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Pension packages and replacement rates at 67

Chapter 4 Public and private pension mix – coverage and pension levels

4.2 Pension packages and replacement rates at 67

Os resultados qualitativos foram divididos por questões abertas, para análise mais detalhada das respostas obtidas. Foram quatro questões comuns aos adolescentes do sexo masculino e feminino, e apenas uma específica aos adolescentes do sexo masculino. Foram analisadas simultaneamente como forma de compreender a diferença de gênero vivenciada pelos adolescentes do sexo masculino e feminino.

Os adolescentes foram questionados sobre “qual sua reação ao receber a notícia?”, no entanto, pode ser percebida uma adversidade de respostas entre adolescentes do sexo masculino e sexo feminino, citadas a seguir:

Ah, por um lado foi bom, mas por outro não por causa dos estudos. Mas pra mim tá bom, porque eu sempre quis construir uma família com quem eu gosto, e isto tá acontecendo (Menina 08) (Sic).

Raiva, emoção, alegria, tudo junto! No começo foi difícil aceitar, mas agora tô muito feliz! (Menina 15) (Sic).

Primeiro, assustado. Mas depois eu fiquei feliz, né, vai fazer o quê? Agora já tá feito mesmo, né? (Menino 04) (Sic).

Ruim, né? Eu nunca imaginava ser pai agora nessa idade, eu acho que tem tanta coisa pra viver... (Menino 08) (Sic).

Chorar...O trem é bravo! E fui procurar serviço (Menino 14) (Sic).

Nessa questão, vemos que a fala das meninas envolve sentimentos de surpresa e aceitação, e comparado aos meninos, eles falam como se fosse algo a pesar em suas vidas, aceitação por obrigação, pois não há nada a fazer para mudar a situação. Então, vemos nessa reação a diferença de gênero enfrentada durante este período de descoberta da gravidez.

E quando questionados sobre qual a reação do (a) seu (a) companheiro (a) ao receber a notícia, encontramos conflitos interligados com essa relação desde a dúvida da paternidade, falta de apoio, desestrutura afetivo/amorosa, como também sentimento de felicidade, alegria, raiva e tristeza.

Ele não podia ter filhos, aí quando eu contei pra ele ficou surpreso, ai a gente foi fazer exame (βHCG) (Menina 01) (Sic).

Ele não acreditou na primeira vez que eu falei, aí depois do teste ele acreditou. Os dois não esperava. Ficou feliz, ele pensou que eu tava até brincando com ele (risos) (Menina 07) (Sic).

Ele disse que se o filho for dele, ele vai assumir. Mas depois que eu contei pra ele que eu tava grávida, ele nunca mais me ligou (Menina 11) (Sic).

Acho que ela ficou desesperada, porque ela tomava remédio, neh, e aí aconteceu. A gente nem esperava... (pausa) A gente só ficava de vez em quando... aí aconteceu (Menino 05) (Sic).

Ela ficou meio triste, mas por outro lado ficou feliz, porque ser mãe pra ela deve ser bom, né? (Menino 06) (Sic).

Ela pirou o cabeção, ela queria tirar meu filho (Menino 07) (Sic).

Ela ficou feliz né, porque ela queria, mesmo nessa idade (15 anos) (Menino 15) (Sic).

Para conhecer o apoio familiar dado ao adolescente durante esse momento, foi-lhes questionado qual a reação dos pais e da família ao receberem a notícia. Eis que evidenciamos

o conflito acirrado aos valores tradicionais impregnados na estrutura da sociedade atual, observado principalmente nas respostas das adolescentes.

A minha mãe ficou brava, mas ela me orientou, conversou comigo. Já meu pai, já foi dando sermão (Menina 04) (Sic).

No começo ela (a mãe) aceitou porque eu estava casada, aí quando separei, ela quis que eu abortasse porque depois eu ia ficar sofrendo sozinha, que ele não ia ajudar (Menina 05) (Sic).

Ela falou pra não engravidar, mas aí eu engravidei... ela enchia o saco mais que tudo, brigou comigo, com certeza. Entre a família, nem tanto agora, porque minha mãe também engravidou na adolescência (Menina 06) (Sic).

Pra eles foi motivo de vergonha. Porque eles são idosos e tem uma doutrina diferente, então pra eles foi motivo de vergonha. Ai quando eles descobriram pressionaram pra mim casar, mas já era uma coisa que eu já queria, casar, mas não no momento. Busquei apoio mais na prima, porque meus pais, assim nunca me apoiaram (Menina 08) (Sic).

