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Os solos possuem uma concentração natural de metais, podendo receber numerosas fontes de contaminações externas. Os níveis naturais de metais pesados em solos são muito variáveis, e estão intimamente relacionados aos materiais de origem e aos processos pedogenéticos. No entanto, essas relações não são estabelecidas precisamente, devido à grande variabilidade química das rochas (Alloway 1990, Fergusson 1990). Em nível mundial, Souza et al. (2003), em uma compilação de dados geoquímicos, descrevem uma aproximação para as variações de concentração dos seguintes elementos em solos - Zn: 1,5-264 ppm; Cu: 0,3-495 ppm; Pb: 0,5-135 ppm; Cd: 0,005-2,4 ppm; Ni: 0,7-269 ppm; Cr: 18,7-285 ppm; Co: 1-70 ppm. Porém, esses valores podem divergir muito, segundo a litologia local e as contribuições externas. Além disso, é necessário observar que, existirá uma variação no teor dos elementos, se forem utilizados métodos diferenciados de solubilização.

As contribuições externas, que podem aumentar significativamente o teor de metais nos solos, se relacionam, principalmente, com a agricultura (aplicação de defensivos agrícolas e fertilizantes) e com as atividades de indústrias metalúrgicas e mineradoras. Os principais poluentes, ou seja, aqueles que tendem a se concentrar mais nos solos são: Pb, Cd e As. O chumbo, que possui mobilidade muito baixa, ainda é encontrado no topo de solos que foram contaminados no séc. IV a.C (Fergusson 1990). A deposição de metais também pode ser realizada a partir de partículas transportadas pela atmosfera, bem como por demais fatores, tais como: queima de combustíveis fósseis, deposição de esgotos urbanos e industriais, escoamento de águas residuais, deposição de resíduos de indústrias de beneficiamento químico (Alamino et al 2003).

Nas atividades agrícolas, é comum a utilização de produtos agroquímicos, tais como fertilizantes, corretivos e agrotóxicos. A utilização de pesticidas e de compostos de organomercúrio pode propiciar o acúmulo de metais em solos, pois essas substâncias geralmente contêm altos níveis de As, Pb e Hg. O uso de fertilizantes contendo substâncias potencialmente tóxicas constitui uma das formas de contaminação de solos. É comum a utilização de fertilizantes fosfáticos, que, não raro, contêm altas concentrações de As, Cd, Pb, Se e Te na rocha fosfática original (Fergusson 1990).

Existem vários fatores que podem influenciar o conteúdo de um elemento químico no perfil do solo; dentre eles, citam-se: a natureza do material parental, os processos pedogenéticos, o conteúdo de matéria orgânica e de argila do solo (o que reflete na capacidade de troca iônica), a proporção de Fe contido nos minerais, o pH e a topografia do solo, a chuva e a atividade microbiológica. A capacidade de troca iônica (habilidade em capturar e trocar íons) constitui uma importante propriedade para a

retençãometais. Substâncias como matéria orgânica e argilas são trocadores iônicos efetivos. Esses

materiais podem adsorver elementos, como os pesados, afetando, assim, a sua disponibilidade nos solos (Fergusson 1990, Hounslow 1995, Souza et al. 2003).

Os trabalhos envolvendo a geoquímica dos solos e as inter-relações entre os organismos vegetais e animais são muito recentes, tanto no Brasil como em todo o mundo. No entanto, tem havido uma crescente preocupação com esse tema. A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB) publicou, em 2001, um estudo sobre os solos da região de São Paulo. Além das informações de cunho pedológico e geoquímico, dentre outros, foram estabelecidos valores orientadores para vários elementos ou compostos presentes nos solos. Dentre os valores orientadores citados, se encontram o valor de alerta e o valor de intervenção. O valor de alerta indica uma possível alteração da qualidade natural dos solos; quando esse valor for excedido, haverá um potencial poluidor, que exige monitoramento do solo. O valor de intervenção indica a existência de contaminação, onde deve ser aplicada uma ação corretiva no solo. É importante determinar se um solo apresenta um caráter tóxico. Um solo contaminado por metais pode afetar o desenvolvimento de vegetais e comprometer a segurança dos alimentos.

