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Planprosessen og organisering av arbeidet med konseptstudien

E determinado momento de sua produção científica, Dreifuss passa a focar o processo de transformação social que surge a partir dos avanços científico-tecnológicos e sua incorporação quase imediata ao setor produtivo, cuja aceleração se intensifica na última década do século XX. Tal processo é liderado pelas corporações estratégicas, cujo “estado-maior”, ou núcleo de inteligência estaria centrado nos países de economia avançada.

As modificações de âmbito transnacional estariam, segundo ele, interligadas a partir de três eixos fundamentais:

a) a mundialização de hábitos e costumes; b) a globalização econômica e produtiva e; c) a planetarização das novas formas de governança e tratamento do político no âmbito dos Estados nacionais.

Estes três megaprocessos estariam pautados por cadeias regionais de produção e macromercados de consumo denominados por Dreifuss de “tecnobergs”. O neologismo remete a verdadeiras “montanhas” tecnológicas que indicam o alto grau de

concentração e oligopolarização do controle do conhecimento científico- tecnológico, dos meios de produção e de consumo. O termo remete, também, às novas formas de colaboração, cooperação competitiva e dos conflitos que se estabelecem entre as nações.

O fenômeno da mundialização “lida com mentalidades, hábitos e padrões; com estilos de comportamento, usos e costumes, com saberes e postulados, e se refere a modos de vida, criando denominadores comuns nas preferências de consumo das mais diversas índoles”.40

Diz respeito, portanto, a aspectos socioculturais, embora transborde também para a economia e para a política.

Com relação à globalização, vertente mais conhecida e explorada do processo todo, assevera que:

“diversos fenômenos e variados conjuntos de processos pertencentes ao ‘âmbito’ da economia (pesquisa científica, desenvolvimento e aplicação tecnológica, finanças, produção, administração, comercialização, dinâmica e uso das facilidades naturais e dos recursos humanos), que se desdobram na sociedade, se expressam na cultura e marcam a política, condicionando

gestão e governança nacional”.41

                                                                                                                         

40

DREIFUSS, Renê. Tendências da globalização. Revista Tempo Brasileiro. Rio de Janeiro, n. 139, out.-dez. 1999, p. 99-100.

Sendo assim, a globalização é potencializada pelas transformações científico-tecnológicas que foram possíveis a partir dos avanços da informática da microeletrônica e eletrônica digital; da eletrônica de concepção, produção em consumo; da informática; das telecomunicações; da automação; e da robótica, com sua rápida introdução nos processos produtivos e no setor de serviços.

Estes aspectos são dominados e desenvolvidos pelas corporações estratégicas com decisivo apoio estatal dos países desenvolvidos.

A globalização integra sistemas de pesquisa científica e sistemas de aplicação tecnológica nas áreas do conhecimento acima mencionadas e, por outro lado, impõe modificações na forma de gerenciamento das empresas, na maneira como circulam as mercadorias, nos diversos modos de troca de informações, monitoramento, comunicação intra e interempresariais e na “governança estatal”.

Ela determina, assim, a força das

transformações trazidas pela revolução científico-tecnológica e dos sistemas digitais em relação ao mundo industrial e mecânico, ou seja, marca o início de um novo modo de produzir bens de consumo, gerir empresas e consumir produtos.

Dreifuss completa o sentido deste grande processo que denomina de planetarização, configurado:

“e sustentado por ação de estados capazes de projeção de poder (agindo como pivôs político-estratégicos e

político-culturais) desenhando continentalizações e

regionalizações político-estratégicas, assim como por movimentos privados, de elites orgânicas transnacionais, mapeando um planeta marcado pela transfronteirização e transestatalidade decisória”.42

À vista disso, o autor antevê a formação de uma

comunidade política planetária, por meio de mecanismos institucionais

supranacionais e exigindo dos Estados nacionais preparo suficiente para agir como pivôs político-estratégicos destas transformações.

O escritor também atenta para o fato de que esse processo de formação de uma comunidade política planetária privilegiará, de fato, países indicados como formadores da “Tríade” (Estados Unidos-Canadá, Europa Ocidental e Japão) e algumas “Díades” (China e sua comunidade ultramarina; Rússia junto à Comunidade de Estados Independentes e Índia com sua diáspora) “como centros produtores dinâmicos no novo arranjo de forças (consolidando seus parques científico-produtivos integrados de ponta) e estipulando novas regras e modalidades para o comércio internacional”.43

Retornando à globalização, o autor assevera que ela também se apresenta pela concentração oligopólica e pela

                                                                                                                         

42 Idem, p. 105. 43 Idem, p. 120.

acumulação em um processo guiado pelas grandes corporações estratégicas e seus conglomerados.

O Estado-nação, fundado nas bases

novecentistas perde sua força, mas paradoxalmente, a mundialização e a globalização só são possíveis por conta de intensa intervenção estatal que garante mercados, incentiva a pesquisa industrial e a inovação tecnológica e regula as transações comerciais entre outras ações, além de garantir, por exemplo, o direito de propriedade imaterial.

Já as corporações estratégicas trabalham com a montagem de estruturas internas desses países dentro de suas “bandeiras nacionais”, uma vez que os Estados não têm dentro de suas estruturas de planejamento e investimento, possibilidade de criar iniciativas, incentivos favoráveis às corporações cujas matrizes seguem em outros países.

Assim, a globalização atua de modo

contraditório em relação à produção externa, posto que se desenvolve por meio, não da distribuição igualitária, mas pela concentração do conhecimento e pela administração oligopólica e política do mercado.

O desemprego estrutural dos países é, também, transnacionalizado pelos modelos empreendidos pelas corporações estratégicas, no que concerne aos países da Tríade e das Díades que estão na ponta dos três processos acima mencionados.

A questão do emprego a partir desse momento não é mais a mesma por conta do processo de “racionalização” promovido pela revolução científico-tecnológica e pelo desenvolvimento de novas formas e forças produtivas e, sobretudo, por causa das técnicas de gestão empresarial que introduzem novos modelos de produção e induzem ao desemprego e desocupação de postos de trabalho.44

Neste contexto, as elites orgânicas aparecem como coadjuvantes nos processos de alinhamento dos mercados aos padrões transnacionais, mas ainda possuem importância decisiva por manejarem as novas tecnologias de informação e telecomunicação, tal como por participarem do setor de transportes internacionais, de modo a ampliar seu poder e atuação em escala planetária, visando contornar a ação de Estados e governos, bem como expandir a formação do pensamento neoliberal unificado.

As elites patrocinam mudanças organizacionais e apontam a necessidade de novas abordagens interpretativas para entender, segundo Dreifuss, os “estados maiores” de aspecto macropolíticos, de ação econômica, financeira e tecnológica transnacional.

                                                                                                                         

44 Santander e Citi fazem demissões no Brasil. Disponível em:

[http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRSPE8B408A20121205]. Notícia de: 5 de dezembro de 2012.