Outra forma de inserir o IFRN como uma instituição no rol das que são detentoras de qualidade, aceites pela comunidade, é quanto as avaliações realizadas por entidade vinculada ao MEC, como o INEP, realiza tanto do Exame Nacional do
Ensino Médio (ENEM)5 e, quanto, do Exame Nacional do Desempenho de Estudantes
(ENADE); esta última avalia, através do “provão”, o rendimento dos alunos dos cursos de graduação, ingressantes e concluintes.
O ENEM avalia os alunos dos cursos integrados no IFRN, inclusive os da Diretoria de Indústria (que oferta os cursos de Mecânica, Eletrotécnica e Petróleo e Gás). É bom relembrar, segundo nas palavras do atual diretor da DIACIN, que no ano de 2015 o curso Técnico Integrado de Mecânica, dentre 32 alunos apenas 4 não obtiveram classificações suficientes para ingressarem numa universidade. Enquanto os alunos do curso integrado de Eletrotécnica, de 30 alunos submetidos ao exame,
5 Criado em 1998, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tem o objetivo de avaliar o desempenho do estudante ao fim da escolaridade básica. Podem participar do exame alunos que estão concluindo ou que já concluíram o ensino médio em anos anteriores. O Enem é utilizado como critério de seleção para os estudantes que pretendem concorrer a uma bolsa no Programa Universidade para Todos (ProUni). Além disso, cerca de 500 universidades já usam o resultado do exame como critério de seleção para o ingresso no ensino superior, seja complementando ou substituindo o vestibular. Disponível em http://portal.mec.gov.br/enem-sp-2094708791
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somente 2 deles não alcançaram a classificação exigida para ingressarem no nível superior. São exames que nos remetem aos indicadores de qualidade divulgados na mídia, que, de qualquer forma elevam o IFRN no cenário dos rankings das escolas em geral, com projeção midiática. Quanto ao ENADE 2016, referente a avaliação dos cursos de nível superior, onde o Campus Natal Central (CNAT) obteve a nota 3,62, sendo a escala de aferição é de 0 a 5. Com esta nota alcançada, o IFRN foi recredenciado pela comissão do Ministério da Educação brasileiro, para o ensino superior, com nota 4. Como o IFRN se projeta em determinadas posições e é reconhecido pela sociedade norte-rio-grandense, procurada pelos estudantes para ingressarem nos seus cursos; porém a oferta de vagas não comporta a demanda, satisfazendo o total dos que almejam matrículas, para tanto seu ingresso se dar via exame de seleção. Com isso, vale citarmos que existem várias entidades escolares com formação ou educação não formal, ditos “cursinhos” (Explicações), que são cursos preparatórios, reforços, para instruírem os alunos a ter sucesso no exame de seleção (Kovács, 2006). Tais aulas preparatórias para os futuros estudantes ingressarem no IFRN, são ofertadas tanto pela iniciativa privada, como também, até por parte de governante (prefeito) do poder municipal. Isto vem corroborar a importância pela procura desta instituição, que se dá pela qualidade existente e divulgada largamente. Ver figura 1, divulgação em jornal impresso (e online), de maior circulação do Estado do Rio Grande do Norte, com nota pública do gestor da cidade do Natal (da Prefeitura Municipal do Natal), por intermédio da Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social, ofertando tal curso, disponibilizando professores, aulas, e material didático aos jovens carentes, gratuitamente, residentes na zona Norte da cidade, em conglomerados de bairros com população de renda média baixa (Lahire, 2004).
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Figura 1 - Anúncio de curso preparatório para o exame do IFRN.
Fonte: Jornal Tribuna do Norte, 10/04/20196.
O ranking das escolas, hoje, uma febre geral, cada uma das escolas buscando seu espaço com divulgação de determinada posição entre as demais. A competição entre escolas, até mesmo entre alunos, num mesmo estabelecimento de ensino, hoje, é uma praxe que atinge a todos, principalmente, as famílias buscando a melhor escola para os seus filhos. O ranking, a competição nos moldes meritocráticos tem tido opiniões controversas de educadores, e é visto como algo que foge dos princípios da educação. Como argumenta Lima:
“Neste sentido vêm apontando as críticas de muitos autores, de entre as quais as do já referido Stephen Ball (Ibid.: 126) que realça «a crescente colonização da política educacional pelos imperativos da economia», e também as de Peter McLaren (1999: 90) que a propósito observa: «Vagarosa, mas seguramente, a
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educação tem sido reduzida a um subsector da economia […]». A economia, e não a pedagogia, constitui a partir de agora a principal base de legitimação das decisões de política educativa, razão pela qual os valores do mercado competitivo e do privado como política pública passaram a imperar” (Lima, 2005, p. 72).
