5.3 H OW CAN ACTORS IN LARGE - SCALE CONSTRUCTION PROJECTS MITIGATE SUPPLY CHAIN RISKS ?
5.3.2 Mitigation of the network supply chain risk
fiscais se adensaram na Capital, resultando em uma concentração, cujos efeitos já foram referidos.
O resultado destas políticas concentradoras, no Ceará, fica evidente quando se observa que as indústrias, na sua maior parte, até o ano de 1973, se concentravam na Região Metropolitana de Fortaleza.
Quadro 3.1
Distribuição espacial das indústrias no Estado do Ceará em 1973
M UNI CÍ P I O S Nº DE I NDÚS T RI AS % DO E S T AD O F o rt a l e za 7 0 0 5 6 , 1 3 P a c a t u b a , A q u i ra z, M a r a n g u a p e , C a u c a i a 9 0 7 , 2 2 J u a z e i r o d o No rt e 7 9 6 , 3 4 S o b r a l 5 7 4 , 5 7 Cra t o 3 7 2 , 9 7 I g u a t u 2 5 2 , 0 0 O u t ro s 2 5 9 2 0 , 7 7 T o t a l 1 2 4 7 1 0 0 . 0 0
Fonte: Diagnóstico da Indústria Cearense – Instituto Euvaldo Lodi/ Fiec- CE, 1973
Algumas tentativas de desconcentrar as atividades econômicas cearenses, entretanto, ocorreram em 1962, com o projeto ASIMOW , ao sul do Ceará, e o PUDINE33, ao norte, embora estas não tenham obtido
êxito.
3.1.5 A indústria adentra o território: o Projeto Asimow
33 O Programa Universitário de Desenvolvimento Industrial do Nordeste (PUDINE) foi
coordenado por técnicos da UFC e BNB. O objetivo do programa era viabilizar as idéias do Projeto Asimow revendo alguns equívocos em um novo espaço. O PUDINE foi implantado em 1966 em Sobral, região norte do Estado, optando pela instalação de pequenas e médias empresas, tidas como mais adequadas ao contexto do interior do Estado.
Uma proposta de planejamento industrial para o interior do Estado surgiu com o acordo de cooperação entre o Brasil e os Estados Unidos, em abril de 1962, resultando no Projeto Asimow. Na tentativa de ampliar recursos e garantir seu projeto de reformas, a SUDENE buscou apoio junto à USAID sob o patrocínio da Aliança para o Progresso34.
O acordo que envolveu diretamente a USAID e a SUDENE se inicia já com dificuldades concernentes aos papéis de mediação e de supervisão do projeto, envolvendo a política centralizadora da SUDENE e a proposta do governo norte-americano que tencionava lidar diretamente com os estados brasileiros. A questão política era o pano de fundo da divergência entre as agências. A estratégia da política norte-americana, era lidar diretamente com os governos estaduais com tendências oposicionistas ao governo esquerdista de João
Goulart.(AGUIAR, 1980).
O projeto foi coordenado pelo professor Morris Asimow, da Universidade da Califórnia (UCLA), em cooperação com a Universidade Federal do Ceará (UFC), o BNB, a SUDENE e a CODEC, no sentido de fomentar o desenvolvimento industrial da região, com base no beneficiamento e na transformação de produtos do setor primário.
Uma equipe da UCLA, da UFC e do BNB se dirigiu para o Cariri com a missão de realizar levantamentos e enquete. A visita foi finalizada com um seminário sobre o desenvolvimento do sul do Ceará, envolvendo o Instituto Cultural do Cariri, as prefeituras da região, o BNB, e o Governo do Estado. O debate privilegiou a mudança dos hábitos da economia regional e o ingresso do Cariri num processo de desenvolvimento industrial.
O Cariri foi escolhido por ser a única área com acesso à energia elétrica da rede de Paulo Afonso, com disponibilidade de água e concentração humana, recurso considerado importante. Também dispunha de desenvolvidas atividades artesanais e de indústrias tradicionais, assegurando a possibilidade de sucesso industrial. A idéia era mudar as estruturas agrárias pelo ingresso na fase industrial, valendo-se dos capitais locais com os estímulos oficiais.
As pesquisas realizadas apontaram as atividades mais aptas, na região, para se explorar, com o projeto, tais como: beneficiamento de milho e de mandioca, produção de cerâmicas, calçados e artefatos de couro, montagem de rádios transistorizados etc.
O projeto mexeu com o entusiasmo de amplos segmentos sociais e econômicos do lugar, levando-os a investir, em forma de ações, nos novos empreendimentos.
Ao lado de antigas instalações, foram montadas máquinas modernas destinadas à produção de telhas, tijolos, calçados, farinha, doces etc. Os resultados alcançados na época, entretanto, não corresponderam às expectativas, uma vez que a maior parte dessas empresas paralisou suas atividades momentos depois. O Plano Asimow deparou-se com dificuldades que impediram o pleno êxito do projeto. Os motivos foram os mais diversos: superdimensionamento de plantas, falhas na elaboração dos projetos com insuficiência de estudos preliminares, carências econômicas da região, as condições econômicas nacionais e a escassez de recursos humanos qualificados (FUNDETEC, 1999).
Foram implantadas no Cariri, pelo Projeto Asimow, as seguintes empresas:
• CECASA (1962) — fabricação de ladrilhos, telhas e manilhas. Localizada em Barbalha.
• IESA (1962) — fabricação de máquinas de costura, rádios e motores elétricos. Instalada em Juazeiro do Norte.
• IBACIP (1963) — fabricação de cimento Portland. Com sede em Barbalha.
• LUNA (1963) — fabricação de calçados. Em Juazeiro do Norte.
• INAESA (1962) — produção de alimentos enlatados. Instalada no Crato.
• IMOCASA (1962) — empresa beneficiadora de milho, no Crato.
Passada essa experiência, na década de 1970, há um incremento na industrialização do Cariri com a implantação de indústrias de grande porte, como é o caso da usina Manuel Costa Filho, em Barbalha. Em Juazeiro do Norte, ocorre um dinamismo na indústria de plásticos e borrachas, como também na produção de sandálias de material sintético a partir de investimentos em tecnologia.
Nos anos 1980, o impulso no setor ocorreu com o surgimento de micro e pequenas unidades industriais que receberam financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento e pelo Programa de Apoio à Micro Empresa PROMICRO-SEBRAE. O crescimento econômico do cariri, no entanto, dos anos 1970 ao início dos anos 1990, ocorreu de forma lenta, mesmo quando o Ceará já havia ingressado numa nova política industrial; só mais tarde é que o Cariri se insere na proposta de interiorização industrial.
Em 1996, foram implantadas as indústrias de calçados GRENDENE e bicicletas CALOI em Crato. Juazeiro do Norte atraiu a fábrica de máquinas de costura e motores elétricos, SINGER, com investimentos em torno de R$ 8 milhões e 250 empregos diretos, além de pequenas e médias empresas no setor calçadista (BANCO DO NORDESTE, 1999)