Esta Categoria foi dividida em três contextos para atender ao último objetivo específico: Verificar como os integrantes perceberam os efeitos das manifestações, bem como as suas perspectivas para o futuro.
Figura 19 – Categoria Efeitos das Manifestações. Fonte: Dados da pesquisa.
EFEITOS DAS MANIFESTAÇÕES
Reivindicações
Mudanças
3.1.4.1 – Contexto reivindicações
Se pudesse ser utilizado um jargão político para ilustrar o quanto cresceram as reivindicações das Jornadas de Junho ele seria “nunca antes na história desse País, vinte centavos custaram tão caro”.
No último domingo, dia 02 de junho, a prefeitura e o governo do Estado aumentaram o valor da tarifa no transporte público da capital paulista para 3,20. Apesar do argumento de que o aumento é abaixo da inflação e da promessa da implementação do bilhete único mensal, defendemos que todo aumento de tarifa é injusto e aumenta a exclusão social. No Brasil existem mais de 37 milhões de pessoas que não podem usar o transporte público por causa dos altos valores das passagens. O Passe Livre luta junto à população por um transporte público de qualidade e pela tarifa zero para todos (KNIJNIK; LIMA; ORTELLADO, 2013, p. 28).
Os protestos que tiveram início no dia 05 de junho de 2013, com a publicação do texto acima no Facebook, por causa do aumento de R$ 0,20 (vinte centavos de real), cresceram, chegando ao ponto da população reivindicar, segundo pesquisa CNT/MDA (2013): o fim da corrupção (40,3%); melhorias na saúde (24,6%); reforma política (16,5%); melhorias na educação (7,8%); melhorias no transporte público (4,6%), ou seja, o que era pauta principal, transporte público, ficou com um dos menores índices. Braga (2013) cita pesquisa do Ibope que teve como resultado números bem diferentes. Os problemas mais citados pelos manifestantes eram: saúde (78%), segurança pública (55%), educação (52%) e apontava como principal razão dos protestos o transporte público (77%).
As reivindicações em Imperatriz, que também tiveram seu início por causa do transporte público, tomaram o mesmo rumo, abraçaram os protestos nacionais e repetiram as reivindicações, mas não se pode afirmar que na mesma proporção, pois não foram realizadas pesquisas à época das manifestações.
Reis (2013) salienta que as reivindicações espalhadas por todo País estavam centradas na área política: o julgamento de políticos no caso do “mensalão”, críticas à proposta da “cura gay” por um deputado da “bancada evangélica”, comparações dos serviços públicos prestados nas áreas de saúde e educação com o “padrão FIFA”, numa alusão aos recursos destinados às obras dos estádios de futebol e ainda pedindo o arquivamento da Proposta de Emenda Constitucional – PEC nº. 37/2011, que desautorizaria o Ministério Público de investigar crimes.
Em Imperatriz as principais reivindicações, além das colocadas nas pautas nacionais, foram: o rompimento do contrato com a empresa de transporte coletivo e melhoria de condições para os estudantes da Universidade Federal do Maranhão. Como sindicatos e movimentos sociais também se alinharam aos protestos, cada um deles levou sua bandeira, entretanto, os ligados aos movimentos estudantis foram os dois citados.
Figura 20 – Reivindicações – Coordenadores. Fonte: Dados da pesquisa.
Figura 21 – Reivindicações – Participantes. Fonte: Dados da pesquisa.
Pelas respostas oferecidas, tanto pelos coordenadores quanto pelos participantes, as reivindicações não foram atendidas, pelo menos não na dimensão
Reivindicações
Um dos ganhos foi esse, substituição da frota ... ,o que nos queríamos era a quebra do contrato (C1).
Sim, sim e não, mexeram na UFMA, mas não da maneira que era pra ser (C2).
A gente não conseguiu o que a gente queria ... mas a gente conseguiu, sim, muitas melhorias no transporte de imperatriz (C3). As vitórias ainda não foram alcançadas (C4).
Reivindicações
Acho que não teve quase nenhuma mudança, se teve foram poucas (P1).
Eu não achei que resolveu muita coisa. (P2).
Não foi o que eu esperava ... foi andando e chegou no meio do caminho (P3).
