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Physical and optical aerosol properties at Birkenes Observatory

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4. Aerosols and climate: Observations from Zeppelin and Birkenes Observatories

4.1 Physical and optical aerosol properties at Birkenes Observatory

do Ensino Superior

Após aproximar da realidade de Portugal através da pesquisa documental onde se constatou a inserção de mulheres em instituições de ensino superior em carreiras relacionadas a área ambiental e as diferenças de gênero que se manifestam nesse contexto, sentiu-se a necessidade de conhecer a percepção das mulheres estudantes no que se refere a problemática do ambiente e de gênero, questionando assim, através de uma entrevista semiestruturada como se dá essa relação.

Uma das teorias que utilizamos nesse trabalho foi o ecofeminismo e de acordo com essa linha de pensamento mulheres e natureza estão à mercê do patriarcado, dessa forma se tornam objetos de exploração (tanto no campo econômico, quanto no nível social) e consequentemente se veem em uma posição de inferioridade. Mas antes de saber se essa desapropriação que subjuga a mulher se materializa na contemporaneidade, era necessário verificar se as mulheres se enxergam em posição de igualdade em relação aos homens e a natureza.

E1 Eu considero que na teoria deveria estar, mas na prática não estão. Porque o homem se sobrepõe a mulher e a natureza. De formas diferentes, mas ele acaba se impondo.

E2 Sim, se eu não acredito nas histórias religiosas ou da filosofia que colocam os seres humanos em vantagem ou mais elevados em relação aos outros seres vivos. [...] Se eu analisar por esse ponto de vista, pode haver algum tipo de hierarquia, mas na prática eu não acho que isso não ajuda nada e nem ninguém.

E3 Sim, se calhar alí acho que há dois planos, um plano que é da realidade mais profunda e essencial, das coisas, uma realidade intrínseca que nos coloca a todos no mesmo nível, ou seja, que todos partimos e crescemos de uma mesma origem. Os homens, mulheres e tudo que vem da natureza vieram do mesmo sítio, da mesma força geradora de vida. Então nesse plano, a um ponto muito importante de igualdade que nos une a todos e apaga qualquer diferenças, não as diferenças, mas os conflitos. Ou seja, esse ponto de igualdade onde existe harmonia, um entendimento. Depois também, homens e mulheres, como seres vivos que somos, diversos de toda a natureza, como que temos diferenças físicas no corpo e isso também vem com diferenças ao nível hormonal e são bastantes importantes e interferem no nosso comportamento e então obviamente, não podemos negar a diferença social e cultural que vem depois de muitos anos de civilização […] Então nesse sentido a muitas diferenças entre homens e mulheres e acho que é interessante poder tanto aceitar em

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um ponto e de outro lado poder um pouco mais fundo e também ver todo que nos uni.

E4 Não. Na sociedade capitalista e de base patriarcal a mulher historicamente é secundarizada e tem o papel de garantir a reprodução da força de trabalho, a prole, mesmo com todas as lutas legítimas por direitos, ainda há uma lacuna…A natureza é historicamente espoliada e expropriada e tida como infinita para o Capital. E5 Creio que a dualidade entre os gêneros relativa à natureza esta no pensamento e não na relação.

E6 Não, não considero de todo que estejam em posição de igualdade. Vivemos ainda hoje em sociedades machistas, em que o homem continua a ver legitimado o poder sobre a mulher, resultando em abusos graves. Esta relação acontece a vários níveis, começando em casa, no seio familiar, passando pelo ambiente de trabalho, até a um simples passeio na rua.. A natureza… não, creio que a natureza é ainda encarada como uma ferramenta acessível à espécie humana. Talvez o que tenha mudado seja a consciência de que os recursos não são infinitos e logo o esforço para mudar as formas de exploração. Trabalha hoje a ciência no sentido de perceber como manter o mesmo nível de exploração mas com menor impacto sobre o meio, e logo sobre a espécie humana. Mas a natureza, no sentido do meio que nos envolve e onde se incluem as restantes espécies animais e as vegetais, continua a ser encarada, de uma forma geral, como se de uma oferta à nossa espécie se tratasse.

E7 Não, não estão em posição de igualdade. Nas várias relações, entre homem e mulher, entre homem e natureza e entre mulher e natureza. Quer dizer, entre mulher e natureza acho que há mais igualdade, do que homens e natureza. Entre mulher e natureza acho que a de certa forma mais afinidade com a natureza, na minha opinião. Também por nós mulheres estarmos em um ritmo de ciclos e que isso está bem integrado com a natureza, por exemplo com a lua e o sol. Alias uma outra coisa se relaciona com a natureza, independentemente de serem homens ou mulher, é o plantio em que na agricultura se respeita mais os ciclos da natureza. Mas só nesse aspectos, em termos de equilíbrio com a natureza e de danificação acho que os dois estão em desequilíbrio. Entre homens e mulheres, acho que há aí um desequilíbrio muito, é claro que ouve muitas melhorias, mas ainda existes muitos desequilíbrios a nível profissional, a nível social e respeito pelas diferenças.