Para tanto, reforçando o que a autora Barbosa (2006) analisou o contexto que se dar a mudança na política do Estado, esclarece:
“Do ponto de vista político e social, o discurso neoliberal pôs em xeque os valores associados não só ao Estado de Bem-Estar, mas também ao tipo de homem que ele criou: reativo, acomodado, esperando do estado e da sociedade a solução de seus problemas, despreocupado de onde vem seu salário. Este tipo social representa a antítese do personagem que deve encarar os princípios da meritocracia: autônomo, competitivo, empreendedor, criativo, esforçado, tendo o trabalho como valor central de sua existência” (Barbosa, 2006, p. 22).
Neste contexto do neoliberalismo vemos inserido na Organização Didática do IFRN, no Capítulo II, dos registros acadêmicos, art. 182, inciso XV, valores da meritocracia como: Premiação e condecorações.
No IFRN, na solenidade de diplomação, ainda se louva o aluno mais pontuado da turma com a comenda de laureado. Assim como enaltece o melhor aluno, também procuram destacar tal escola pela qualidade, modismo antes só usado pela mídia independente, que agora chega à escola, e esta procura também divulgar seus pontos positivos conquistados através dos seus meios de comunicação, em busca dos melhores alunos por meio da seleção, concorrência, ou de outras formas, por ser a instituição pública, que adotou o sistema de cotas7 para ingresso, dando satisfação à
sociedade pelos investimentos que o governo disponibiliza através dos orçamentos financeiros (Carvalho, 1999).
7 No dia 11 de outubro de 2012, foram publicados o Decreto 7.824 e a Portaria Normativa 18, que regulamenta a Lei de Cotas (Lei
12.711, de 29 de agosto de 2012). A partir dessa publicação, as universidades federais e as instituições federais de educação profissional e tecnológica deverão aplicar reservas de vagas de, no mínimo, 50% para alunos oriundos de escolas públicas nos processos seletivos que realizarem, reservando, ainda, cotas para pretos, pardos e indígenas e para estudantes com renda familiar bruta de até 1,5 salário-mínimo por pessoa. Disponível em https://portal.ifrn.edu.br/campus/reitoria/noticias/entenda-a-lei-de- cotas-e-como-ficarao-os-processos-seletivos-do-ifrn-1
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Com objetivo demonstrativo de demais ocorrências do uso da mídia relacionada com concorrência, ranking, divulgação, como exemplo o que temos na Cidade do Natal, mostramos alguns painéis propagandísticos de escolas privadas e públicas (ensino gratuito), expostos em vias públicas, sobre os seus feitos sucessos no mundo da competição, desde as que apresentam menor estrutura física, fachadas, até as grandes instituições de ensino. Como se pode observar na figura 2.
Figura 2 - Escola particular, no bairro de Nova Descoberta, Cidade do Natal/RN.
Fonte: o autor (2019)
A figura 2, fachada de uma escola em via pública, perceptivelmente com infraestrutura de porte pequeno à média (se comparar com o CNAT/IFRN), porém da iniciativa privada, localizada em bairro da cidade com habitantes de classe social média baixa8, mostrando a divulgação de um dos seus alunos aprovado na UFRN,
universidade pública, gratuita, conceituada de Natal e bastante concorrida.
Essa escola segue a tendência da mídia, para o transeunte que passa e ver a propaganda, embora se refira a um único aluno que obteve êxito no exame. Fica subentendido que no mundo da competição, do melhor aluno, quer mostrar que a própria escola prepara para o nível escolar superior e, com isso, tem uma equipe de
8 Considerando o poder aquisitivo das necessidades básicas, os habitantes do bairro, a maior parcela tem 32,01% com rendimento com mais 1 a 3 salários mínimos; sem rendimento 3,70%; 17,80% com até um salário mínimo e apenas 8,42% com mais de 20 SM. Recuperado de http://www.natal.rn.gov.br/bvn/publicacoes/sul_novadescoberta.pdf
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professores conceituados. Isto mostra o poder da mídia para divulgar a escola diante da competição entre alunos e escolas. Vejamos mais uma figura adiante sobre a mesma temática.
