2.6 Research on extramural English
2.6.1 Playing digital games as an EE activity
A natureza construtivo-intepretativa do conhecimento e a característica processual e dialógica que caracterizam a pesquisa na Epistemologia Qualitativa implicam um novo entendimento sobre a natureza e a função dos instrumentos de pesquisa. Em contraposição a uma visão instrumentalista da pesquisa científica, reificadora da resposta enquanto dado empírico e do instrumento de pesquisa neutro, padrão e despersonalizado do pesquisador, os instrumentos de pesquisa, na Epistemologia Qualitativa, são tomados como indutores de expressão subjetiva no processo da relação entre pesquisador e participante. (GONZÁLEZ REY, 2005b)
Conforme já apontado, para González Rey (1999b, p.84), “o instrumento é uma ferramenta interativa, não uma via objetiva geradora de resultados capazes de refletir diretamente a natureza do estudado, independentemente do pesquisador”. Nesta perspectiva metodológica, os instrumentos de pesquisa, como vias de expressão e comunicação, permitem a experiência de momentos singulares da relação pesquisador-participante, refletem a processualidade dessa relação e integram-se aos eixos de reflexão do pesquisador no contexto dessa relação. Um mesmo instrumento pode, assim, ser utilizado em diferentes momentos e produzir diferentes informações que serão interpretadas a partir dos caminhos da construção teórica do pesquisador.
A Epistemologia Qualitativa requer o processo da relação pesquisador-participante e requer, igualmente, o levantamento de uma ampla rede de informações com base na qual o
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pesquisador tecerá suas hipóteses e desenhará seu modelo teórico. Essa construção teórica é
tramada a partir dos estados emocionais e das relações entre o dito e o não-dito, o expresso e o
não-expresso, o entendido e o subentendido que perpassam os diferentes momentos interativos, propiciados pelos instrumentos da pesquisa.
No processo da pesquisa, buscamos, assim, assumir as características próprias desta perspectiva metodológica com relação à multiplicidade, à dinamicidade e à abertura dos instrumentos de pesquisa. Após as observações no contexto do Projeto, realizamos os instrumentos individuais e as observações no contexto formal. No decorrer da pesquisa, consideramos mudanças no plano previsto, retomando, por exemplo, o uso de informações de instrumentos prévios para iniciar as conversas nos momentos dos instrumentos seguintes e em momentos informais.
No curso da pesquisa, optamos, pelos seguintes instrumentos:
Entrevistas como processo
Compreendendo a natureza relacional da pesquisa na Epistemologia Qualitativa, tomamos as entrevistas não como momentos de levantamento de dados que compõem em si conteúdos de análise, mas como momentos de promoção de expressão subjetiva do participante que, ao serem analisados e interpretados pelo pesquisador em seu caráter processual, produzem as informações para a pesquisa. Nesse sentido, a qualidade das informações das entrevistas corresponde ao processo próprio da dinâmica relacional entre o pesquisador e o entrevistado, não só no processo de uma entrevista em si, como no curso das interações e entrevistas no decorrer da pesquisa. As informações levantadas pelas entrevistas não são, assim, analisadas de forma estática e independente; são analisadas como processo, a partir de entrecruzamentos de informações dos diferentes momentos a partir dos quais emergiram. Optamos por realizar quatro entrevistas semiestruturadas em momentos posteriores ao Projeto e comuns às três participantes selecionadas:
o Entrevista semi-estruturada I: teve como principais eixos a história de vida, a relação com a família e com os amigos, hobbies, interesses e planos para o futuro (APÊNDICE B).
o Entrevista semi-estruturada II: teve como principais eixos a história de vida escolar, a relação com professores e colegas, a significação da educação escolar e da aprendizagem, a relação com o sistema avaliativo (APÊNDICE C).
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o Entrevista semi-estruturada III: teve como eixo temático o uso de estratégias de aprendizagem (CABANACH et al, 2002) no contexto escolar (APÊNDICE E). o Entrevista semi-estruturada IV: com auxílio do portfólio do Projeto de educação
não-formal elaborado pela própria participante, teve como eixos a motivação para a participação no Projeto, lembranças, momentos marcantes, e aprendizagens no Projeto (APÊNDICE F).