E8 Não, porque ainda existe muito machismo. Os homens ainda veem a mulher como mais fraca. E as mulheres também têm certa dificuldade de estar na natureza.

Diante das respostas obtidas temos alguns aspectos para reflexão, de forma geral o que se nota é que grande parte das entrevistadas pensam que mulheres, homens e natureza deveriam estar em posição de igualdade, porém na realidade não estão. Na entrevista E2 verificamos alguns fatores que justificam a desigualdade, o primeiro que ela apresenta é o cultural nomeadamente construído historicamente através da religião e o outro é por meio da filosofia.

No decorrer do nosso trabalho ao analisarmos a linha de pensamento ecofeminista verificamos que esse processo de alteração religiosa para o monoteísmo e o culto a um único Deus masculino, refletiu cultural e socialmente na relação que o homem compartilha com a natureza e as mulheres. A bíblia enquanto principal livro da doutrina cristã exemplifica essa posição de superioridade que o homem se encontra:

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. [...] Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal

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que se move sobre a terra. E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto

que dê semente, ser-vos-á para mantimento”. (Bíblia, Gênesis 1, 26-30)

Nessa citação nota-se que de acordo com a doutrina do cristianismo Deus fornece uma “autorização” que justifica a dominação dos outros seres vivos, colocando o homem em uma posição de superioridade. O mesmo acontece em relação a mulher, onde o homem foi feito a imagem e semelhança de Deus, enquanto a mulher teria sido feita a partir da ação de Deus sobre uma costela21 do homem e assim, a mesma estava sujeita22 as vontades do mesmo.

Tal como no campo religioso, a filosofia também reproduzia o ideário de inferiorização da mulher, Aristóteles23 enxergava a mulher como um homem incompleto e já Platão24 mesmo

reconhecendo o potencial da mulher no contexto social da época, ainda acreditava que para alcançar posição de igualdade a mulher deveria se abdicar de sua feminilidade. (Ferreira 2006, 143)

Na entrevista E3 vemos uma análise muito interessante que divide a relação de igualdade em dois principais planos. O primeiro está ligado a uma força geradora de vida que se assemelha ao Prakriti ou princípio feminino (conceito idealizado por Shiva) e o segundo está relacionado as diferenças biológicas e socioculturais. Enquanto o primeiro plano de análise coloca todos em posição de igualdade, visto que todos os seres vivos tiveram origem a partir da mesma força, o segundo reflete as diferenças que foram construídas ao longo dá história (biológicas e sociais) que são refletidas nos comportamentos de homens e mulheres. Reconhecer esses dois aspectos segundo a entrevistada é um dos meios para atingir uma igualdade, ou seja, reconhecer que todos temos similaridades e ao mesmo tempo singularidades que fazem parte do nosso ser e que nos torna diferentes.

Como verificamos no decorrer do trabalho o modo de produção capitalista foi um intensificador das diferenças de gênero e a entrevista E4 reconhecendo isso, chama a atenção para a mulher enquanto reprodutora da força de trabalho e ainda relata que a natureza sempre

21E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada.”

(Bíblia, Gênesis 2, 22 e 23)

22E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará”. (Bíblia, Gênesis 3, 16)

23Para Aristóteles a mulher é uma espécie de desvio relativamente a um tipo mais perfeito que se concretiza no

homem. É uma privação. O homem é a medida da humanidade e ela é uma falha, uma falta, um homem incompleto ou mesmo mutilado” (Ferreira 2006, 143)

24Platão anula a mulher pois esta só tem possibilidade de sobreviver se se transformar num homem, perdendo todas

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será um bem infinito (nesse modo de produção) e um objeto de expropriação a favor da acumulação do capital.

A entrevistada E6 justifica a desigualdade entre homens e mulheres através do machismo que é um dos meios para a diminuição da mulher e inclusive se materializa através da violência, nas mais diversas formas. Outro ponto importante que a entrevistada destaca é que esse fenómeno social não é restrito a um espaço físico, vivemos na contemporaneidade casos de machismo institucional, público, dentro da família e em outros ambientes. Nessa resposta verificamos mais uma vez a ideia de natureza enquanto “ferramenta” em prol da humanidade, um bem a ser usado, porém destaca-se a preocupação atual com a problemática ambiental e as formas que o uso inconsciente da natureza pode refletir de forma negativa na humanidade. Também nota-se que a preocupação da sociedade talvez seja em maior proporção em como e de que forma a degradação irá afetar o ser humano, do que com os outros seres vivos.

