4.2 Utvalgets forslag
4.2.5 Personstraff og lempning
A partir da definição de estratégia como uma consistência no comportamento, seja pretendida ou não, Mintzberg (1978, p. 12) cria o conceito de estratégia emergente: uma estratégia realizada sem, no entanto, ter sido intencionada ou planejada.
A figura 1 apresenta, graficamente, os conceitos de estratégia pretendida, estratégia deliberada e estratégia emergente.
Figura 1
Estratégias pretendidas, deliberadas e emergentes
Fonte: Mintzberg (1987, p.14).
Das estratégias pretendidas previstas, figura 1, as estratégias que foram efetivamente implementadas são chamadas estratégias deliberadas. As estratégias pretendidas não implementadas são denominadas estratégias não-realizadas. As estratégias emergentes formadas conjuntamente com as estratégias deliberadas são nomeadas estratégias realizadas.
De acordo com Mariotto (2003, p. 80), em torno da idéia básica de estratégia não planejada ou emergente, diferentes autores abordaram o fenômeno da emersão, a partir de perspectivas diversas.
2.2.5.1 A estratégia emergente como fenômeno hierárquico
As estratégias podem surgir de iniciativas de níveis mais baixos da hierarquia quando induzidas pela alta direção (MARIOTTO, 2003, p. 80). Para tanto, a alta organização define metas estratégicas ou limites, dentro dos quais esses agentes organizacionais devem ou podem agir (MINTZBERG; QUINN, 2001, p. 29). Um exemplo desse tipo de estratégia emergente é dado por Mariotto (2003, p. 80): “estratégias no nível das áreas de negócio podem emergir – serem ‘induzidas’ – como resultado de uma estratégia corporativa mais ampla instrumentada
Estratégias deliberadas Estratégias pretendidas Estratégias não-realizadas Estratégias emergentes Estratégias realizadas
pelos diversos mecanismos administrativos que dirigem os interesses dos atores estratégicos na organização”.
Nesse modelo, denominado por Mintzberg e Quinn (2001, p. 29), “estratégia guarda- chuva”, percebe-se um duplo fluxo de influências. A alta direção induz o comportamento dos empregados de nível hierárquico mais baixo por meio do direcionamento estratégico e de mecanismos de controle e esses empregados definem novos projetos para suas áreas de negócio (MARIOTTO, 2003, p. 80-81). Uma variação desse modelo se dá quando os níveis hierárquicos inferiores tomam iniciativas, além da estratégia corporativa, posteriormente endossadas pela alta direção que pode vir, até mesmo, alterar a estratégia em curso para acomodá-las.
Nesse modelo, “a estratégia brota da base da organização e emerge até o topo” (MARIOTTO, 2003, p. 81).
2.2.5.2 A estratégia emergente como fenômeno cognitivo
Mariotto (2003, p. 81) levanta a questão: “e se os compromissos fossem firmados e as ações tomadas antes que os objetivos fossem definidos? Ou, de maneira ainda mais radical, e se a organização agisse com o fim de descobrir seus objetivos?”.
Essa questão leva ao pensamento de March (1976), citado por Mariotto (2003, p. 81), para quem “o comportamento humano é tanto um processo de descobrir objetivos, como o de agir a partir deles” e propõe que a ação seja tratada como uma forma de criar objetivos interessantes e os objetivos encarados como uma forma de justificar a ação. Ou seja, as estratégias podem se formar na ausência de intenções prévias, as intenções podem surgir à medida que a organização age e a estratégia emergente pode incluir a emersão dos objetivos.
De acordo com Mariotto (2003, p. 82), essa linha de raciocínio tem estreita relação com o processo denominado por Weick (1979) apud Mariotto (2003, p. 82) como “criação retrospectiva de sentido”. Dentro do contexto de criação de estratégias pelas organizações, Weick (1979) afirma que “as organizações formulam estratégias depois que as implementam, não antes”, pois é a partir da implementação que as pessoas podem olhar para trás e concluir que o implementado é uma estratégia. Ou seja, “as estratégias emergem depois da ação, na forma de percepções que dão sentido àquilo que foi feito”.