Figura 3 - Propaganda da escola Centro de Educação Integrado (CEI), em traseira de autocarro, fazendo linha interna via bairros.
Fonte: o autor (2019)
A figura 3 mostra, na traseira de um autocarro, propaganda de um dos alunos como sendo o campeão do certame de ingresso, com maior pontuação dentre todos os cursos ofertados de nível superior da UFRN. O CEI é uma rede de ensino particular, localizada em área nobre da cidade, conhecida como uma escola que agrega os filhos das famílias mais abastada de Natal, portanto uma escola elitista e seletiva pelo fator econômico. O site da própria escola informa a quem se destina os seus ensinamentos: “Dispõe de estruturas pedagógicas e ambientes apropriados à continuidade da sua missão educacional no Rio Grande do Norte, factor que assegura resultados significativos, principalmente os obtidos por seus alunos ao enfrentarem concursos e exames vestibulares (sítio do CEI)9”.
Nas figuras seguintes mostramos um painel com divulgação de ranking, e em página de jornal de circulação impresso e digital (online), da cidade de Natal.
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Figuras 4 e 5 - Painel propaganda do Colégio Ciências Aplicadas e nota em jornal de sua posição no ranking.
Fonte: o autor, painel com ranking, exposto em via pública. Fonte: Jornal AGORA/RN,18/06/2019, nota com ranking.
As figuras 4 e 5 referem-se à escola Colégio Ciências Aplicadas, conhecidíssima por preparar os seus alunos para ingressarem nas universidades do país, nas áreas de biomedicina, frequentadas pela elite de alto poder financeiro, do Estado do RN. Sabendo-se que no Brasil há uma valorização desta área em relação à de humanas, quando se trata em termos salariais do profissional, como exemplo.
A figura 4 é do painel defronte a fachada do prédio da escola, situada no bairro Tirol, Natal, habitada por classes sociais de média à alta; A figura 5 é uma fotografia da página com matéria do Jornal AGORA/RN, coluna Ailton Medeiros, Medeiros (2019, p.10). Na nota jornalística de título “Escola nota 10”, sobressai que a referida escola no ENEM é a que mais aprova, do estado do Rio Grande do Norte. Salientando que a ‘Nota Dez’, pontuação avaliativa positiva que, no geral, no Brasil corresponde a nota máxima auferida, numa escala de zero a dez, o que corresponde a pontuação vinte, em Portugal.
Como se frisou no início, acima, e se percebe pelos dados apresentados que há uma ‘febre’ por parte das escolas em geral (de pequeno, médio e grande porte), principalmente as de iniciativa privada, utilizando-se da mídia para propagar na
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sociedade a sua qualidade (através de rankings) por divulgar os quantitativos de seus alunos que conseguiram ser aprovados na Universidade Federal, ou, até mesmo, nas faculdades de iniciativa privada. Para tanto se faz uso de faixas e outdoors postos nas suas fachadas, autocarros e na imprensa escrita e falada.
O IFRN embora seja uma escola pública aderiu a este meio propagandístico, por ser detentor de tecnologias online, para adquirir adesão de alunos (famílias) ou, também, se faz como forma de prestação de contas das verbas que recebem do governo federal, para mostrar os índices alcançados. Como adendo, o propagado no seu portal eletrônico no dia 19/12/2018, intitulada de: IFRN alcança IGC 4 e tem o maior índice entre Institutos Federais do Nordeste. Vale ressaltar parte da notícia:
“O Ministério da Educação e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgaram o documento anual indicador de qualidade do ensino superior brasileiro, conhecido com Índice Geral de Cursos (IGC). Os cursos superiores do IFRN alcançaram nota 4, o que outorga ao Instituto o selo de “nível de excelência”, em uma escala de 1 a 5.” 10 (IFRN,
2018).
Figura 6 - O Portal do IFRN divulga mais uma vitória na Olimpíada Nacional de História.
Fonte: Portal do IFRN.
10 Disponível em http://portal.ifrn.edu.br/campus/reitoria/noticias/ifrn-alcança-indice-4-no-igc-e-tem-o-maior-indice-da-regiao- nordeste.