10.2. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS 10.2.1. Generalidades

Os estudos aqui descritos têm como propósito verificar se os solos das regiões das antigas minas de pirita se encontram contaminados por metais pesados. No decorrer das investigações, procurou-se definir a concentração de metais pesados nos solos das duas minas de pirita, bem como em uma região não afetada pelas mesmas. Nas regiões investigadas (Anexos 3 e 4) foram coletadas amostras de solos (cambissolos e materiais coluvionares) nas estações de seca e/ou chuva (Quadro 10.1). Tal procedimento teve por finalidade verificar se existe uma variabilidade no conteúdo de metais pesados em solos, entre a estação de seca (P1O1, P1O2, P2O1A, P2O1B, P2O2) e de chuva (P1O1-c, P1O2-c, P2O1A-c, P2O1B-c, P2O2-c).

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Figura 10.1: Cambissolo (amostra P1O2) sobre rocha filítica.

Na região da antiga mina de Santa Efigênia (P2), os solos amostrados foram classificados como cambissolos e solos coluvionares. Os cambissolos (P2O1A, P2O1A-c; P2O1B, P2O1B-c; P2O1C) estão situados ao redor das ruínas das instalações da mina. Esses solos são compostos por materiais de colorações acinzentadas e amareladas, desenvolvidos a partir da alteração de rochas filíticas. Os solos coluvionares possuem colorações avermelhadas e acinzentadas, portando nódulos de materiais ferruginosos.

Conforme exibido na Tabela 10.1, os valores do potencial de oxi-redução (Eh) encontrados para as amostras conferem um caráter oxidante aos solos. As variações de potencial hidrogeniônico (pH) indicaram a existência de solos ácidos - região P1, e solos alcalinos a pouco ácidos - região P2. A maior concentração de bases na região da antiga mina de Santa Efigênia (P2) deve-se ao fato de que os solos são derivados de rochas que contêm carbonatos, e se encontram posicionados próximos às rochas carbonáticas da Formação Fecho do Funil. Em relação à sazonalidade, as chuvas pouco influenciaram os valores de pH: os solos mantiveram o caráter ácido ou básico entre as duas estações; também os valores de Eh não foram muito alterados entre as estações de seca ou chuva, e os solos mantiveram o caráter oxidante.

Tabela 10.1: Medidas de pH e Eh em amostras de solos.

Amostra solo pH Eh (mV) Amostra solo pH Eh (mV)

P1O1 5,40 318 P1O1-c 5,11 338 P1O2 5,18 326 P1O2-c 5,55 332 P2O1A 6,21 301 P2O1A-c 6,18 269 P2O1B 8,12 246 P2O1B-c 7,57 235 P2O1C 8,00 225 P2O2 6,57 311 P2O2-c 7,45 192 P2O3-c 6,97 242

Os solos coluvionares amostrados na região da antiga mina de Santa Efigênia correspondem a materiais acinzentados, amarelados (P2O2, P2O2-c) e avermelhados (P2O3-c), situados em terrenos de alta declividade. O material que compõe esses solos é bem desagregável, e não raro, podem ser encontrados nódulos de materiais contendo goethita. Esses solos coluvionares parecem terem sido transportados da própria região da mina; isso é suposto uma vez que vários materiais foram transladados durante as operações de mina, e também, após as mesmas, para as atuais edificações ali existentes.

Os solos situados na região da antiga mina do Piquete (P1O1, P1O1-c), e à montante da mesma (P1O2, P1O2-c) possuem cobertura vegetal composta por gramíneas, não sendo, entretanto, utilizado para cultura alguma. Os cambissolos da região da antiga mina de Santa Efigênia (P2O1A, P2O1A-c; P2O1B, P2O1B-c; P2O1C) também se encontram recobertos por gramíneas, e não são cultivados. Já os solos dos pontos P2O2 e P2O3 são utilizados para pequenos plantios.

Quadro 10.1: Relação entre as amostras de solos, tipos e os pontos de coleta.

Ponto Região Est. seca Est. chuva Classificação

P1 Mina Piquete P1O1 P1O1-c Cambissolo de filito

P2O1A P2O1A-c P2O1B P2O1B-c P2O1C

Cambissolo de filito

P2O2 P2O2-c

P2 Mina Santa Efigênia

P2O3-c Colúvio

10.2.2. Caracterização mineralógica

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115 10.2.3. Análises químicas

A análise química dos solos permitiu que fossem caracterizadas as concentrações dos 27 elementos químicos: Na, K, Ca, Ti, V, Cr, Mn, Co, Ni, Cu, Zn, As, Sr, Y, Zr, Mo, Ba, Pb, Fe, Li, Be, P, Sc, Th, Cd, Al, Mg (Anexo 14).

