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Nonparametric evaluation of birth cohort trends

Tendo em vista a natureza heterogênica das estruturas econômicas, da quali- dade de suas instituições e de seus mercados financeiros, o impacto do desenvolvi- mento econômico varia de país para país. Nossa pesquisa cobre países emergentes classificados segundo os critérios do Banco Mundial como lower e upper e middle

income59, essa terminologia se refere de alguma forma a economias em desenvol-

vimento, ou emergentes e muito embora seja conveniente, não há intenção de con- siderar que essas economias estão experimentando um nível de desenvolvimento similar ou mesmo que tenham atingido algum nível específico de desenvolvimento. Suas estruturas econômicas são por natureza diversa e seus complexos fluxos de negócios específicos de cada uma.

Assim, desenvolvemos nosso modelo de maneira semelhante ao trabalho de Saquib (2013) que compara países em agrupamentos segundo seu nível de renda. Complementarmente a Saqib, optamos pelo grupo de países e variáveis utilizadas na abordagem de Samargandi et al (2013) no qual os autores optaram pelo modelo EF.

O gráfico 1, mostra a dispersão normal e ajustada dos resíduos da cada país. Podem-se observar os diferentes interceptos para cada país. O gráfico 1 revela ain- da que muito embora as inclinações dos resíduos de cada país sejam iguais, todos têm intercepto diferente. Essa heterogeneidade cruzada pode ser explicada pelo fato de que existem tantas variáveis não medidas que determinam GDP que sua influên- cia ocasiona um intercepto diferente para cada país.

Gráfico 1: Dispersão dos resíduos normal e ajustado por país

Fonte: Estimativas do autor.

Desenvolvemos nossos estudos experimentando nosso modelo básico, teste de li- nearidade, no qual testamos o nosso modelo básico sob a hipótese de não lineari- dade e teste de estabilidade macroeconômica, onde excluímos os períodos envolvi- dos na crise financeira de 2008.

Na Tabela 1 pode-se observar que o modelo (2) que testa a linearidade da re- lação entre DSF e crescimento econômico, ao contrário dos resultados encontrados em Wongswan et al (2013), Samargandi et al (2013) e Acemoglu (2012) não apre- sentou significância estatística. Apoiado na hipótese de que tal fato pode ocorrer pe- lo efeito da expressiva instabilidade econômica60 predominante na crise de 2008, testamos um modelo (Modelo 3) excluindo o período de 2008 a 2012, o qual também não apresentou significância para a hipótese de não linearidade.

Adicionalmente na Tabela 2, testamos ainda, separadamente, a hipótese de linearidade por grupos de países: Grupo 1 – Baixa Média Renda (Low) + Alta média Renda (Upper). Grupo 2 – Alta Média Renda (Upper) e finalmente o Grupo 3 – Baixa Média Renda (Low). Os resultados dos testes não encontram evidências de que no

período considerado o grupo de países da amostra apresentem relação não linear entre o DSF e o crescimento econômico.

Com o teste de Hausman -- H0 = estimativas EA consistentes, a hipótese nula

foi rejeitada.Tendo em vista, além do teste de Hausman, o número de observações, e o formato N > T, sendo "T" pequeno, optamos, a exemplo de Wongswan et al (2013) pelo modelo com efeitos fixos.

Na tabela 3, estão as estatísticas descritivas do modelo. A Variável FBK apre- senta grande curtose. A função de probabilidade é calculada pela fórmula geral:

(5) Essa função de probabilidade, chamada de leptocúrtica ou distribuição de caudas pesadas, nos indica a maior possibilidade de encontrarmos valores com a- fastamento de vários múltiplos do desvio padrão.

Na tabela 4, demonstramos a matriz de correlação das variáveis utilizadas no painel. A variável M2 apresenta correlação positiva com o GDP e indica uma relação estatística positiva entre DSF e crescimento econômico durante o período investiga- do. A relação entre o DSF e o crescimento econômico pode ser rompida quando o modelo utiliza dados anuais e nos períodos analisados há surtos de crédito. Tal fato pode estar relacionado com um indicador de crise bancária e possível queda de crescimento econômico61.

Preponderante na abordagem de Schumpeter como veículo de eficiência en- tre poupadores e empreendedores, os intermediários financeiros operam na redução do custo de capital e aumento da produtividade. Nossos resultados são consistentes com Bittencourt (2011), Ghimire e Giorgioni (2013), Saqib (2013) e Wongswan et al (2013) apresentando M2 como a forma mais precisa para mensurar desenvolvimen- to e amplitude do setor financeiro. M2 apresenta sinal positivo e, portanto, consisten- te com a literatura.