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‘IFRN é eleito o melhor entre os Institutos federais do Brasil; veja ranking’. Esta é outra manchete em jornal impresso e online, Jornal Agora RN, de 01/02/2019, da cidade do Natal/RN11. O assunto da matéria também no portal IFRN refere-se a:
“O Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) ficou em primeiro lugar entre os Institutos do Brasil, conforme o Web Ranking of Universities, e em segundo no que diz respeito às instituições de ensino do RN. O “Webometrics Ranking of World Universities” é uma iniciativa do Laboratório Cybermetrics, um grupo de pesquisa pertencente ao Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), maior corpo de pesquisadores da Espanha” (IFRN, 2019).
O sistema classifica universidades em todo o mundo, com base em um indicador composto, que leva em conta tanto o volume do conteúdo da instituição na web (número de páginas e arquivos), quanto a visibilidade e o impacto destas publicações online, de acordo com o número de inlinks externos (citações do site) que receberam.
São títulos e classificações obtidas pela instituição IFRN, pelos cursos e alunos, com divulgação própria, como também a imprensa jornalística, com efeito para a sociedade que vem reconhecendo o IFRN como tendo boa qualidade, ao longo dos seus cento e dez anos.
De certa forma, no mundo das telecomunicações, dos meios propagandísticos persistentes, do capitalismo, da meritocracia, as escolas têm encontrado meios de divulgação procurando repassar para a sociedade a pujança que detém em relação às escolas concorrentes, com índices nos rankings louváveis, quase sempre elaborados pelos meios de comunicações independentes, conquanto o MEC também vem se preocupando em avaliar os cursos e os alunos.
As escolas aproveitam o resultado para propagar e se ter como uma escola de qualidade, por determinado índice positivo alcançado.
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Diante do novo quadro que se configura em Portugal quanto a política educativa enfocando prioridades e promoção da excelência, da qualidade e da eficácia dos sistemas de ensino e formação Torres (2015) faz uma reflexão do impacto na realidade educativa portuguesa e no que diz respeito ao espaço cultural da escola:
“A valorização crescente de uma cultura performativa, reforçada por variados dispositivos de controle e prestação contas, constitui hoje um pilar estruturante da cultura escolar. Mesmo que subsista, contraditoriamente, a retórica da inclusão e equidade, bem expressa nos preâmbulos dos diplomas legais que regulam o funcionamento do sistema escolar, é cada vez mais omnipresente a força dos mecanismos de controle e de prestação de contas, que, na prática, impõem uma ordem centrada na produção de resultados”. (Torres, 2015, p. 1436).
Também no Brasil não se foge à regra deste paradigma que se insere de forma alargada nas escolas. Para fechar este ponto, trazemos o questionamento de Zenker (2018), ao analisar o que é uma escola de excelência e se estende para a polêmica dos
rankings:
“Cabe aqui refletir sobre a colocação das instituições escolares em rankings, equívoco que o próprio Ministério da Educação (MEC) estimula. Recentemente foi divulgada a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) por escola. Desde 2011, essa nota vem junto com as taxas de participação dos alunos e só é divulgada se mais da metade dos alunos da escola fez as provas. Ótima contextualização. Sabemos também que algumas escolas selecionam seus melhores alunos, incentivando-os a fazer a prova e até preparando-os melhor para isso. Cria-se, então, uma amostra viciada. E a escola ranqueada nos primeiros lugares faz marketing de sua excelência educacional. É esse o objetivo do ENEM? Certamente não. Da mesma forma, se há o incentivo à participação de alunos considerados “mais fracos”, a amostra também será viciada. Escolas comparadas pelos resultados de rankings podem trazer para a percepção
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coletiva uma ideia errônea da qualidade institucional. Precisamos avançar para além dos números para alcançar excelência com equidade. O importante é oferecer à sociedade brasileira (famílias, secretários de educação, alunos, jornalistas, gestores escolares, professores, empresários) mais e melhores espaços de debate a respeito dos problemas educacionais, assim como caminhos possíveis para solucioná-los. O fortalecimento dos laços sociais como um todo, restituindo cada vez mais o pensar ao indivíduo, cria o suporte necessário para visões apuradas sobre a busca da excelência das escolas. Não basta avaliar, diagnosticar e divulgar os resultados. Iniciativas advindas das próprias escolas e de investidores sociais, questionamentos dos pais e alunos, angústias dos professores e gestores escolares nessa busca de excelência tornam-se a matéria- prima das transformações em educação que pretendemos alcançar. E temos competência nacional para trabalhar com essa matéria-prima” (Zenker, 2018).