Em algum sentido eu acredito que sim (PEC 37) ... e teve algumas coisas que não foram, assim não teve
desejada inicialmente. O contrato com a empresa de transporte não foi quebrado, embora a frota de ônibus tenha sido trocada, os horários das viagens revistos e o passe único implantado. No tocante às melhorias nas instalações da UFMA, algumas foram feitas, outras não, outras parcialmente, daí a resposta demostrando frustação da entrevistada C2.
Chama a atenção também a resposta da entrevistada P4, que, apesar de reconhecer que houve resultado quando à reivindicação sobre a não aprovação da PEC nº. 37/2011, o que para ela deve ser relevante, pela área de formação acadêmica, findou por dizer que como algumas reivindicações não foram atendidas. “Assim não teve resultado” se torna significativo.
Esse sentimento de frustração é diretamente ligado aos valores atribuídos aos atos e a cada reivindicação. Como as pautas nas manifestações eram diversas, cada uma teve uma intensidade de valor diferente para cada integrante.
Quando trata da interpretação filosófica e sociológica dos valores, Mannheim (1962, p. 197) esclarece que “os valores não são entidades abstratas, [...] não tem sentido falar em valores como se existissem independentemente do sujeito que avalia ou do grupo para o qual são válidos”. Os jovens estudantes que participaram das manifestações estavam indo às ruas para defender valores, os quais julgavam naquele momento, serem importantes, para a cidadania. O valor, assevera Mannheim (1962), não é próprio a nenhuma atividade, mas pode, e tudo o mais que de alguma forma estiver ligado a esta atividade, tornar-se valioso, à medida que se sobressair no contexto da vida.
3.1.4.2 – Contexto mudanças
O grito não foi ouvido somente às margens do Ipiranga, foi ouvido por todo País, os jovens pediam mudanças. Apesar da maioria dos manifestantes pertencer à classe média (Maricato, 2013), as mudanças pedidas não eram para atender exclusivamente a nenhuma classe social, a algum movimento social, a algum sindicato etc. “Os brasileiros [...] não saíram às ruas para reivindicar o direito a integrarem a elite que faz uso de hospitais de ponta ou mandam os filhos para as melhores escolas privadas aqui ou no exterior ” (REIS, 2013, p. 27).
A principal mudança ocorrida nas Jornadas de Junho não foi o atendimento ou não das reivindicações (somente algumas foram efetivadas), foi a percepção da juventude de que pode ser ouvida, que o espaço público imaterial pode ser alcançado através de manifestações. ”A questão não é só garantir emprego e objetos de consumo. Sinto que eles querem sentir que poderão ser protagonistas de seu País e de sua vida” (SAKAMOTO, 2013, p. 98).
A conscientização cidadã, a fagulha que pode incendiar a pradaria, foi lançada e é isso que pode ser observado nos depoimentos dos entrevistados.
Figura 22 – Mudanças – Coordenadores. Fonte: Dados da pesquisa.
Figura 23 – Mudanças – Participantes. Fonte: Dados da pesquisa.
Mudanças O ganho foi muito mais social, né?
Eles começaram a acreditar, pôxa a população traz uma resposta (C1).
Meu sentimento é não mudou muito em relação a: eu não tenho descrença em relação ao Brasil, eu tenho preguiça dessa juventude ociosa. Entendeu? (C2).
É eu sinto assim que valeu muito a pena, né? ... eu acho assim que o principal foi feito, que foi levantar o debate, as pessoas estava (sic) debatendo sobre as pautas do: Município, do governo, da do: País, entendeu? (C3)
Foi um despertar de consciência, né? As pessoas perceberam que, se elas não saírem, se elas não falarem, se elas não saírem diretamente do seu trabalho para uma manifestação, elas não conseguem direitos (C4).
Mudanças A gente conseguiu vários
jovens pra fazer parte, né? Mas não teve assim o que era esperado (P1).
Hoje eu não iria mais, iria se fosse outra coisa, mais organizada (P2).
Foi de fundamental importância tudo que aconteceu, né? porque não tem como não dizer que não muda, a gente, de alguma forma muda (P3).
Foi importante pra minha vida como cidadã ... fica assim aquele anseio de ver novamente, da gente fazer alguma coisa pra tentar mudar (P4).
Deu aquela sensação de que não somos mais bestas, de ficar aguentando tanta coisa calado, é:, podemos gritar e juntos, é mobilizar e fazer algo mais (P5).
É, né? Parece que não serviu de muita coisa, foi só mostrar que as pessoas/ é a gente sabe, que tá com problema vamo ali, mas depois volta pra casa assiti o futebol (P6).