A variável BKA apresentou sinal consistente com a literatura62. Tal fato guarda

relação com desempenho do setor bancário63. Entretanto, segundo Tabak et al

(2010), também é possível associar períodos de instabilidade financeira com uma menor eficiência dos bancos em geral. Tal fato pode estar aninhado em nossos da- dos uma vez que o período analisado envolve a crise de 2008.

A variável crédito (CRED) que segundo Leitão (2010) é juntamente com o M2 uma das proxies que melhor expressa o desenvolvimento do setor financeiro apre- sentou os resultados esperados e consistentes com a literatura.

Entretanto o crédito doméstico provido pelos bancos (CredBYBank) não apre- sentou os resultados esperados com nenhum dos modelos testados. Podemos con- siderar a hipótese de que em alguns países os governos retenham as reservas in- ternacionais como depósitos no sistema bancário ao invés de em seus respectivos bancos centrais. Desde que os saques são líquidos (depósitos menos saques do governo federal), o cálculo do indicador pode ser distorcido na comparação entre países. Todavia, o indicador é significativo na composição do modelo como um todo, e decidimos mantê-lo no mesmo. Um estudo mais apurado sobre esse tópico pode ser relevante para o desenvolvimento da teoria.

A variável FBK, conforme o esperado apresenta correlação positiva com GDP. A Formação Bruta de Capital (FBK) que expressa a criação de ativos na eco- nomia, apresenta sinais positivos no modelo de forma consistente com o esperado. Samargandi et al (2013) destacam em seu trabalho o impacto positivo e significante em economias de renda média baixa, porém positiva e com impacto insignificante para economias de alta renda. No longo prazo, a formação bruta de capital afeta de forma adversa o crescimento econômico de países de renda média alta. Tal fato po- de significar a ausência de incentivos apropriados de mercado, ou capital físico rela- tivamente improdutivo.

A variável TGOV apresenta correlação negativa com GDP, o que sugere o fa- to de que governos grandes tendem a ser um detrimento ao crescimento, o que é

62 Ver Beck e Levine (2004). que construíram inicialmente um painel com o intuito de excluir os efeitos

dos ciclos de negócios. Com esse painel os autores encontram evidências de que tanto o mercado financeiro quanto os bancos exercem efeitos positivos no crescimento econômico, mesmo quando variáveis controle são inseridas no modelo em questão.

coerente com a estrutura dinâmica dos países emergentes analisados. Sua impor- tância é expressiva nas economias emergentes e os resultados são consistentes com Barro (1991) e Loayza (2006), pois uma participação excessiva do governo ten- de a elevar a carga tributária e consequente redução dos investimentos do setor pri- vado.

O grau de abertura da economia (TRADE) apresentou os sinais esperados e- videnciando a importância de financiamento externo para as economias emergentes. Conforme Papaioannou (2007), os efeitos do desenvolvimento do setor financeiro entre os países podem ser heterogêneos e aspectos como abertura da economia estão sujeitas as pressões políticas internas de cada país. Mitton (2006) em seu tra- balho, estima que o incremento nas vendas e na produtividade de países que abri- ram seu mercado de capitais é estimada entre 1.5% a 2.0%. Em seu trabalho Rajan e Zingales (1998) encontram efeitos fortemente positivos do desenvolvimento do setor financeiro para o crescimento de indústrias que dependem relativamente mais de recursos externos.

Nosso modelo original incluía uma variável para o nível de investimentos. Mas a mesma apresentou resultados inconsistentes . A relação entre as variáveis finan- ceiras e o crescimento econômico é rompida ao utilizarmos dados anuais, o que o- corre quando há surtos de crédito e que concomitantemente tem sido associado co- mo um bom indicador de crises bancárias e consequentes quedas do crescimento econômico. Igualmente, com expressiva representação dos bancos públicos nas e- conomias analisadas os resultados podem se influenciados por um comportamento de empréstimos com características viesadas em períodos eleitorais64. Ou como ar-

gumenta Dinç (2006), que motivações políticas mais do que maximização de lucros predominam nas escolhas de bancos estatais em questões de empréstimos e finan- ciamentos.

Como utilizamos dados anuais, esses indicadores agregam capacidade de análise de aspectos de instabilidade macroeconômica e nos permite maior precisão para identificar os efeitos do desenvolvimento do setor financeiro no crescimento econômico. Tais observações são consistentes com o Bittencourt (2011).