De forma semelhante como efetuado nos capítulos de rocha e sedimento, serão aqui apresentados somente os resultados referentes às análises dos elementos pesados e/ou tóxicos, e de alguns elementos maiores. É importante observar, todavia, que, durante a abertura química dos solos, nem todo o material foi solubilizado completamente em algumas amostras, tais como: P1O1, P2O1B, P1O2, P2O2. Nessas, também se observou um resíduo de coloração escura, provavelmente relacionado ao manganês.

Elementos maiores

Os elementos ferro e alumínio são encontrados em grandes concentrações, nos solos investigados. O cálcio se apresenta em concentrações mais elevadas somente em alguns solos, enquanto que, o manganês se apresenta em quantidades bem inferiores (Figura 10.2; Anexo 14). Os solos situados na região considerada como não afetada pelas minas (P1O1, P1O1-c) possuem um conteúdo bem menor de ferro e alumínio do que os demais solos investigados (cf. Figura 10.2), o que se relaciona, diretamente, com a mineralogia local.

Figura 10.2: Concentração de elementos maiores (Ca, Mn, Al e Fe) em amostras de solos.

0 5 10 15 20 25 30 C onc. (%) P1 O1 P1 O1 -c P1 O2 P1 O2 -c P2 O1 A P2 O1 A- c P2 O1 B P2 O1 B- c P2 O1 C P2 O2 P2 O2 -c P2 O3 -c Amostras de solos Ca Al Mn Fe

Alumínio

Os solos das regiões investigadas possuem alto teor em alumínio, o devido à presença de vários minerais aluminosos, tais como a caulinita, a gibbsita e a moscovita. As concentrações desse elemento em solos exibem valores da ordem de 2 a 8% de Al (Figura 10.3). Apesar do alumínio ser um elemento de mobilidade muito baixa, foram determinadas algumas variações nos valores de concentração desse elemento. Esse fato pode estar relacionado à existência de pequenas variações laterais, proporcionada por diferenças nas composições mineralógicas e químicas dos solos.

Figura 10.3: Concentração de Al em amostras de solos.

Ferro

Os solos contêm um elevado teor em ferro, o que é atribuído principalmente à presença de minerais tais como a goethita e a hematita. As concentrações de Fe variaram entre 1,87 e 22,59%. Verifica-se que os solos da região P2 - antiga mina de Santa Efigênia - apresentam um conteúdo maior em ferro do que as rochas da região da região P1 - antiga mina do Piquete (Figura 10.4). As concentrações de ferro permaneceram praticamente inalteradas, quando se comparam as estações de seca e de chuva.

Figura 10.4: Concentração de Fe em amostras de solos.

Al 0 2 4 6 8 10 P1O1 P1O2

P2O1A P2O1B P2O1C P2O2 P2O3

Amostras de solos Conc. (%) seca chuva Fe 0 5 10 15 20 25 P1O1 P1O2

P2O1A P2O1B P2O1C P2O2 P2O3

Amostras de solos

Conc. (%)

seca chuva

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Nota-se que os solos da região P2 (antiga mina de Santa Efigênia) estão situados em posição sobrejacente a rochas que contêm carbonatos, ou então, que se encontram próximas a rochas dolomíticas. Observa-se uma pequena variação, entre as duas estações, no teor de cálcio dos solos, principalmente na amostra P2O1A (cf. Figura 10.5).

Figura 10.5: Concentração de Ca em amostras de solos.

Manganês

Para esse elemento, não foram observadas grandes variações nos valores de concentrações, entre as estações de seca e de chuva (Figura 10.6).

Nos solos situados na região P1, os valores das concentrações variaram entre 17,59 e 97 mg/kg de Mn. Na região P2, o conteúdo de manganês em solos é mais elevado, e os valores de concentração se situam em torno de 0,03 a 0,27%. Entretanto, não foi identificado nenhum mineral de manganês nos solos analisados.

O manganês apresenta uma correlação positiva com o cálcio (R= 0,7742), bem como com os elementos Co e Ni, cujos dados das correlações serão apresentados mais à frente.

Figura 10.6: Concentração de Mn em amostras de solos.

Elementos menores

O conteúdo de metais nos solos possui um comportamento bem diversificado (Figura 10.7; Anexo 14). Os elementos Co, Mo e Li são pouco acumulados nos solos.