Porém, entre os adolescentes, percebe um distanciamento na comunicação com os familiares, onde na maioria das vezes, não há intervenção dos mesmos na vida do adolescente. Então, eles fazem as regras sem se preocupar muito com o que a família vai pensar das atitudes, como também durante sua infância e até mesmo na adolescência, é incentivada sua sexualidade precoce e muitas vezes, sem oferecer orientação sobre prevenção. Isso é evidenciado nas seguintes falas:

Ah, normal. Não falaram nada... normal! Não desaprovaram.” “Meu pai ficou bastante alegre (Menino 01) (Sic).

Minha mãe ficou meio brava, mas eles não se intrometem muito na minha vida, não (Menino 04) (Sic).

Eles só não me ponharam pra fora de casa porque eu já tinha casa, né? Sempre rola a bronca, mas depois todo mundo aceita (Menino 07) (Sic).

Minha família não falou nada não, eles não se intrometem na minha vida; mas eu e meu irmão conversamos e daí ele falou pra mim que agora eu vou ter que arcar com as consequências, assumir o filho e me virar, arrumar um emprego pra ajudar nas despesas, porque eu moro com ele, né? (Menino 09) (Sic).

Sobre o aborto, foi indagado se já pensaram ou tentaram a prática do abortamento, e descobrimos que 33% dos meninos já pensaram em abortar e propuseram às suas parceiras, e 27% das meninas já pensaram abortar, e em 13% delas tentaram abortar, mas não conseguiram. A partir desse levantamento, sente-se a falta de apoio familiar, pelo parceiro e

pelo serviço de saúde a esse grupo que se vê desamparado quando da descoberta de uma gravidez não planejada.

Ela meu deu remédio pra abortar, e eu tomei. Era um remédio caseiro, acho que era bicarbonato de sódio e caferana (uma planta), aí não deu certo, aí depois ela me deu sal amargo com café. Tive que tomar na marra se não ela me batia! (...) Me deu só dor de barriga, não tive sangramento. Já estava de 2 para 3 meses. (Refere que a ideia partiu da mãe dela, e que ela não queria.Chorou durante o relato, disse que tem medo se ela fez algum mal pra ele) (Menina 05) (Sic).

Já pensei e procurei na farmácia se eles vendiam remédio pra abortar, eles disseram que não; e uma amiga disse pra tomar chá de canela misturado com melão São Caetano, mas como eu não conheço muito a cidade, ela disse que tinha num bairro, mas bem longe, mas ai eu não sabia i lá...aí passou tempo e eu não fui mais atrás. Só o chá de canela não aborta né? (Menina 11) (Sic).

Não. Minha mãe quando descobriu, queria que eu abortasse, mas eu nunca quis. Nunca tentei (Menina 08) (Sic).

Autores como Vieira (2010) e Moreira et al (2008), afirmam que uma gestação indesejada e sem o apoio, as adolescentes procuram o aborto como saída, mesmo em condições impróprias e ilegais, segundo a Constituição Brasileira. Além disso, o aborto pode trazer malefícios tanto físicos quanto psicossociais, por exemplo: esterilidade e depressão.

Procuramos saber sobre as perspectivas de vida depois que o bebê nascer, sobre o pensamento e planejamento pela espera do bebê, e concluímos que muitos dos adolescentes do sexo masculino e feminino responderam à pergunta de modo apático, sem apresentar muita expectativa com a chegada do seu filho. Entendemos que, a ideia de serem pais ou mães nesta fase de suas vidas, ainda não foram assimiladas, de acordo com a realidade de cada um, salvo exceções daqueles que apresentam melhor estrutura familiar e financeira, pois não há um planejamento para receber esta nova vida, percebe-se que eles estão esperando acontecer para depois resolverem como será a vida deles após o nascimento do bebê.

Para as adolescentes, a chegada de um bebê desperta ansiedade, sentimento de mudança, responsabilidade, porém não se vê um planejamento e expectativa de vida a longo prazo, e sim, momentâneo até o nascimento.

Certeza que vai mudar tudo, vai ter que ter mais responsabilidade (Menina 02) (Sic).

Meu Deus, Nossa Senhora!!! Vou ter que excluir todo tempo que tenho pra mim, e todo meu tempo vai ser do Luís Otávio, e vai ser uma vida muito cansativa (Menina 03) (Sic).

Eu sou burra, porque eu fico pensando se eu não puder sair; e se eu não voltar ao meu corpo normal? Vou tentar estudar até eu aguentar (Menina 05) (Sic).