Instrumentos apoiados em indutores escritos
Segundo González Rey, um dos principais objetivos dos instrumentos escritos é “facilitar expressões do sujeito que se complementem entre si, permitindo-nos uma construção, o mais ampla possível, dos sentidos subjetivos e dos processos simbólico-emocionais diversos que caracterizam as configurações subjetivas do estudado” (pg.51). Para nossa pesquisa, optamos pelos seguintes instrumentos:
COMPLETAMENTO DE FRASES: instrumento adaptado a partir de proposta de González Rey (1999b, 2005b), no qual indutores curtos são apresentados em formas de frases inacabadas para o participante completar (APÊNDICE D). Relacionados a questões gerais, ou a atividade, experiências ou pessoas na vida do participante, a quantidade e a frequência desses indutores permitem o deslocamento rápido do participante de um para o outro, favorecendo a expressão de sentidos subjetivos diversos. Conforme González Rey (2005b, pg.58) coloca,
as frases que formam o instrumento não definem seu valor pelo seu conteúdo explícito, pois mediante cada frase, cada sujeito pode expressar com independência, sentidos subjetivos muito diferentes daqueles que tais frases explicitamente sugerem.
O completamento de frases pode favorecer a construção de hipóteses sobre as configurações subjetivas do participante que deverão ser aprofundadas e enriquecidas ao longo do processo da pesquisa, no cruzamento das informações com os demais instrumentos (APÊNDICE D).
REDAÇÃO: Para a pesquisa, a redação propôs o indutor temático sobre o tema da saúde, por sua centralidade no Projeto, e políticas públicas. Neste instrumento, apresentou-se o seguinte comando (APÊNDICE G):
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Considerando suas aprendizagens sobre saúde no Projeto e a polêmica sobre o Programa Mais Médicos, descrita no parágrafo abaixo, escreva suas reflexões sobre o seguinte tema:
A recente polêmica em torno da vinda de médicos estrangeiros para o país reacendeu uma antiga e vasta discussão: os desafios da saúde pública no Brasil. Falta de médicos em regiões afastadas em contraponto à intensa concentração nas grandes cidades, ausência de estrutura nos hospitais da rede pública, além da dificuldade em conseguir atendimento no SUS são alguns dos inúmeros problemas que atingem os brasileiros diariamente. Mas quais caminhos nosso país deve percorrer para conseguir alterar essa realidade no Brasil?.
A redação teve por objetivos (1) verificar aprendizados no Projeto com relação à conceitualização de saúde e (2) caracterizar o aluno em processos de autoria e personalização da informação que indiretamente expressam seu grau de compromisso e envolvimento reflexivo com o tema, indicando a produção de sentidos subjetivos sobre este. Nesta dimensão, a redação não é avaliada por seu conteúdo explícito, mas sim, pelos possíveis indicadores de sentido subjetivo que a narração pode oferecer (GONZÁLEZ REY, 2005b).
Observação
Compreendemos que a observação nos permite identificar comportamentos intencionais e não intencionais do participante nos espaços sociais em que se encontra que poderão ser relevantes no cruzamento com outras informações obtidas de outros instrumentos. Em nossa pesquisa, a observação aconteceu nos espaços envolvidos no tema da pesquisa: nos espaços da ação não-formal e no espaço escolar.
Nos espaços da ação não-formal, a observação contemplou, igualmente, o comportamento do participante com relação às relações sociais, com monitores e colegas, assim como suas participações. Buscamos roteirizá-la, a partir de três eixos:
(1) Com relação ao espaço e aos recursos. Onde se coloca com relação ao objeto e ao monitor; que recursos utiliza (caderno de anotações, câmera fotográfica, celular, Ipad, etc).
(2) Com relação às relações sociais. Como se relaciona com monitores; como se relaciona com colegas.
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(3) Com relação às participações. Grau de atenção; motivação para a realização das atividades; realização de perguntas interessantes e originais; posicionamentos e intervenções.
De forma a conhecer a trajetória do participante em outros contextos de aprendizagem, visando a produção de informações de possível relevância para a caracterização da subjetividade individual do participante, a pesquisa julgou pertinente a observação do participante no espaço escolar. Neste espaço, a observação igualmente contemplou o comportamento do participante tendo em vista as relações sociais, com professores e colegas, assim como à qualidade das participações nas aulas.
Análise documental
No processo de pesquisa, realizamos a análise documental em materiais diversos, com os objetivos de obtenção de informações sobre aspectos da vida acadêmica das participantes e análise de elementos indicadores de criatividade na aprendizagem:
o No projeto de educação não-formal:
o diário de bordo do Projeto: bloco de notas oferecido a todos os participantes para anotações de conteúdos e impressões de aprendizagem no decorrer dos encontros do Projeto;
o portfólio do Projeto: documento solicitado a cada participante, ao final do Projeto, que consistiu, no caso das três participantes, em uma pasta com os registros pessoais, fotos e materiais dos momentos do Projeto por ordem cronológica;
as produções da aluna nas dinâmicas realizadas.
