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Planteplanktonsamfunnet i Ytre Oslofjord 2016

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A nossa entrevista com Maria de Cher foi a mais curta dentre todas. Porém, mesmo assim, trouxe certas informações inéditas, não relatadas pelas outras três professoras. Inclusive para essa entrevista em específico não foi possível arrumar um local adequado e reservado, restando para nós a opção de conversar com a mesma no alpendre da sua casa e na presença de seu esposo e várias outras pessoas, inclusive a de Fátima Pessoa. Então, para evitarmos interferências na entrevista, pedimos a todos que falassem o mínimo possível, salvo para lembrar alguma data ou nome.

Outra peculiaridade dessa entrevista é que Maria foi, de longe, a entrevista mais animada, no sentido que ela contava tudo rindo, alegre, como se estivesse a contar uma anedota. Não é tão direta como Fátima Pessoa nem detalhada como Tiene de Zito, mas sua maneira divertida de contar sua história como professora leiga não é menos pertinente, até mesmo porque ela mesma coloca que sempre usou a alegria em sala de aula. Interrogada sobre como fazia para os alunos não saírem da aula, ela nos coloca que

[...] eu também não achava bom gente judiar, mas tinha pramatória, mas nunca dei pramatória em aluno nenhum meu não, graças a Deus. Tinha gente que dizia ‘dá uma dúzia, bem quente’, e dizia era isso, quando era dia de agrumento. Botei de joelho também não [começa a rir alto]. Eu não vou dizer que botei, sem ter botado! Botei não, nem milho nem nada. Era só pegando e dizendo ‘venha sentar, venha sentar aqui, porque senão eu vou deixar você em casa’. E fazia graça pra ver eles ficava parando de bagunça. (ENTREVISTA COM MARIA DE CHER, 25/07/2017)

É a única professora a nos fornecer esse tipo de relato. É bastante curioso observar que, na década de 1970, uma professora fizesse graça a fim de combater a indisciplina em sala de aula, recurso esse que, muitas décadas depois, diversos professores usam para tentar manter um pouco de atenção dos alunos durante suas exposições de conteúdo.

Por outro lado, Maria de Cher é a professora de quem dispomos menos informações. Sabemos que ela foi registrada como Maria Pessoa de Araújo, com nome de solteira de Maria Pessoa de Moura. Assim, sua família, antes do casamento, se aproxima da família do esposo de Juciene de Deto, o qual também é dos Moura. Porém, em nossa conversa informal antes da entrevista, ela nos relatou o nome de seis filhos, a saber, Régia, Cícera, Wendel, Wildson, Jocelma e Renata. Como todo nome nessa região, não sabemos se esses são nomes registrados ou apenas apelidos.

O seu jeito alegre e animado é o mesmo de seu esposo, Cher, o qual permanece próximo a ela em todo o tempo da entrevista, sempre lembrando-a de alguma informação ou dando detalhes em separado dos seus relatos (os quais não foram transcritos). Maria foi a única, dentre todas as professoras, que teve filhas seguindo na carreira do magistério, e a única dentre as professoras leigas dos anos 1970 que teve filhos ingressando na educação superior. Uma de suas filhas, inclusive, é professora efetiva da rede pública municipal de Lavras. Sobre esse assunto, ela nos coloca que

Eu to achando que tá mais difícil, porque eles tão muito, sei lá, com essa revolução que tem, celular, essas coisa, internet, aí os menino fica muito distraído, que eu vejo Régia [filha que é também professora] dizer ‘meu filho, você não tá vendo não eu expricando não?’ ‘Ah tava vendo não, tava

vendo nada não’. Tava em celular. Nesse tempo não tinha celular, não tinha distração, não tinha de jeito nenhum. E Cícera agora tá ensinando também. Duas filha. Régia já dá ao nono ano, e a sétima, e a oitava. Ele é português, Régia, graças a Deus. Aí agora Renata fez faculdade pra administração já foi outro ramo, mas ela também ensina. Às vezes o povo chama ela e gosta de ela ensinar, diz que acha bom as aula que ela dá. (ENTREVISTA COM MARIA DE CHER, 25/07/2017)

Será que a didática bastante peculiar de Maria tenha inspirado as filhas a seguir a mesma carreira? Para isso seria necessário entrevistas as mesmas, as quais não estavam presentes naquela ocasião. Mas nos mostra que a condução da sala de aula não era unívoca, nem seguia padrão único para todas as professoras.

Em relação às dificuldades, apenas Maria de Cher nos relata os atrasos que aconteciam no pagamento de salário das professoras leigas: “De Chico a Carlos de Olavo ficou 5 mês devendo a nóis. Pra fazer a feira ele tinha que vender o arroz, pra poder fazer feira. Eles [comerciantes] entendiam porque nóis comprava, mas não comprava muito também.” Essa informação fortalece a ideia de que o salário de professora não só era insuficiente para sustentar uma família, mas também seus atrasos dificultavam ainda mais a dependência em relação ao mesmo. Era quase um bônus, um complemento de renda, que nem de longe era a principal receita da família.

Além disso, outra peculiaridade é que ela trabalhou como professora leiga até o fim da sua carreira, de modo que em nenhum momento, conforme seu relato, foi deslocada para exercer outras funções que não fossem pedagógicas, exercendo sua função por cerca de 25 anos, desde 1968 até 1992. Cronologicamente, seu relato é uma espécie de meio-termo entre os de Fátima Pessoa e Tiene de Zito (que iniciaram o período do magistério leigo no Sítio Oitis) e Juciene de Deto, a única das professoras leigas que chegou à profissionalização plena e atuou até o ano de 2002.

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