Se puxar do meu jeito quando eu era criança vai ser teimosa, birrenta. Por um lado é bom pra saber como eu era teimosa (imaginando o bebê), e por outro lado é ruim. (não soube explicar o lado ruim, apenas disse: “Sei lá, tem tantos.) Vou voltar a estudar, mesmo se não tivesse grávida eu ia voltar. Ah, eu tenho medo da hora do parto! (Menina 06) (Sic).

Ah, eu espero que seja ótima, com muito cuidado, amor e responsabilidade (Menina 08) (Sic).

Continuar estudando, vou ter que trabalhar. Nunca parei pra pensar em uma criança me chamando de mãe, tô ficando velha (risos) (Menina 13) (Sic).

As repostas obtidas de acordo com o público adolescente masculino a partir de relatos sobre oferecer apoio ao filho e a parceira financeiramente, a presença paterna esporádica, e sem planejamento de vida futura, ou seja, não pensaram a respeito ou esperam continuar vivendo da maneira que viviam antes da paternidade. Isso é revelado a partir das seguintes respostas:

Ah, nem parei pra pensar. Às vezes, eu até esqueço disso, e me perco no mundo! Ainda não parei pra pensar nisso direito. Nem parei pra pensar que eu vou ser pai com 17 anos. Tipo, eu quero me divertir, eu não queria ser pai agora, mas no que precisar eu vou ajudar. Mas não tá na minha cabeça morar junto, casar e cuidar do meu filho. Eu acho que eu sou muito novo, quero fazer outras coisas (Menino 01) (Sic).

Vai ficar do mesmo jeito (Menino 04) (Sic).

Ah, sei lá. Eu vou ajudar ela no que precisar, dar dinheiro e tal. Vou visitar ele, sei lá. Nem parei pra pensar direito (Menino 05) (Sic).

Tem um peso na consciência que você é pai! Antigamente, eu não trabalhava, agora meu pai não vai me ajudar aí eu vou ter que trabalhar(Menino 14) (Sic).

Mesmo jeito, ele vai morar com minha mãe e tal, aí vai ficar do mesmo jeito. Ela quer morar sozinha comigo e com o bebê, mas eu não quero porque eu moro com meus amigos, então pra mim é melhor (Menino 15) (Sic).

Existe uma diferença evidente entre as perspectivas de vida apresentadas pelos adolescentes de ambos os sexos, esse fato por ser explicado segundo Resselet al (2011), em que os adolescentes do sexo masculino são incentivados pelos pais e amigos a manterem relações sexuais com várias parceiras como afirmação de sua masculinidade, não apresentando preocupação em consequência da prática do sexo inseguro; o que ocorre inversamente com as adolescentes, onde sua sexualidade é reprimida e controlada pela

família. É possível perceber que um filho na vida do adolescente iria interromper ou prejudicar ele exercer a sua sexualidade desenfreada, o que sobrecarrega a adolescente/mãe com o papel responsável pelo cuidado do filho.

E o último assunto abordado nesta pesquisa, refere especialmente aos adolescentes do sexo masculino, onde procurou conhecer sobre a participação dos mesmos durante a gestação de seu filho. Os resultados obtidos afirmam que 33% acompanham o andamento da gestação, contra 67%, que dizem não acompanhar. Os relatos que justificam esse fato são citados:

Não, porque eu acho que pra mim não é muito bom eu tá lá naquele momento, né, minha cabeça não tá pra aquilo (Menino 01) (Sic).

Sim, porque eu acho que é importante, quero acompanhar ele desde agora até os 15 anos, quero ser um pai presente, porque um pai ausente faz muita falta, porque meu pai foi muito ausente na minha vida. Acompanho nas consultas, compro remédio. (Menino 07) (Sic).

Não. É importante acompanhar, mas eu não acompanho não. Só vim hoje porque minha mãe não pode vim. Ela fica com ciúmes porque eu dou mais atenção aos meus amigos que pra ela (Menino 15) (Sic).

Sim, eu tô sempre perguntando se ela tá bem, se ele tá mexendo. Coloco a mão na barriga dela, quando precisa eu levo ela no médico. Acho que ele sabe quando eu tô junto, porque ele mexe mais (risos) (Menino 03) (Sic).

Não, porque eu não gosto de ir nas consultas porque demora muito, e às vezes, a amiga dela vai junto. E também porque a gente não tá mais junto, então eu evito ficar muito tempo com ela, prefiro ajudar de outra maneira, financeiramente (Menino 08) (Sic).

