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2 Terminology, History and Theories

2.5 Why and How do People Anthropomorphize?

doença de Chagas em soro de pacientes portadores de outras doenças infecto- parasitárias

A fase seguinte de nosso estudo foi estabelecer critérios de interpretação para a reatividade de IgG e subclasses de IgG por meio da técnica de ELISA não comercial aplicada ao diagnóstico da doença de Chagas em amostras de soro que incluem pacientes portadores de outras doenças infecto-parasitárias como HIV, HCV, sífilis, leishmaniose visceral e leishmaniose tegumentar.

Para essa etapa foram considerados dois grupos de pacientes: o NCH (grupo controle não infectado e portadores de outras infecções), e o CH (pacientes com infecção chagásica). A análise das curvas ROC considerando apenas os dois grupos, possibilitou a verificação dos índices de desempenho para cada diluição de soro

selecionada previamente para IgG e suas subclasses como as mais indicadas para o diagnóstico. Para IgG total, a diluição de soro que apresentou melhor resultado para discriminar os indivíduos com infecção chagásica dos demais, foi a 1:40. É possível que a alta reatividade dos soros dos pacientes com infecção chagásica examinados neste estudo explique este resultado uma vez que a ocorrência de reações cruzadas entre soros de pacientes com doença de Chagas, leishmaniose visceral e leishmaniose tegumentar é um fato bem conhecido como será comentado a seguir. Para IgG1 o desempenho da técnica na diluição 1:10 alcançou elevada acurácia, apesar do índice de reatividade cruzada de 9,25%, representado por quatro soros de indivíduos com LV e um soro com LT. Para IgG2 a diluição 1:10 apresentou os melhores índices de desempenho, com uma porcentagem de reatividade cruzada de 11,1%, demonstrando que três indivíduos com LV e três com LT apresentaram reação cruzada. Para IgG3 foi escolhida a diluição de 1:20 com um índice de reatividade cruzada de 3,7%, representado por um soro com LT e um soro com LV reativos.

A análise desses resultados demonstra que apenas IgG total não apresentou reatividade cruzada com os soros dos pacientes portadores de outras infecções na diluição selecionada e que os soros com LV e LT foram os responsáveis pela reatividade cruzada obtida nas pesquisas de IgG1, IgG2 e IgG3.

Corroborando nossos resultados, alguns trabalhos demonstraram reatividade cruzada em soros de indivíduos com leishmaniose visceral e tegumentar quando testes imunoenzimáticos empregando antígenos de T. cruzi foram realizados. VEXENAT et al. (1996) avaliaram a reatividade de soros de pacientes com doença de Chagas, leishmaniose visceral e leishmaniose mucocutânea, verificando reações cruzadas para essas três infecções. Os soros dos pacientes com infecção chagásica apresentaram 98,0 a 100,0% de resultados positivos quando antígenos de L. braziliensis e L. chagasi foram usados. Os soros dos pacientes com leishmaniose visceral foram 100,0% reativos com antígenos de T. cruzi ou L. braziliensis. Da mesma maneira, 100,0% dos pacientes com leishmaniose mucocutânea apresentaram reatividade com antígenos de

T. cruzi ou L. chagasi.

MATSUMOTO et al. (1993) avaliaram um teste de Imunofluorescência Indireta, empregando formas amastigostas como antígeno, em soros de indivíduos com infecção chagásica, com leishmaniose visceral e em indivíduos não infectados verificando 63,0% de reatividade cruzada em soros de indivíduos com leishmaniose.

Em um trabalho realizado por GOMES et al. (2001), foi avaliada a reatividade de soros de pacientes com infecção chagásica, leishmaniose visceral e leishmaniose tegumentar, sífilis, HTLV, HCV e HBV pela técnica de ELISA utilizando antígenos CRA+FRA, e outra técnica sorológica convencional. O ELISA com antígenos recombinantes apresentou 100,0% de especificidade e sensibilidade, não havendo reações cruzadas com as outras infecções. A técnica de ELISA convencional apresentou reações cruzadas apenas com os soros de pacientes com leishmaniose tegumentar e visceral, não havendo reatividade cruzada nos soros de indivíduos com sífilis, HTLV, HCV e HBV, assim como encontrado nos nossos resultados.

A técnica de ELISA é um dos métodos mais utilizados no diagnóstico da doença de Chagas por apresentar elevadas sensibilidade e especificidade. Entretanto, reações cruzadas com outras infecções, principalmente leishmanioses ocorrem com alguma freqüência (ZELEDON et al., 1975). Em geral as técnicas utilizadas no diagnóstico de rotina para a doença de Chagas são muito efetivas para detectar indivíduos que apresentam altos títulos de anticorpos, mas os resultados são questionáveis nos que apresentam baixos níveis (ZARATE-BLADES et al., 2006). A busca por técnicas que exibam excelente desempenho, com altas especificidade e sensibilidade é uma constante, uma vez que isso possibilita a exclusão de resultados falso-positivos e falso-negativos indesejáveis.

As reações cruzadas como as que ocorreram em nosso estudo são resultadas da existência de fatores antigênicos comuns entre o T. cruzi e a Leishmania sp (ARAÚJO, 1986; CHILLER, 1990). A alternativa para minimizar essas reações cruzadas seria o uso de preparações antigênicas purificadas, que garantiriam maior especificidade na reação. No entanto, em nosso estudo, nós optamos por utilizar uma técnica de ELISA convencional, na qual a fonte antigênica é um extrato bruto de cepa Y de T. cruzi, amplamente utilizado no diagnóstico sorológico da doença de Chagas. Este antígeno, possivelmente pode gerar reações cruzadas já que essa fonte é oriunda de parasitos íntegros. Entendemos que a obtenção de preparações de antígeno purificadas ainda é restrita à pesquisa, e para a rotina diagnóstica isso elevaria os custos para a realização das metodologias.

A análise do perfil de produção de anticorpos em soros de pacientes com leishmaniose tegumentar realizada por SOUZA et al. (2005), demonstrou através da utilização de uma técnica de ELISA, usando antígeno solúvel de Leishmania

respectivamente. A demonstração da presença dessas subclasses de IgG em soros de indivíduos com leishmaniose corrobora o encontrado em nosso estudo. Em nosso trabalho, mesmo com a utilização de antígenos de extrato bruto de T. cruzi, foi detectada também a presença IgG1, IgG2 e IgG3, nos soros com leishmaniose, não havendo porém, diferenças entre os níveis detectados dessas subclasses. Provavelmente a detecção das subclasses de IgG nos soros com leishmaniose em nosso trabalho se deve ao reconhecimento de epitopos de carboidratos compartilhados pelo

T. cruzi e Leishmania sp por essas subclasses de anticorpos, como já demonstrado por

outros estudos (ROCHA et al., 2002; LEMOS et al., 2007).

Considerando as diluições de soro finais selecionadas para cada imunglobulina, podemos inferir que os resultados falso-positivos para IgG1, IgG2 e IgG3 detectados nos soros com LV e LT e os resultados falso-negativos detectados para IgG3, não indicariam a pesquisa dessas subclasses por essa metodologia. Entretanto, em nossas condições de trabalho e considerando a alta reatividade dos pacientes triados para este estudo, a pesquisa de IgG total poderia ser utilizada com segurança, pois a técnica de ELISA não comercial garantiu ausência de reatividade cruzada e a identificação de todos os indivíduos com infecção chagásica na diluição de soro selecionada.

5.3.3 Aplicabilidade da pesquisa de IgG e subclasses de IgG anti-T. cruzi