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the perspective of marginalized groups

Lucerna de volutas; Nº inventário:PF00/7261-3; Est. VIII nº29;

Porção de discus em que se encontra preservada, de modo parcial, a representação de um elemento antropomórfico masculino de frente, mostrando o tronco, os braços, embora não na sua totalidade, e as pernas, igualmente incompletas, mas com a característica de ter bastante perceptível um falo com proporções desmedidas. Segura o que parece ser algo semelhante a uma lança no braço esquerdo, mas não é totalmente perceptível.

Esta é uma cena de interpretação difícil, pois não encontrámos nenhum paralelo com estas características. Todas as representações masculinas desnudas (como os exemplos que encontramos nesta mesma colecção, nomeadamente Hércules, Actéon ou Ulisses), aparecem com os falos perfeitamente proporcionais, mas neste exemplar, o falo devido às suas dimensões, encontra-se em destaque.

O tronco apresenta umas formas mais arredondadas, o que poderá afastar-se da representação de uma entidade divina, com excepção de Baco, que muitas vezes era mostrado mais corpulento, mas não encontrámos paralelos para uma representação de Baco desta forma desnuda e itifálica.

A iconografia de Dionísio, Marte ou Mercúrio por sua vez, surgem com linhas corporais mais gráceis e proporcionais, embora por vezes com gestos semelhantes ao que se pode encontrar nesta figura.

3) – INDETERMINADOS

Alguns fragmentos da colecção da Praça da Figueira contêm pequenos vestígios de decoração no discus cuja identificação permanece indeterminada, por causa da dimensão extremamente reduzida ou do desgaste dos fragmentos, ou então por se tratarem apenas de uma pequena fracção da imagem representada.

Dentro desses exemplares, destacamos uma porção de discus que parece mostrar um rosto de frente, embora sem detalhe devido ao desgaste (PF00/4606 1-2/[8059], Est. XI, nº55). Pouco mais podemos aduzir sobre este fragmento, pois não detectámos qualquer semelhança com paralelos de entre a bibliografia consultada.

Noutro podemos ver uma figura antropomórfica acompanhada por um animal, que se assemelha a um cão, no discus do que identificamos como uma lucerna de disco (PF00/4669-3/[3737] Est. XXVII, nº181).

Num terceiro caso, é possivel identificar uma imagem aparentemente masculina de perfil, com o braço direito levantado como se estivesse a segurar algo, e o direito ligeiramente esticado para a frente. Sob o braço está uma pequena porção do orifício de alimentação (PF00/7210/[8059] Est. XXIII, nº149). Neste caso a dificuldade prende-se mais pelo grande desgaste da imagem, que não permite identificar mais detalhes da figura representada, podendo-se assim tratar de uma cena de gladiadores ou de circo, de combate ou até uma imagem de teor erótico, mas sem qualquer tipo de exactidão.

Noutro exemplar, podemos observar o que aparenta ser um elemento arquitectónico, embora o desgaste da decoração seja impeditivo de se fazer uma análise mais rigorosa (PF00/7001-11/[8936] Est. XXI, nº131). Não encontrámos paralelos para esta iconografia.

9.1.3.Fauna

1) – MAMÍFEROS TIGRE

Lucerna de disco, tipo Dr.-Lamb. 20; Nº inventário: PF00/4620/[8005]; Est.XVII, nº114;

Representação bastante completa e com grande detalhe de um grande felino, de perfil, virado para a direita. Jean Deneauve identifica esta figura como sendo uma pantera na sua descrição, um paralelo exacto para esta imagem que se encontra em Cartago (DENEAUVE, 1969, p.182), mas a nosso ver, tratar-se-á de um tigre, pois a pelagem apresenta riscos bastante perceptíveis, mais semelhantes aos tigres, do que às panteras que são negras.

As patas traseiras apresentam uma folhagem, tal como o exemplar de Cartago, mas não existe interpretação para este detalhe.

Como acima mencionámos, em relação à figura de Baco com a pantera, estes felinos encontram-se associadas aos cultos e cortejos dionisíacos, mas neste caso, como se trata de uma representação isolada, podemos apenas estar diante de uma imagem de um animal exótico, e assim uma opção estética que demonstra o gosto pelo diferente e singular.

Paralelos: Cartago, DENEAUVE, 1969, p.182, PL LXXVI, nº830;

CAVALO

Lucerna de volutas(?); Nº inventário:PF00/7210[8059]; Est. XXIII, nº149;

Trata-se de um fragmento bastante reduzido que conserva apenas as duas patas dianteiras de um cavalo, com parte do orifício de alimentação. Apresenta um gesto de movimento, como se estivesse a saltar ou a correr. Devido ao facto de apenas estar preservado uma reduzida parte da cena, não é possível determinar qual o contexto da representação. As representações de cavalos aparecem com bastante frequência em lucernas imperiais do século I d.C., como parece ser este o caso, que devida a estreita espessura do disco, parece tratar-se de um exemplar de uma lucerna de volutas, embora de tipologia indeterminada.

A variedade de cenas onde se pode observar cavalos, vão desde cenas de circo e anfiteatro, com parelhas duplas ou quadrigas de cavalos, a representações de cavalos simples, a galope, parados, cavalos alados, ou até cenas do quotidiano. Poderá tratar-se igualmente das patas dianteiras de um centauro, também profusamente representados neste tipo de lucernas.

2) - CRUSTÁCEOS VIEIRA

Lucerna de Volutas; Nº inventário: PF00/4599/[3920]; Est.VII, nº23;

Representação de uma vieira, parcialmente preservada que ocupa toda a área do discus. O orifício de alimentação encontra-se sobre a charneira, ligeiramente para a esquerda. É um motivo decorativo muito comum nas lucernas, variando apenas a sua forma, nomeadamente o número de gomos representados, o relevo que mostra, o tipo de charneira e a localização do orifício de alimentação.

A vieira é um elemento sagrado, amplamente relacionado com o culto a Afrodite (BAILEY, 1988, p.85).

Paralelos: British Museum – Londres, BAILEY, 1988, p.86, Q2879 – o paralelo mais exacto que encontrámos para esta vieira.

3) - PEIXES