Pelos mesmos motivos descritos no instrumento de observação, consideramos igualmente pertinente a análise de materiais relacionados à escola e às interações sociais mais gerais. Entre eles:
o Na escola: boletins de notas, cadernos, livros;
o (No caso de Camile): o caderno da universidade e a caderneta utilizada no movimento social do qual participava;
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O Sistema Conversacional (inerente à pesquisa na Epistemologia Qualitativa)
Considerando o processo relacional que caracteriza esse tipo de pesquisa, assumimos a conversação, não como um instrumento específico, mas sob uma perspectiva mais ampla, como o sistema conversacional que se desenvolve com o amadurecimento da relação pesquisador- participante. Nesse sentido, ao longo de toda a pesquisa, estivemos atentos aos momentos de diálogos informais como importantes oportunidades para o desenvolvimento de um clima natural e espontâneo na relação pesquisador-participante, propício à pesquisa porque facilitador da expressão subjetiva. Ressaltamos, em nosso processo de construção teórica, a quantidade e a relevância das informações oportunizadas nesses momentos informais.
A tabela a seguir oferece uma sistematização dos instrumentos de pesquisa com relação aos objetivos geral e específicos do estudo e ao cronograma programático do estudo. Por tudo que até o momento foi explicitado em relação ao arcabouço teórico-epistemológico adotado, tal sistematização se constitui apenas em um esforço didático explicativo sobre o conjunto de instrumentos que foram caracterizando os momentos da pesquisa. No processo real da pesquisa, instrumentos e objetivos sobrepuseram-se de forma não tão definida e ordenada. Na prática, os momentos de interação do pesquisador com os sujeitos de pesquisa constituíram fontes de informações para reflexões do pesquisador relacionadas a quaisquer um dos objetivos da pesquisa.
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Objetivos Específicos da Pesquisa Instrumentos Apêndices Período de realização
Selecionar alunos com expressões de elementos de criatividade na
aprendizagem em contexto formal ou não-formal
1. Observação dos participantes no decorrer do curso de capacitação
24/05/2013: Encontro de Sistematização dos Módulos anteriores do Curso
03/06/2013: Encontro sobre Ferramentas de Diálogo/DRP 05/06/2013: Encontro sobre Ferramentas de Diálogo/DRP 07/06/2013: Encontro sobre Ferramentas de Diálogo/DRP 10/06/2013: Encontro sobre Ferramentas de Diálogo/DRP 13/06/2013: Encontro sobre Ferramentas de Diálogo/DRP 2. Entrevista semi-estruturada de
apresentação do projeto com monitores da Ação Educativa Não- formal
APÊNDICE A 03/06/2013: Encontro com Regina
11/06/2013: Encontro com Isabela e Fernando
3. Observação dos participantes durante a aplicação das “Técnicas de
Diagnóstico Rápido Participativo – DRP”
17/06/2013: Encontro Aplicação do DRP – Escola 1 18/06/2013: Encontro Aplicação do DRP – Escola 1 20/06/2013: Encontro Aplicação do DRP – Escola 2 20/06/2013: Encontro Aplicação do DRP – Escola 3 21/06/2013: Encontro Aplicação do DRP – Escola 3 4. Observação dos participantes nos
encontros:
– de preparação para o Fórum; – do Fórum Científico;
– de avaliação do Curso de Capacitação;
– de avaliação do Projeto por uma equipe externa.
Junho ~ Agosto / 2013
02/08/2013: Encontro Planejamento e Análise dos Dados 05/08/2013: Encontro Escola 1
05/08/2013: Encontro Escola 1 06/08/2013: Encontro Escola 2
12/08/2013: Preparação Fórum Científico 13/08/2013: Preparação Fórum Científico 14/08/2013: Preparação Fórum Científico 20/08/2013: Ensaio Geral
22/08/2013: Forum Científico Final 23/08/2013: Forum Científico Final
--/08/2013: Avaliação Curso de Capacitação --/08/2013: Avaliação do Projeto
Caracterizar a configuração subjetiva da ação do aprender da participante no contexto não-formal
5. Entrevista semi-estruturada I APÊNDICE B Setembro/2013 6. Entrevista semi-estruturada II APÊNDICE C Setembro/2013
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Analisar formas de expressão da aprendizagem criativa no contexto não-formal em suas inter-relações com a configuração subjetiva da ação do aprender produzida neste
contexto.
8. Observações realizadas na etapa de seleção
9. Entrevista semi-estruturada III APÊNDICE G Outubro/2013 10. Entrevista semi-estruturada IV (com
auxílio de fotos)
APÊNDICE H Dezembro / 2013 11. Diário reflexivo de aprendizagem e
Porfólio do Projeto
Setembro~Dezembro/2013
12. Redação APÊNDICE I Novembro / 2013
13. Observações nas escolas Setembro/2013
14. Análise do caderno/material do aluno Setembro~Dezembro/2013
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