Ca 0 1 2 3 4 P1O1 P1O2

P2O1A P2O1B P2O1C P2O2 P2O3

Amostras de solos Conc. (%) seca chuva Mn 0 0,1 0,2 0,3 P1O1 P1O2

P2O1A P2O1B P2O1C P2O2 P2O3

Amostras de solos

Conc. (%)

seca chuva

Observa-se que, de um modo geral, o solo possui um conteúdo menor em metais pesados, na região considerada livre das influências das minas, do que quando comparado aos solos das regiões das minas. Porém, tal fato ocorre somente para o solo coletado durante a estação de seca (P1O2). Durante a estação de chuva, o solo desse mesmo ponto (P1O2-c) apresentou uma maior concentração de metais pesados do que os solos de alguns outros pontos.

Figura 10.7: Concentração de elementos menores (Cd, Li, Pb, Mo, As, Zn, Cu, Ni, Co, Cr, V) em amostras de

solos.

Cádmio

Os solos da região P1 apresentaram um conteúdo menor em cádmio do que aqueles localizados na região P2. A menor concentração de cádmio (4,06 mg/kg) foi determinada para o solo coletado em estação seca, localizado fora da área de influência das minas (P1O2). Na região P2, as concentrações de cádmio variaram de 17,45 a 36,27 mg/kg (Figura 10.8). Nesses pontos, as concentrações excedem, inclusive, o valor de intervenção para solos agrícolas (10 mg/kg), determinado pela CETESB (2001). Todos os solos apresentaram concentrações acima do valor de alerta determinado pela CETESB (2001), que equivale a 3,0 mg/kg.

O cádmio possui uma correlação positiva com o ferro, conforme exibido na Figura 10.9. Essa correlação sugere a associação do cádmio com minerais de ferro, onde, dentre os quais, a goethita é o que ocorre mais freqüentemente, e em maiores proporções nos solos.

0 100 200 300 400 500 600 700 800 Conc. (m g/k g ) P1O 1 P1O 1 -c P1O 2 P1O 2 -c P2O 1 A P2O 1 A -c P2O 1 B P2O 1 B -c P2O 1 C P2O 2 P2O 2 -c P2O 3 -c Amostras de solos Cd Li Pb Mo As Zn Cu Ni Co Cr V

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Figura 10.8: Concentração de Cd em amostras de solos.

Figura 10.9: Correlação positiva entre Cd e Fe em amostras de solos.

Lítio

Os solos apresentam concentrações muito baixas desse elemento. A máxima concentração de lítio corresponde a 6,53 mg/kg, sendo definida na amostra P1O1. As concentrações definidas para amostras de estação de seca possuem valores - maior (P1O2), menor (P1O1, P2O1A, P2O1B) ou semelhante (P2O2) às concentrações definidas para a estação de chuva (Figura 10.10), o que deve estar relacionado, principalmente, com pequenas diferenças composicionais dos materiais coletados.

Figura 10.10: Concentração de Li em amostras de solos.

Chumbo e Zinco

As amostras de solos exibiram teores bem diversificados em chumbo que, de um modo geral, não se encontram muito altos (Figura 10.11A). Nas amostras situadas na região P1, as concentrações são muito baixas, inferiores a 3,52 mg/kg.

Cd 0 10 20 30 40 P1O1 P1O2

P2O1A P2O1B P2O1C P2O2 P2O3

Amostras de solos Conc. (mg/kg) seca chuva Li 0 2 4 6 8 P1O1 P1O2

P2O1A P2O1B P2O1C P2O2 P2O3

Amostras de solos Conc. (mg/kg) seca chuva Cd x Fe R2 = 0,9498 0 50000 100000 150000 200000 250000 0 5 10 15 20 25 30 35 40 Cd (mg/kg) Fe (mg/kg)

Para a região P2, os valores para as concentrações de chumbo variaram de 13,05 a 122,90 mg/kg. Somente a concentração de chumbo da amostra P2O1A (122,9 mg/kg) excedeu o valor de alerta (100 mg/kg) determinado pela CETESB (2001). O comportamento do zinco nos solos é bem similar àquele apresentado pelo chumbo (Figura 10.11A, Figura 10.11B). Esses dois elementos possuem uma correlação positiva entre si (Figura 10.12). Na região P1, o conteúdo de zinco nos solos é baixo, variando de 13,96 a 29,79 mg/kg. Na região P2, existe uma maior acumulação de zinco nos solos, e os valores para a concentração variam de 30,39 a 107,30 mg/kg. Nenhuma amostra de solo atingiu valor de concentração sugerida pela CETESB (2001) como a de alerta (300 mg/kg). As variações sazonais para o conteúdo de chumbo e de zinco nos solos são notadas, efetivamente, somente para as amostras P2O1A, P2O1A-c. Os solos desses pontos possuem concentrações mais elevadas, de ambos elementos, durante a estação de seca.

