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5.5 Results

6.1.3 Performance simulation

As condições efetivas de trabalho são componentes fundamentais para compreendermos as correlações entre os saberes de orientação dos professores, suas ações tutorais e os seus estilos de orientação.

Essas condições são compostas pelo espaço, tempo e história deste grupo de professores formadores, e é essencial para compreender a natureza desse trabalho e a prática destes professores.

Hargreaves (2004) afirma que aquilo que um professor faz e o porquê deste fazer está vinculado e merece ser compreendido dentro da comunidade de ensino e da cultura do seu trabalho.

As culturas de ensino ajudam a conferir sentido, apoio e identidade aos professores e ao seu trabalho, ou seja, “fisicamente os docentes estão frequentemente sós nas suas salas de aula, sem a companhia dos colegas, psicologicamente, nunca o estão. Aquilo que fazem, relativamente a estilos e estratégias de sala de aula, é afectado fortemente pelas perspectivas e orientações dos colegas com os quais trabalham presentemente ou trabalharam no passado. (HARGREAVES, 2004; p.186)

Os professores agem em função de um determinado contexto social, histórico e cultural e abarcam valores, crenças, hábitos, normas e experiências provenientes desses ambientes. O professor recebe influência do meio e interfere nesse meio.

Os professores estudados trabalham juntos há anos e vivenciam uma proposta de tutoramento em que os alunos e os professores contribuem significativamente com a formação dos seus próprios pares. Eles afirmaram que atuam como profissionais da Educação de 25 a 35 anos, sendo que atuam na mesma universidade há mais de 25 anos. Os professores declararam que as disciplinas que lecionam hoje têm muita da influência recebida pelos seus próprios professores formadores, que os incentivaram para a docência quando eles eram alunos do curso.

A idéia que está presente na fala dos professores sobre estágio é a de que esta atividade curricular deve propiciar momentos de aprendizagens sobre a docência e que os alunos

deverão mobilizar conhecimentos adquiridos no decorrer do curso. Os professores organizam seus atendimentos aos alunos realizando reuniões semanais.

Ao serem questionados sobre as condições de trabalho e os desafios dessa proposta, ficou clara a necessidade de terem mais tempo para discutir, refletir, analisar e redimensionar o próprio processo vivenciado enquanto grupo.

O maior problema é conseguirmos tempo para conversarmos com mais frequência.” (Professor A, entrevista coletiva)

Temos dificuldade de horários disponíveis para reunião com a presença de todos. Acho um problema conseguirmos interagir com os professores que atuam com as disciplinas pedagógicas, pois eles dão aulas para vários cursos de licenciatura e cada um possui atendimentos e realidades diferentes. ( Professor B, entrevista coletiva )

Há alguns anos atrás, os professores responsáveis por estas disciplinas tinham mais tempo para discutirem, assistirem às aulas dos seus colegas, planejarem conjuntamente as atividades, refletirem sobre o processo vivido.

Isso qualificava os processos de ensino e aprendizagem não apenas dos alunos, mas também, e com igual importância, os processos de ensino e aprendizagem dos próprios professores.

Posso afirmar que sempre tentamos nas oportunidades que tivemos de discutir sobre o ensino de quimica, questões pedagógicas..., processos de ensino e aprendizagem em química...elas foram decisivas. Temos exemplos de professores que antes eram resistentes a estas questoes hoje estão mais abertas e nos ajudam . A idealização que estes professores fazem do novo trabalho e muito positiva (Professor A, entrevista coletiva)

Isso nos reporta à idéia de Cunha (2002) que explicita que no ensino superior os saberes dos professores são atingidos pela estrutura de poder que permeia as profissões e delega a elas status e valor. Assim, são valorizados na universidade os saberes que estes professores precisam desenvolver e mobilizar enquanto pesquisadores e nem tanto como docentes. Segundo esta autora, o componente da docência

recorre a muitos saberes, tanto os que o professor constrói na sua histórica experiência de trabalho como os que se constituem a partir das políticas contemporâneas ao seu exercício profissional. Essas múltiplas influências e energias fazem oscilar as funções de emancipação e regulação que constituem

fundamentalmente os processos educativos produzidos pela modernidade na sociedade ocidental (CUNHA, 2002; p.46)

Nesta análise, é pertinente percebermos que o fato de a universidade em que os sujeitos atuam ter reduzido as horas de atividades e atendimentos dos professores formadores junto aos alunos, aponta uma readaptação ao contexto não mais ideal da proposta, na medida em que mantê-la na íntegra exigiria mais tempo, reflexão coletiva e transformação e emancipação deste processo.