Gioia e Mehra (1996, p. 1.229) não concordam com a afirmação de Weick (1979) de que o processo de criação de sentido é apenas retrospectivo, que envolve variações no tema de
retrospecção e reflexão de experiências passadas. Para Gioia e Mehra (1996, p. 1.229-1.230), a criação de sentido retrospectiva é o resultado de eventos que já ocorreram, ao passo que a criação de sentido prospectiva tem o propósito de criar importantes oportunidades para o futuro. Assim, é uma tentativa de estruturar o futuro imaginando um estado desejado contextualizado no presente, mas realizado no futuro. Envolve a projeção de símbolos idealísticos para representar aspirações. Na criação de sentido retrospectiva são descritos episódios, é-se capazes de imaginar não apenas o estado futuro, mas também uma seqüência plausível de eventos, considerados como já acontecidos, que conduzirá ao estado futuro. Gioia e Mehra (1996) ampliam esse pensamento ao incluir a “criação prospectiva de sentido”, isto é, a tentativa de vislumbrar um estado futuro hipotético que, mesmo impossibilitado de construir uma narrativa de como chegar lá, oferece o ímpeto para a ação (MARIOTTO, 2003, p. 82).
Para Mariotto (2003, p. 85), nessa concepção, “uma estratégia aparece quando a organização começa coletivamente a percebê-la”.
2.2.5.3 A estratégia emergente como resultado de auto-organização em sistemas complexos
A Teoria da Complexidade trata os sistemas adaptativos complexos como sistemas formados por um grande número de agentes independentes que interagem entre si, de inúmeras formas, de acordo com suas regras individuais de comportamento. Essas interações promovem, via auto-organização, o surgimento espontâneo de um novo padrão que não pode ser inferido a partir do conhecimento das regras comportamentais individuais, e sim da interação dessas regras. Para Mariotto (2003, p. 83), a aplicação desse conceito nas organizações pode contribuir para explicar a emersão de padrões [estratégias emergentes] resultantes de ações autônomas de agentes individuais despreocupados das conseqüências de suas ações para o sistema como um todo.
Relacionada a esse tipo de emergência, Mintzberg e Quinn (2001, p. 29) citam a estratégia desconectada.
Membros das subunidades, pouco ligados ao resto da organização, produzem padrões nos fluxos de suas próprias ações [de acordo com suas regras comportamentais individuais e] na ausência de ou em contradição direta das intenções comuns ou centrais da organização como um todo.
Para Mariotto (2003, p. 85-86), essa concepção vê a estratégia emergente como uma estratégia que se desenvolve como resultado espontâneo de inúmeras ações não coordenadas.
2.2.5.4 A estratégia emergente como fenômeno de aprendizado
O modelo de aprendizado da formação de estratégias de Mintzberg (1990), apresentado por Mariotto (2003, p. 84-85), defende o conceito de estratégia emergente como meio para abrir as portas para o aprendizado. Esse modelo reconhece a capacidade de a organização fazer experimentos a fim de se adaptar à mudança ambiental e aprender com seus sucessos e fracassos, para detectar e corrigir desvios, assumir os desvios positivos e reconhecê-los como estratégias, bem como para inovar.
Nesse modelo, de acordo com Mariotto (2003, p. 85), o papel dos dirigentes é gerenciar o processo de aprendizado estratégico, não conceber previamente estratégias deliberadas. Mintzberg e Quinn (2001, p. 29) apresentam o conceito de estratégia de processo. “A liderança controla os aspectos processuais da estratégia [...], deixando o contexto da estratégia em si para outros”.
Para Mariotto (2003, p. 86), nesse modelo “a estratégia desenvolve-se quando a organização corrige suas ações ou, em um patamar mais alto, quando corrige seus próprios planos”.
Essas perspectivas, de acordo com Mariotto (2003, p. 86), são mais complementares que conflitantes ou mutuamente exclusivas e para reforçar essa conclusão apresenta um exemplo hipotético:
uma série de iniciativas tomadas independentemente por diferentes gerentes operacionais na base de uma organização pode resultar em uma ação conjunta – um fenômeno de auto-organização em sistemas complexos – que se torna gradualmente conhecida pelos níveis superiores – fenômeno hierárquico –, em que é percebida como algo que produz resultados interessantes, não considerados anteriormente como objetivos pela organização – fenômeno cognitivo –, e ser então incorporada à estratégia intencionada pela organização – fenômeno de aprendizado.