Na resposta E7 verifica-se que apesar de reconhecer que ambos os gêneros são responsáveis pela danificação dos ecossistemas e se encontram em desequilíbrio com a natureza, a entrevistada coloca a mulher em posição de maior proximidade da mesma. Essa relação de intimidade com a natureza segundo a aluna justifica-se pela comparação entre os ciclos hormonais e a menstruação com os ciclos lunares25, visto que no passado os mesmos

eram uma das formas das mulheres verificarem se estavam grávidas e preverem quando ocorreria o nascimento da criança. (Ribeiro 2004, 16)

Na resposta seguinte E8 verificamos que além do machismo, outro fator que a entrevistada destaca é que mulheres também possuem dificuldade em estar em ambientes naturais, ou seja, com menor intervenção do homem. Essa fala além de mostrar que a aproximação entre natureza e mulheres é uma construção (independentemente da proporção em que o fator biológico pode ser ou não um facilitador), também mostra que na perspectiva da entrevistada não é natural do gênero feminino essa relação.

Outro fator a ser analisado seria a compreensão das entrevistadas diante da sociedade patriarcal e como esse sistema de dominação e exploração se apresenta na contemporaneidade. Todas as alunas entrevistadas reconhecem que na atualidade ainda vemos expressões do patriarcado, modelado e idealizado por ideologias machistas que fica exposto nos atos e diferenças de gênero que as mesmas relatam.

25“A palavra menstruação vem do latim mens, que significa mês, uma derivação de lua. (A palavra grega para lua é

mene). Não escapou à observação dos antigos o fato de que a duração média do ciclo feminino é quase idêntica ao período de tempo entre duas luas cheias. Além disso, achados pré-históricos em ossos, mostram que mulheres marcavam seu ciclo menstrução de modo a contam o tempo”. (Ribeiro 2004, 16)

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E1 Sim, porque o homem se sobressai no ambiente da família, do trabalho, de tudo. Ele ainda tem muito mais força no dizer e no fazer do que a mulher e isso se sobre cai de várias formas. O impacto disso sobre as mulheres é muito maior, em todos os ambientes.

E2

Sim, vivemos em uma sociedade patriarcal. Tudo depende do seu círculo social. Na verdade o patriarcado está em todo o lugar, mas a forma como ele é expresso difere. Então, por exemplo, minha avó e do interior, do interior da Bahia, se você for lá é o patriarcado tradicional. O homem que manda, a mulher que obedece, a mulher que planta e o homem que cuida dos negócios e tudo mais. Mas, dentro de um grupo de acadêmicos na universidade as pessoas já tem um maior cuidado com esse tipo de coisa, mas a nossa sociedade aprendeu a valorizar características masculinas. E isso eu sinto mais predominante na minha vida pelo menos. Hoje para você ser uma pessoa de sucesso, que consegue fazer aquilo que se propõe você tem que ter certas características tidas como masculinas, então não é uma questão de ser homem ou mulher, mas é claro que os homens já são criados com essas ideias, são criados para terem essas características então é um modelo menos óbvio de patriarcado, mas ainda existe.

E3

Sim, se calhar não sei bem o conceito de patriarcal. Mas, acredito que há como uma, se calhar como uma ilusão de que o homem governa o mundo e que as características masculinas do ser humano, ou seja, que o mundo como que, move-se por questões de poder, dinheiro, de hierarquias, de uma questão, como de necessidade e produtividade, de ser eficiente, que se calhar, são características mais masculinas e que muitas vezes essa questão de ilusão no patriarcado, sinto que no fundo as mulheres tem uma coisa muito importante de se reconhecer no âmbito social, que como seres naturais que tem seu corpo e toda sua estrutura hormonal e tudo, que tem como uma capacidade de gerar vida, de conter vida e muito protetora, com possibilidades de escutar e dar carinho e proteger. E são características muito similares as que a mãe natureza tem, a nossa terra, e elas tem essa sabedoria, por estar nesse tipo de corpo, de ter determinada sensibilidade que é muito importante na sociedade, mesmo nessa mais civilizada. E mesmo que no fundo pareça que o patriarcado, as mulheres são as que sustentam muito a sociedade, se calhar de uma maneira mais invisível. No nível dos lugares, da família e da contenção.

E4 De forma ampla e geral, sim, basta pensarmos nos casos de violência contra mulher no Brasil por exemplo, é alarmante. A inserção no trabalho é menor, a representatividade na política, salários, etc., em comparação ao homem

E5 Sim, ainda vemos o patriarcado na sociedade hoje em dia, nas desigualdades de género, na violência contra as mulheres, na questão da legalização do aborto.

