4.2 E MPIRICAL FINDINGS AND ANALYSIS OF THE CASE STUDY
4.2.6 Perspectives on supply chain management in the construction industry
A industrialização no Cariri, inicialmente, ocorreu em decorrência da expansão da agricultura. A disponibilidade de recursos naturais, como potencial hídrico, condições climáticas e solos férteis permitiram uma produção diversificada no Vale. A mandioca (cultura mais antiga do lugar), a cana-de-açúcar e o algodão ocupavam lugar de destaque, fazendo surgir indústrias elementares, como os engenhos de rapadura, casas de farinha e indústrias de beneficiamento de algodão.
Os recursos do Vale foram decisivos para a predominância das atividades agrícolas sobre as atividades pastoris. No final do século
26 O Cariri é considerado um dos centros produtores dessa forma de literatura, existindo
associações para congregar os poetas, como exemplo, a “Academia dos Cordelistas do Crato”.
27 O artesanato da região é apresentado em versos como símbolo de orgulho e criatividade.
28 Os migrantes que chegavam a Juazeiro do Norte, com a intenção de ficar, eram
aconselhados pelo Padre a se dedicarem às atividades artesanais, pois as áreas agrícolas eram exíguas para ocupar todo o povo que chegava. Os mais velhos contam que o Padre tinha um lema: “em cada sala um santuário, em cada quintal uma oficina”.
XVIII, os rebanhos foram forçados a emigrar para zonas menos férteis do Vale.
Entre 1850 e 1860, Pinheiro (1950) registra um surto comercial no Crato, em decorrência da chegada de comerciantes vindos da cidade comercial de Icó, que já havia sido próspera, mas que estava em decadência. A presença destes capitalistas causou grande impacto na cidade, impulsionando uma onda de progresso. Grandes lojas foram abertas, surgiram os sobrados, farmácias foram construídas e cresceu a demanda por melhores serviços na área de educação, transportes e assistência médica. Era um tempo de revitalização econômica e a agricultura se expandia juntamente com os centros urbanos, crescendo a demanda por alimentos.
As elites agrárias e mercantis mantinham relações bem próximas com Recife, principal porto do Nordeste e importante capital durante a Era Colonial — já que Fortaleza não passava ainda de uma insignificante sede administrativa portuguesa, como nos tempos da Capitania do Ceará.
O algodão que se destinava à subsistência, a partir de 1860, se transforma em produção comercial exportadora, com a demanda européia de matérias-primas. A Guerra de Secessão norte-americana forçou os ingleses — grandes consumidores do produto, em razão da força de sua indústria têxtil — a buscarem novas fontes de abastecimento. Desta forma, o Nordeste e o Ceará se integravam ao mercado mundial em expansão, ingressando numa era de crescimento (FURTADO, 1999). Os efeitos desse crescimento, no Ceará, foram marcantes, refletindo diretamente na ampliação do comércio e na diversificação da produção.
No Ceará, por exemplo, muitas casas comerciais inglesas e francesas foram criadas, assim como uma linha marítima entre Fortaleza e Liverpool (1866). A entrada de capital estimulou a produção de algodão,
couros e outras matérias-primas, até mesmo em cidades distantes do sertão. Os brasileiros também abriram armazéns e companhias de comércio em Fortaleza para a exportação, para o interior, de gêneros alimentícios e
manufaturas estrangeiras, em troca do produto
exportável da região (DELLA CAVA, 1976, p. 142).