No início eu tinha 14 horas de aula e 16 para preparação e trabalho junto a isso. Hoje eu tenho 20 horas aulas e 10 horas pa planejamento.” ( Professor B, entrevista coletiva)

A PUC fechou a contratação de professores. Quando pudermos contratar temos nomes para indicar que vieram e vem estudando essa proposta conosco. ( Professor A, entrevista coletiva)

Deveríamos ter um horário semanal para que a gente tivesse como discutir essas questões nos debruçando sobre esses dados .Nos temos muitas idéias muito material mas pouco tempo para trabalhar em cima dele.” ( Professor C, entrevista coletiva) “ Já tivemos momentos em que tínhamos mais de 30 escolas envolvidas. Como tem um número grande de escolas e alunos envolvidos, como visitar todos? Não temos tempo de visitar as escolas e tem a questão de deslocamento e dos horários de os professores nos receberem. ( Professor B, entrevista coletiva)

O fato desses professores trabalharem e refletirem sobre a proposta e a própria prática docente adotada, constituíu um componente vivo de pesquisa, mas que não é valorizado inclusive pelas políticas públicas brasileiras. Este objeto de pesquisa não encontra chão fértil numa investigação que correlaciona diferentes áreas de conhecimento e a prática pedagógica dos professores universitários vinculadas a elas.

Concordo que temos que rever este nosso projeto atual. Precisamos de tempo para estudar e dar uma nova direção. Nós sabemos o que precisamos melhorar, mas também essa mudança deve estar em consônancia com a realidade do professor na escola. O que nós, professores formadores precisamos para redimensionar o projeto é tempo. (Professor A, entrevista coletiva)

Outro aspecto sobre o qual os professores refletem é o envolvimento efetivo dos professores das escolas. Reconhecem que eles mesmos não conseguem estabelecer vínculos

mais efetivos e permanentes de verdadeira colaboração interinstitucional e o fato de não terem disponibilidade de tempo e auxílio financeiro da instituição agrava ainda mais este quadro.

Isto fica muito bem explicitado na fala destes professores:

Eu oriento oa alunos em TPE I que encaminhem o projeto junto à escola, que desenvolvam uma atitude de mais autonomia. E converso muito com os professores em serviço. Algumas vezes nos falamos por telefone, mas sempre estamos em contato. (Professor C, entrevista individual)

A maior dificuldade é manter contato com os professores das escolas Tanto eles como nós, docentes da universidade, trabalhamos muito, sendo dificil contatos frequentes. Por isso, esse contato se dá por meio dos estagiários. ( Professor B, entrevista individual )

Os nossos alunos estão atualmente muito espalhados nas escolas e temos um número grande de alunos fazendo estes trabalhos nas escolas. O professor da escola recebe o nosso projeto, mas uma coisa é ele ver o projeto e a outra é ele sentir na prática. Porque eu digo isso se o professor que ler este projeto for mais tradicional ele vai ler aquilo numa perspectiva e se outro professor for mais avançado ele fará uma outra leitura . O limite disto é o próprio limite que o professor tem sobre ensino – aprendizagem, como se dá a formação dos estagiários sobre estágio. ( Professor A, entrevista coletiva)

Entretanto, um professor salienta a necessidade de trabalhar as adversidades inerentes à formação e aponta que o desenvolvimento de saberes para atuar neste quadro também indica o desacomodar do próprio professor formador.

As escolas, campo de estágio, são na sua grande maioria públicas e estão bastante sucateadas com graves problemas de falta de professores, equipamentos, recursos materiais e humanos. Alunos com graves problemas de aprendizagem, psicológicos e econômicos.

As escolas públicas são as que oferecem mais espaço de estágio. Nesse caso, há dificuldade de infra-estrutura. Outro problema é a atitude de vários professores que não têm interesse de fazer avançar a educação, a escola e a aprendizagem dos alunos. Temos que lidar com esse contra-exemplo problematizá-lo e tentar superar essa atitude na formação de nossos professores. ( Professor A, entrevista coletiva)

A idéia aqui não é culpar os professores das escolas, mesmo porque atrás deles há as políticas públicas, os baixos salários, a formação profissional insuficiente, a falta de condições de trabalho, falta de estrutura de coordenação e acompanhamento pedagógico.

Escolher conteúdos ; promover aulas práticas, chamar a atenção dos alunos; falta de materiais ; falta de comunicação da direção com os estagiários; falta de tempo para trabalhar as aulas; excesso de atividades extra-curriculares, falta de laboratório; falta de interesse dos alunos no início dos trabalhos, alunos com dificuldades de aprendizagem (Professor A, entrevista individual)

Essa idéia é apontada pelo professor formador que explicita as dificuldades que os alunos enfrentam no dia-a-dia da escola em que fazem estágio e de como ele, como professor formador, precisa saber e desencadear um olhar investigativo do próprio aluno sobre o contexto da escola .

Neste breve panorama das condições de trabalho desses professores, é possível perceber como os encaminhamentos aos alunos ocorrem, e são sugeridos quais elementos acabam sendo mais significativos e viáveis de serem realizados nesses momentos de orientação.