Embora nem todos os entrevistados relatem que perceberam mudanças nas suas vidas, na juventude e, por conseguinte, na sociedade, os que falam que perceberam mudanças são taxativos, já que as entrevistas foram realizadas durante o ano de 2015, portanto, aproximadamente dois anos após as Jornadas de Junho e não no auge das manifestações. Esse sentimento de mudança que persiste nos jovens é importante, pois ele será o responsável por mudanças amanhã.
As mudanças solicitadas nas Jornadas de Junho não foram unicamente mudanças pontuais. Žižek (2013) explanando sobre os protestos globais, incluídos os ocorridos no Brasil, aos quais chamou de “Problemas no Paraíso”, coloca que deve ser evitado o essencialismo nas manifestações atuais, pois o que é compartilhado entre os manifestantes é o sentimento de desconforto e de descontentamento e é esse que sustenta e une as demandas particulares.
Foracchi (1972, p. 13) mostra a atualidade de suas observações quando fez o estudo da juventude à época e observou: “Não parece razoável supor que uma sociedade que ofereça alternativas de vida tão insatisfatória para os jovens, seja uma sociedade integralmente aceita pelos adultos”. De acordo com a pesquisadora, o caminhar do movimento da juventude por mudanças nega o sistema vigente, mesmo que seja um caminhar improvisado e espontâneo, tentando implantar outro estilo de vida.
3.1.4.3 – Contexto futuro
As manifestações deram uma trégua, mas as reivindicações não cessaram, até porque não foram todas atendidas, mas a ida às ruas, pelo menos no volume visto em junho/2013, teve significativa diminuição. De acordo com Nogueira (2013), a baixa das manifestações, após junho, era previsível, pois:
Ora ativas, ora em silêncio, elas não têm como se mobilizar de modo permanente e somente podem manter regularidade se estiverem acompanhadas de sujeitos políticos qualificados para cria pontes com o Estado. Os partidos, porém, não estão em condições de ajudá-las nisso nem são aceitos por elas. A busca de autoexpressão, que tipificou parte das manifestações, não organiza consensos ou agendas. Ao menos no curto prazo e movidas pelo clamor espontâneo, as ruas não têm como ir muito longe. Novas mobilizações, se vierem a espocar, poderão alterar cálculos e previsões. Mas o sistema retomou o controle da situação (NOGUEIRA, 2013, p. 63).
Castells (2013) oferece uma perspectiva diversa. Argumenta que os movimentos sociais em rede, assim como todos os movimentos sociais da história, se dissolverão em algum momento, mas não antes de deixar um legado, uma mudança cultural produzida com sua ação.
As manifestações em Imperatriz-MA, segundo relatos dos entrevistados, deixaram marcas e provavelmente, para alguns deles, terão significado uma fase, um destaque especial em suas vidas, assim como as manifestações ocorridas nos anos 70, 80 e 90 deixaram marcas em alguns jovens estudantes manifestantes daquelas épocas.
Mannheim (1979, p. 95) afirma que “A juventude não se apresenta progressista nem conservadora por natureza, mas é uma potencialidade que está pronta para qualquer nova orientação da sociedade”, o que é corroborado por Foracchi (1965, p. 302) quando coloca que “a juventude é, ao mesmo tempo, uma fase da vida, uma força social renovadora e um estilo de existência”. A relação do jovem com a sociedade e desta para com ele é dialética, flui de maneira a ambos sofrerem transformações e desse emaranhado de transformações no presente vai- se tecendo o futuro.
Braga (2013, p. 82) faz uma previsão: “O país entrou no ritmo do sul da Europa, e arrisco afirmar que viveremos ainda um bom tempo sob a sombra desse explosivo estado de inquietação social”.
3.1.4.3 – Contexto futuro
Figura 24 – Futuro – Coordenadores. Fonte: Dados da pesquisa.
A semana passada eu me reuni com eles (sindicatos), ... Na época eu num, num era filiado a partido nenhum, eu me filiei recentemente (C1).
Em relação ao meu futuro profissional, a militância abriu, sim, portas, mas não é esse meu objetivo ... Eu tava lutando pelo que eu acredito, pelo direito de brigar pelo que você acredita (C2). A questão profissional é: por surpresa minha me deram esse estágio aqui, porque o (agente público), o (órgão público) ajudou a gente no tempo, e ele ficou precisando de uma assess/ uma estagiária assessora de comunicação e me chamou. Na época ele me conhecia do movimento e tal e ele queria alguém assim com esse perfil ... hoje eu tenho um estágio e digo com todas as letras que foi graças ao movimento (C3).
