• No results found

Perceptions of Sport in Higher Education

5. Results

5.1. Perceptions of Sport in Higher Education

O Vale do Submédio São Francisco está localizado na região sertaneja no semiárido do Nordeste do Brasil, entre os estados da Bahia e Pernambuco. A região possui uma área de 24.385 km e os municípios que concentram a produção são Petrolina, Lagoa Grande, Santa Maria da Boa Vista e Orocó, ao oeste de Pernambuco e os municípios de Casa Nova, Sobradinho, Juazeiro, Curaçá e uma pequena área de Abaré, no norte da Bahia (Figura 14). A região fica a uma altitude média entre 350 e 400 metros, relevo plano. A precipitação anual média de 450 mm, umidade relativa média 50% e, em média 300 dias de sol. As temperaturas médias anuais variam por volta dos 26ºC (DATASEBRAE, 2019).

A região possui um diferencial sobre todas as outras brasileiras. Considerando a sua capacidade de produção de até 2,5 safras ao ano, a produtividade de vinhedos para vinhos tintos podendo chegar a 70 toneladas/hectare por ano (PEREIRA et al., 2018).

Figura 14 – Região de Vinhos do Vale do São Francisco

Fonte: Google Maps, elaboração: a autora.

A história do Vale do São Francisco tem como alicerce o rio e a utilização de suas águas. Antes dos planos de aproveitamento do rio São Francisco, a região

praticava a pecuária extensiva com produção de gado, e de animais de menor porte, como a caprinocultura e agricultura de subsistência. Dias et al. (2016, p.84) pontua que:

Por conta da atividade pecuária desenvolvida no Vale, o rio São Francisco recebeu a denominação de “Rio dos Currais”, e a partir da Independência do Brasil, passou a ser chamado de “Rio da Integração Nacional”, porque proporcionou a ligação direta entre o Nordeste e Sudeste do país.

A partir da década de 1940 ações, que iniciaram com o Plano de Aproveitamento do Vale do São Francisco, coordenado pela Comissão do Vale do São Francisco (CVSF) que futuramente seria a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (CODEVASF), deram início ao futuro perímetro irrigado. As ações visavam à regularização do curso do rio por meio de barragens, práticas de irrigação, geração de energia elétrica, delimitação de áreas industriais, colonização, exploração de minérios, construção de estradas e obras de saneamento (ARAÚJO; SILVA, 2013).

Nos anos 60’, o governo federa desapropriou terras com caatinga e consideradas improdutivas, de agropecuária de sequeiro ou de beira-rio para a estruturação dos perímetros irrigados (VINHOVASF, 2019). Os primeiros implantados foram os projetos do Bebedouro (1968, PE), Mandacaru (1971, BA), Tourão (1979, BA), Curaçá (1980, BA) e Maniçoba (1980, BA), seguidos por Nilo Coelho (1984). Atualmente existe também o perímetro de Maria Tereza, PE, implementado em 1996. (ARAÚJO; SILVA, 2013).

Apesar da intenção de defender o pequeno produtor, em função do alto custo de produção da uva e da manga, principais produtos da região, muitos produtores venderam seus lotes para novos que migraram de outras regiões. Sinal desse movimento é o fato de apenas 10% dos exportadores de frutas da região que atuam atualmente serem naturais da região. Os produtores originais findaram a produzir culturas de menor custo de produção ou a se tornarem trabalhadores das agroexportadoras (ARAÚJO; SILVA, 2013). Araújo e Silva (2013, p. 252) afirmam que “os elevados índices de crescimento, a oferta de empregos e as condições de vida que o município apresenta são resultados de uma política de manutenção da população imigrante.”.

A fruticultura e, especificamente, a viticultura acharam naquela região de alta radiação solar e com boa disponibilidade de água, um bom berço produtivo. Nesse contexto de potencial produtivo vitícola, o enólogo Inaldo Tedesco, citado por Vital (2009, p. 500), explica o surgimento da vinicultura na região: “tendo uva numa região em algum momento vai se produzir vinho”. Dessa forma, em meados da década de 70/80 iniciou-se a produção vitícola no Vale do São Francisco por meio de plantas trazidas do sul do país4 (ARAÚJO; SILVA, 2013; PEREIRA, 2007). Protas (2011)

pontua que essa produção a tornou pioneira na vitivinicultura tropical.

Essa época coincidiu com um período de investimentos na região, como com o II Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (II PND) que, dentre suas diretrizes, propunha a descentralização da corrente migratória e da industrialização dos grandes centros, tornando Petrolina e Juazeiro novos alvos de imigração e industrialização (ARAÚJO; SILVA, 2013). De acordo com (DOMINGUES, 2017, p. 54)

[...] a partir da década de 1980, surgiram oportunidades de emprego, por ocasião da construção da barragem da usina hidrelétrica de Sobradinho, que impulsionou a irrigação com a construção de uma tomada de água. Nesses termos, a equação se compõe de água, clima, política de investimento, por meio da atuação do Estado, capital (externo) e tecnologia. A relação entre a sociedade e o espaço é dialética, pois os condicionamentos são recíprocos.