Figura 10.11: Concentração de Pb (A) e Zn (B) em amostras de solos.

Figura 10.12: Correlação positiva entre Pb e Zn em amostras de solos.

Molibdênio

As amostras situadas na região P1 possuem um conteúdo maior em molibdênio do que aquelas situadas na região P2 (Figura 10.13). Nessa primeira região, foram determinadas as mais elevadas concentrações de molibdênio, que possuem valores semelhantes, em torno de 10 mg/kg, em estação de

Zn 0 20 40 60 80 100 120 P1O1 P1O2

P2O1A P2O1B P2O1C P2O2 P2O3

Amostras de solos Conc. (mg/kg) seca chuva Pb 0 30 60 90 120 150 P1O1 P1O2

P2O1A P2O1B P2O1C P2O2 P2O3

Amostras de solos Conc. (mg/kg) seca chuva Pb x Zn R2 = 0,9542 0 20 40 60 80 100 120 0 30 60 90 120 150 Pb (mg/kg) Zn (m g /kg) (A) (B)

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Figura 10.13: Concentração de Mo em amostras de solos.

Arsênio

Os valores obtidos para as concentrações de arsênio variaram de 7,18 a 177,90 mg/kg (Figura 10.14). Nos cambissolos da região P1, verifica-se que a amostra situada na região da antiga mina do Piquete (P1O1) possui uma concentração muito mais elevada de arsênio do que a amostra situada fora das imediações da mina (P1O2). As variações sazonais para a concentração de arsênio são significativas apenas na amostra de cambissolo (P1O2), que possui maior concentração na estação de chuva. Este fato pode estar relacionado a variações laterais na composição do material; outra hipótese consiste no fato de que, o As pode ser lixiviado de outros depósitos, mobilizando-se durante a estação de chuva, podendo, então, ser depositado nos solos. Com exceção da amostra P1O2 (ponto fora da região das minas), todas as amostras de solos exibiram concentrações de As bem maiores do que aquelas definidas como de alerta (15 mg/kg) e como de intervenção para solos agrícolas (25 mg/kg), conforme estabelecido pelo CETESB (2001).

Figura 10.14: Concentração de As em amostras de solos.

Cobre

A variação sazonal da concentração do cobre nos solos é mais bem evidenciada na amostra P2O1A. Nesse solo, a concentração alcança o valor de 225 mg/kg, durante a estação de seca (Figura 10.15). Nas demais amostras, os valores obtidos para as concentrações variaram de 67 a 156,40 mg/kg. Então, todos os solos investigados possuem concentrações acima do valor de alerta, que é de 60 mg/kg de Cu. Grande parte dos solos - em sua maioria, os da região P2 - possuem valores de concentração maiores do que 100 mg/kg, que é o valor de intervenção para solos agrícolas (cf. CETESB 2001).

As 0 50 100 150 200 P1O1 P1O2

P2O1A P2O1B P2O1C P2O2 P2O3

Amostras de solos Conc. (mg/kg) seca chuva Mo 0 2 4 6 8 10 12 P1O1 P1O2

P2O1A P2O1B P2O1C P2O2 P2O3

Amostras de solos

Conc. (mg/kg)

seca chuva

O conteúdo e o comportamento do cobre assemelham-se àqueles definidos para os elementos chumbo e zinco (cf. Figura 10.11A, Figura 10.11B, Figura 10.15). Porém, a correlação entre esses elementos não é muito alta entre o cobre e o chumbo e entre o cobre e o zinco.

Figura 10.15: Concentração de Cu em amostras de solos.