Diante essa variação de respostas, podemos perceber que esses 33% de adolescentes que acompanham a gestação de seus filhos representam em maior parte aqueles que encontram-se amasiados. Os que encontram-se solteiros, não demonstram muito interesse na participação no período gestacional, e preferem se distanciar, mesmo para romper laços afetivos que tivera com a parceira, anteriormente, e que não mantém mais. Deve-se levar em consideração, que muitas vezes, diante da gravidez na adolescência, há uma pressão social e familiar para que o adolescente viva a experiência do casamento, mesmo que informal, principalmente para a adolescente, por motivos sobre como é a abordagem de sua sexualidade e os preconceitos inseridos na sociedade para a adolescente/mãe-solteira.

Assim, é possível detectar que os adolescentes que passam pela maternidade e paternidade enfrentam conflitos familiares, pela desestrutura que compõe a família e a não aceitação e apoio oferecido por ela, pelo medo da reação do(a) parceiro (a), que é

imprevisível, e pela vulnerabilidade que se encontram com tamanha responsabilidade em gerar e cuidar de uma vida que está por chegar. A busca de uma identidade na sociedade e a quebra de suas expectativas e sonhos futuros, frustram esses adolescentes a continuarem seus planos após o nascimento do bebê. A não participação dos meninos na gestação significa perda da liberdade que tinham antes de terem o conhecimento sobre a paternidade, e por isso, não dão a importância e apoio necessários à progenitora.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Podemos perceber que a gravidez na adolescência é um processo carregado de influências sociais. O perfil socioeconômico identificado nas escolas estaduais do município de Tangará da Serra caracteriza os adolescentes do sexo masculino com idade entre 17 e 19 anos, em sua maioria, solteiros, não possuem religião, pertencentes a classe social baixa e escolaridade do Ensino Médio incompleto; assim como os adolescentes do sexo feminino que identificam-se em sua maioria com idade entre 17 e 19 anos, porém com presença significativa na faixa etária de 15 a 16 anos, amasiadas, católicas, pertencentes a classe social baixa e escolaridade do Ensino Médio incompleto.

A partir da análise dos dados, detectou-se um histórico familiar comum de gravidez na adolescência com alta incidência, presente principalmente pela mãe. Isto confirma ser um fator interligado à influência da gravidez atual do(a) filho(a) adolescente, seja por questões culturais, busca pela identidade ou afirmação de sua sexualidade, ou intenção de construir uma família, ou mesmo a falta de diálogo familiar sobre a sexualidade, principalmente para o público feminino, que representou minoria em receber orientação sobre sexo e métodos de prevenção pela família. Logo, está explícito o primeiro conflito, que é ausência de diálogo intrafamiliar sobre sexualidade, principalmente quando se trata de uma menina, cujos padrões tradicionais é reprimir sua sexualidade e tratá-la como pecado e vergonha, enquanto para os meninos é incentivada desde cedo a exercê-la como autoafirmação da masculinidade.

É contraditório quando fazemos esta análise e vemos que os adolescentes do sexo masculino procuram conversar sobre sexo com os amigos. Então nos questionamos, como está sendo feita a orientação pela família, se eles não sentem segurança em discutir o assunto com a própria família? Já as adolescentes afirmam conversar mais sobre sexo com o parceiro, seguido pela mãe, e percebemos a ausência da figura paterna no que se trata de diálogo- sexualidade-orientação, vemos o quão é frágil os laços familiares.

A participação das escolas na orientação sobre sexo e métodos de prevenção apresentou-se de maneira muito satisfatória, o que é inversamente proporcional ao encontrado nas Unidades Básicas de Saúde. Sobre essas informações realizadas aos adolescentes, como estão sendo realizadas esta leva de informações pois o número de gravidez na adolescência é constante, tornando-os mães e pais sem qualquer planejamento? Será que estas informações chegam até eles de forma esclarecida, eles têm a oportunidade de partilhar e tirar suas dúvidas, estão sendo eficazes na prevenção de DST‟s e gravidez indesejadas? A pesquisa

revela que eles conhecem em média de 2 a 3 tipos de métodos de prevenção, porém, eles estão tendo acesso a estes métodos? Também percebeu-se a despreocupação de 47% dos adolescentes de ambos os sexos em utilizar métodos de prevenção, os agravos que isso pode provocar é o crescimento do número de gravidez na adolescência e a manifestação de DST‟s. E a partir dessa reflexão que vemos a importância das ações de saúde, a partir da implantação de políticas específicas que abrangem o público adolescente, como por exemplo o Programa de Saúde do Adolescente – PROSAD, porém ainda ausente no município de Tangará da Serra. A ausência de políticas públicas refletem no número de gravidez na adolescência indesejadas e na falta de assistência integral desse grupo.