E6

Acredito que sim. E vou focar-me em Portugal para responder, porque noutras sociedades mais religiosamente radicalizadas, é claríssimo que sim, aqui há ainda quem se engane...Vivemos numa sociedade patriarcal na medida em que muitos dos preconceitos do passado relativamente à superioridade e supremacia do homem, e aquela imagem do homem viril, forte e dominante, mantém-se presente nos nossos dias nas mais pequenas coisas do dia-a-dia. A mais recente luta das mulheres, de que é exemplo a luta pela despenalização do aborto; o facto de só há pouco tempo ter sido legislada uma licença paternal, para que o pai acompanhe também o período mais difícil e mais frágil do crescimento dos filhos; o facto de serem necessárias quotas impostas de fora, para que as mulheres sejam tidas em conta na selecção para determinados cargos em empresas e na esfera política; o confronto da heterossexualidade com a homossexualidade, demonstrando que o homem sensível e frágil não é concebível na nossa sociedade; o facto de ainda hoje nos casamentos ser tendencialmente o nome do pai que prevalece, enfim… as anedotas corriqueiras, as conversas de café, os assobios, os casos recorrentes de violência domestica, a política do “ela estava mesmo a pedi- las, com aquela roupa sexy…”… enfim… sim.

E7

Sim, acredito que sim. Exatamente por isso, por estarmos em uma sociedade em que o homem assumiu um poder e também sua própria natureza acabou por assumir um poder nas relações profissionais e econômicas e isso desenvolveu essa sociedade patriarcal que o homem se encontra no topo da pirâmide. Depois, nas relações sociais ainda é muito visível isso, tanto nas relações entre homem e mulher ainda existe uma diferença muito grande que o homem ainda acha que tem que ter determinado comportamento em relação a mulher. Ainda trata a mulher devido as diferenças que existe em uma posição inferior, que a mulher que tem que respeitar o homem, não haver traição, tudo isso.... É muito mais exigido da mulher do que do homem. Mesmo tendo uma sociedade em que a mulher vai trabalhar, ainda acaba por ser ela que tem que fazer muito os trabalhos domésticos ou trabalho de mãe e adicionalmente o trabalho profissional em que lhe é exigido o mesmo que a nível masculino, mas que depois não são compensadas. Isso na minha opinião, na minha experiência que tenho a nível profissional. Por isso sim, acho que vivemos totalmente em uma sociedade patriarcal.

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E8 Sim, já tem muitas mulheres que tem cargos de poder, mas é a minoria que estão. Nesses cargos, enquanto a maioria são homens. Ainda não existe essa igualdade. E ainda tem muito preconceito.

Na resposta E1 ao justificar uma sociedade patriarcal a entrevistada relata que o homem se sobressai no dizer e no fazer, e enquanto discurso de fala notamos que a participação de homens no espaço público suprime a voz de mulheres em espaços de decisão, mas não se restringe a tal, também reflete diretamente no campo econômico, seja no trabalho ou no espaço doméstico.

Mesmo reconhecendo que o patriarcado se faz presente em todos os âmbitos da sociedade, tal como na primeira resposta, a entrevistada E2 chama atenção para as particularidades de cada contexto social. De acordo com a entrevistada, em cidades ou vilas menores e de um desenvolvimento tecnológico e econômico reduzido, a cultura patriarcal tende a ser mais forte quando comparamos com cidades cosmopolitas na contemporaneidade, isso causa um grau de subjugação e de reprodução de papéis sociais que impede a mulher de desenvolver todas as suas potencialidades, tal como restringe o homem ao papel do “macho” provedor. O segundo aspecto está relacionado a “falsa sensação de igualdade”, que conforme explicito pela aluna, é um modelo menos óbvio de atitudes e pensamentos que no fundo continuam a refletir o pensamento machista.

Assim como na entrevista E2, a entrevistada E3 refere-se as características masculinas, nomeadamente eficiência, produtividade e poder, como condições que justificam uma perpetuação do patriarcado e uma “ilusão” de acordo com a aluna, de que para as mulheres conquistarem uma igualdade, as mesmas deveriam ter tais características. A entrevistada coloca tais atributos de forma ilusória porque entende que a feminilidade e consequentemente as aptidões que a sociedade classifica como típicas do gênero feminino, são tão importantes quanto as que os homens possuem, nomeadamente a aluna cita: proteção, escutar e dar carinho, gerar vida.

Ao refletir sobre a reprodução de papéis sociais a entrevistada E7 cita a inferiorização do homem que possui características femininas, como sensibilidade, que demonstra com maior facilidade emoções ou que tem uma orientação sexual ou de gênero que não corresponde com seu sexo biológico. Com isso se constrói uma visão negativa do homem que se aproxima da feminilidade, “abrindo mão” do seu direito à masculinidade.

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Outro aspecto relacionado a assimilação de características segundo a entrevistada E7, é que mesmo as mulheres ao adotarem para si atributos que são considerados masculinos (entendendo que para isso existe um esforço maior no sentido de que os homens são educados a ter certos tipos de comportamentos sociais, enquanto as mulheres tem que desenvolver tais

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