Consigo identificar pelo menos três grandes campos bastante promissores (porque necessários mas pouco explorados) para o estudo do capital social:
Em primeiro lugar, estudos sobre a medição de capital social. Os principais problemas desta área de estudos já foram descritos de maneira exaustiva no item acima.
Em segundo lugar, estudos teóricos e análises de políticas públicas criadoras, mantenedoras e destruidoras de capital social. É preciso descobrir que tipos de arranjo institucional ou de políticas públicas são capazes de criar ou de aumentar o estoque de capital social existente em uma localidade. Mas também é preciso saber quais tipos de política, ao contrário, contribuem para a diminuição deste capital social – Putnam verificou, em seu
último trabalho, que os níveis de capital social nos Estados Unidos estão decaindo; um passo importante é descobrirmos os porquês.
Em terceiro lugar, estudos teóricos e análises de políticas públicas que tirem proveito do capital social existente. Uma série de pequenos estudos de caso financiados pelo
Social Capital Initiative (SCI), do Banco Mundial, mostrou que diversas políticas públicas no
mundo inteiro foram beneficiadas, em termos de aumento da efetividade, da redução de custos etc., pela existência de um alto nível de capital social em seu público-alvo. Faltam trabalhos normativos nesta área, mostrando de que forma políticas públicas podem ser concebidas visando à utilização deste capital social.
A partir da entrada no Doutorado, meu próximo passo será o de tentar contribuir para a primeira área, isto é, a medição de capital social. Estimulo os pesquisadores que tenham interesse neste tema a estudarem também os demais desafios listados.
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