2.2 Bundling of assortment
2.2.2 Perceptions of the bundle
Em seus estudos, Mortimer e Scott especificam padrões de interação que emergem na medida em que o professor e alunos alternam turnos de fala durante as aulas. Apontam que o mais comum são “as tríades: iniciação do professor; resposta do aluno; avaliação do professor (I-R-A)”. Observaram também outros padrões, como por exemplo de que em algumas interações “o professor apenas sustenta a elaboração de um enunciado pelo aluno” por meio de intervenções curtas que muitas vezes repetem parte do que o aluno acabou de falar, ou fornecem um feedback para que o aluno elabore um pouco essa fala: “[...] iniciação do professor; resposta do aluno; ação discursiva do professor que permite o prosseguimento da fala do aluno; resposta do aluno e resposta do professor [...]” e assim sucessivamente. (MORTIMER; SCOTT, 2003, p. 24-46)
Quanto às intervenções pedagógicas, os autores apresentam seis formas de intervenção e as relacionam, especificando o foco e as ações docentes que caracterizam cada uma, a seguir apresentadas no quadro 4.
Quadro 4 – Ações: Padrões de interação e intervenções do professor
Fonte: Mortimer e Scott (2003, p. 45)
Intervenção do professor
Foco Padrões de interação – ação do professor
1. Dá forma aos significados - Explora as ideias dos estudantes - Trabalha os significados no desenvolvimento da história científica
Introduz um termo novo; parafraseia uma resposta do estudante; mostra a diferença entre dois significados.
Considera a resposta do estudante na sua fala; ignora a resposta de um estudante.
2.Seleciona significados
Repete um enunciado; pede ao estudante que repita um enunciado; estabelece um sequência I-R-A* com o estudante para confirmar uma ideia; usa um tom de voz particular para realçar certas partes do enunciado.*I-R-A= iniciação do
professor; resposta do aluno; avaliação do professor.
3. Marca ideias chave.
4. Compartilha significados Torna os significados disponíveis para todos os estudantes da classe
Repete a ideia de um estudante para toda a classe; pede a um estudante que repita um enunciado para a classe; compartilha resultados dos diferentes grupos com toda a classe; pede aos estudantes que organizem suas ideias ou dados de experimentos para relatarem para toda a classe.
5. Checa o entendimento dos estudantes Verifica que significados os estudantes estão atribuindo em situações específicas
Pede a um estudante que explique melhor sua ideia; solicita ao estudante que escreva suas explicações; verifica se há consenso da classe sobre determinados significados.
6. Revê o progresso da
história científica
Recapitula e antecipa significados
Sintetiza os resultados de um experimento particular, recapitula as atividades de uma aula anterior; revê o progresso no desenvolvimento da história científica analisada até o momento.
As informações contidas no Quadro 4 – Ações: Padrões de interação e intervenções do professor (MORTIMER; SCOTT, 2003, p. 45) revelam que as variáveis nela apresentadas quanto aos significados do objeto de estudo para os alunos dão ênfase na inter-relação entre o que o professor pretende ensinar e os conhecimentos de que os alunos dispõem, visando à aplicação desses conhecimentos. As ações docentes podem configurar diferentes padrões de interação adotados no decorrer das aulas. Apesar da proposta apresentada por esses autores constituir uma ferramenta para analisar as interações e a produção de significados em aula de ciências, essa ferramenta é passível à adaptação para análise das interações nas outras áreas do conhecimento.
O enfoque da problemática da alfabetização no país, considerando a contribuição de Mortimer e Scott, revela a necessidade e importância de realização de estudos sobre o que ocorre no ensino referente à alfabetização, no que diz respeito às interações que os professores estabelecem com seus alunos no ensino inicial da leitura e da escrita. Nesse contexto insere-se a pesquisa a seguir apresentada.
3 A PESQUISA
Para responder às questões elencadas foram selecionadas duas escolas para a coleta de dados – as escolas que apresentaram o maior e o menor desempenho na avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica/2013 (IDEB)1 respectivamente. Essa seleção foi feita com o objetivo de analisar e comparar a estratégias utilizadas nas aulas para orientar os alunos durante as atividades de leitura e escrita e os fatores de participação e de manifestação do interesse dos mesmos na realização dessas atividades, tendo em vista que esse indicador vem apontando déficits no ensino oferecido pelas escolas brasileiras no tocante ao domínio da leitura e escrita que são competências essenciais para o prosseguimento dos estudos. Para tanto, põe-se em pauta o ensino proporcionado aos estudantes das escolas públicas, no qual são necessárias pesquisas para identificar possibilidades de de melhorias no processo de alfabetização.
A partir da adaptação da estrutura analítica proposta por Mortimer e Scott (2003) analisar-se-á estas interações cotidianas estabelecidas durante o processo pedagógico referente ao foco de ensino, à abordagem comunicativa e às ações das professoras. No entender desses autores, essa ferramenta possibilita compreender e desenvolver uma forma “de como os docentes podem agir para guiar as interações que resultam na construção de significados pelos alunos”.
Diante do baixo desempenho em leitura e escrita apresentado pelos alunos de escolas públicas brasileiras, revelado nas últimas avaliações e pesquisas, esta dissertação busca contribuir com os estudos sobre alfabetização, sobretudo, analisar como se dá o processo de ensino e aprendizado no ciclo alfabetização nas escolas públicas, com a expectativa de propiciar reflexões sobre ações docentes relativas às interações em aulas para melhoria do Ensino Fundamental.