Eu estou me formando em Direito... eu estava naquela luta, sentindo na pele o que é e qual o perigo de não se garantir direitos da população ... Aquelas manifestações mudaram minha vida ... agora eu posso dizer que, se houver politização, se houver discussão, se houver dentro das bases um trabalho de/ que tenha um cuidado com as lideranças ... a gente consegue fazer um movimento de mudança (C4).
Figura 25 – Futuro – Participantes. Fonte: Dados da pesquisa.
Foracchi (1972), mais uma vez mostra a perenidade de seus estudos quando trata da crise na universidade, que extrapola seus muros e chega à sociedade. A situação atual não é a mesma encontrada nos anos 60 e 70, mas afeta o jovem estudante e dele obtém respostas:
Formados no limiar da crise do sistema que, através deles, assiste ao esgotamento das suas alternativas de vida, esses jovens tentam antecipar- se ao futuro, esforçando-se por demonstrar, de modo socialmente eloquente e significativo, a emergência de uma nova ordem social e cultural, cujos fundamentos são incapazes de definir, mas cuja realidade subjaz à contestação da juventude. Sob esse aspecto, na sociedade moderna, o movimento de juventude ultrapassa o movimento estudantil, embora estejam identificados circunstancialmente (FORACCHI, 1972, p. 78).
Os relatos mostram que as manifestações já propiciaram de alguma forma um caminho para o futuro profissional dos coordenadores: C1 filiou-se a um partido político e provavelmente deverá ser candidato nas próximas eleições; C2 está atuando em um jornal local; C3 afirma que só está estagiando no órgão público
Futuro Eu espero pro meu
futuro é me formar e queria também mudança, que ia me ajudar bastante, mas acho pouco provável que isso aconteça, mas eu quero muito me formar, terminar minha faculdade, trabalhar na minha área, que eu gosto muito (P1).
Como eu vou me formar em jornalismo, eu posso estar fazendo alguma matéria sobre tal coisa, mas não que eu queira ir participar como manifestante, não irei mais, agora, como profissional, meu lado profissional com certeza eu irei (P2).
A gente aprende muita coisa nessas manifestações, não tem como negar, a gente aprende muita coisa, a gente aprende como se organizar, quanto como cidadão, como estudantes
principalmente, né? (P3).
Que eu possa ser uma defensora, que faça valer o título de defensora pública [almeja ser] do cidadão, daquele que precisa de/ de, alguém ... prá promover os direitos dos hipossuficientes (P4). Hoje eu tenho visão
de mundo
totalmente diferente e as manifestações contribuíram de forma positiva pra/
pra esse
esclarecimento (P5).
Foi um momento muito específico ... não influenciou muita coisa, não acrescentou nem diminuiu ... particularmente não influenciou em nada (P6).
devido à participação nas manifestações e C4 continua, e com mais ênfase, a sua atuação junto a movimentos sociais e sindicatos.
Quanto aos participantes, nada foi relatado de forma tão específica em termos de empregabilidade e ações, o que leva a supor que estar em evidência nas manifestações, permite maior visibilidade junto à sociedade e propicia mais facilmente a abertura de espaços na área profissional, podem ser os reflexos de terem se tornado os elos mais fortes, citado por Scherer-Warren (2006).
No tocante a novas manifestações os coordenadores mostraram um novo posicionamento: C1 pensa em fazer mobilizações, mas com o foco voltado agora para a política partidária; C2 agora está mais voltada para o término de seu trabalho de conclusão de curso; C3, que criou o movimento Fora VBL, colocou que hoje está sem tempo, que o seu foco mudou e que participaria, mas que a participação não chegaria a um décimo do que era antes, e C4 afirmou: “deixa só o canarinho parar de cantar no meio da rua, feito besta, e a gente retoma as lutas, né?” Foi uma alusão à tomada das manifestações por grupos que representam partidos, mas que não se apresentam como tal.