A pioneira na produção de vinhos na região do Vale do São Francisco foi a Vinícola Milano. Com o foco em vinho de mesa, a empresa começou a produzindo vinhos em 1984 para serem comercializados a granel pela empresa Maison Forestier, do Rio Grande do Sul (MELO, 2007).

No livro “Nordeste - Estratégias para o sucesso: Propostas para o desenvolvimento do Nordeste Brasileiro, baseadas em experiências nacionais e internacionais de sucesso”, João Alves Filho, ex Ministro de Estado do Interior no governo do Presidente José Sarney, exprime a surpresa de encontrar sucesso na vitivinicultura tropical brasileira:

Quem visita a Fazenda Milano tem a sensação de que não está no Brasil. A paisagem lembra a Califórnia com seus imensos parreirais no Vale do Colorado. Recordo-me – foi exatamente a sensação que me

4 O cultivo de uvas em regiões tropicais iniciou, de forma incipiente, no século XVI, mas considera-se

que a primeira empresa que se tornou comercial foi a Cinzano S.A., que plantou 100.000 pés de uvas híbridas para elaboração de vermute no Vale do Submédio São Francisco em1956 (DIAS et al., 2016; EMBRAPA, 2017).

provocou a primeira visita às instalações da Milado, no ano de 1983 – quando pela primeira vez eu me surpreendia ao visitar uma viticultura em meio a uma região de caatingas de Pernambuco, lá para as bandas de Santa Maria da Boa Vista. Não era, final, a uva uma fruta própria do clima temperado? Como ela podia sobreviver em meio ao inclemente sol sertanejo? (ALVES FILHO, 1997, p. 175)

No começo da década de 90’ a Fazenda Milano encerrou o contrato com a Maison Forestier pois “já se sentia segura para andar com seus próprios pés”(ALVES FILHO, 1997, p. 178). Assim nasceu o vinhos Botticelli, que atualmente produz vinhos de uvas viníferas e labruscas em 150 hectares de vinhedos.

Entre os anos 1990 e os anos 2000 houve um incremento de produção em função de novas empresas que se instalaram na região (PEREIRA, 2007).

A região, que está localizada entre os paralelos 8 e 9ºS, é tropical semiárido, com temperaturas médias de 26ºC. A Vinhovasf retrata em uma nota técnica a dissimilaridade com outras regiões:

Trata-se da única região do mundo que produz uvas o ano todo, sendo possível, dependendo da cultivar, colher entre duas e três safras anualmente. Esta característica vem fazendo com que o Vale tenha a devida reputação e seja tão conhecido, com grande potencial de produção de vinhos com rentabilidade. (PEREIRA, 2007).

Na região o calor constante e a alta incidência solar mantem as videias em constante atividade, sendo o ciclo controlado pelas podas e pela administração de água. É em função desse fator que as videiras conseguem produzir até 2,5 vezes durante o ano. Como aponta (JEZIORNY, 2009, p. 63) sobre uma empresa tradicional que abriu uma filial no Vale do São Francisco: “as capacitações organizacionais, desenvolvidas por uma empresa com larga experiência na produção vinícola, são potencializados pelos avanços tecnológicos que possibilitaram transformar a luz solar em fator determinante de vantagens competitivas”.

Algumas vantagens competitivas da região são citadas na literatura, como: disponibilidade de terra e água de boa qualidade; mão-de-obra abundante; infra- estrutura de irrigação implantada e em expansão; proximidade dos mercados europeu e norte-americano; e, ciclo produtivo mais precoce, com altos níveis de produtividade (BARROS; COSTA; SAMPAIO, 2004; VITAL, 2009).

As áreas produzidas nesse polo são bem diversas das demais. Os dois principais produtores da região possuem áreas maiores a 100ha. A existência de

grandes áreas disponíveis para a produção e a pouca declividade possibilitou a mecanização da viticultura e somado a isso, ganhos de escala.

Por não haver grandes períodos de “não-trabalho”, Jeziorny (2009, p. 63) afirma que a rotação do capital investido é maior do que em outros polos com limitações épocas de produção, uma vez que sempre há produto sendo produzido e vendido. Pereira (2007, p. 05) aponta outras vantagens da região “é possível realizar o escalonamento da produção ao longo do ano, o que reduz os investimentos em termos de infraestrutura para a elaboração dos vinhos, além de possibilitar escolher os períodos do ano mais favoráveis para que se consigam uvas e vinhos de melhor qualidade e com tipicidades.”

Entretanto essa “super eficiência” traz algumas consequências. Os patógenos e pragas não tem o seu ciclo quebrado, uma vez que sempre haverá plantas hospedeiras disponíveis para a sua existência e multiplicação. Essa rapidez nos ciclos também causam uma pressão para a evolução de novas pragas.

Brandão (2012, p. 142) afirma que a crise do início da década de 90, apesar de ter abalado sensivelmente os produtores da região, também serviu de inspiração para a criação de um novo modelo de negócio, com uma participação mais proativa da iniciativa privada por meio de entidades representativas como a VALEXPORT.

As modernas técnicas agrícolas, implementadas, adaptadas ou desenvolvidas especificamente para a região, possibilitaram o controle das condições produtivas e o redirecionamento da produção para o mercado internacional, viabilizando uma rentabilidade maior (BRANDÃO, 2012, p. 142)