Foram quinze anos de crescimento econômico (1862 a 1877), abatidos pela seca de 1877-80. Cerca de 300 mil pessoas, mais de um terço da população do Ceará, tinham migrado ou morrido de fome ou de doenças. A seca, no entanto, não foi a única responsável pela emigração de sertanejos, anota Facó (1963), lembrando o advento do café no sul do País e, principalmente, o desbravamento de florestas de seringais no Amazonas e no Pará durante o ciclo da borracha. A mão- de-obra do sul cafeicultor foi suprida pelos imigrantes europeus, enquanto que a do norte foi recrutada, pelos “agentes da borracha“, entre os trabalhadores nordestinos. Subsídios federais custeavam a passagem para o norte e o governo do Ceará recebia um “imposto por cabeça“ para cada cearense que embarcasse para aquela região. A substituição da exportação de matérias-primas pela exportação humana, no entanto, ocasionou outra crise, como descreve Della Cava:
Tal crise não se limitava à seca; consistia, nitidamente, no conseqüente e rápido esgotamento de capital humano expelido para o sul e, sobretudo, para o extremo norte. Sem a mão-de-obra abundante e barata, a agricultura tradicional do Nordeste árido — algodão e gado — era incapaz de recuperar-se nos anos que não havia seca, sendo assim, de fato, ameaçada de extinção. Quando o Governo do Estado do Ceará se deu conta da contradição inerente ao tráfico de mão-de-obra, tentou, às pressas, defender o mercado de trabalho da região e protegê-lo da imigração. Mas suas magras providências chegaram demasiadamente tarde; nem mesmo o colapso da borracha brasileira, por volta de 1913, aliviou a carência de mão-de-obra nordestina. Permaneceu em estado crônico, até o início dos anos 20 do presente século (1976, p. 143).
Um fato curioso em todo este processo é que, diferentemente das outras regiões do semi-árido, o vale do Cariri foi uma das poucas que ganhou, ao invés de perder, capital humano no período. A fertilidade da
região com suas fontes perenes permitiam o enfrentamento das secas, além de abrigar os flagelados. Outro fator de atração de trabalhadores para o Vale foi a presença do Padre Cícero. O patriarca, no dizer de Della Cava, se transformou em um indiscutível “czar da mão-de-obra” do árido Nordeste, atuando favoravelmente na economia da Região, pois:
Nem os empreendimentos agrícolas do vale do Cariri, nem os subseqüentes programas de obras públicas, financiados pelo Governo Federal no Nordeste, teriam progredido se não fosse a força de trabalho fornecida pelo padre (1976, p. 143).
No início do século XIX, o Crato se tornou o centro mais populoso e importante de distribuição de manufaturas européias do Vale — recebendo o título de “Pérola do Cariri” - como também o principal produtor e fornecedor de alimentos para o sertão.
Fiqueiredo Filho (1958) relata que, um século depois, já se contavam 200 engenhos, em sua maioria no Crato e em Barbalha. O principal produto, no entanto, não era o açúcar granulado, mas sim a rapadura — um bloco retangular, geralmente de cor escura — alimento importante na dieta do sertanejo, exportada para toda a região árida do Nordeste.
No inicio do século XX, as serras abandonadas foram “subjugadas pela enxada dos romeiros”. Sob a orientação do Padre Cícero, as terras foram parceladas e preparadas para produzir mandioca, o “trigo do sertanejo”, junto com outras culturas, produzindo excedentes para boa parte do Nordeste. Foi um surto produtivo que rendeu ao Cariri o título de “Celeiro do Ceará” (FIGUEIREDO FILHO, 1958).
Esse potencial produtivo interferiu no tipo de indústria que viria a se desenvolver no Cariri. Ao final da primeira metade do mesmo século, o parque industrial estava restrito às fábricas de beneficiamento de arroz, milho, café, óleo de algodão e empresas de cerâmica. A
predominância era da pequena indústria e das oficinas de artesanato do Juazeiro do Norte, cuja produção estava ligada às jóias de ouro, prata e níquel; às ferramentas para ourives; às espingardas; às molduras para imagens; aos fogos de artifícios; às louças de barro; aos curtumes e aos calçados.
A economia, no período, mostrava-se deficiente em relação a planejamento, recursos, iniciativas governamentais e empresariais que pudessem renovar o quadro instalado. Esta realidade não era apenas local, mas comum a todo o Nordeste, que não acompanhava o ritmo de desenvolvimento industrial de outras regiões, como Sul e Sudeste.