Essas mudanças de posicionamento remetem ao exposto por Foracchi (1965), quando trata da transitoriedade da condição de estudante. As preocupações agora parecem estar mais voltadas para as situações da classe social de origem ou da graduação adquirida na educação superior. As cobranças acadêmicas para o término do curso, o estabelecimento de horários, seja no estágio ou no trabalho, retiram do estudante a liberdade de tempo para pensar a sociedade e de atuar na sua transformação. Enquanto estudante para si, o “prazo de validade” está chegando ao final.
Está terminando o período de um grupo de jovens, alguns deixando a educação superior como ex-estudantes, fizeram parte dos estudantes para si, outros como ex-alunos, foram estudantes em si, mas afortunadamente outros grupos estão chegando, fazendo com que uma nova injeção de ânimos adentre aos campi e às faculdades.
É essa constante renovação que permite a afirmação de Foracchi (1965, p. 303): “a condição de jovem não se distingue das demais a não ser pela sua singular capacidade de repetir-se ao longo da existência humana, recriando insatisfações vitais, nunca definitivamente aplacadas”.
Mannheim (1979) afirma que a crença existente em sua juventude, de que os jovens são naturalmente progressistas era uma falácia, pois tanto movimentos conservadores quanto reacionários podem também desenvolver movimentos de juventude:
Do nosso ponto de vista, a maior qualidade da juventude, no auxílio para que a sociedade opere em nova direção, está no fato de que, além de seu espírito de aventura, ela não se acha ainda completamente envolvida no
status quo da ordem social (MANNHEIM, 1979, p. 94).
O Quadro 12 apresenta um resumo da Categoria Efeitos das manifestações.
Categoria Efeitos das Manifestações
Integrante Contextos / Síntese
Reivindicações Mudanças Futuro
C1 Parcialmente Conscientização Política C2 Parcialmente Descrença Cidadania C3 Parcialmente Conscientização Profissão C4 Parcialmente Conscientização Cidadania
P1 Limitada Incompletude Profissão
P2 Limitada Descrença Profissão
P3 Limitada Conscientização Cidadania
P4 Não Incompletude Cidadania
P5 Limitada Crença Profissão
P6 Parcialmente Descrença Profissão
Quadro 12 – Resumo da análise da Categoria Efeito das Manifestações. Fonte: Dados da pesquisa.
CAPÍTULO IV – CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este capítulo traz as conclusões do estudo realizado e sugestões para que sejam realizadas novas pesquisas que compreendam os jovens estudantes. A pesquisa teve como foco a mobilização social que ficou conhecida como “As Jornadas de Junho”, ocorridas no ano de 2013, para investigar quem eram e o que queriam os jovens universitários que saíram às ruas de Imperatriz-MA, clamando palavras de ordem que se repetiam país afora.
Na busca pela resposta aos questionamentos, o primeiro passo foi identificar o perfil sócio demográfico e educacional dos jovens integrantes, não só para classificá-los enquanto classe social de origem e nível educacional, mas também para poder selecionar os que se enquadravam nos requisitos para a pesquisa.
Em um segundo momento foram investigadas as motivações que os levaram às manifestações e se as redes sociais foram utilizadas no processo e, em caso afirmativo, quais as redes.
Posteriormente foram verificadas as percepções dos efeitos das manifestações e quais eram as perspectivas de futuro para esses jovens.
Para a análise dos posicionamentos dos entrevistados foi utilizada a análise de conteúdo, associada ao materialismo histórico, o que permitiu uma visualização contextualizada dos fatos ocorridos.
Como referencial teórico foram utilizados basicamente três modalidades de obras. As clássicas, para a compreensão do pacto intergeracional, dos movimentos sociais, das redes sociais e das classes sociais. Para a compreensão e maiores informações sobre as manifestações ocorridas, foram consultados autores que produziram textos logo após as ocorrências dos fatos e para os dados do Município de Imperatriz, foram consultados autores locais e o site do IBGE.
Quanto ao primeiro objetivo concluiu-se que os jovens são, em sua maioria, oriundos de famílias de classes médias, indo desde a média baixa até a média alta e estudantes de instituições públicas. Chamou a atenção a distinção de classes entre os coordenadores (média alta) e os participantes (média baixa), o que permite afirmar que, em Imperatriz, mesmo tendo um viés de esquerda, foi a pequena burguesia que coordenou as manifestações, mostrando que, mesmo sendo facilitando o acesso às classes de renda mais baixas às instituições de educação
superior, ainda são os oriundos das classes sociais de maior renda que exercem a liderança.
A análise das respostas para o segundo objetivo específico verificou que