A partir da compreensão deste momento, e dos conflitos vividos pelos adolescentes, analisados juntamente com a idade da menarca e da sexarca, podemos averiguar que os adolescentes iniciam sua vida sexual cada vez mais precocemente, despreparados, desinformados e inseguros, fatores que contribuem para a vulnerabilidade e aumenta a susceptibilidade em ocorrer a gravidez na adolescência. E com isso, fica nítido os conflitos que eclodem pela não aceitação da família, a falta de apoio pelo parceiro, e estas adolescentes se veem desamparadas, sem ter, muitas vezes o conhecimento sobre as transformações que estão acontecendo com seu corpo; contudo, enfrentar essas situações sozinhas, sem apoio da família e parceiro, muitas vezes elas recorrem à prática do aborto, colocando em risco sua vida e de seu bebê. Vemos que a diferença de gênero já é um conflito por si só, pois desde a relação em lidar com a sexualidade se difere para ambos os sexos até o momento em que a responsabilidade e cuidado com o bebê sobrecarrega o lado feminino.

Esta pesquisa trás situações e conflitos vividos pelos adolescentes que ao se depararem com a descoberta da gravidez na adolescência, percebemos que a desestrutura familiar e a falta de apoio, agravam a situação, a ausência de apoio do parceiro provoca insegurança e medo, e consequência disso há o abandono dos estudos e o agravamento das condições socioeconômicas, pois elas ficam excluídas das melhores oportunidades no mercado de trabalho devido a pouca escolaridade, e assim reflete na sua qualidade de vida e na de sua família.

É possível perceber o quanto é complexo entender a gravidez na adolescência, pois implica a compreensão dos fatores familiares, culturais, sociais em que estão inseridos, psicológicos decorrentes dos conflitos pela fase de transição da infância para a vida adulta. Aliado a isto, há uma diversidade de aspectos interligados que devem ser investigados com mais clareza, como a prática de aborto em adolescentes, a abordagem e orientação sexual oferecida nas escolas, a visão dos pais sobre a gravidez na adolescência dos filhos, a

influência da sexarca em período curto da menarca, que tem muito a complementar o tema sobre gravidez na adolescência e pode abranger temas de trabalhos futuros, e que vão focar e incentivar a necessidade de implantação de politicas públicas voltadas à assistência integral da saúde do adolescente, porém não é o foco principal nesta pesquisa, mas abre caminho para novas investigações.

No entanto, é valido destacar as dificuldades encontradas no decorrer do desenvolvimento deste trabalho, entre as quais a ausência pela procura dos adolescentes do sexo masculino à Atenção Básica e falta de registros destes adolescentes que estavam vivendo o momento da paternidade, o que provocou a mudança da área de estudo das Unidades de Saúde da Família para as escolas estaduais de Tangará da Serra. A resistência de alguns profissionais da saúde em colaborar com a pesquisa também foi uma das dificuldades enfrentadas, pois havia sempre impedimento quanto ao espaço físico para aplicação dos questionários e a disponibilidade dos mesmos em pedir às Agentes Comunitárias da Saúde para identificar e facilitar o contato com os sujeitos, seguidas de várias tentativas.

Já nas escolas, a dificuldade foi na identificação pelos adolescentes/pais, pois alguns casos ainda eram omissos em público, e foram muitas idas e vindas para a coleta de todos os dados. Um dos momentos mais difíceis, foi durante a aplicação dos questionários a algumas adolescentes, onde elas se emocionaram ao revelar suas histórias e demonstraram a necessidade de ter um acompanhamento psicológico profissional durante esse momento carregado de conflitos; porém foi um dos momentos mais gratificantes em fazer a pesquisa, oferecer apoio emocional e esclarecer algumas de suas dúvidas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALVES, F. C. C. e MORESCHI, R. C. P. S. Montando o quebra-cabeça: a importância da administração do conflito no ambiente de trabalho. Ciência e Opinião: Curitiba, v.3, n. 1,

jan./jun. 2006. Disponível

<http://cienciaeopiniao.up.com.br/arquivos/cienciaeopiniao/File/volume4/art8%20Ci%C3%A Ancia%20e%20Opini%C3%A3o%20nov06.pdf> acesso em 05 de junho de 2011, às 16 horas.