. Terapeuta: ok e mais?

Paciente: Mais nenhum.

Terapeuta: Esse medo não está relacionado com nenhuma situação nova, tens medo é de

voltares ao que eras antes é isso?

Paciente: Sim

Terapeuta: Então e relativamente a todos os outros aspetos que conseguiste mudar, não tens

medo também de regredir?

Paciente: Não tenho medo de voltar tudo ao que era, porque em relação às outras alterações

estou confiante de que vou conseguir mantê-las, em relação aos rapazes é que ainda não.

Terapeuta: Muito bem, apesar de ainda estares insegura em relação a alguns aspetos, estás

confiante em relação a outros e isso é muito importante. Vamos então imaginar que regressas à escola e passado umas semanas o teu medo começa a tornar-se real. Agora que mostras ser uma rapariga mais extrovertida e que já não se isola, os teus colegas começam a ganhar mais confiança contigo e partem para brincadeiras que são normais, mas que não te deixam tão à vontade. Embora não queiras que isso aconteça, passado um tempo começas a isolar-te de novo e a sentir-te desconfortável perto dos teus amigos. Esta é a situação que querias a todo o custo evitar, no entanto, atualmente já tens mais confiança em ti e sabes que tens de resolver

esta situação. Ao procurares algo que te ajude a sair desta situação, encontras no teu bolso um clip perdido, como é que podes resolver este problema utilizando um clip?

Paciente: (De imediato) Se começassem a falar comigo e eu não me sentisse à vontade,

pegava no clip e dizia que tinha de ir buscar umas fotocópias à reprografia.

Terapeuta: Boa, e mais?

Paciente: Podia também entrar na brincadeira e pôr o clip na cabeça dos rapazes, assim

mostrava que estava à vontade.

Terapeuta: (risos) Essa também é boa. Mais?

Paciente: Se eles tivessem a meter-se comigo e eu não soubesse o que fazer, podia deixar cair

o clip de propósito e assim, ao ter de apanhá-lo tinha algum tempo para pensar numa resposta ou arranjar uma desculpa para sair dali. Também podia mudar o assunto da conversa, para algo que estivesse relacionado com o clip, por exemplo perguntar-lhes se conseguiram copiar os apontamentos que a professora pôs no quadro ou assim.

Terapeuta: Muito bem estás a conseguir arranjar muitas soluções, consegues pensar em

mais?

Paciente: Também podia usar o clip como maneira de descarregar a tensão, tipo abrir e fechá-

lo.

Terapeuta: Boa, essa é utilizada por muita gente.

Paciente: Podia picar os rapazes e usar o clip para pôr na camisola deles. Terapeuta: Podias entrar novamente na brincadeira não é?

Paciente: Sim

Terapeuta: Lembras-te de mais alguma alternativa? Paciente: hum…. Não.

Terapeuta: Está bem, não faz mal. Conseguiste pensar em 6 alternativas diversificadas e isso

é muito bom, além disso de resolver o problema com ajuda de um objeto que não é muito usual para este tipo de situações. O que achaste do teu desempenho? Foi fácil, difícil?

Paciente: Foi fácil, as ideias surgiam-me na cabeça mais facilmente.

Terapeuta: Eu também notei que foste muito rápida e tiveste muitas ideias, achei óptimo. E

se compararmos com exercicios anteriores, como por exemplo aquele em que tinhas de usar Ketchup para ajudares a tua amiga o que achaste?

Paciente: (risos) sim esse foi mais difícil para mim, agora não foi assim. Terapeuta: Muito bem, estás a ficar especialista em resolver problemas. Paciente: (risos)

Terapeuta: E agora se olharmos para todas as opções que deste, qual te parece a melhor? Paciente: Eu acho que usava duas, aquela em que entrava na brincadeira lhe punha o clip na

cabeça e aquela em que usava o clip para libertar a ansiedade.

Terapeuta: E porquê essas duas?

Paciente: A primeira porque eu acho que se eles virem que eu estou a levar as coisas na

brincadeira é melhor, porque se pensarem que estou a levar a mal podem provocar-me mais. E a outra podia usar se falásse com alguém que não a deixasse à vontade.

Terapeuta: Ah, ok, mas isso pode acontecer com quem? Quando falares com os professores? Paciente: (risos) Não com os professores não tenho problemas. Só se falar com aquela

pessoa.

Terapeuta: Ahhhh (risos). Ok. Então quais são so benefícios que retiras de cada alternativa

escolhida?

Paciente: Então, se entrar no espírito da brincadeira não ligam tanto e com a outra liberto o stress.