Cobalto e Níquel

Os comportamentos do cobalto e níquel são bem semelhantes, e os conteúdos desses dois elementos nos solos não se encontraram muito altos. Comumente os solos apresentaram concentrações variando em torno de 0,7 a 9,5 mg/kg de Co, e de 10 a 40 mg/kg de Ni; porém, na amostra P2O1C, foram determinadas as mais altas concentrações - de 24,86 mg/kg de Co e de 85,10 mg/kg de Ni. As variações de concentrações verificadas entre as estações de seca e de chuva são pequenas, para ambos os elementos (Figura 10.16A, Figura 10.16B). Para o cobalto, apenas a amostra P2O1C apresentou um valor de concentração (24,86 mg/kg) próximo ao valor de alerta (25 mg/kg) estabelecido pelo CETESB (2001). Embora existam outros solos com valores próximos ao de alerta para o Ni (30 mg/kg), efetivamente, dois solos atingiram esse nível. Esses solos possuem concentrações de Ni de 85,10 mg/kg (P2O1C) e de 40,38 mg/kg (P2O3-c), estando, inclusive, com níveis próximos ou acima do valor definido como de intervenção para áreas agrícolas, que é de 50 mg/kg (cf. CETESB 2001).

Cu 0 50 100 150 200 250 P1O1 P1O2

P2O1A P2O1B P2O1C P2O2 P2O3

Amostras de solos Conc. (mg/kg) seca chuva Ni 0 20 40 60 80 100 P1O1 P1O2

P2O1A P2O1B P2O1C P2O2 P2O3

Amostras de solos Conc. (mg/kg) seca chuva Co 0 5 10 15 20 25 30 P1O1 P1O2

P2O1A P2O1B P2O1C P2O2 P2O3

Amostras de solos

Conc. (mg/kg)

seca chuva

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Os elementos cobalto e níquel possuem uma correlação positiva entre si (Figura 10.17), o que sugere uma fonte comum para esses elementos. O cálcio também apresenta correlações positivas com o cobalto e com o níquel. Apesar dos conteúdos entre Ca e Co e entre Ca e Ni serem distintos, o comportamento desses elementos é bastante similar entre os solos investigados (Figura 10.5, Figura 10.16A e Figura 10.16B). Então, além das micas, é provável que exista uma associação entre os carbonatos e os elementos Co e Ni. Outras correlações positivas existentes foram verificadas entre Co e Mn e entre Ni e Mn.

Figura 10.17: Correlação positiva entre Co e Ni em amostras de solos.

Vanádio e Cromo

Esses dois elementos apresentaram comportamentos bem similares entre si. As concentrações de vanádio variaram de 29,41 a 102,5 mg/kg, enquanto que o cromo exibiu concentrações na faixa de 35,74 a 122,7 mg/kg. Os conteúdos de vanádio e de cromo dosados nas estações de seca e de chuva são diferenciados para quase todos os pontos. Observa-se que, na região da Mina do Piquete (P1O1), durante a estação de seca, as concentrações de vanádio e de cromo são um pouco mais elevadas do que as concentrações obtidas para o ponto situado à montante da mina (P1O2). Na estação de chuva, o comportamento se inverte para esses dois pontos. Nos demais pontos, observa-se que as concentrações definidas para a estação de chuva são inferiores ou próximas àquelas definidas para a estação de seca (Figura 10.18A, Figura 10.18B). Não foram definidos valores orientadores para níveis críticos de V em solos, mas, para o elemento Cr, algumas das amostras de solos (P1O1, P2O1A, P2O2, P1O2-c) exibiram concentrações ao nível de alerta, ou seja, maiores que 75 mg/kg. A correlação positiva entre o vanádio e o cromo é observada na Figura 10.19.

Figura 10.18: Concentração de V (A) e Cr (B) em amostras de solos.

V 0 20 40 60 80 100 120 P1O1 P1O2

P2O1A P2O1B P2O1C P2O2 P2O3

Amostras de solos Conc. (mg/kg) seca chuva Cr 0 30 60 90 120 150 P1O1 P1O2

P2O1A P2O1B P2O1C P2O2 P2O3

Amostras de solos Conc. (mg/kg) seca chuva (A) (B) Co x Ni R2 = 0,9426 0 20 40 60 80 100 0 5 10 15 20 25 30 Co (mg/kg) Ni (m g /k g )

Figura 10.19: Correlação positiva entre V e Cr em amostras de solos.

10.3. CONCLUSÕES

Os solos encontrados nas regiões investigadas constituem-se em cambissolos e solos coluvionares, depositados principalmente sobre rochas filíticas e quartzíticas. Na região da mina de Santa Efigênia, os solos apresentaram conteúdos maiores de elementos como: Al, Fe, Ca, Mn, Cd, Pb, Zn, Cu, Co, Ni, V e Cr. Na região da mina do Piquete, foram encontradas as maiores concentrações de