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Mekas construiu sua trajetória diante de um contexto de rupturas. A Segunda Guerra Mundial não somente o obrigou a fugir do seu país de origem, como também o fez entender o contexto sócio-histórico ao qual pertenceu diante de uma outra perspectiva. A sua inserção na sociedade norte-americana e a sua afirmação dentro do meio cinematográfico nova-iorquino passaram inevitavelmente por um entendimento sobre a sua condição de exilado. Ao ir para os EUA, Mekas não somente construiu um outro olhar sobre as suas origens europeias, como também fez da cultura americana um campo para descobrir as suas próprias convicções. Os seus textos evidenciam, assim, um processo de transformações e de afirmação de um exilado que cons- truiu nos EUA o seu lugar de fala, o seu lugar no mundo.

Se, por um lado, Mekas chegou aos EUA com o sonho de se tornar um ci- neasta em Hollywood, a sua trajetória foi continuamente mostrando uma relação conflitiva com esse objetivo inicial. Como admirador que se tornou da literatura beat e do novo cinema americano dos anos 1950 e 1960, Mekas buscou compreender o cinema dentro de um contexto mais amplo. Sua afirmação, não somente na sociedade americana, como também no âmbito

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audiovisual começou a ocorrer à medida que ele encontrou, num cinema feito às margens de Hollywood, uma causa pela qual lutar. Os textos que escreveu para a Film Culture e para o Village Voice se tornariam não somente uma trincheira em defesa de um novo cinema americano, como também um campo em que ele pôde desenvolver as suas convicções estéticas que anos mais tarde foram determinantes na construção da sua obra fílmica. Mais do que ser uma simples transição na sua trajetória, esses textos também constroem um fluxo de influências cinematográficas que contri- buíram diretamente para a formação do olhar de Mekas. Sua obra fílmica efetivamente teve início através desses escritos, através do diálogo que ele procurou estabelecer com os filmes de outros realizadores. Ao buscar no cinema underground e no cinema amateur um campo de liberação das convenções narrativas consagradas nos filmes de Hollywood, Mekas poten- cializava nos seus textos um entendimento mais amplo sobre o cinema. A partir das imperfeições, das improvisações, dos despojamentos estilísticos e dos ruídos técnicos, Mekas exaltou uma busca mais errática e menos pro- fissional no cinema, mais poética e menos técnica. É neste sentido que os seus textos evidenciam um período de afirmação, que vieram determinar tanto a construção da sua obra cinematográfica, como o seu lugar dentro do cinema norte-americano e mundial.

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Filmografia

Blonde Cobra (1963), de Bob Fleishner. Eat (1963), Andy Warhol.

Flaming Creaturs (1963), de Jack Smith.

Glimpse of the garden (1957), de Marie Menken. Go! Go! Go!, (1964) - Marie Menken.

Little Strab at Hapiness (1963), de Ken Jacobs. Lost Lost Lost (1976), de Jonas Mekas. Mothlight (1963), de Stan Brakhage.

Pull my Daisy (1959), de Robert Frank e Alfred Leslie.

Reminiscences of a Journey to Lithuania (1971-1972), de Jonas Mekas. Scoth tape (1963), Jack Smith.

Shadows (1959), de John Cassavetes.

The Queen of Sheba Meets the Atom Man (1963), de Ron Rice. Walden (1964-1969), de Jonas Mekas.

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