Rule 16: Action by give-way vessel
2.3 Deep reinforcement learning
2.3.1 Reinforcement learning
2.3.1.2 Policies, value functions, and the Bellman equation
Na chegada da plateia, com toda a confusão de pessoas entrando e procurando seus lugares para assistirem o espetáculo, criando o ―burburinho peculiar‖ desse momento, a montagem pega a convenção e resolve dar a ela uma nova roupagem. Para o lugar dos três sinais clássicos e habituais, foram construídas três cenas para as quais três músicas foram compostas e três vídeos produzidos. Desta forma, cada uma das três cenas, com um vídeo e com a trilha composta para ela, passa a funcionar como um sinal.
Com suas cenas-sinais, O Coletivo pretendeu universalizar a discussão sobre os temas que no espetáculo são abordados a partir do plano/visão pessoal da personagem. O objetivo era evidenciar o mundo de hoje, as tecnologias, a Internet, as drogas, as guerras, mas também o amor.
As junções contraditórias de algumas imagens no vídeo dão um ar bastante irônico aos sinais, afinal ver uma propaganda da Coca-Cola em Serra Pelada é diferente de vê-la no Piccadilly Circus em Londres. Da mesma forma, a apresentação de personalidades políticas internacionais, misturadas a imagens de terroristas pode-se tornar uma sequencia irônica a partir da reflexão sobre as relações de poder estabelecidas entre estas pessoas e que poderia, por exemplo, levar a pensar no ex-presidente Bush como alguém que, em diversos lugares do mundo, é tido como algo pior que um terrorista, enfim, a isso chamo de junção contraditória. As projeções são divididas em três blocos:
1. Rock - O primeiro é aberto pelo vídeo do rock and roll, com várias imagens de ícones da música, os posers45. Interessava ali, mostrar as referências para a
construção da trilha e, até mesmo, de cenas do espetáculo. Como já dito, a música é uma referência fortíssima no livro da Clarah e acabou se tornando quase uma guia no espetáculo. Além do exposto, era preciso justificar a questão de estilos e, portanto, com esse primeiro sinal são definidas as diferentes gerações da música pop que influenciaram a equipe no processo de montagem.
2. Sexo - Esse talvez seja um dos temas centrais da personagem. Ela está sempre correndo atrás de uma grande paixão e, durante o espetáculo, várias situações de encontros são mostradas. Há o sexo pelo sexo, mas há também o sexo por amor. O espetáculo optou por não utilizar o sexo em cena, preferindo sempre estilizar as cenas de sexo, mas nesse vídeo queríamos que fosse sem máscaras, real, como vemos todos os dias, às vezes até sem querer. Cenas de sexo explícito se misturam a cenas clássicas de amor, recolhidas de grandes clássicos do cinema.
3. Tempos modernos - Aqui a intenção era de representar o mundo Hi-Tech, a modernidade; o excesso de informação; a correria da vida cotidiana; a loucura das bolsas de valores, das guerras ou mesmo da Internet. É um momento de explosões em todos os sentidos. Um momento no qual há quase uma reverência às marcas da modernidade como a Apple, a Microsoft ou a Coca-Cola, além de ser um momento durante o qual se trabalha um jogo com imagens de alguns ícones da nossa sociedade em contraposição, como, por exemplo, George Bush, Bin Laden, Saddam Hussein, Ronald Mac Donald, Bill Gates e, ainda, Gisele Bündchen ou Dercy Gonçalves.
Foi importante que ficasse claro para o espectador que esse lugar de enunciação atualizado é de fundamental importância na construção de um entendimento de certas dinâmicas da personagem e também da cena, que estão, como se diz no jargão tecnológico, extremamente ―antenadas‖
45
Os posers surgiram com o movimento do Glam Rock, estilo criado na Inglaterra, que foi marcado pelos trajes e performances com muitos cílios postiços, purpurinas, saltos altos, batons, lantejoulas, paetês e trajes elétricos dos
cantores. Eram os tempos da androginia e do glamour e suas músicas agitadas de rock n‘ roll esbanjavam energia
sexual. O exemplo mais famoso é David Bowie durante a fase de Ziggy Stardust e Aladdin Sane, de quem utilizamos uma canção na trilha do espetáculo.
neste mundo contemporâneo, e que isso gera momentos internos e movimentos que são evidentemente uma repercussão do caos atual.
O bloco dos sinais termina, com um texto dito pelos três atores, pedindo a não ilusão do público, reforçando o teatral que há ali.
É tudo uma grande farsa. Parece assim, grande coisa, mas no fim sou eu sozinha juntando uma pilha de tralhas no chão com as costas doendo e cinza por dentro. Sempre tudo uma grande farsa. É até engraçado e ridículo querer acreditar em outra coisa qualquer, engraçado provocador de uma risada daquelas cheias de ar, a irritação crescendo, irritação comigo por esperar qualquer coisa, não é assim, nunca foi para ser assim, sempre foi para ser só eu. E agora, quando acordo, lembro que sonhei com um passado remoto e também ridículo, outra farsa, nada nunca existiu senão dentro da minha cabeça. Eu mesma às vezes acho que não existo fora dela, fora destas paredes, fora desta tela e disso que eu não escolhi, mas que agora sou eu. Tudo uma grande farsa com uma grande fuga, um gran
finale e uma nova apresentação amanhã, uma farsa tão real que ninguém, nem eu,
sabe mais como sair dela com vida.46
Figura 3 – Detalhe de inserção do vídeo na cena dos sinais. Fonte: Foto de Marco Aurélio Prates, arquivo de O Coletivo.
46 Trecho do texto dramático Máquina de Pinball, que foi escrito por Clarah Averbuck para integrar o programa do